O é uma ideologia baseada na organização da economia em linhas individualistas, rejeitando intervencionismo estatal, o que significa que o maior número possível de decisões econômicas são tomadas pelas empresas e indivíduos e não pelo Estado ou por organizações coletivas.Ian Adams, Political Ideology Today (Manchester: Manchester University Press, 2001), p. 20. As teses do liberalismo econômico foram criadas no século XVI com a clara intenção de combater o mercantilismo, cujas práticas já não atendiam às novas necessidades do capitalismo, sendo seu pressuposto básico a emancipação da economia de qualquer dogma externo a ela mesma.
Os economistas do final do século XVIII eram contrários a intervenção do Estado na economia. Para eles o Estado deveria apenas dar condições para que o mercado seguisse de forma natural seu curso. Um dos principais pensadores da época foi François Quesnay, que apesar de médico na corte de Luis XV teve contato com as ideologias econômicas. Em sua teoria afirmava que a verdadeira atividade produtiva estava inserida na agricultura. Para Vincent de Gournay as atividades comerciais e industriais deveriam usufruir de liberdade para o melhor prosseguimento em seus processos produtivos, para alcançar assim uma acumulação de capitais.
O criador da teoria mais aceita na economia moderna foi Adam Smith, economista britânico, apontando como as nações iriam prosperar sob tal sistema.Eric Aaron, What's Right? (Dural, Australia: Rosenberg Publishing, 2003), p. 75. Nela ele confrontou as ideias de Quesnay e Gournay, afirmando que a desejada prosperidade econômica e a acumulação de riquezas não são concebidas pela atividade rural e nem comercial. Para Smith o elemento de geração de riqueza está no potencial de trabalho sem ter o estado como regulador e interventor. Outro ponto fundamental é o fato de que todos os agentes econômicos são movidos por um impulso de crescimento e desenvolvimento econômico, que poderia ser entendido como uma ambição ou ganância individual, que no contexto macro traria benefícios para toda a sociedade, uma vez que a soma desses interesses particulares promoveria a evolução generalizada, um equilíbrio perfeito.
Adam Smith teve também grande influência na derrubada da teoria mercantilista. Desmitificou a importância do ouro e da prata, equiparando esses metais às demais mercadorias. Enquanto o liberalismo econômico favorece os mercados sem restrições por parte do governo, afirma também que o Estado tem um papel legítimo no fornecimento de bens públicos, segundo Smith. O liberalismo econômico é também geralmente considerado contrário às ordens não-capitalistas, como o socialismo, socialismo de mercado e economias planificadas.Brown, Wendy. Edgework: critical essays on knowledge and politics. Princeton University Press, 2005. p. 39
Ideias As ideias eram claras no liberalismo econômico, defendiam a livre concorrência, a lei da oferta e procura. Sem contar que foram os primeiros a trabalhar economia com ciências, física, biologia, matemática e principalmente o iluminismo, os princípios e ideias vieram de Adam Smith e François Quesnay. O liberalismo econômico reconhecido por combater um Estado muito grande, regulador e interventor que impeça ou inviabilize a atividade econômica. O liberalismo econômico, como corrente de pensamento, não apenas advogava pela livre concorrência e pela lei da oferta e demanda, mas também se destacou por sua abordagem interdisciplinar ao integrar conceitos econômicos com diversas disciplinas, tais como ciências, física, biologia e matemática. Esse enfoque multifacetado permitiu uma compreensão mais abrangente e fundamentada dos fenômenos econômicos, transcendendo os limites tradicionais da análise.
O impacto do Iluminismo, notadamente personificado nas ideias de pensadores como Adam Smith e François Quesnay, foi crucial para moldar os princípios fundamentais do liberalismo econômico. A ênfase na razão, na liberdade individual e na confiança na capacidade humana de buscar o progresso foi intrinsecamente ligada à visão liberal da economia. Smith, com sua obra seminal "A Riqueza das Nações", delineou os benefícios da auto-regulação do mercado, enfatizando que a busca individual do interesse próprio poderia resultar no bem comum, conceito central para o liberalismo econômico. A integração de abordagens científicas e matemáticas proporcionou uma base mais sólida para as teorias econômicas, permitindo uma análise mais rigorosa e quantitativa dos fenômenos econômicos. Isso contribuiu para o desenvolvimento de modelos e teorias mais precisos, ampliando a compreensão dos mecanismos subjacentes à atividade econômica. Um dos princípios distintivos do liberalismo econômico é sua oposição a um Estado excessivamente grande, regulador e intervencionista. A crença central é que a intervenção estatal exacerbada pode prejudicar a eficiência do mercado, limitar a liberdade individual e inibir o crescimento econômico. Assim, o liberalismo econômico propugna por um Estado que, embora necessário para garantir a ordem e proteger os direitos individuais, deve evitar interferências excessivas na economia, permitindo que a livre iniciativa e a concorrência desempenhem um papel fundamental na alocação de recursos.
O liberalismo econômico, enquanto ideologia política e econômica, fundamenta-se na defesa de uma economia de mercado, destacando princípios fundamentais como o individualismo e a propriedade privada dos meios de produção. Adam Smith, frequentemente reconhecido como um dos pioneiros do liberalismo econômico, desempenhou um papel crucial na formulação e disseminação desses princípios. Seus escritos são amplamente considerados como a expressão econômica do liberalismo desde o século XIX até eventos significativos como a Grande Depressão e a subsequente ascensão do keynesianismo no século XX. Ao longo da história, o liberalismo econômico emergiu como uma resposta direta às crises do feudalismo e do mercantilismo. No contexto do feudalismo, caracterizado por estruturas sociais rígidas e relações de vassalagem, o liberalismo econômico representou uma abordagem radical, enfatizando a autonomia individual e a capacidade de empreender como motores do progresso econômico. A transição do mercantilismo, que favorecia práticas protecionistas e a acumulação de riquezas através do comércio controlado pelo Estado, para o liberalismo econômico foi motivada pela busca de maior eficiência e liberdade econômica.
A visão liberal da economia propõe que a busca individual pelo interesse próprio, dentro de um contexto de livre concorrência, leva não apenas ao benefício pessoal, mas também ao bem comum. Adam Smith, em sua obra "A Riqueza das Nações", articulou a ideia do "laissez-faire", argumentando que a intervenção mínima do Estado permitiria que as forças do mercado regulassem naturalmente a alocação de recursos. No entanto, a influência do liberalismo econômico atingiu um ponto crítico com a eclosão da Grande Depressão, momento em que as falhas do mercado foram evidentes. A resposta a essa crise foi marcada pelo surgimento do keynesianismo, que defendia um papel mais ativo do Estado na gestão da economia. A subsequente dinâmica entre as abordagens liberal e keynesiana contribuiu para a moldagem do cenário econômico global ao longo do século XX. Assim, o liberalismo econômico, nascido como uma reação histórica ao feudalismo e ao mercantilismo, continua a desempenhar um papel central no debate econômico, apesar das mudanças no panorama político e das evoluções teóricas ao longo do tempo. Adams, Ian (2001). Political Ideology Today. Manchester University Press. ISBN 978-0719060205.
O liberalismo econômico está intrinsecamente vinculado aos princípios dos mercados e à defesa da propriedade privada dos ativos de capital. Os adeptos do liberalismo econômico, muitas vezes referidos como liberais econômicos, sustentam uma postura que tende a se opor à intervenção governamental excessiva e ao protecionismo na economia de mercado. Esta oposição surge especialmente quando tais intervenções são percebidas como obstáculos ao livre comércio e à competição, elementos fundamentais para o funcionamento eficiente do mercado. A defesa da liberdade de mercado pelos liberais econômicos está associada à crença de que a competição aberta e justa é um motor essencial para a eficiência econômica. Acreditam que, quando deixados a si mesmos, os mercados têm a capacidade de alocar recursos de maneira eficiente, impulsionar a inovação e responder de maneira dinâmica às mudanças nas condições econômicas.
Contudo, é importante notar que os liberais econômicos reconhecem a necessidade de intervenção governamental em certas circunstâncias. Especificamente, apoiam a intervenção quando se trata de proteger os direitos de propriedade, abrir novos mercados, financiar o crescimento econômico e corrigir falhas de mercado. A proteção dos direitos de propriedade é considerada crucial para garantir a segurança jurídica e estimular o investimento, enquanto a abertura de novos mercados é vista como uma forma de promover o comércio internacional e o desenvolvimento econômico. Além disso, os liberais econômicos reconhecem que há situações em que as forças do mercado podem não ser suficientes para garantir resultados desejáveis. Em face de falhas de mercado, como externalidades negativas ou a falta de concorrência em setores-chave, a intervenção governamental pode ser vista como um meio necessário para corrigir distorções e promover o bem-estar econômico. Oatley, Thomas (2019). International Political Economy: Sixth Edition. Routledge. pp. 25, 34–35. ISBN 978-1351034647.
Uma economia gerida de acordo com os preceitos do liberalismo econômico pode ser caracterizada como uma economia liberal ou operando sob o liberalismo capitalista. Os liberais econômicos, que seguem uma filosofia política e econômica específica, advogam por uma política fiscal contida, que envolve o controle de gastos e a busca por um orçamento equilibrado. Essa abordagem é frequentemente implementada por meio de medidas como a redução de impostos, a diminuição dos gastos governamentais e a minimização da dívida pública. O livre comércio é um dos princípios fundamentais do liberalismo econômico, e os defensores desse sistema acreditam que a remoção de barreiras comerciais promove a eficiência econômica, estimula a concorrência e leva a uma alocação mais eficaz de recursos. A desregulamentação é outra característica proeminente, com os liberais econômicos defendendo a redução de regulamentações governamentais para permitir maior flexibilidade e dinamismo nos mercados.
A redução de impostos é uma medida considerada vital pelos liberais econômicos para incentivar o crescimento econômico, estimular investimentos e promover a criação de empregos. Além disso, a privatização é frequentemente apoiada como uma forma de transferir a gestão de setores econômicos do governo para a iniciativa privada, visando aumentar a eficiência e a inovação. No mercado de trabalho, os liberais econômicos geralmente advogam pela flexibilidade, acreditando que uma menor intervenção governamental nas relações trabalhistas permite uma adaptação mais eficaz às mudanças econômicas. A oposição aos sindicatos também é uma posição comum, considerando que estes podem ser vistos como obstáculos à flexibilidade e à eficiência no mercado de trabalho. Simmons, Beth A.; Dobbin, Frank; Garrett, Geoffrey (2006). "Introduction: The International Diffusion of Liberalism". International Organization. 60 (4): 781–810. doi:10.1017/S0020818306060267. ISSN 1531-5088. S2CID 146351369.
Origem e história inicial