miniaturadaimagem|300px|Azulejos representando o Torneio na Estação de São Bento, no Porto, da autoria de Jorge Colaço. O chamado Torneio de Arcos de Valdevez, também conhecido como Recontro de Valdevez, Bafordo de Valdevez ou então Veiga da matança, foi um decisivo episódio da História de Portugal ligado à fundação da nacionalidade.
História O episódio teve lugar em 1140, no Vale do Vez (tributário do rio Lima), em Arcos de Valdevez, quando D. Afonso Henriques, após a vitória na batalha de Ourique (1139), rompeu a paz de Tui (1137) assinada com seu primo o Imperador Afonso VII de Leão e Castela, e invadiu a Galiza, conquistando alguns castelos sob protetorado do monarca leonês. Em resposta, as forças imperiais, em muito maior número, entraram em terras portucalenses arrasando os castelos à sua passagem, descendo as montanhas do Soajo em direção a Valdevez.
Eis o que nos diz sobre esse bafordo,"segundo diz Santo Isidoro nas suas Etymologias: ao depois usaram de varapáos, ou varas puras, e sem ferro algum, mas boleadas, com emboladas na ponta, para evitar toda a effusão de sangue, ainda casual: o nome destas varas era Burdo, por serem o mesmo, que bordão: ed'aqui chamaram os Hespanhoes Bofordo a estes divertimentos, ou brinquedos. Os Portuguezes em fim adoptaram nos princípios da monarchia o verbo Bafordar, para significarem a execução d'este festejo, que algumas vezes degenerou em combate demasiadamente sério". Elucidario das palavras, termos, e frases antiquadasda lingua portugueza. Tomo primeiro. Frei Joaquim de Santa Rosa Viterbo. a cronica dos godos do Século XII ou XIII (Tradução do Professor Albino de Faria):
Felgueiras Gaio, na sua obra o Nobiliário das Famílias de Portugal, faz de Gonçalo Martins de Abreu o general dessa batalha e explica que ela foi ganha:
Ele foi feito, pelo Rei, a seguir senhor da freguesia de Grade onde ergueu a Torre de Grade, deu-lhe uma quinta na freguesia de Merufe, concelho de Monção, onde havia um lugar chamado de Grade.
Do lado do Reino de Leão e Castela a Chronica Adefonsi Imperatoris dá outra versão. Embora reconhece a captura dum conde, há portugueses também presos e um certo equilibro entre as partes, daí o pedido dum acordo de paz por parte dos portugueses, com medo do Mouros que a situação no terreno seja menos favorável.
thumb|Padrão comemorativo do Recontro de Valdevez, erigido em 1940 De acordo com o professor Torquato Sousa Soares, da Universidade de Coimbra, a escaramuça ou “bafordo” da Portela de Vez teve lugar em 1137 e contribuiu para a celebração da paz de Tui, em julho daquele ano.
Outros autores consideram o episódio como o passo decisivo e a última etapa para o nascimento de Portugal, sendo o antecedente da celebração do Tratado de Zamora em 1143. Depois do Torneio de Valdevez, onde saem vencedores os cavaleiros de Afonso Henriques, este aproveita as boas graças da Igreja, e, por intermédio do Arcebispo de Braga, D. João Peculiar, faz que o Papa Inocêncio II aceite a sua vassalagem contra o pagamento de um censo (quantia que os reis pagavam ao Papa) de quatro onças (onça = 31 g) de ouro por ano.
O Arcebispo envia o Cardeal Guido de Vico junto de Afonso VII, obtendo deste, no tratado de Samora (Zamora), o título de rei (rex), que D. Afonso Henriques passa a usar, graças ao Recontro de Valdevez, e no papel, de facto e de direito, em 1143.
Lenda Segundo a lenda, nesta batalha foi encontrada uma relíquia sagrada, denominada Santo Lenho, que segundo a fé cristã crê-se que seja um pedaço retirado da Cruz onde Cristo foi crucificado. Esta relíquia encontra-se na freguesia de Grade, na Igreja Matriz,"D. Afonso sabendo que seu primo o vinha cometer pella parte de Galiza lhe sahio ao encontro na veiga de Valdevez a qual por causa desta batalha se chama ainha hoje a Veiga de Matança & està entre a Villa dos Arcos & a freguefia de S. Andre de Guilhadeles aonde não auendo lugar de concerto se deu a batalha que foi húa das bem feridas daquelle têmpo Venceraó os Portuguefes & o Infante Dom Afonso fez por seu braço obras maravilhosas Cótaó nosos autores que elRey de Catella se sahio da batalha ferido em húa perna & que entre os prifioneiros se acharaó depois sete Condes Alcançou o Infante entre outros depojos húa grande Reliquia do Santo Lenho a qual se depositou na Igreja de Grade distante húa legoa do lugar da batalha & se conserva ainda hoje com memoria continuada de muitos milagres & singular consolação & deuação da gente da terra & he tambem abonado testemunho desta vitoria". Monarchia Lusitana de António Brandão, Terceira parte num sacrário com duas portas fechado a sete chaves todas elas diferentes. O dia da sua veneração é sempre 40 dias depois da Páscoa, quinta-feira da Espiga. Na Aldeia é venerado como Padroeiro das guerras, e nesta freguesia nunca morreu um soldado na guerra.
O torneio na arte Na Estação de São Bento, no Porto, encontra-se um grande painel de azulejos alusivo ao Torneio, da autoria do notável ceramista e ilustrador Jorge Colaço, aí colocado em 1916.
Em Arcos de Valdevez, no Campo do Trasladário e em plena Avenida Recontro de Valdevez, existe um monumento equestre fundido em bronze que recorda o episódio histórico, da autoria do escultor José Rodrigues e considerado uma das mais notáveis produções escultóricas do artista, falecido em 2016.
Igualmente no Campo do Trasladário existe um padrão comemorativo do Recontro, inaugurado em 1940 pelo então Ministro das Obras Públicas Duarte Pacheco, sendo que este monumento não está na sua localização original, uma vez que esta era em pleno Campo, no local onde mais tarde, já na década de 50 do século XX, foi aberta a Estrada Nacional 101, obrigando à mudança do padrão, primeiramente para um largo frontal à Igreja do Espírito Santo da Vila, e já neste século, por iniciativa da autarquia local, para o Campo do Trasladário, concentrando assim neste espaço os elementos artísticos e simbólicos do Recontro de 1141.
Ver também
Independência de Portugal Tratado de Tui Tratado de Zamora
Bibliografia Torneio de Arcos de Valdevez, in Dicionário Enciclopédico da História de Portugal. Lisboa: Publicações Alfa, 1993. vol. I, p. 46. ISBN 972-609-028-8
Ligações externas Chronica Gothorum, Tradução do Professor Albino de Faria.
Categoria:Independência de Portugal Categoria:Relações entre Espanha e Portugal Categoria:Reinado de Afonso VII de Leão Categoria:Arcos de Valdevez Categoria:1140 em Portugal