thumb|180px|Biodiversidade de um recife de coral. thumb|180px|Florestas húmidas são um exemplo de biodiversidade do planeta e, normalmente, possuem uma grande biodiversidade de espécies. thumb|180px|Exemplos de anfíbios. Biodiversidade, ou diversidade biológica, pode ser definida como a variabilidade entre os seres vivos de todas as origens, a terrestre, a marinha e outros ecossistemas aquáticos, e os complexos ecológicos dos quais fazem parte. Essa variabilidade aparece apenas como resultado da natureza em si, sem sofrer intervenção humana. Assim, ela pode variar de acordo com as diferentes regiões ecológicas. Refere-se, portanto, à variedade de vida no planeta Terra, incluindo a variedade genética dentro das populações e espécies, a variedade de espécies da flora, da fauna, de fungos microscópicos e de micro-organismos.
Pode-se compreender, do termo "conservação", a manutenção dos recursos que constituem a terra, bem como os seres vivos que a compõem, dentre eles, o homem.CARVALHO, José Cândido de Melo. A Conservação da Natureza e Recursos Naturais no Mundo e no Brasil, In: Simpósio sobre Conservação da Natureza e Restauração do Ambiente Natural, publicado no Suplemento dos Anais da Academia Brasileira de Ciências, vol. 41, Rio de Janeiro, 30/09/1969, p. 7. Difere-se da preservação (que exclui o fator humano para que seja possível a manutenção supracitada), considerando que o homem, principal responsável pela degradação do meio ambiente, é parte dele.
Em ecologia, a conservação se refere aos estudos direcionados à conservação de fauna e flora de um ambiente, podendo ser a respeito de diversos grupos ou direcionado à espécies individuais envolvendo seu nicho e habitat.FRANCO, J. L. A. The concept of biodiversity and the history of conservation biology: from wilderness preservation to biodiversity conservation. Universidade de Brasília, Brasília, Distrito Federal, Brasil. 2013. Ela se baseia em alguns pressupostos, incluindo que a diversidade biológica e a evolução são positivas, e que a diversidade biológica tem valor por si só.Soulé, Michael E. "What is conservation biology? A new synthetic discipline addresses the dynamics and problems of perturbed species, communities, and ecosystems." BioScience 35.11 (1985). Mesmo na ausência de ação antrópica, a diversidade biológica não se mantém inalterada ao longo do tempo. Ela ela muda e se adapta de acordo com as variações do ambiente que a compõe.Conservation Biology. Volume 18, N. 05, Outubro 2004. No entanto, as ações antrópicas podem agravar alguns problemas ambientais, como a alteração e perda de habitats, exploração predatória de recursos, introdução de espécies exóticas em diferentes ecossistemas, aumento de patógenos e tóxicos ambientais e as mudanças climáticas.ALHO, C. J. L. Importância da biodiversidade para a saúde humana: uma perspectiva ecológica. Dossiê Sustentabilidade . Scielo. Estud. av. vol.26 no.74. São Paulo, 2012.
Essa área de estudo tem como seus principais objetivos entender os efeitos dessas ações antrópicas no ecossistema, além de também apresentar um papel muito importante na reintrodução de espécies ameaçadas.BRITO, M. C. W. Apontamentos sobre a biologia da conservação. Terras Indígenas e Unidades de Conservação: O Desafio das Sobreposições . Instituto Socioambiental. São Paulo, 2004. Um ambiente ecologicamente conservado proporciona uma diversidade de recursos muito maior para ser consumida, assim, a busca de um ecossistema equilibrado é vantajosa para todos os seres que dele usufruem direta ou indiretamente.Primack, R.B.; Rodrigues, E. 2001. Biologia da Conservação , Editora Planta, Londrina, 2001, 327p.
A biodiversidade refere-se tanto ao número de diferentes categorias biológicas quanto à abundância relativa (equitatividade) dessas categorias. E inclui variabilidade ao nível local, complementaridade biológica entre habitats e variabilidade entre paisagens. Ela inclui, assim, a totalidade dos recursos vivos, ou biológicos, e dos recursos genéticos, e seus componentes. A espécie humana depende da biodiversidade para a sua sobrevivência.
A biologia de conservação busca integrar políticas de conservação com as teorias que provêm de diversos campos científicos que dão lhe dão sustentação, entre elas, ecologia, demografia, biologia populacional, genética, taxonomia e também de ciências de outros campos, como a economia, geografia, antropologia, sociologia e outras. Essa união ocorre para que haja o estabelecimento de métodos efetivos para solucionar alguns dos problemas que a biologia da conservação precisa resolver. Um exemplo da importância dessa interdisciplinaridade é a implementação de unidades de conservação, que abrange muitos fatores além dos ecológicos, como o fator sociocultural dos moradores das regiões que são implementadas como tais unidades.FERREIRA, H. C. H.; CARNEIRO, M. J. Conservação ambiental, turismo e população local. Caderno EBAPE.BR. vol.3 no.3 Rio de Janeiro, 2005.
O termo foi criado por Thomas Lovejoy,Tyler Prize. "2001 Tyler Laureates". mas não há uma definição consensual de biodiversidade. Uma definição é: "medida da diversidade relativa entre organismos presentes em diferentes ecossistemas". Esta definição inclui diversidade dentro da espécie, entre espécies e diversidade comparativa entre ecossistemas.
Outra definição, mais desafiante, é "totalidade dos genes, espécies e ecossistemas de uma região". Esta definição unifica os três níveis tradicionais de diversidade entre seres vivos: diversidade genética - diversidade dos genes em uma espécie; diversidade de espécies - diversidade entre espécies; diversidade de ecossistemas - diversidade em um nível mais alto de organização, incluindo todos os níveis de variação desde o genético.
Definições miniaturadaimagem|214x214px|Exibidos em um museu, vários modelos de espécies de vários táxons e ordens visualizam a variedade da vida na Terra. Os biólogos definem frequentemente a biodiversidade como a "totalidade de genes, espécies e ecossistemas. Uma vantagem desta definição é que ela apresenta uma visão unificada dos tipos tradicionais de variedade biológica previamente identificados:
diversidade taxonômica (geralmente medida no nível de diversidade de espécies) diversidade ecológica (frequentemente vista da perspectiva da diversidade do ecossistema) diversidade morfológica (que deriva da diversidade genética e da diversidade molecular) diversidade funcional (que é uma medida do número de espécies funcionalmente díspares dentro de uma população (por exemplo, diferentes mecanismos de alimentação, diferentes motilidades, predador vs presa, etc.)
A biodiversidade é mais comumente usada para substituir os termos mais claramente definidos e há muito estabelecidos, diversidade de espécies e riqueza de espécies. Entretanto, não há uma definição concreta para biodiversidade, pois sua definição continua sendo definida. Outras definições incluem (em ordem cronológica):
Uma definição explícita consistente com esta interpretação foi dada pela primeira vez num artigo de Bruce A. Wilcox encomendado pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (UICN) para a Conferência Mundial de Parques Nacionais de 1982. A definição de Wilcox era "A diversidade biológica é a variedade de formas de vida... em todos os níveis dos sistemas biológicos (ou seja, molecular, organísmico, populacional, de espécies e ecossistema)...". Uma publicação de Wilcox em 1984: A biodiversidade pode ser definida geneticamente como a diversidade de alelos, genes e organismos. Eles estudam processos como mutação e transferência de genes que impulsionam a evolução. A Cimeira da Terra das Nações Unidas de 1992 definiu a diversidade biológica como "a variabilidade entre organismos vivos de todas as origens, incluindo, inter alia, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos dos quais fazem parte: isto inclui a diversidade dentro das espécies, entre espécies e de ecossistemas". Esta definição é usada na Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica. A definição de Gaston e Spicer no seu livro "Biodiversidade: uma introdução" em 2004 é "variação da vida em todos os níveis de organização biológica". A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) definiu a biodiversidade em 2019 como “a variabilidade que existe entre os organismos vivos (tanto dentro das espécies como entre elas) e os ecossistemas dos quais fazem parte”.
Número de espécies Segundo estimativas de Mora et al. (2011), existem aproximadamente 8,7 milhões de espécies terrestres e 2,2 milhões de espécies oceânicas. Os autores observam que essas estimativas são mais fortes para organismos eucarióticos e provavelmente representam o limite inferior da diversidade procariota. Outras estimativas incluem:
220.000 plantas vasculares, estimadas pelo método da relação espécie-área 0,7-1 milhões de espécies marinhas 10–30 milhões de insetos; (de cerca de 0,9 milhões que conhecemos hoje) 5–10 milhões de bactérias; 1,5-3 milhões de fungos, estimativas baseadas em dados dos trópicos, locais não tropicais de longo prazo e estudos moleculares que revelaram especiação crítica. Cerca de 0,075 milhões de espécies de fungos foram documentadas até 2001; 1 milhão de ácaros O número de espécies microbianas não é conhecido de forma fiável, mas a Expedição Global de Amostragem Oceânica aumentou drasticamente as estimativas da diversidade genética ao identificar um enorme número de novos genes a partir de amostras de plâncton próximo da superfície em vários locais marinhos, inicialmente durante o período de 2004-2006. As descobertas podem eventualmente causar uma mudança significativa na forma como a ciência define espécies e outras categorias taxonômicas.
Como a taxa de extinção aumentou, muitas espécies existentes podem se extinguir antes de serem descritas. Não é de surpreender que, nos animais, os grupos mais estudados sejam as aves e os mamíferos, enquanto os peixes e os artrópodes são os grupos animais menos estudados.
Perda atual de biodiversidade esquerda|miniaturadaimagem|O Relatório Planeta Vivo 2024 do Fundo Mundial para a Natureza concluiu que as populações de vida selvagem diminuíram em média 73% desde 1970.Regional data from Durante o último século, reduções na biodiversidade têm sido cada vez mais observadas. Em 2007, estimou-se que até 30% de todas as espécies estariam extintas até 2050. Destas, cerca de um oitavo das espécies vegetais conhecidas estão ameaçadas de extinção. As estimativas chegam a 140.000 espécies por ano (com base na teoria espécie-área). Este número indica práticas ecológicas insustentáveis, porque poucas espécies emergem a cada ano. A taxa de perda de espécies é maior agora do que em qualquer outro momento da história da humanidade, com extinções a ocorrerem a taxas centenas de vezes superiores às taxas de extinção. Espera-se que continue a crescer nos próximos anos. Em 2012, alguns estudos sugeriram que 25% de todas as espécies de mamíferos poderiam estar extintas em 20 anos.