Cauby Peixoto Barros (Niterói, 10 de fevereiro de 1931TSE — São Paulo, 15 de maio de 2016) foi um cantor brasileiro, considerado um dos maiores e mais versáteis intérpretes da música brasileira. Recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais, dentre eles um Grammy Latino pelo álbum "Eternamente Cauby Peixoto - 55 anos de carreira" e o Latin Recording Academy’s President Merit Award pelo conjunto da obra, sendo o primeiro artista a receber este título.
Iniciou sua carreira artística no final da década de 1940. Estudou em um Colégio de Padres Salesianos em Niterói, onde chegou a cantar no coro da escola e também no coro da igreja que frequentava. Também trabalhou em um comércio até resolver participar de programas de calouros no rádio, no final da década de 40, no Rio de Janeiro.
Sua voz era caracterizada pelo timbre grave e aveludado, mas principalmente pelo estilo próprio de cantar e interpretar, além da extravagância e penteados excêntricos. Proveniente de uma família de músicos, o pai (conhecido como Cadete) tocava violão, a mãe bandolim, os irmãos eram instrumentistas, as irmãs cantoras e o tio pianista. Sobrinho do músico Nonô, pianista que popularizou o samba naquele instrumento, Cauby também era primo do cantor Ciro Monteiro. Foi um dos poucos artistas brasileiros a conhecer Elvis Presley. Dentre seus encontros internacionais, teve contato com Frank Sinatra, Nat King Cole, Little Richard e Connie Francis.
Apesar de ter feito sua carreira com ênfase em ritmos brasileiros e latino-americanos, sobretudo o samba-canção e o bolero, cantou em vários idiomas, sendo inclusive reconhecido como o cantor do primeiro rock cantado em português intitulado "Rock and roll em Copacabana".
Nos dez anos de sua morte, o Ecad revelou que "Bastidores" é a canção mais tocada no Brasil com participação de Cauby como intérprete .
Infância Nascido em Santa Rosa, bairro de Niterói, então capital do Estado do Rio de Janeiro, Cauby era o caçula de seis irmãos: Aracy, Moacyr, Andyara, Aráken e Iracema; todos músicos. Sua mãe era Alice de Carvalho, uma cavaquista e seu pai, Eliziário "Cedete" Peixoto, um compositor, cantor e pianista.
Nesse ambiente, Cauby também era primo-irmão do cantor Cyro Monteiro (esse, filho de uma irmã de seu pai, chamada Luíza). Assim, ambos ainda eram sobrinhos do pianista Romualdo Peixoto, popularmente conhecido como "Nonô".
Eliziário morreu quando Alice tinha 20 anos, e a família passou por dificuldades, foram ajudados pela cunhada de Alice, conhecida como Dona Corina, a qual ajudou-os a se mudarem para Fonseca. Para os seis, nenhum trauma. Cauby com o tempo foi fazendo amizades em seu novo bairro, juntamente com Aráken e Andyara. Durante sua infância, seu hobby era ir à praia para aperfeiçoar seus dotes de nadador. Já pré-adolescentes, aprontavam muito, tanto que apanhavam e tinham castigos rigorosos.
Em dada altura de sua vida, a família se mudou para São Francisco Xavier, e passou a estudar no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. A casa onde moravam na época era moderna e de alto custo. Só foi possível adquiri-la, com a ajuda de Dona Corina, que nunca faltava com sua atenção nas horas mais difíceis, desde que Eliziário morreu. Na época, era uma casa grande com varanda, quintal, e três quartos.
Cauby mesmo morando em São Francisco Xavier não deixava de ir à Fonseca, rever seus amigos e sua namorada, Josélia, com quem gostava muito de dançar. No Líder Esporte Clube de Niterói, chegou a ganhar prêmios por dançar e também gostava de ir a Santa Rosa em época de carnaval, para brincar no Ringue e Barreto: os points animados de então. Com a devida ajuda de Dona Corina, ele se fantasiava com roupas cuidadosamente confeccionadas por ela. Desde pequeno já gostava de roupas diferenciadas.
Tempos depois, Alice começou a se relacionar com um homem chamado Anacleto, o qual se aproximou lentamente da família Peixoto.
Cauby na adolescência foi considerado diferenciado, pois era vaidoso e sedutor (Mal sabia que em 1954, seria considerado o homem mais bonito do Brasil, eleito por uma revista americana).
Em uma família de músicos, Cauby passou a ter seus primeiros contatos, por meio de discos de seu irmão, Moacyr, que lhe mostrava canções de Sílvio Caldas e Orlando Silva. Ouvindo um dos discos de seu irmão, escutou a interpretação de Orlando Silva (que se tornou seu ídolo), e se apaixonou pela canção "Rosa" (de Pixinguinha e Otávio de Souza). O rádio já era veículo de massa, e todos gostavam de ouvi-lo. Além de tudo sua mãe e suas irmãs adoravam cantar.
Em 1945, seguindo o exemplo dos irmãos mais velhos, Cauby tratou de ajudar nas finanças de casa, pois já tinha quinze anos. Passou então estudar à noite, e a trabalhar durante o dia no comércio. Mesmo sabendo que a música era sua meta, ainda muito jovem nem sonhava com a reviravolta que estava para acontecer em sua vida.
Por esse tempo, foi trabalhar como vendedor em uma sapataria no centro da cidade, na Gonçalves Dias, quase em frente a Confeitaria Colombo. Mas, na flor de sua libido, encantou-se por uma mulher, e embaralhou-se ao oferecer-lhe um monte de pares de sapatos. A sujeita queixou-se ao seu patrão, um italiano de poucas palavras. Resultado: foi demitido.
A demissão não lhe rendeu maiores traumas. Tornou-se mais responsável e foi contratado pela perfumaria Hermany, na mesma rua da sapataria. Na perfumaria ganhou títulos de melhor funcionário, pois estava encarando o comércio muito bem, mas às vésperas de se tornar gerente, largou o emprego por causa da música.
Antes de pedir suas contas, foi até a Av. Venezuela, onde se localizava a Rádio Tupi. Apresentou sua carteira de trabalho, e foi fazer um teste para atuar num curioso programa da "Cacique no Ar". Patrocinado pelo SESC do Rio e promovido pela pianista Babi de Oliveira, era o programa "Hora do Comerciário". Era perfeito para ele, porque ia ao ar aos sábados, das 18h às 19h, horário de sua folga. Ele esmerava-se ao máximo para fazer tudo direito e deu certo. Logo nas primeiras apresentações, em fevereiro de 1949, o novato teve os louvores da dirigente do programa. Já se destacava dos demais.
Depois da "Hora do Comerciário", Cauby foi aos poucos tentando penetrar em outros espaços. E como sempre pedindo para dar "canjas" em boates como a Vogue e procurando até mesmo em teatros. O ator e diretor Sérgio Britto lembra-se bem da primeira vez que viu o cantor. Foi no palco do Theatro Rival, na Cinelândia, nos intervalos, entre uma mudança de cenário e outra, do espetáculo do grupo "A Brasiliana", criado pelo polonês Mieci Askanazy. Esse grupo fazia parte do cunho folclórico, explorando a arte negra. Para Sérgio, o mais espetacular em Cauby sempre foi sua entrada no palco, além do fato de cantar bem.
No momento de honrar seus compromissos com as forças armadas, escapou de servir o Exército por ser magro demais. Animado com o sucesso da Rádio Tupi e no Theatro Rival, sentiu que nascera para cantar. Como nessa altura (1949/50) Moacyr e Andyara já estavam em São Paulo atuando na noite paulistana, seu lugar deveria ser lá também. Participou, juntamente ao irmão, da inauguração da boate Oásis, na capital de São Paulo.
No início dos anos 1950, recebeu algumas oportunidades promissoras. O autor Mário Donato, na época diretor artístico da Rádio Excelsior, o convidou a cantar na emissora. Em 1952, Victor Costa, que dirigia a Rádio Nacional no Rio de Janeiro, garantiu que ele fosse contratado pela filial da emissora em São Paulo.
Com a ajuda de seus irmãos (já na música) Cauby teve a primeira oportunidade de realizar sua primeira gravação. Foi em 1951, um ano antes da contratação pela emissora em meio aos festejos carnavalescos daquele ano, uma época profícua para o meio fonográfico. Os executivos da etiqueta Carnaval o convocaram para que gravasse seu primeiro 78 rpm.
Carreira Primeiros trabalhos thumb|upright|Cauby Peixoto na viagem inaugural do avião de modelo "Super Constellation G" da Varig, em 2 de agosto de 1955. No voo estavam abordo grandes personalidades e artistas.
Cauby gravou seu primeiro álbum em 1951, pela Carnaval, que continha "Saia Branca" e "Ai, que Carestia". Na época, teve pouca repercussão. Gravou ainda, já no ano seguinte, "Blue Guitar", um dueto com Leny Eversong. No ano seguinte, veio "O Teu Beijo" e "Tudo Lembra Você".
Em 1952, por intermédio de seu irmão Moacyr, conheceu Di Veras, empresário conhecido por suas estratégias de marketing. Ele o levou a São Paulo, especificamente à rua da Rádio Nacional. Di Veras começou a trabalhar na estética e na imagem pública de Cauby, exigindo que ele se vestisse bem, pois por ser de família humilde não era acostumado, mas perante os cantores da época, era uma obrigação ser elegante. As mudanças no seu visual tornar-se-ia uma constante.
Em 1953, gravou seu último disco 78 rpm pela Todamérica.
Cauby não deixou de gravar discos durante as mudanças. Pela Columbia, lançou "Caruaru"/"Mulher Boato", que não fizeram sucesso. Diante disso, Di Veras passou a intervir na seleção do repertório de Cauby também. Na mesma época, fez uma temporada de um mês na Rádio Nacional e conseguiu, por intermédio de Veras, uma apresentação na tradicional boate Casablanca, no Rio de Janeiro.
Chegada ao estrelato Em 1955 lançou seu primeiro sucesso no Brasil, o "Blue Gardênia", em uma versão que trouxe dos Estados Unidos em português. Na época, era um sucesso na voz de Nat King Cole, seu ídolo. Di Veras trabalhou com Cauby até 1958, quando ele atingiu o 5º lugar nos álbuns mais tocados nos EUA.
Foi nessa época que o assédio das fãs se intensificou e que as tradicionais tentativas de arrancar-lhe pedaços de suas roupas começaram a fazer parte da cultura de suas admiradoras. Por influência de Di Veras, a imprensa dedicava bastante espaço para fofocas sobre sua vida amorosa. Em 1954, Di Veras conseguiu, pela primeira vez, que um cantor tivesse sua voz segurada no Brasil. Ainda, sugeriu que Cauby corrigisse seus dentes e o cantor acabou arrancando todos e substituindo-os por uma prótese.
Cauby foi convidado para uma excursão aos EUA pelo cardeal Francis Spellman em 1955. Durante a viagem no navio, cantou músicas religiosas. Já nos EUA, obrigado a adotar o nome artístico de Ron Coby, gravou alguns LP's com a orquestra de , cantando em inglês. Nessa excursão, ele também se apresentou em vários locais, incluindo programas de televisão, e fez testes para filmes. Foi elogiado por muitos cantores daquele país. Mais uma vez, a influência de Di Veras fez com que sua viagem aos Estados Unidos não passasse despercebida na imprensa brasileira.
Entre 1955 e 1958, ficou indo e voltando dos Estados Unidos. Antes de uma dessas viagens, realizada de navio, fãs desmaiaram, choraram e tentaram invadir o navio para que o cantor não deixasse o país. Enquanto esteve fora, Cauby lançou sete discos 78 rpm e dois LPs. No fim das contas, Cauby não conseguiu estourar no país norte-americano e acabou voltando ao Brasil para lá dar prosseguimento à sua carreira.
Declínio da era do rádio A partir dos anos 1950, Cauby tentaria sucesso em estilos como o rock e a bossa nova. A ideia era se adaptar à nova realidade da música brasileira, em que o formato de apresentações ao vivo de canções tradicionais no rádio já caía em desuso por parte das emissoras.
Em 1956, ele apareceu no filme Com Água na Boca cantando seu grande sucesso, "Conceição". A canção não estourou de imediato quando foi lançada como lado A de um disco com a Columbia. Depois, foi incluída no LP Você, a Música e Cauby e, lentamente, conquistando o público. Na época, foi citado nas revistas Time e Life como "o Elvis Presley brasileiro".
Em 1957, foi o primeiro cantor brasileiro a gravar uma canção de rock em português, denominada "Rock and Roll em Copacabana", que foi composta por Miguel Gustavo, também autor da marchinha "Pra Frente, Brasil".