Maria Feodorovna (Copenhague, – Klampenborg, ) foi Imperatriz Consorte da Rússia de 1881 a 1894 como esposa do imperador Alexandre III.

Nascida princesa Dagmar da Dinamarca, era a quarta filha, a segunda menina, do rei Cristiano IX da Dinamarca e de sua esposa, Luísa de Hesse-Cassel. Seu filho mais velho, Nicolau II, foi o último Imperador da Rússia, governando de 1 de novembro de 1894 até sua abdicação em 15 de março de 1917. Maria sobreviveu à Revolução Russa e viveu no exílio, primeiro no Reino Unido e depois na sua Dinamarca natal, onde morreu em 1928, aos 80 anos.

Aparência e personalidade

Dagmar era famosa por sua beleza. A princesa Maria Adelaide de Cambridge disse que Dagmar era docemente bonita e comentou favoravelmente sobre seus esplêndidos olhos escuros.Julia P. Gelardi, From Splendor to Revolution, p. 24 Seu noivo, Nicolau Alexandrovich, czarevich da Rússia, estava entusiasmado com sua beleza. Ele escreveu à sua mãe: ela é ainda mais bonita pessoalmente do que nos retratos que vimos até agora. Seus olhos falam por ela: eles são tão gentis, inteligentes, animados. Thomas W. Knox a conheceu no casamento do grão-duque Vladimir Alexandrovich da Rússia e escreveu favoravelmente sobre sua beleza em comparação com a da noiva, a duquesa Maria de Mecklemburgo-Schwerin. Ele escreveu que Dagmar era menos inclinada à corpulência do que a noiva. Ela não exibe ombros tão rechonchudos e seu pescoço se ergue mais como um cisne e dá um jogo mais completo à sua cabeça finamente formada, com seus cabelos encaracolados e contorno grego de face. Ele também comentou favoravelmente sobre seus olhos penetrantes, claros e brilhantes.Julia P. Gelardi, From Splendor to Revolution, p. 49 Knox ainda disse Não é de se admirar que o imperador goste dela, e não é de se admirar que os russos gostem dela. Eu gosto dela, e não sou imperador nem nenhum outro russo, e nunca troquei mil palavras com ela na minha vida.

Maria von Bock, filha do primeiro-ministro russo Piotr Stolípin, escreveu: gentil, amável e simples em seu discurso, Maria Fedorovna era uma imperatriz da cabeça aos pés, combinando uma majestade inata com tanta bondade que era idolatrada por todos que a conheciam.Julia P. Gelardi, From Splendor to Revolution, p. 150 Meriel Buchanan escreveu que ela possuía um gracioso e agradável charme. Andrew Dickson White, o diplomata norte-americano na Rússia, disse que ela era graciosa, com um rosto e maneiras muito gentis e que ela era em todos os sentidos cordial e gentil. Nadine Wonar-Larsky, sua dama de companhia, observou que seu sorriso animava a todos e suas maneiras graciosas sempre sugeriram um toque de sentimento pessoal que ia direto ao coração de seus súditos. Ela também possuía aquele dom real inestimável de nunca esquecer um rosto ou nome.Julia P. Gelardi, From Splendor to Revolution, p. 170

Dagmar também era conhecida por sua inteligência. Ao considerar Dagmar como noiva para seu segundo filho, o príncipe Alfredo, a rainha Vitória do Reino Unido julgou que Dagmar é mais inteligente [do que sua irmã mais velha, Alexandra]... ela é uma garota muito boa.Julia P. Gelardi, From Splendor to Revolution, p. 23 Quando se casou, Dagmar não falava uma palavra de russo, mas, em poucos anos, ela dominou o idioma e era tão proficiente quanto seu marido, que lhe escrevia apenas em russo.Julia P. Gelardi, From Splendor to Revolution, p. 81 Ela disse a um diplomata norte-americano na Rússia que a língua russa é cheia de poder e beleza, é igual ao italiano na música, ao inglês em poder vigoroso e abundância. Ela afirmou que pela compactação de expressão, o russo rivaliza com o Latim, e quando se trata da criação de novas palavras é igual ao grego.

John Logan, um visitante da Rússia, descreveu Dagmar como a mulher mais bem vestida da Europa. Ele afirmou que a imperatriz Isabel da Áustria a excedia em beleza, mas que ninguém a superava em vestuário.Julia P. Gelardi, From Splendor to Revolution, p. 129 Charles Frederick Worth, um costureiro parisiense, admirava muito seu estilo. Ele disse: Traga-me qualquer mulher na Europa - rainha, artista ou burguesa - que possa me inspirar como Madame Sua Majestade, e eu farei suas roupas enquanto viver e não cobrarei nada dela.

Nascimento e família

thumb|left|Dagmar, quando princesa da Dinamarca thumb|right|Dagmar (direita), em criança, com a sua irmã Alexandra A princesa Maria Sofia Frederica Dagmar da Dinamarca nasceu no Palácio Amarelo em Copenhague. O seu pai era o príncipe Cristiano de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo, membro de uma linha secundária de príncipes relativamente empobrecida, e sua mãe era a princesa Luísa de Hesse-Cassel. Ela foi batizada no Palácio Amarelo e sua madrinha foi a rainha Carolina Amália da Dinamarca.

Dagmar foi baptizada na religião luterana e recebeu o nome em honra da princesa Maria Sofia Frederica de Hesse-Cassel, rainha-viúva da Dinamarca, e de Dagmar da Boêmia, uma rainha medieval da Dinamarca. Na sua infância e adolescência era conhecida por Dagmar, mas, durante a maioria da sua vida, foi mais conhecida por Maria Feodorovna, o nome que adoptou depois de se converter à religião ortodoxa antes do seu casamento com o futuro czar Alexandre III em 1866. Em família, era chamada de Minnie.

Em 1852, o pai de Dagmar tornou-se herdeiro do trono dinamarquês, em grande parte devido aos direitos de sucessão da sua esposa Luísa, que era sobrinha do rei Cristiano VIII. Em 1853, recebeu o título de príncipe da Dinamarca e uma residência oficial de verão, o Palácio de Bernstorff. O pai de Dagmar tornou-se rei da Dinamarca em 1863, após a morte do rei Frederico VII.

Devido às importantes alianças que os seus filhos contraíram por casamento, Cristiano ficou para a História como o "sogro da Europa". Maria Feodorovna era irmã mais nova da rainha Alexandra, consorte do rei Eduardo VII do Reino Unido e mãe do rei Jorge V, o que ajuda a explicar a grande semelhança física entre os filhos das duas irmãs, Nicolau II e Jorge V. Os seus irmãos mais velhos eram o rei Jorge I da Grécia e o rei Frederico VIII da Dinamarca. Tinha ainda uma irmã, Tira, e um irmão, Valdemar, mais novos.

Durante a sua educação, Dagmar, juntamente com a sua irmã Alexandra, teve aulas de natação com Nancy Edberg, uma sueca, pioneira na natação feminina.Idun (1890): Nr 15 (121) (Sueco) Mais tarde, Dagmar recebeu Edberg na Rússia, onde esta recebeu uma bolsa para dar aulas de natação a mulheres.

Noivados e casamento

No final de 1863, como filha e irmã dos reis da Dinamarca e da Grécia e cunhada do Príncipe de Gales, Dagmar, agora, era considerada uma das princesas mais elegíveis da Europa. Ela recebeu uma proposta de Humberto, Príncipe Herdeiro da Itália, mas relutou em se casar com ele porque achava-o pouco atraente.Bramsen, Bo. Huset Glücksborg. Europas svigerfader og hans efterslægt (em dinamarquês) (2ª ed.). Copenhague: Forlaget Forum, p. 314, 1992.

Nesse ínterim, o fortalecimento da ideologia do pan-eslavismo no Império Russo em meados do século XIX levou o czar Alexandre II da Rússia a procurar uma noiva para o seu filho mais velho, Nicolau, fora dos estados alemães que tinham sido a principal fonte de imperatrizes em anos anteriores. Em 1864, Nicolau (conhecido por “Nixa” na família) foi até à Dinamarca onde se apaixonou e ficou noivo da princesa Dagmar. Contudo, a 22 de abril de 1865, acabaria por morrer subitamente de tuberculose e, como último desejo, pediu que Maria se casasse com o seu irmão mais novo, Alexandre que se tornaria mais tarde no czar Alexandre III da Rússia. Maria ficou muito perturbada com a morte repentina do seu jovem noivo e regressou de coração partido à Dinamarca onde os seus parentes se mostraram verdadeiramente preocupados com a sua saúde. Dagmar já se tinha aficionado à Rússia e o remoto país não lhe saía do pensamento nos longos dias que passou na sua terra natal. O desastre da morte de “Nixa” fez com que ela se tornasse muito próxima dos pais dele, os imperadores da Rússia, e chegou mesmo a receber uma carta de Alexandre II onde ele a tentava consolar. O czar disse-lhe, em palavras afectuosas que esperava que ela ainda se considerasse um membro da família.Empress Marie Feodorovna's Favorite Residences in Russia and in Denmark, p.55 Em junho de 1866, durante uma visita a Copenhague, o czarevitch Alexandre Alexandrovich pediu-a em casamento depois de ambos terem ficado durante longas horas sozinhos numa sala a ver velhas fotografias.

Dagmar deixou Copenhague no dia 1 de setembro de 1866. O famoso escritor Hans Christian Andersen encontrava-se entre os milhares de pessoas que se foram despedir da sua Princesa ao porto da cidade. O escritor escreveu no seu diário: Ontem, nas docas, enquanto estava a passar por mim, ela parou e segurou-me na mão. Os meus olhos encheram-se de lágrimas. Pobre criança! Oh, Senhor, sede gentil e piedoso com ela! Dizem que existe uma corte brilhante em São Petersburgo e que a família do czar é simpática, mas mesmo assim ela vai a caminho de um país desconhecido onde as pessoas são diferentes e a religião é diferente e onde não vai ter nenhum dos seus conhecidos a seu lado.Nørregaard Frandsen, Johannes (2019). Sohl Jessen, Mads; Balina, Marina; Hellman, Ben; Nørregaard Frandsen, Johannes (eds.). "A Time of Fairy Tales: Hans Christian Andersen, a Danish Princess, and the Telegraph Business". Hans Christian Andersen in Russia. Syddansk Universitetsforlag.

A jovem princesa dinamarquesa foi recebida calorosamente em Kronstadt pelo imperador Alexandre II da Rússia e toda a sua família. Recebeu imediatamente o título de grã-duquesa Maria Feodorovna da Rússia. O luxuoso casamento celebrou-se no dia 9 de Novembro de 1866 na Capela Imperial do Palácio de Inverno em São Petersburgo. Depois da primeira noite de casamento, o futuro czar Alexandre III escreveu no seu diário: Tirei os meus chinelos e o meu robe bordado a prata e senti o corpo da minha adorada ao lado do meu… Como me senti na altura, não desejo descrever aqui. Depois ficamos a conversar durante muito tempo. Depois de muitas festas de casamento em São Petersburgo, o jovem casal instalou-se no Palácio de Anichkov também na cidade onde passariam os quinze anos seguintes. Os verões eram passados no Palácio de Livadia, na Crimeia.

Imperatriz de Todas as Rússias thumb|left|Imperatriz Maria em trajes da corte imperial russa Maria Feodorovna era bonita e popular. Uma das suas primeiras prioridades foi aprender russo e tentar compreender o seu povo. Era raro interferir na vida política do país, deixando esses assuntos para o marido enquanto se dedicava aos seus trabalhos de caridade, à vida social e à sua família. A única excepção que fazia a esta regra era para demonstrar os seus sentimentos anti-germânicos que tinha adquirido quando o recém-criado Império Alemão anexou inapropriadamente territórios dinamarqueses.

Na manhã do dia 13 de março de 1881, o czar Alexandre II, de sessenta e dois anos, foi morto por uma bomba quando regressava ao Palácio de Inverno após uma parada militar. No seu diário, Maria Feodorovna descreveu, mais tarde, como o czar gravemente ferido foi levado até ao palácio: As pernas dele estavam destruídas e abertas até aos joelhos. Estava coberto de sangue, com meia bota pendurada no pé direito e apenas a sola restava no esquerdo. O imperador viria a morrer algumas horas mais tarde. Apesar de a população não gostar particularmente no novo czar, adoravam a sua esposa. Tal como os contemporâneos diziam sobre ela: É uma verdadeira imperatriz. No entanto ela não ficou particularmente feliz com o seu novo estatuto e escreveu no seu diário: Os nossos tempos de felicidade e serenidade acabaram. A minha paz e calma desapareceram e, por agora, apenas me vou poder preocupar com o Sasha [Alexandre III]. miniaturadaimagem|A imperatriz Maria Feodorovna e seu marido, o imperador Alexandre III, na Dinamarca em 1893.