O Curdistão iraniano () é um nome não oficial para os territórios do Irã habitados por curdos e com fronteiras com o Iraque e a Turquia. A região é a parte oriental de uma zona geográfica maior denominada Curdistão e é conhecida como Curdistão Oriental por alguns.

Geografia miniaturadaimagem|200x200|O Curdistão iraniano está representado em vermelho O Curdistão iraniano não deve ser confundido com a província do Curdistão, que abrange apenas um oitavo das áreas habitadas por curdos no Irã. Ele inclui também a maior parte das províncias do Azerbaijão Ocidental, Província de Quermanxá e Província de Ilão.

É digno de nota, que são estimados de 6 a 7 milhões de curdos iranianos,Do Iranian Kurds want a united Kurdistan? (em inglês) Pesquisa em 24/04/16 sendo estes principalmente sunitas, e cerca de 1 milhão e meio xiitas, principalmente em Quermanxá. Também é notável que os xiitas de Quermanxá não têm nenhum interesse em autonomia.The Kurdish Nationalist Movement by David Romano, page 235A Modern History of the Kurds by McDowall, page 270

História Os curdos constituem aproximadamente 7% da população total do Irã. Alguns curdos iranianos têm resistido aos esforços do governo iraniano, tanto antes quanto depois da revolução de 1979, para assimilá-los na vida nacional. Junto com os curdos de regiões no Iraque e na Turquia, há movimentos separatistas que apoiam a ideia de se estabelecer um estado independente curdo.

No século XVII, um grande número de curdos foi deportado pelo xá para Coração no Irã oriental e por meio da força foram assentados nas cidades de Cuchã e Birjande. Os curdos de Coração, cerca de 700 mil, ainda usam o dialeto curdo curmânji.

Durante os séculos XIX e XX, sucessivos governos iranianos sufocaram revoltas curdas comandadas por figuras notáveis curdas, tais como o xeque Ubaide Alá (contra a dinastia Cajar em 1880) e Simko (contra a dinastia Pálavi na década de 1920).

Século XX De 1946 a 1947, em parte do Curdistão iraniano, se estabeleceu uma república autônoma efêmera denominada República de Mahabad, conhecida oficialmente como República do Curdistão, que buscava autonomia curda dentro dos limites do Estado iraniano. A capital era a cidade de Mahabad, no noroeste do Irã. Abrangeu apenas um território pequeno, inclusive Mahabad, e as cidades de mercado de Piranxar, Sardaste, Bucã, Nacada e Usnavia. A fundação deste estado socialista e sua consequente extinção tornou-se parte da crise do Irã durante as fases de abertura da Guerra Fria.

Os curdos sofrem uma discriminação brutal sob a monarquia Pahlavi.https://www.france24.com/en/middle-east/20260124-iran-s-military-grade-crackdown-expands-from-kurdish-areas-%E2%80%93-and-kurds-fear-the-worst

Após o golpe militar de 1953, Mohammad Reza Pahlavi se tornou mais autocrático e suprimiu a maior parte da oposição, inclusive as minorias étnicas, como os curdos. Ele também proibiu qualquer tipo de ensino em língua curda.

Lutas intensas ocorreram entre os curdos e o estado iraniano entre 1979 e 1982. Em agosto de 1979, Ruhollah Khomeini declarou uma "guerra santa" contra os curdos. Uma fotografia de um pelotão de fuzilamento da Guarda Revolucionária executando prisioneiros curdos próximo a Sanandaj ganhou fama internacional e venceu o Prêmio Pulitzer em 1980. O Corpo de Guarda da Revolução Islâmica atacou as regiões curdas para restabelecer o controle do governo iraniano; como resultado, cerca de dez mil curdos foram mortos. Desde 1983, o governo iraniano mantém o controle sobre todas as áreas habitadas pelos curdos.

Atualmente No Irã, os curdos expressam sua identidade cultural livremente, mas os direitos de governo e autoadministração são negados. Da mesma forma, membros de qualquer partido político não governamental no Curdistão iraniano podem sofrer com perseguições, aprisionamento ou até mesmo a morte. Muitos ativistas de direitos humanos curdos têm sido ameaçados pelas autoridades iranianas por causa de seu trabalho.

Após a morte do ativista e opositor curdo Shivan Qaderi e de dois outros homens curdos pelas forças de segurança iranianas em Mahabad em julho de 2005, seis semanas de tumultos e protestos ocorreram nas cidades e vilas curdas por todo o Curdistão Oriental. Uma grande quantidade de pessoas foi morta ou ferida, e outros tantos foram presos sem acusação. As autoridades iranianas também fecharam vários dos principais jornais curdos e prenderam editores e repórteres. Entre estes, estava Roya Toloui, uma ativista feminista e chefe do jornal Rasan ("Despertar") em Sanandaje. Ela foi torturada por dois meses por suposto envolvimento na organização de protestos pacíficos por toda a província do Curdistão.

Estima-se que em 2016, o governo iraniano tenha executado 30 pessoas por razões políticas e de segurança, sendo 27 delas curdos.27 KURDS EXECUTED IN IRAN FOR POLITICAL, SECURITY REASONS IN 2016 (em inglês) NRT. Pesquisa em 22/04/17

Ver também Partido Democrático do Curdistão Iraniano Partido da Vida Livre do Curdistão Curdistão iraquiano Curdistão turco Curdistão sírio

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