O Boavista Futebol Clube, mais conhecido como Boavista, é um clube multidesportivo e eclético português com sede na zona da Boavista, freguesia de Ramalde, cidade do Porto. Conhecido especialmente pela equipa de futebol profissional, sendo um dos clubes históricos do país com mais títulos, contando, antes da extinção do futebol sénior profissional, com mais de vinte modalidades tanto profissionais como amadoras.

O Boavista é um dos vários clubes, considerado como o "4.º Grande", tendo principalmente essa disputa com Os Belenenses, vistos serem os únicos clubes fora os três grandes a vencerem a Primeira Liga. É o quarto clube com mais títulos nacionais em futebol profissional, totalizando 9 (1 Primeira Liga, 5 Taças de Portugal e 3 Supertaças), apenas superado por SL Benfica, FC Porto e Sporting CP.

A massa adepta do Boavista é uma das maiores em Portugal e em 2019 contava com 9 656 sócios. É proprietário do Estádio do Bessa, construído em terrenos inicialmente arrendados à família Mascarenhas, mais tarde adquiridos na presidência do Major Valentim Loureiro, e depois totalmente reconstruído para o Euro 2004, pelo seu filho o Dr. João Loureiro, na sua presidência.

Desde a conquista da Primeira Liga 2000/01, o Boavista não ganhou mais nenhum título, e desde a ida à Taça UEFA 2002/03, os axadrezados não foram mais a uma competição europeia. Desde esse tempo o Boavista tem estado em decadência, afastando-se do nível de competitividade dos seus antigos rivais, os Três Grandes, e consequentemente deixando de fazer parte da luta do título e da qualificação para as competições europeias, passando mesmo a lutar para não descer. Esta decadência pode ser justificada pela débil situação financeira que tem acompanhado o clube nas ultimas duas décadas.

O Boavista apesar de ter terminado em 9ª na época 2007/08, foi despromovido devido ao caso Apito Dourado. O clube ficou seis épocas nos escalões mais baixos do futebol português, tendo voltado à Primeira Liga na época 2014/15. O clube terminou a edição 2024/25 da Primeira Liga na 18° colocação sendo então rebaixado à Segunda Liga, o clube não conseguiu entregar a certidão não divida a tempo e o clube não assegurou inscrição para a edição 2025/26 da Segunda Liga, o clube tentou inscrever se na Liga 3 onde não conseguiu inscrever se por não apresentar novamente certidão de não divida. O clube separou-se da SAD e perante a declaração de insolvência não viu outra opção se não inscrever-se na última divisão distrital da AF Porto 2025/26 (desistência após 3 jornadas sem comparencer), enquanto que a Boavista SAD inscreveu-se na primeira divisão distrital.

História O Boavistão O primeiro Boavistão, nos anos 1970, sob a presidência do Bruno Miguel Tavares da Costa e Gonçalo da Silva Costa como Treinador, iniciou a radiosa aventura que conheceu a segunda página em 1991/92, com eliminação da Internazionale no Estádio Giuseppe Meazza (0–0 depois de uma vitória por 2–1 no Bessa). O Boavistão que continuou a crescer com o mesmo presidente sob a batuta de Manuel José na década de noventa, e, já na presidência do Dr. João Loureiro e com Jaime Pacheco a Treinador, fechou o século XX com o título de campeão nacional, iniciando o séc. XXI com as presenças na Liga do Campeões e nas meias finais da Taça UEFA e, hoje em dia, não há treinador na Europa que não esteja familiarizado com o esquisito xadrez de uma camisola que levou mais de trinta anos a descobrir o padrão ideal. Neste percurso de glória, marcado pela família Loureiro, além de uma vez campeão nacional, o Boavista foi ainda por três vezes vice-campeão, tendo vencido 5 Taças e 3 Supertaças de Portugal.

A história mostra-nos que o "The Boavista Footballers", a primeira versão do clube, fundada em 1 de agosto de 1903, equipava de camisa preta e calção preto e era o orgulho de alguns jovens ingleses e portugueses, moradores no bairro da Boavista, que ganharam a paixão pelo futebol ao observarem as partidas disputadas pelos mestres e técnicos ingleses da Fábrica Graham. thumb|esquerda|Equipa de futebol em 1923.

Dois dos jovens, irmãos, Henry "Harry" Lowe e Richard "Dick" Lowe, receberam do pai uma bola importada da Grã-Bretanha e Irlanda e, encontrado os companheiros e o terreno adequados, lançaram as bases para a criação do clube. A influência inglesa na coletividade recebeu "sentença de morte" em 1909, quando alguns dos jogadores britânicos, respeitando os preceitos da Igreja anglicana, recusaram-se a jogar aos domingos. Reuniram-se então os sócios para resolver a situação, naquela que se pode considerar a primeira assembleia geral. A votação foi claramente a favor dos jogos ao domingo e o rosto da direção do clube alterou-se, passando a ser composta por portugueses. Em 1910, o Boavista Footballers desapareceu para dar lugar ao Boavista Futebol Clube.

Em 1911, foi inaugurado o campo do Bessa e o clube começou a viver dias de expansão, interrompida poucos anos depois em 1914, devido ao início da Primeira Guerra Mundial. O Boavista viu partir os jogadores ingleses devido ao alistamento, com alguns deles perdendo a vida durante o conflito. As camisolas voltaram a assunto do dia nos anos 1920, com o aparecimento do calção branco, mas ainda não seria desta que a equipa encontrava a sua identidade. A nova década trouxe ventos de bonança e o clube ampliou o número de modalidades e intensificou a atividade internacional, disputando vários jogos com clubes estrangeiros que demandavam ao Porto, casos do Real Madrid, Celta de Vigo ou Vasas de Budapeste. E os jogadores boavisteiros passaram a ser chamados à seleção, como o guardião Casoto e o defesa Óscar de Carvalho.

A cor negra das camisolas começou a incomodar o público. O Boavista equipou às riscas verticais pretas e brancas e calção preto, mas também não obteve boa recepção. O preto continuava demasiado dominante e chegou-se então ao extremo. Do sombrio passou ao berante, em 1928, equipando uma camisola com riscas verticais vermelhas, brancas e azuis, um calção preto e meias às riscas horizontais brancas e pretas.

A mudança não agradou a ninguém e mereceu muitos comentários irónicos da Imprensa. Então, Artur Oliveira Valença foi ver as modas a França e regressou obstinado a fazer mais uma alteração no visual do Boavista. O presidente observou uma equipa francesa que alinhava com camisola xadrez. Como a mesma correspondia às cores preto e branco do seu clube, resolveu copiar o modelo.

O domingo, dia 29 de janeiro de 1933, é como um segundo nascimento da coletividade. O Boavista bateu o Benfica por 4–0, na estreia do equipamento axadrezado, do novo emblema (o atual) e, sobretudo, dos jogadores profissionais, pois foi a primeira equipa a aderir à profissionalização, feito que lhe valeu uma suspensão de um ano. Desde lá para o Boavista Futebol Clube, abriu-se uma porta e a história ganhou um novo rumo à entrada do século XXI.

Campeão Nacional, rebaixamentos e regresso à Primeira Liga Em 8 de agosto de 2000, o Boavista fundou a sua Sociedade Anónima Desportiva (SAD), para poder gerir os ativos no fuetbol profissional, como licenças e contratos de jogadores, com clube a ficar com maioria da SAD e os restantes para parceiros minoritarios.

O Boavista sagrou-se Campeão Nacional na Época 2000/01. Foi vice-campeão nacional em 1998/99 e 2001/02. Participou nesse período por 3 vezes na Liga dos Campeões. Alcançou também as meias finais da Taça UEFA na época 2002/03. Tudo durante a presidência do Dr. João Loureiro, em cujos mandatos venceu também uma Taça de Portugal (1996/97) e uma Supertaça de Portugal (1997/98).

Uma alegada coação feita pela direção ditou a sua despromoção no fim da época 2007/08, sendo Presidente Joaquim Teixeira, que se demitiu (tendo sido entretanto presidentes Álvaro Braga e Manuel Maio), tendo o clube recorrido para os tribunais administrativos.

Em fevereiro de 2012, a SAD do Boavista pediu a "reintegração" na Primeira Liga, depois de ser conhecida a decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa que considerou nula a reunião do Conselho de Justiça (CJ) da FPF, que confirmou a despromoção do clube "axadrezado" à Liga de Honra. Já no dia 7 de maio de 2012, o Boavista emitiu um comunicado, dizendo que tinha tido conhecimento de nova decisão da FPF, desta vez liderada por Fernando Gomes. Esta recorreu, no dia 9 de abril de 2012, da decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa. A decisão final, favorável ao Boavista, dos Tribunais Superiores, foi tomada já após o início de novo período de Presidência de João Loureiro, que conseguiu recolocar o clube na 1.ª Liga em 2014.

O clube, sob a presidência de Álvaro Braga Junior, participou na época de 2008/09 na Liga de Honra (2.º escalão do futebol português). Na época 2009/10 participou na II Divisão B (3.º escalão do futebol português).thumb|A pantera negra, um dos símbolos do clube e também alcunha.Na época de 2011/12 ficou no quarto lugar com cinquenta pontos, a 13 do então líder (Clube Desportivo de Tondela). Pelo terceiro ano consecutivo, o Boavista FC não conseguiu atingir o objetivo predefinido, a subida à Liga Orangina (Liga de Honra). Facto que esteve também ligado às dificuldades financeiras do clube.

Realizaram-se eleições no dia 17 de junho de 2012 e o Boavista FC mudou de novo de presidente. Apresentou-se uma só lista e o Dr. Manuel Maio foi eleito para a presidência do clube no triénio 2012–2014. Em novembro de 2012, o Dr. Manuel Maio demite-se, alegando problemas de saúde. A 5 de dezembro de 2012, e após um movimento de sócios nesse sentido, o Dr. João Loureiro anuncia a sua recandidatura à presidência do Boavista.

No final de 2012, o clube encontrava-se numa situação de insustentabilidade financeira. Após as reclamações dos credores no processo de revitalização PER intentado pelo Presidente Dr. Manuel Maio ascendiam a cerca de 65 milhões de euros. No dia 28 de dezembro, o Dr. João Loureiro é eleito novamente presidente do clube com 567 votos numa eleição em que foi o único candidato. A tomada de posse ocorreu dia 2 de janeiro de 2013.

Já sob a sua Presidência, e após várias diligências judiciais e jurídicas desde que tomou posse, em 2 de fevereiro de 2013 o Conselho de Justiça da FPF anulou a descida administrativa ocorrida em 2008 na sequência do processo Apito Final, pelo facto de ter sido considerada ‘inexistente’ e entretanto o mesmo ter prescrito.

Em 4 de setembro de 2013, o processo PER do Boavista FC é aprovado por 93% dos credores, cujo passivo por tal efeito passou de 65,3 milhões de euros para 32,6 milhões de euros, numa negociação conduzida pelo Presidente Dr. João Loureiro.

Em 1 de abril de 2014, a Comissão Executiva da Liga, após vitória jurídica do Boavista no Conselho de Justiça da FPF e em duas Assembleias Gerais da Liga de Clubes, aprovou a candidatura do Boavista à participação na 1.ª Liga na época 2014/15. Através de comunicado, a referida Comissão explica que a candidatura do clube recebeu ainda parecer favorável da Comissão Técnica de Estudos e Auditoria por cumprimento dos Pressupostos Financeiros, o que foi depois ratificado pela FPF.

Na época de 2014/15, voltou então sob a liderança do seu Presidente o Boavista ao fim de 6 anos à Primeira Liga, tendo conseguido atingir o objetivo de manutenção com sucesso, tal como aconteceu também na época 2015/16, durante a qual ocorreu a reeleição de João Loureiro para o mandato relativo ao triénio 2016-2018.