A Brigada Judaica (oficialmente em inglês Jewish Brigade Group; em hebraico חטיבה יהודית לוחמת, חי"ל brigada judia combatente) foi uma unidade do 8º Exército Britânico composta por voluntários judeus recrutados na Palestina durante a Segunda Guerra Mundial.

O Grupo de Brigada de Infantaria Judaica, mais comumente conhecido como Grupo de Brigada Judaico ou Brigada Judaica, foi uma formação militar do Exército Britânico na Segunda Guerra Mundial. Ela foi formada no final de 1944, e foi recrutado entre judeus do Yishuv no Mandato da Palestina e comandado por oficiais anglo-judeus. A brigada serviu nos últimos estágios da campanha da Itália e foi dissolvida em 1946.

Após a guerra, alguns membros da Brigada ajudaram sobreviventes do Holocausto a emigrar para o Mandato da Palestina como parte da Aliyah Bet, desafiando as restrições britânicas.

Antecedentes Relações anglo-sionistas Após a Primeira Guerra Mundial, os impérios britânico e francês substituíram o Império Otomano como potências proeminentes no Oriente Médio. Esta mudança aproximou o objetivo do Movimento Sionista de criar um Estado judeu. A Declaração Balfour indicou que o governo britânico apoiou a criação de uma pátria judaica na Palestina em princípio, marcando o primeiro apoio oficial aos objetivos sionistas. Isso levou a uma onda de emigração judaica em 1918-1921, conhecida como a "Terceira Aliá". A Liga das Nações incorporou a Declaração no Mandato Britânico da Palestina em 1922. A imigração judaica continuou nas décadas de 1920 e 1930, e a população judaica expandiu-se em mais de 400.000 antes do início da Segunda Guerra Mundial.

Em 1939, no entanto, o governo britânico de Neville Chamberlain pareceu rejeitar a Declaração Balfour no Livro Branco de 1939, abandonando a ideia de estabelecer um domínio judaico. Quando o Reino Unido declarou guerra à Alemanha Nazista em setembro de 1939, David Ben-Gurion, chefe da Agência Judaica, declarou:"Lutaremos contra o Livro Branco como se não houvesse guerra, e lutaremos a guerra como se não houvesse Livro Branco."

Origens da Brigada Judaica miniaturadaimagem|Brigadeiro Ernest Benjamin, comandante da Brigada Judaica, inspeciona o 2º Batalhão na Palestina, outubro de 1944. Chaim Weizmann, presidente da Organização Sionista Mundial (World Zionist Organization, WZO), ofereceu ao governo britânico total cooperação da comunidade judaica no Mandato da Palestina. Weizmann procurou estabelecer uma formação de combate judia identificável dentro do Exército Britânico. Seu pedido para uma formação separada foi rejeitado, mas os britânicos autorizaram o alistamento de voluntários palestinos no Copo de Serviços do Exército Real (Royal Army Service Corps, RASC) e no Corpo Real de Pioneiros (Royal Pioneer Corps), com a condição de que um número igual de judeus e árabes fosse aceito. A Agência Judaica prontamente vasculhou os escritórios locais da Bolsa de Trabalho para recrutar desempregados árabes suficientes como "voluntários" para igualar o número de voluntários judeus, e outros foram recrutados das camadas mais baixas da população árabe oferecendo recompensas em dinheiro pelo alistamento.

A qualidade dos recrutas era, não surpreendentemente, horrível, com uma taxa de deserção muito alta particularmente entre o componente árabe, de modo que no final a maioria das unidades acabou sendo formada por judeus. Os voluntários foram formados em uma unidade de muleteiros RASC e uma Companhia Operadora Portuária RASC, e nas Companhias de Pioneiros 601 a 609 (todos menos dois perdidos durante a campanha da Grécia, com os dois últimos retornando à Palestina e dissolvidos lá).

A partir de 1942, um grande número de outras unidades mistas árabes e judias palestinas foram formados, ainda com a mesma composição étnica mista e os mesmos problemas de qualidade encontrados nas Companhias de Pioneiros, incluindo seis Unidades de Transporte RASC (judaicas), numerados 148, 178, 179, 405, 468 e 650; um Serviço Territorial Auxiliar feminino (Auxiliary Territorial Service, ATS) e um Serviço Territorial de Mulheres da Força Aérea Real; com efetivos de 3500 e 500, respectivamente. Além de várias formações auxiliares em unidades locais do Corpo de Material Bélico do Exército Real (Royal Army Ordnance Corps, RAOC), Engenharia Real (Royal Engineers, RE) e Corpo Médico do Exército Real (Royal Army Medical Corps, RAMC).

Nove companhias de infantaria não-combatentes também foram criadas como parte do Royal East Kent Regiment ("The Buffs"), para serem usados como guardas para campos de prisioneiros de guerra no Egito. Em agosto de 1942, o Regimento da Palestina foi formado, novamente atormentado pelo mesmo recrutamento misto e seus problemas de baixa qualidade associados. O regimento recebeu o apelido irônico de "Regimento Cinco Piastres", devido ao grande número de "voluntários" árabes que se alistaram apenas pelo bônus em dinheiro fornecido pela Agência Judaica. Uma história completa das unidades de 1915-1943 formadas na Palestina foi escrita por Marcel Roubiçek, no livro Echo of the bugle: Extinct military and constabulary forces in Palestine & Transjordan, 1915-1967.

No entanto, o problema permanecia de que não havia nenhuma formação totalmente judaica pronta para o combate. Grupos judeus pediram ao governo britânico para criar tal força, mas os britânicos recusaram. Naquela época, o Livro Branco estava em vigor, limitando a imigração judaica e a compra de terras. Alguns oficiais britânicos se opuseram à criação de uma força de combate judaica, temendo que ela pudesse se tornar a base de uma possível rebelião judaica contra o domínio britânico. Em agosto de 1944, Winston Churchill finalmente concordou com a formação de uma "Brigada Judaica". De acordo com o historiador Rafael Medoff, Churchill consentiu porque estava "comovido com o massacre de judeus húngaros [e] esperava impressionar a opinião pública americana".

Criação e organização miniaturadaimagem|1º Batalhão da Brigada Judaica em desfile.miniaturadaimagem|Uma marcha em Tel Aviv para o recrutamento do Exército Britânico, durante a Segunda Guerra Mundial.Depois que os primeiros relatos das atrocidades nazistas do Holocausto foram tornados públicos pelas potências aliadas na primavera e no início do verão de 1942, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill enviou um telegrama pessoal ao presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, sugerindo que "os judeus... de todas as raças têm o direito de atacar os alemães como um corpo reconhecível." O presidente respondeu cinco dias depois dizendo: "Não percebo nenhuma objeção..."

Depois de muita hesitação, em 3 de julho de 1944, o governo britânico consentiu no estabelecimento de uma Brigada Judaica com oficiais superiores judeus e também não-judeus escolhidos a dedo. Em 20 de setembro de 1944, um comunicado oficial do Ministério da Guerra anunciou a formação do Grupo de Brigada Judaica do Exército Britânico e a sede do Grupo de Brigada Judaico foi estabelecida no Egito no final de setembro de 1944 (a formação foi denominada grupo de brigada por causa da inclusão sob o comando de um regimento de artilharia). A bandeira sionista foi oficialmente aprovada como seu estandarte, e o seu efetivo contou mais de 5.500 voluntários judeus do Mandato da Palestina organizados em três batalhões de infantaria do Regimento da Palestina e várias unidades de apoio. Ordem de batalha

1º Batalhão, Regimento Palestino 2º Batalhão, Regimento Palestino 3º Batalhão, Regimento Palestino 200º Regimento de Campanha (Artilharia Real)

O The New York Times descartou a brigada como "simbólica" enquanto o Manchester Guardian lamentou, "O anúncio de que uma Brigada Judaica lutará com o Exército Britânico é bem-vindo, mesmo que com cinco anos de atraso. Lamentamos que o governo britânico tenha demorado tanto para aproveitar uma grande oportunidade. Diante do desânimo oficial, cerca de 30.000 judeus se ofereceram para o que pudessem conseguir, como pioneiros, batalhões de guarda, qualquer coisa. Mas uma coisa que eles queriam acima de tudo era lutar contra os alemães." A função da brigada era, então, apenas de guarda na Palestina, no aeroporto de Lida, Latrun e Haifa, e depois no Egito, guardando armazéns no Canal de Suez. Essas missões de guarda eram bem ativas, com árabes invadindo as áreas militares para roubarem o que lhes fosse possível, e era comum que os sentinelas atirassem contra invasores.

A brigada foi enviada para o Egito no outono. Aqueles que não estavam de guarda foram para o deserto para mais treinamento, desembarques de seção e de pelotão, ataques e defesa de pelotão, travessias de rios, combate urbano de casa em casa e de rua, colocação de minas e exercícios com munição real. As inspeções confirmaram que a disciplina e a saúde entre os soldados eram satisfatórias.

A primeira baixa da brigada ocorreu às 14:15h de 15 de fevereiro de 1944, quando o Soldado Aboy foi morto durante um exercício de tiro no Egito; ele foi enterrado no dia seguinte com honras militares. No mesmo período, o 1º Batalhão pediu a substituição das metralhadoras Hotchkiss pelos novos modelos Bren, o que foi concedido.

Engajamentos militares miniaturadaimagem|Cabo Joseph Wald, um soldado da Brigada Judaica na Itália, carrega um obus de artilharia com a inscrição em hebraico "Um presente para Hitler". miniaturadaimagem|Militares do 1º Batalhão da Brigada Judaica pegam carona num tanque Churchill no norte da Itália, 14 de março de 1945. Em outubro de 1944, sob a liderança do Brigadeiro Ernest F. Benjamin, o grupo de brigada foi enviado para a Itália e se juntou ao Oitavo Exército Britânico em novembro, o qual estava engajado na Campanha da Itália sob o 15º Grupo de Exércitos. A Brigada Judaica participou da Ofensiva da Primavera de 1945. Ocupou posições na linha de frente pela primeira vez em 3 de março de 1945 ao longo da margem sul do rio Senio, sob o comando do 5º Exército americano e imediatamente começou a se envolver em ações de pequena escala contra as forças alemãs, enfrentando a 42ª Divisão Jäger austríaca e a 362ª Divisão de Infantaria, de acordo com Morris, esta última contando principalmente com veteranos da SS e membros do partido nazista. O objetivo imediato da Brigada Judaica era a realização de patrulhamento agressivo durante o qual se envolveu em vários tiroteios com o objetivo de melhorar suas posições, limpar a margem sul das tropas alemãs e fazer prisioneiros para interrogatório. A brigada também realizou incursões em pequena escala contra posições alemãs do outro lado do rio para testar a força do inimigo e mapear as suas posições defensivas.

Em um ataque notável, a brigada foi apoiada por tanques do Regimento North Irish Horse e aviões de caça da Força Aérea Sul-Africana. Os pilotos sul-africanos, muitos dos quais eram judeus, voaram em formação de Estrela de Davi durante seus ataques como uma homenagem à brigada. Durante a incursão, os soldados de infantaria da brigada correram à frente dos tanques e limparam as posições alemãs, retornando com prisioneiros e impressionando muito as tropas experientes do Regimento North Irish Horse por conta da sua avidez. O humor dos prisioneiros variava de apreensivo a petrificado. Um dos brigadistas, de origem alemã ou austríaca, perguntou em alemão se os prisioneiros sabiam se a família do interrogador estava viva ou já fora assassinada nas câmaras de gás, e um dos prisioneiros urinou nas calças de medo. O Cabo Rosenblum era um judeu-polonês que escapou do campo de Buchenwald e sabia que sua família havia sido assassinada; quando sua patrulha retornou com prisioneiros, ele levantou a camisa de um deles e viu a marca distintiva da SS. Cego por vingança, Rosenblum ergueu seu fuzil mas foi dominado por seus companheiros, que lhe retiraram o fuzil antes que efetuasse um disparo. O tenente sabra (nascido no Yishuv), que liderou a patrulha, bateu gentilmente no ombro de Rosenblum e lhe disse "Eles são necessários para interrogatório. Mate os desgraçados em combate".