A História do é um domínio de estudos de eventos focados na evolução do território e sociedade iemenitas que, canonicamente, se estende desde a antiguidade, quando era conhecido como Arábia Feliz, até os dias atuais.

O templo mais antigo da Península Arábica, chamado Mahram Bilqus, ou "palácio da Rainha de Sabá" encontrava-se em Marib, no sul do actual Iêmen, que era considerada a capital do reino de Sabá.

Esta cidade foi construída entre o segundo e o primeiro milénios antes de Cristo. Localizada numa situação estratégica, Sabá floresceu através do comércio de mercadorias, tanto da Ásia, como de África, incluindo o café, proveniente da região. O Iêmen foi um país socialista com uma fragmentação territorial, por isso ele passou a ser dividido em dois blocos.

Antiguidade

thumb|direita|Uma escultura antiga de um grifo do palácio real em Shabwa, a capital do reino de Hadramaute

Quando a Civilização Minoica vivia seu apogeu, desenvolvia-se no sul da Península Arábica uma outra cultura, também baseada no comércio, no caso terrestre, que levou ao surgimento de diversas cidades, tais como: Maim, Marib, Timna e Najrã.

No interior estavam situadas rotas das caravanas que traziam essências aromática de Dófar (hoje Omã) e Punte (hoje Somália), que depois seguiam o litoral do Mar Vermelho até os mercados do Mar Mediterrâneo ou, a partir de Taimá, até a Mesopotâmia.

Essas cidade foram se unificando em reinos, o reino de Maim, no século VII a.C., que exportava incenso para o Egito no século XIV a.C., é o primeiro de que se tem notícia em terras do Iêmen. Depois surgiu o Reino de Sabá, estabelecido no sudoeste do país, cuja rainha visitou Salomão, segundo o Antigo Testamento, e cuja vinculação com o litoral africano data da fundação do reino etíope de Axum.

Os comerciantes de Sabá mantiveram os laços com a África durante séculos apesar de suas embarcações serem rudimentares. Uma das consequências desse vínculo foi a propagação do cristianismo entre os iemenitas a partir do século IV DC, por meio dos pregadores etíopes.Enciclopédia do Mundo Contemporâneo, 3ª Ed. rev e atualizada - São Paulo Publifolha, Rio de Janeiro: Editora Terceiro Milênio, 2002, pp 324-326

No ano 30 AC, o Império Romano, que já dominava o Egito, tentaram, sem êxito, estender seu domínio a Sabá.

No início do século II DC, Ptolomeu começou a se referir a esta área como "Arábia Feliz" por causa de sua vegetação (que distingue do resto da península) e da riqueza como resultado do comércio.

No século III DC, o Reino de Sabá tinha caído sob a influência dos Himiaritas (Reino Himiarita),Guia del Mundo 2007, acessado em 23 de maio de 2011 uma seita de origem hebréia que conquistou a hegemonia no sul da Península Arábica, que fixou sua capital em Saná e estabeleceram o judaísmo como religião oficial.

Um século depois, os missionários cristãos começaram a chegar no Iêmen.

O Último Rei de Himiar começou uma violenta perseguição da comunidade cristã, o que resultou em 525 DC numa intervenção do reino cristão da Abissínia (Rei de Axum). Os reis de Axum falavam grego e haviam se convertido ao cristianismo em 333 DC, e estabeleceram as bases tradicionais do futuro cristão da Abissínia (Etiópia).

Em 575 o país foi invadido pelo Império Sassânida, que converteu o Iêmen em uma satrapia persa, e na segunda metade do século VII incorporou-se ao Islã.

História islâmica

thumb|esquerda|A Idade dos Califas

Na década de 630, o primeiro califa muçulmano, Abu Becre, realizou incursões em território do Iêmen, que chegou a dominar por inteiro, unificando assim toda a península árabe. Apesar da integração, o território conservou um alto grau de autonomia, governado de fato por pequenas dinastias tribais.

Em um primeiro momento estiveram sob a hegemonia dos Omeídas, que tinham capital em Damasco, e posteriormente sob a hegemonia dos Abássidas, que tinha capital em Bagdá.

O Iêmen passou por um período de quase três séculos de conflitos e invasões, perdendo muito de seu esplendor. Nessa época, até a represa de Marib, que era fundamental para a irrigação, ruiu por falta de manutenção. Nesse período de crise ocorreram imigrações para a África e para a parte oriental da Península.

As turbulências políticas prosseguiram, e, no final do século IX (c. 897), foi instalado o imamato zaidita, cujos membros participaram do governo até 1962, quando um golpe militar, seguido de prolongada guerra civil, pôs fim ao Reino do Iêmen, constituindo-se então a República Árabe do Iémen (Iêmen do Norte).

De 1173 até 1229 o Iêmen foi regido pela dinastia egípcia dos aiúbidas, e até o final do ano 1450, pelos resúlidas, período de florescimento artístico e científico. A arquitetura e a agricultura tiveram grande avanço.

Intervenções Estrangeiras e Divisão

No século XV, os portugueses chegaram à Arábia, elegeram como objetivo bloquear as rotas de comércio do Mar Vermelho para controlar o comércio de especiarias, para isso conquistaram Adem em 1516, onde se fixaram até 1538, nesse período Portugal dominou a entrada do Mar Vermelho.

O Iêmen foi invadido pelos mamelucos egípcios no início do século XVI, e pelos turcos otomanos em 1517, que ocuparam apenas alguns pontos da costa do Mar Vermelho, enquanto o interior do país e a costa sul continuaram independentes, governados por um Imã. miniaturadaimagem|387x387px|Purpura_Presença Portuguesa no Iêmen e golfo de Aden, séculos XVI e XVIII. Territórios dos sultões aliados cor-de-rosa (Adem, Mara, Dófar e Camphar)

A ultima tentativa para reconquistar Aden pelos portugueses foi apoiada pelo Rei de Camphar, aproveitando a revolta contra a presença dos Turcos, o Rei colocou-se sob a protecção dos Portugueses. Durante o ano de 1547 a 1548 uma série de operações militares levadas pelos Portugueses permitiu a reconquista de Ash-Shihr ( Xael) mas a má e prolongada defesa de Aden contra o cerco Turco fez com que a perda da cidade pelos portugueses os fizessem recuar mais tarde até Al Baleed (Dófar). A partir desta fase daqui os Portugueses continuariam a sua presença no mar Vermelho mantendo somente a ligação ao aliado etíope, patrulhando a entrada do Mar Vermelho a partir do Cabo Guardafui e comercializando no porto de Moca até ao seculo 18.

Em 1618 os ingleses instalaram um posto da Companhia das Índias Orientais no porto de Mukha.Essa localidade é a origem do nome de uma variedade superior de café (Mocka)

Os turcos otomanos foram expulsos pelos zaiditas em 1635.

No século XVIII houve uma nova divisão do território iemenita, provocada por lutas entre tribos inimigas.

Durante o século seguinte, os egípcios, liderados por Mehemet Ali ocuparam a porção setentrional do país, enquanto que os ingleses estabeleceram o controle sobre Adem, o melhor porto da região, e ocuparam o sudoeste do país em 1839, transformando aquela região em protetorado e posteriormente em colônia em 1937.

Em 1872, o Império Otomano passou a controlar a porção setentrional do país, dividindo o poder com uma autoridade local (Imã), que tinha um cargo hereditário.

Em 1870, com a abertura do Canal de Suez e a consolidação do domínio turco sobre a região setentrional do país, Adem ganhou importância estratégica para o Império Britânico, pois era a chave para o Mar Vermelho.

Em 1914, o Império Otomano e o Império Britânico demarcaram uma fronteira entre os territórios dominados por cada parte, que, a partir de então, passaram a ser conhecidos como Iêmen do Norte e Iêmen do Sul (na época Protetorado de Adem).

Consolidado o domínio em Adem, o Império Britânico foi progressivamente fazendo tratados de amizade ou protetorado com chefes tribais do litoral sul, até que, em 1934, tinha controle de todo o litoral sul até a fronteira com Omã.

História contemporânea

thumb|direita|A Cidade Antiga de Saná.

Iêmen do Norte

Em 1911, o Imã Yahya Ad-Din comandou uma rebelião nacionalista. Como resultado, dois anos depois, o Império Otomano reconheceu a plena autoridade dos imãs sobre o norte do país, em troca da aceitação formal da soberania turca sobre o território.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o Imã permaneceu fiel ao Império Otomano. Após a guerra, com o colapso desse império, a região setentrional proclamou sua independência em novembro de 1918, e Yahya ad-Din foi nomeado rei (Reino do Iêmen), o que provocou conflitos com o emir saudita de Nadj e com os ingleses, que dominavam a porção sul do país.

Após anexar Hejaz à Arábia Saudita, Ibn Saud entrou em disputa com Yahya ad-Din pelo controle de Asir, no norte do Iêmen, em 1933. Em março de 1934, declarou guerra ao país, e seus dois filhos mais velhos lideram uma invasão, obtendo o controle de grande parte do território iemenita. O Imã Yahya foi obrigado a assinar um tratado, em 23 de junho de 1934, reconhecendo que Asir passaria a ser parte do Reino da Arábia Saudita em troca do fim das agressões.ODAH, Odah Sultan. Saudi-American Relations 1968-78 : A Study in Ambiguity. Internationl Studies Unit. Salford: University of Salford, 1988, p. 17. O Império Britânico, que reconhecera a independência da parte setentrional do país em 1925, não chegou a declarar guerra, mas apoiou grupos contrários a Yahya.

O surgimento do movimento nacionalista Iêmen Livre, em meados da década de 1940, foi uma oposição ao controle autocrático dos Imã sobre o país.

Em 1945, o país participou da fundação da Liga Árabe e, dois anos, depois ingressou na Organização das Nações Unidas (ONU).

Em 1948, houve uma revolta fracassada na qual Yahya Ad-Din foi assassinado e sucedido por Ahmad ash-Shams.

Em 1958, o país aderiu à República Árabe Unida, formada em conjunto com o Egito e com a Síria, mas retirou-se em 1961.

Ahmad faleceu em 1962 e foi sucedido por seu filho Muhammad Al-Badr, que, em 26 de setembro do mesmo ano, foi deposto por militares nasseristas que proclamaram a República Árabe do Iêmen (Iêmen do Norte).

O Imã deposto, apoiado pela Arábia Saudita e pela Inglaterra deu início à guerra civil contra o governo republicano, que era apoiado pelo Egito. A guerra durou até 1970,

Um golpe dentro do campo republicano levou ao poder o moderado al-Iryani.

A radicalização do processo político no Iêmen do Sul conduziu a Arábia Saudita a uma política de aproximação com al-Iryani, que passou a ser visto como um mal menor.

O tratado de 1972, que previa unificação com o Iêmen do Sul, contrariava a estratégia regional da Arábia Saudita, que, em junho de 1974, apoiou o golpe do coronel Ibrahim al-Hamadi, que derrubou al-Iryani e tomou o poder em Saná.

O novo governo que inicialmente contava com o apoio do Rei Faiçal, perdeu esse apoio quando iniciou uma política de centralização do poder, política que sofreu oposição dos senhores feudais do norte, que passaram a contar com apoio dos sauditas. Hamadi sobreviveu a três tentativas de assassinato, mas acabou sendo morto em 11 outubro de 1977.

Um junta presidida pelo tenente-coronel Ahmad al-Gashmi e da qual participavam o primeiro-ministro Abdel Aziz Abdul Ghani e o major Abdel al-Aalim, assumiu o poder em junho de 1978, comprometendo-se a continuar a política de seu antecessor, mas um atentado matou o presidente da junta, Al-Gashmi.

Ainda em 1978, o major Ali Abdullah Saleh foi nomeado presidente, mas não conseguiu evitar que disputas internas resultassem em conflitos armados em janeiro de 1979.

Quando a Frente Nacional Democrática, que reunia todas as forças progressistas do país, estava prestes a tomar o poder, o conflito se transformou, por instigação da Arábia Saudita, em uma guerra contra o Iêmen do Sul. Essa guerra foi superada por meio da mediação da Síria, do Iraque e da Jordânia, o que permitiu um cessar-fogo e uma retomada das conversações sobre a reunificação do país, suspensas desde 1972.

Iemên do Sul

Em 1958, naquela região que em 1937 havia se tornado colônia do Império Britânico, seis dos governadores formaram a Federação da Arábia do Sul, com apoio do Império Britânico, Federação essa que, em 1965, passou a reunir os 17 estados da região.