Banco Digimais, antigo Banco Renner, é um banco brasileiro inaugurado em 1981 pela família Renner, com sede em Porto Alegre. É de propriedade de Edir Macedo e controlado pelo Grupo Record. A instituição financeira é focada em crédito consignado e financiamento de veículos. Possui 7 filiais, mais de 100 mil clientes e 5 administradores-chave (contando com o Grupo Record), contando com um lucro de quase 1 bilhão de reais em 2016.

O banco é especializado no financiamento de carros, tendo sido apontado como o quarto com a maior taxa de juros em 2025. Em 2026, de acordo com peritos consultados pelo Estadão, estaria realizando manobras financeiras para esconder um prejuízo multimilionário.

Histórico

Em 25 de outubro de 2009, o grupo de mídia controlador da RecordTV, o Grupo Record, anunciou a aquisição de 40%. Em 2013, o Banco Central confirmou a operação anunciando que Edir Macedo e sua esposa, Ester Bezerra, são investidores estrangeiros, pois têm domicílio no exterior. Mas o percentual estabelecido no decreto subiu de 40% para 49% porque “foram feitos ajustes” desde que as partes decidiram fechar o negócio.

Em julho de 2020, após aval do Banco Central, Edir Macedo comprou o restante da operação do banco que pertencia à família Renner. Na ocasião, havia um plano para mudança de nome da instituição, devido a sua associação com seus proprietários originais e com a varejista Renner, também fundada pelo Grupo A. J. Renner e vendida em 1965. Em 13 de julho, a Sisbacen (sistema de informações do Banco Central) informou oficialmente a mudança de nome para Banco Digimais.

Em janeiro de 2025, o Banco Digimais anunciou um acordo para a transferência de seu controle societário de Edir Macedo para o empresário Maurício Quadrado, ex-executivo do Banco Master. No entanto, a operação foi vetada pelo Banco Central do Brasil em fevereiro de 2026, após a liquidação extrajudicial do Banco Master e do Will Bank. O regulador justificou o veto devido ao agravamento da crise financeira da instituição, que registrou prejuízos acumulados (incluindo cerca de R$ 744 milhões em 2022), e ao risco sistêmico associado a gestores ligados a instituições liquidadas.

Irregularidades de operação vieram à tona, com operações comparadas às de bancos como o Master, incluindo a venda de carteiras de crédito fraudulentas, que acabaram indo parar na justiça. No começo de 2026, estimativas de mercado indicavam que o patrimônio líquido da instituição estava negativo em 8,5 bilhões de reais.

Após a polêmica, o banco foi vendido ao BTG Pactual, que também controla o Banco Pan por um valor não divulgado. O negócio depende da aprovação pelo Banco Central e também pelo CADE. Desde dezembro de 2025, a instituição é presidida por Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras.

Em 23 de junho de 2026, o Banco Digimais foi alvo da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A Justiça Federal em São Paulo autorizou nove mandados de busca e apreensão e o sequestro de bens e valores de até R$ 670 milhões dos investigados.

No mesmo dia, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) abriu um processo para investigar o aporte de 90 milhões de reais da Cedae no Banco Digimais, alvo de uma operação da PF.

Ligações externas

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