Linha 1-Azul do Metrô de São Paulo, denominada originalmente Linha Norte-Sul, é uma linha metroviária compreendida pelo trecho definido pelas estações Tucuruvi e Jabaquara, em São Paulo, no Brasil. Esta foi a primeira linha construída pelo Metrô, iniciada no final da década de 1960 e inaugurada no começo dos anos 1970. Foi também a primeira linha de metropolitano a ser construída no Brasil.
História Antecedentes thumb|left|200px|Projetos de redes de metrô para a cidade de São Paulo apresentados entre 1927 e 1961 O primeiro projeto para uma linha de metrô ligando o centro à região norte da cidade de São Paulo foi apresentado pelo engenheiro Antônio Carlos Cardoso em 1928. Partindo da Praça da Sé, aproveitando parte da rede da Light e convertendo o Tramway da Cantareira em metropolitano, a linha alcançaria Santana e Guarulhos. No ano seguinte, o prefeito Pires do Rio encampou a ideia e incorporou o projeto de Cardoso ao plano oficial da rede do metropolitano. A Grande Depressão fez com que o projeto fosse arquivado.
Em 1945, o engenheiro Mário Lopes Leão retomou o projeto do metropolitano em São Paulo, projetando uma rede radial de metropolitano incluindo uma linha da Praça da Sé ao Jabaquara. O projeto de Leão não foi aprovado pela prefeitura de São Paulo, que preferiu contratar a empresa francesa RATP em 1947 para projetar uma rede de metrô oficial para a cidade, que incluía uma linha Santana-Moema, passando pela Praça da Sé. No ano seguinte, a prefeitura contratou o escritório brasileiro Companhia Geral de Engenharia, que alterou novamente o projeto da rede, com uma linha Ponte Pequena-Santo Amaro, passando pela Praça da Sé e pelo Paraíso.
Esses planos acabaram arquivados devido à turbulência política e social da época. Entre 1945 e 1949, São Paulo teve cinco prefeitos, numa época em que o cargo era de nomeação pelo governador do estado. A Revolta da Tarifa de 1947, quando a prefeitura reajustou a passagem dos bondes após 75 anos, causou revolta na população, que destruiu bondes e ônibus, deixou um grande prejuízo financeiro para a prefeitura e levou o prefeito Cristiano Stockler das Neves a pedir demissão do cargo.
Monotrilho Em 1956, a prefeitura encarregou a CMTC de elaborar um novo plano de metrô para São Paulo. Uma das linhas propostas ligaria Santana e Guarulhos a Santo Amaro, passando pela Praça da Sé. Posteriormente, foi lançada uma concorrência internacional para a construção de uma rede de metrô. Três grupos apresentaram propostas:
Pacific Consultants (Japão), com uma rede de metrô subterrâneo com alimentação de 600 VCC; Societè Generale de Traction et Explotations (França), com uma rede de metrô sobre pneus; Alweg Corporation (Alemanha Ocidental), com uma rede de monotrilhos sobre vigas de concreto.
Apesar da vitória na concorrência, a Alweg Corporation não pôde assinar o contrato, devido a uma ação judicial proposta pelo governo do estado de São Paulo (que questionava a legalidade e a viabilidade da obra), e o projeto acabou engavetado.
GEM e o projeto HMD thumb|left|200px|Projeto da rede de metrô para São Paulo apresentado pelo consórcio HMD, 1968 Em 1966, o prefeito Faria Lima criou o Grupo Executivo do Metropolitano (GEM), comissão responsável pela elaboração do projeto da rede do metrô. Analisando as propostas anteriores, o GEM determinou que a primeira linha a ser construída seria uma ligando o norte e o sul da cidade e lançou no ano seguinte a concorrência internacional para a elaboração dos estudos da rede do metrô, prevendo-se inicialmente duas linhas: Santana-Santo Amaro e Penha-Lapa. Apresentaram-se para a concorrência dez empresas de origens americana, japonesa, alemã e inglesa, que deveriam se associar a empresas nacionais. A proposta inglesa foi desclassificada, por ter sido apresentada fora do prazo. Em janeiro de 1967, foi escolhida a proposta alemã, das empresas Hochtief Aktiengeselischaft e Deutsche Eisenbahn-Consulting (Deconsult), e da pequena construtora brasileira Montreal Empreendimentos S.A. (entre cujos acionistas figurava o brigadeiro Eduardo Gomes, colega de Faria Lima na Aeronáutica).
As empresas formaram o consórcio HMD (Hochtief - Montreal - Deconsult) e iniciaram o projeto da rede de metrô, com o trabalho orçado em quinhentos milhões de cruzeiros. Apesar de grande publicidade inicial, o projeto do consórcio HMD acabou questionado pelo vereador e jornalista Odon Pereira (MDB), presidente da comissão de trânsito da Câmara Municipal de São Paulo, que questionava o valor do contrato e defendia a atualização gratuita dos projetos anteriores pela Universidade de São Paulo.
Com o projeto em desenvolvimento, vazaram informações sobre a priorização da implantação inicial da Linha Norte-Sul em detrimento da Leste-Oeste. Pereira defendia a construção da segunda. O consórcio contratou centenas de estudantes para realizar a pesquisa de origem e destino. Apesar de o trabalho ter sido entregue, os estudantes tiveram seus pagamentos atrasados. Todos esses fatores levaram o vereador Pereira a classificar o projeto como “imoral”.
Posteriormente, Pereira denunciou os custos do projeto, que eram de dez bilhões de cruzeiros antigos e haviam passado para cerca de dezesseis bilhões após alterações promovidas pela recém-formada Companhia do Metropolitano de São Paulo. Além disso, segundo Pereira, o custo de construção por milha havia subido de vinte milhões de dólares (em 1963, após estudos da gestão anterior, de Prestes Maia) para 23 milhões, sem que nenhuma justificativa tivesse sido apresentada.
Pereira convocou o presidente da Companhia do Metropolitano, Francisco de Paula Quintanilha Ribeiro, a prestar esclarecimentos sobre o projeto em uma audiência pública. Ribeiro recusou-se a comparecer como "convocado", defendendo que deveria ser "convidado", e acabou entrando em um breve conflito com a Câmara. Ao fim de 1968, Ribeiro enfim compareceu ao plenário da Câmara e apresentou, em uma sessão fechada, o relatório de dois volumes sobre o projeto do metrô.
Como previsto inicialmente por Pereira, o relatório defendeu a prioridade de construção da Linha Norte-Sul (Jabaquara-Santana e ramal Moema). A justificativa do Consórcio HMD era atender regiões menos atendidas pelo transporte público. No fim de 1968, o deputado federal da Guanabara Emílio Nina Ribeiro denunciou o consórcio HMD por não entregar o contrato completo, mesmo tendo recebido todo o valor acertado.
Obras thumb|Lotes da Linha Norte-Sul, definidos pelo consórcio HMD e pela Cia. do Metropolitano em 1968. A Estação Senador Queiroz foi cancelada em 1969, sendo em 1971 incluída a Estação Politécnica entre Luz e Ponte Pequena thumb|O prefeito Faria Lima (em primeiro plano) sobe em um trator para dar início ao primeiro trecho (Lote 7) em obras da Linha Norte-Sul, 1968Museu da Cidade de São Paulo O consórcio HMD idealizou a implantação da Linha Norte-Sul por meio da divisão do projeto em onze lotes. Cada lote teria um consórcio de empresas responsável pela construção da linha, sendo todas elas supervisionadas pelo próprio consórcio HMD. O custo estimado das obras da Linha Norte-Sul era de duzentos milhões de dólares.
LoteExtensãoConsórcioConstrutorValorData de assinaturado contratoInício da obraTérmino1 (Santana - Ponte Pequena)2900 mConsórcio CCA Azevedo e TravassosBadraBeter S.A.CCARaymondCr$ 15.131.889,5520 de março de 19695 de julho de 196926 de setembro de 19752 (Luz)1200 mPrefeitura de São Pauloe subcontratadas: Rossi Engenharia Constran Geotécnica S/A Fichet & Schwartz-Hautmont n/d197226 de setembro de 1975 17 de fevereiro de 1978 (Sé)3 (São Bento - Sé)1900 mCamargo CorrêaPromonCr$ 207.000.000,0026 de agosto de 197118 de outubro de 19714 (Liberdade - Vergueiro)2080 mConsórcio Metropolitano de ConstruçõesHidroservice (4S)Camargo Corrêa (4S)Mendes Junior (4 N)Cr$ 105.900.000,001971Maio de 19715 (Paraíso e CCO)1050 mConsórcio MetragMetropolitanaAndrade GutierrezProengeCr$ 71.434.000,00n/d12 de março de 19716 (Ana Rosa - Vila Mariana)2100 mConsórcio Metropolitano de ConstruçõesEngevixProengeEscritório Técnico Arthur Luiz PittaEscritório Técnico Julio Kassoy e Mario FrancoCr$ 36.457.298,8526 de novembro de 1968Outubro de 196914 de setembro de 1974 (V. Mariana)26 de setembro de 1975(Ana Rosa)7 (Santa Cruz - Praça da Árvore)2156 mConsórcio Técnico de Engenharia (CTE)Grün & BilfigerVega SopaveHeleno e FonsecaRossi EngenhariaConstranCamargo CamposCr$ 27.601.975,2814 de dezembro de 196814 de setembro de 19748 (Saúde - São Judas)1375 mConsorcio de Grandes Estruturas (Coge)Ecel S.A.EcisaFigueiredo FerrazCr$ 29.532.792,679 (Conceição - Jabaquara)1886 mServeng-CilvilsanMc AlpineStearsSanderson&PorterCr$ 16.495.000,0020 de março de 196917 de julho de 196910 (Pátio Jabaquara)1000 mCetencoCr$ 133.000.000,001 de abril de 197111 (Paraíso - Moema)Não contratadoNão iniciadoObras canceladas
miniaturadaimagem|Obras do Metrô na Avenida Jabaquara, na altura da estação Praça da Árvore, 1970 Denominada originalmente Linha Norte-Sul, a Linha 1 do Metrô de São Paulo começou a ser construída às 10 horas de 14 de dezembro de 1968, em uma cerimônia presidida pelo prefeito Faria Lima. No entanto, dos onze lotes, apenas os de números 7 e 8 tiveram suas obras iniciadas naquele momento. Faria Lima deixou o cargo em abril de 1969, tendo falecido em setembro daquele ano, sem assistir à inauguração da primeira linha.
Problemas jurídicos e técnicos atrasaram a contratação dos demais lotes na gestão Maluf. O lote 4 acabou vencido inicialmente pelo Consórcio Metronors, porém uma de suas empresas era a alemã Hochtief, que também era responsável pelo projeto e pela supervisão de toda a Linha Norte-Sul. Constatada a irregularidade de a Hochtief ser construtora e (ao mesmo tempo) supervisora da mesma obra, o consórcio foi desclassificado. Depois de duas tentativas de contratação acabarem de forma infrutífera, por causa dos altos custos propostos pelas construtoras, a solução adotada pela Companhia do Metropolitano foi subdividir o lote 4 em 4-Norte e 4-Sul. O lote 4-Norte foi vencido pela Mendes Júnior, enquanto o 4-Sul foi vencido pelo consórcio Hidroservice-Camargo Corrêa.
O lote 2 (Luz) não teve empresas interessadas e ficou paralisado durante toda a gestão Maluf. Ao mesmo tempo, foi incluída nele a Estação Politécnica no lugar da cancelada Senador Queiroz. Inicialmente, a Companhia do Metropolitano sugeriu contratar a empresa Cetenco sem licitação, porém a gestão seguinte, de Figueiredo Ferraz, acabou decidindo realizar o trecho com mão de obra da própria prefeitura.
O lote 11 (Paraíso - Moema), mais conhecido como Ramal Moema, teve todo o seu projeto de 3,95 quilômetros e quatro estações (Paraíso, Tutoia, Ibirapuera e Moema) desenvolvido pela Companhia do Metropolitano, mas Maluf não contratou suas obras (assim como as obras da futura Linha Leste - Oeste), preferindo investir na construção do Minhocão. Posteriormente, o projeto acabou postergado para o ano de 1974, até ser cancelado por Figueiredo Ferraz (que defendeu a construção da Linha Paulista como prioritária,) apesar de a Estação Paraíso ter sido construída para abrigar o ramal.
Operação thumb|O prefeito Colasuonno e o governador Natel durante a inauguração da Linha Norte-Sul, 1974 thumb|Placa de inauguração da linha na Estação Jabaquara Sua operação comercial começou em 14 de setembro de 1974, com os trens circulando nos seus primeiros sete quilômetros, entre as estações Jabaquara e Vila Mariana. Nesse primeiro trecho, o atendimento ao público era das 10 às 15 horas.