A orca (Orcinus orca), também conhecida como baleia-assassina, é um cetáceo odontoceto (baleia com dentes) e o maior membro da família dos golfinhos oceânicos. É a única espécie existente do gênero Orcinus e é facilmente reconhecida pela sua coloração característica em preto e branco. Trata-se de uma espécie cosmopolita, que habita uma grande variedade de ambientes marinhos, desde regiões do Ártico e Antártico até mares tropicais.

As orcas são predadoras de topo, com uma dieta bastante diversificada. Populações específicas costumam se especializar em certos tipos de presas, incluindo peixes, tubarões, arraias e mamíferos marinhos, como focas, golfinhos e outras baleias. São animais altamente sociais, e algumas populações formam grupos familiares estáveis, baseados na linhagem materna, conhecidos como pods. Suas técnicas de caça sofisticadas e seus comportamentos vocais — frequentemente únicos para cada grupo e transmitidos de geração em geração — são considerados manifestações de cultura animal.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica o status de conservação das orcas como dados insuficientes, pois diferentes tipos de orcas podem, na verdade, representar espécies distintas. Algumas populações locais estão ameaçadas ou em perigo de extinção devido à diminuição das presas, perda de habitat, poluição (especialmente por PCBs), capturas para parques aquáticos e conflitos com a pesca. No final de 2005, as orcas residentes do sul foram incluídas na lista de espécies ameaçadas dos Estados Unidos.

As orcas raramente representam uma ameaça para os humanos, e nenhum ataque fatal foi registrado na natureza. No entanto, orcas mantidas em cativeiro já feriram ou mataram seus treinadores em parques temáticos marinhos.

Denominação miniaturadaimagem|esquerda|Esqueleto moderno de orca, no Museu de História Natural de Leida O nome orca foi dado a estes animais pelos antigos romanos do nome "Orcus", que significa inferno ou deus da morte, e o nome do seu género biológico - "Orcinus" - significa "do reino da morte" (ver Orco). A partir da década de 1960, quando ganharam popularidade entre os espectadores de oceanários, o termo neutro "orca" foi mais utilizado do que "baleia assassina", o qual conota um comportamento incompatível com objetivo desses parques.

Evolução e taxonomia A orca é a única espécie do género Orcinus e foi originalmente descrita por Lineu em 1758 no Systema Naturae. É uma das trinta e cinco espécies da família dos golfinhos. Tal como o género Physeter, também com apenas uma espécie (o cachalote), o género Orcinus caracteriza-se por uma população abundante sem parentes imediatos do ponto de vista da cladística. Os paleontólogos acreditam que a orca pode ter tido, provavelmente, um passado evolucionário anagenético; isto é, uma evolução de ancestral para descendente sem se verificar qualquer ramificação da linha genética (formação de espécies aparentadas, coexistindo no tempo). Se assim fosse, a orca passaria a ser uma das mais antigas espécies de golfinhos, ainda que seja pouco provável que seja tão antiga quanto a própria família, cujo início é datado em cerca de cinco milhões de anos.

No entanto, há pelo menos três a cinco tipos de orcas que são suficientemente distintas para serem consideradas raças, subespécies, ou possivelmente mesmo espécies.

Nas décadas de 1970 e 80, pesquisas ao longo da costa ocidental do Canadá e Estados Unidos identificaram três tipos: Residentes: A mais comumente avistada das três populações nas águas costeiras do Pacífico nordeste, incluindo em Puget Sound. A dieta das orcas residentes consiste principalmente de peixe e lula e vivem em grupos familiares complexos e coesos. Os laços familiares duram a vida inteira, muitas vezes vivendo em grupos matrilineares grandes e fazendo vocalizações em dialectos muito variáveis e complexos. "A unidade básica da sociedade de orcas residentes é a mãe, todos os seus descendentes dependentes (com aproximadamente dez anos ou menos), assim como a sua descendência adulta, incluindo os filhos destes. As fêmeas podem eventualmente passar menos tempo com as suas mães, à medida que forem produzindo crias suas, mas machos residentes parecem permanecer com as suas mães as suas vidas inteiras. Deixam-nas por períodos curtos para acasalar fora do seu grupo maternal, mas voltam para as suas mães depois disso." Fêmeas residentes têm caracteristicamente uma barbatana dorsal arredondada que termina num canto agudo. São conhecidas por visitar as mesmas áreas consistentemente. Nas populações residentes da Colúmbia Britânica e Washington, investigadores identificaram e nomearam mais de 300 orcas ao longo dos últimos 30 anos. thumb|Uma família de orcas nadando juntas Temporárias: A dieta destes animais consiste quase exclusivamente de mamíferos marinhos; eles não comem peixe. No sul do Alasca viajam geralmente em pequenos grupos, normalmente de dois a seis animais. Ao contrário das residentes, não permanecem sempre nas suas unidades familiares. As unidades consistem de grupos menores com laços familiares menos permanentes e com vocalizações em dialectos menos variáveis e menos complexos. As fêmeas possuem barbatanas dorsais mais triangulares e pontiagudas do que as residentes. A área cinzenta ou branca à volta da barbatana dorsal, conhecida como "sela", muitas vezes contém alguma coloração preta nas residentes. Em populações temporárias são uniformemente cinzentas. Estas populações transitam largamente ao longo da costa, tendo alguns indivíduos sido avistados no sul do Alasca e mais tarde na Califórnia. Na costa da Califórnia, as orcas se reúnem em grupos onde atacam baleias-cinzentas, visando caçar seus filhotes e predam elefantes-marinhos-do-norte thumb|Uma orca saltando na região de Washington, na costa leste dos Estados Unidos Offshore (população em alto mar): Estes animais foram descobertos em 1988 pelo investigador Jim Darling, que avistou algumas orcas no mar aberto. Estas cruzam os oceanos e alimentam-se primariamente de peixes em cardumes. No entanto, a presença de barbatanas dorsais cicatrizadas e danificadas semelhantes às presentes na caçadoras das transeuntes caçadoras de mamíferos, mostra a possibilidade de que estas comam mamíferos e tubarões. Têm sido maioritariamente encontradas ao largo da costa ocidental da Ilha Vancouver e perto das Ilhas da Rainha Carlota. Foram avistadas ao viajar em grupos de 60 animais. Atualmente, sabe-se pouco sobre os hábitos desta população, mas podem ser distinguidos geneticamente de residentes e temporárias. Offshores parecem ser menores do que as residentes e as em trânsito, e as fêmeas são caracterizadas pela ponta da barbatana dorsal que é arredondada. Parece haver uma correlação entre a dieta de uma população e o seu comportamento social. Orcas piscívoras no Alasca e na Noruega foram também observadas tendo estruturas sociais semelhantes às residentes. Orcas que se alimentam de mamíferos na Argentina e Ilhas Crozet foram observadas tendo comportamento mais parecido com as temporárias. Temporárias e residentes vivem nas mesmas áreas, mas tendem a evitar-se mutuamente. O nome temporária originou na crença que estes animais tinham sido expulsos das populações residentes maiores. Julga-se que a divergência evolutiva entre estes dois grupos começou há dois milhões de anos.Heimlich, Sara and Boran, James. Killer Whales (2001) Voyageur Press, Stillwater, MN. Pesquisa genética recente descobriu que os tipos não se cruzam há até 10 000 anos.Chadwick, Douglas H. "Investigating A Killer." National Geographic (Abril 2005) Quatro tipos de Orcas foram recentemente descritas no mar Antárctico.

thumb|left|250px|Tipos de orcas da Antártida

O Tipo A é uma orca "típica", que vive em águas abertas e caça principalmente a baleia-minke-antártica. Ao longo da costa da Argentina, as orcas caçam individualmente com uma técnica de encalhe intencional: elas se aproximam da praia e se lançam sobre a areia para abocanhar leões-marinhos. Um fenômeno específico e incrível é que essas orcas se dirigem até a praia onde atacam filhotes de leões e lobos-marinhos que estão aprendendo a nadar. Curiosamente, esse fenômeno acontece de uma maneira bastante peculiar, pois as orcas literalmente “surfam” até a praia para capturar suas presas, no que é conhecido como “encalhe intencional”. No entanto tal feito é muito perigoso para uma orca jovem e despreparada pois ela pode encalhar na areia e morrer na praia. Por isso as mães orcas ensinam os filhotes sucessivas vezes até que aprendam essa estratégia de caça arriscada. O Tipo B é menor que o Tipo A e habitam os mares da Antártida. Tem uma mancha ocular grande e uma mancha cinzenta nas costas, chamada de "capa dorsal". Alimenta-se principalmente de focas que ficam sobre blocos de gelo. Uma das técnicas mais utilizadas por essas orcas é criar ondas para desestabilizar as presas nos blocos de gelo, derrubando-as na água para depois arrastá-las com as caudas e afogá-las. Às vezes,com sorte, as focas conseguem escapar dos dentes afiados desse gigante dos mares.thumb|250px|Orca do tipo B caçando uma foca O Tipo C é o tipo menor de todos e vive em grupos maiores do que qualquer outro tipo de orca. A sua mancha ocular está distinctamente inclinada para a frente, ao invés de paralela ao eixo do corpo. Tal como o tipo B, tem uma capa dorsal. A sua única presa observada até ao momento é o bacalhau-da-Antártida (Dissostichus mawsoni). Orcas do tipo B e C vivem perto da calota polar antárctica, e a presença de diatomáceas nestas águas pode ser responsável pela cor amarelada nos dois tipos. Está a ser feita uma investigação no sentido de descobrir se as orcas do tipo B e C são espécies diferentes.

thumb|esquerda|250px|Orcas do tipo C no Mar de Ross. A mancha ocular é inclinada para a frente.

O Tipo D foi identificado com base em fotografias de um encalhe de orcas em massa em 1955, na Nova Zelândia e de seis aparições de indivíduos no mar desde 2004. É imediatamente reconhecível pela sua mancha branca ocular extremamente pequena, uma curta barbatana dorsal e a cabeça bulbosa (semelhante ao de uma baleia-piloto). Sua distribuição geográfica parece ser circumglobal em águas sub-antárticas entre as latitudes 40 ° S e 60 ° S. E. Embora nada se saiba sobre a dieta do tipo D, suspeita-se que incluam peixes, porque grupos foram fotografados em torno de palanqueiros onde alegadamente pescam a merluza-negra (Dissostichus eleginoides)

Características físicas thumb|left|250px|A barbatana dorsal, maior nos machos, além do porte, ajuda a distinguir os géneros Estes animais caracterizam-se por terem o dorso negro e a zona ventral branca. Têm ainda manchas brancas na parte lateral posterior do corpo, bem como acima e detrás dos olhos. Com um corpo pesado e entroncado, têm a maior barbatana dorsal do Reino animal, que pode medir até 1,8 metros de altura (maior e mais erecta nos machos que nas fêmeas). Os machos podem medir de 9,8 até 10 metros de comprimento e pesar até 9.000 - 10.000 kg (9 - 10 toneladas); as fêmeas são menores, chegando aos 8,5 metros e 6.500 - 7.500 kg (entre 6 e 8 toneladas), respectivamente. As crias nascem com cerca de 180 kg e medem cerca de 2,4 metros de comprimento.

As orcas macho de maiores dimensões têm um aspecto distinto que não dá margem para confusões ao serem identificados. Contudo, vistas à distância em águas temperadas, as fêmeas e as crias podem confundir-se com outras espécies, como a falsa-orca ou o golfinho-de-risso.