BAE Systems plc é uma empresa multinacional britânica dos setores aeroespacial, bélico e de segurança da informação, com sede em Londres. Em 2017, era a maior fabricante da Grã-Bretanha. É a maior empresa de defesa da Europa e ocupava a sexta posição mundial com base nas receitas correspondentes de 2024. Suas maiores operações ficam no Reino Unido e nos Estados Unidos, onde a subsidiária BAE Systems Inc. está entre as seis maiores fornecedoras do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Os mercados seguintes em tamanho são a Arábia Saudita e a Austrália. A empresa também atua no Canadá, Japão, Índia, Turquia, Catar, Omã e Suécia. A BAE Systems surgiu em 30 de novembro de 1999, quando a British Aerospace, fabricante de aeronaves, munições e sistemas navais, comprou por £ 7,7 bilhões e incorporou a Marconi Electronic Systems, divisão de eletrônica de defesa e construção naval da General Electric Company plc.

A empresa sucedeu fabricantes de aeronaves, navios, veículos blindados, armamentos e eletrônica de defesa. Entre eles estavam a Marconi Company, primeira empresa comercial dedicada ao desenvolvimento e uso do rádio, e a A.V. Roe and Company, uma das primeiras fabricantes de aviões do mundo. A De Havilland produziu o Comet, primeiro avião comercial a jato. A Hawker Siddeley fabricou o Harrier, primeiro avião de ataque com decolagem e pouso verticais. A British Aircraft Corporation participou da fabricação do transporte supersônico Concorde. A Supermarine fez o Spitfire. A Yarrow Shipbuilders construiu os primeiros contratorpedeiros da Marinha Real Britânica, a Fairfield Shipbuilding and Engineering Company fez o primeiro cruzador de batalha do mundo e a Vickers Shipbuilding and Engineering construiu os primeiros submarinos da Marinha Real.

Desde 1999, a BAE Systems comprou empresas como Ball Aerospace, United Defense e Armor Holdings, dos Estados Unidos. Também vendeu suas participações na Airbus, na Astrium, na AMS e na Atlas Elektronik. Participa de projetos de defesa como o Lockheed Martin F-35 Lightning II, o Eurofighter Typhoon e os submarinos das classes Astute e Dreadnought, além do SSN-AUKUS. Suas ações integram o índice FTSE 100 da Bolsa de Valores de Londres.

História

Antecessoras miniaturadaimagem|A Supermarine, fabricante do Spitfire, foi uma antecessora da BAE Systems. A Vickers-Armstrongs comprou a empresa e foi incorporada à British Aircraft Corporation em 1960.

Em 30 de novembro de 1999, a British Aerospace comprou a Marconi Electronic Systems por £ 7,7 bilhões e as duas empresas se fundiram para formar a BAE Systems. Suas antecessoras estiveram entre as fabricantes britânicas de aeronaves, eletrônica de defesa e navios de guerra mais conhecidas. Elas construíram o Comet, primeiro avião comercial a jato, e o Harrier, primeiro avião operacional de decolagem e pouso vertical ou curto. Também produziram o radar Blue Vixen, chamado de "inovador" e instalado no Sea Harrier FA2, que deu origem ao radar CAPTOR do Eurofighter, e fabricaram o avião supersônico Concorde com a Aérospatiale.

A British Aerospace fabricava aviões civis e militares, além de fornecer sistemas terrestres para as forças armadas. Ela nasceu da concentração das fabricantes de aeronaves do Reino Unido depois da Segunda Guerra Mundial. Foi criada em 29 de abril de 1977, com a nacionalização e fusão da British Aircraft Corporation, do grupo Hawker Siddeley e da Scottish Aviation. A BAC e a Hawker Siddeley também haviam resultado de fusões e aquisições. Clique na aba "Air".

A Marconi Electronic Systems era a divisão de defesa da companhia britânica de engenharia General Electric Company, a GEC. Trabalhava sobretudo com integração de sistemas militares e com sistemas navais e terrestres. Suas origens chegavam à Wireless Telegraph & Signal Company de Guglielmo Marconi, fundada em 1897. A GEC comprou a English Electric, que reunia os negócios de Marconi, em 1968. Passou então a usar a marca Marconi em suas atividades de defesa, primeiro como GEC-Marconi e depois como Marconi Electronic Systems. A própria GEC já fornecia rádios e lâmpadas na Primeira Guerra Mundial. Na Segunda Guerra Mundial, participou de avanços tecnológicos como o magnetron de cavidade usado em radares. Entre 1945 e 1999, GEC-Marconi e Marconi Electronic Systems tornaram-se grandes fornecedoras militares. A GEC comprou a Associated Electrical Industries em 1967, a Yarrow Shipbuilders em 1985, as empresas Plessey em 1989 e partes da área de defesa da Ferranti em 1990. Adquiriu o restante da Ferranti quando a empresa entrou em recuperação judicial em 1993 e 1994, a Vickers Shipbuilding and Engineering em 1995 e a Kværner Govan em 1999. Em junho de 1998, a MES pagou £ 830 milhões, cerca de US$ 1,4 bilhão, pela empresa norte-americana de defesa Tracor.

Formação

A fusão das companhias norte-americanas Boeing e McDonnell Douglas em 1997, após a criação da Lockheed Martin em 1995, aumentou a pressão para que as empresas europeias de defesa se unissem. Em junho de 1997, John Weston, diretor-geral da British Aerospace Defence, disse que "a Europa mantém três vezes o número de fornecedores com menos da metade do orçamento dos Estados Unidos". Governos europeus queriam reunir suas fabricantes de defesa em uma só entidade, uma "Empresa Europeia de Defesa e Aeroespacial".

Em 1995, a British Aerospace e a alemã DaimlerChrysler Aerospace, a DASA, já queriam criar uma companhia transnacional nos dois setores. As duas planejavam acrescentar a Aérospatiale depois que ela fosse privatizada. A primeira etapa seria transformar a Airbus, até então um consórcio da British Aerospace, DASA, Aérospatiale e Construcciones Aeronáuticas SA, em uma companhia integrada. British Aerospace e DASA se alinharam diante das objeções da Aérospatiale. As duas também eram parceiras nos projetos de aeronaves Panavia Tornado e Eurofighter Typhoon. As conversas sobre uma fusão começaram em julho de 1998, quando a participação francesa ficou mais provável com o anúncio da união entre Aérospatiale e Matra e da redução da parcela do governo francês na nova empresa. Richard Evans, presidente da British Aerospace, e Jürgen Schrempp, diretor executivo da DASA, chegaram a um acordo.

A GEC também sofria pressão para participar desse movimento. Ao comentar a nomeação de George Simpson como diretor-geral da GEC em 1996, The Independent escreveu que "alguns analistas acreditam que o conhecimento interno de Simpson sobre a BAe, alvo havia muito cogitado pela GEC, foi decisivo para sua nomeação. A GEC prefere formar com a BAe uma campeã nacional de defesa para competir com as gigantes norte-americanas". A GEC colocou a MES à venda em 22 de dezembro de 1998. A British Aerospace abandonou a fusão com a DASA e resolveu comprar a concorrente britânica. A união da British Aerospace com a MES foi anunciada em 19 de janeiro de 1999.BAE Systems Annual Report 1999, p. 22. BAE Systems plc, 2000. Evans disse em 2004 que temia a compra da MES por uma empresa norte-americana de defesa que passasse a enfrentar a British Aerospace e a DASA. A fusão criou uma companhia verticalmente integrada. The Scotsman definiu a combinação como "as habilidades da British Aerospace em contratos e construção de plataformas com a cobiçada capacidade da Marconi em sistemas eletrônicos". O fabricante do Eurofighter, por exemplo, se uniu à empresa que fornecia muitos dos sistemas eletrônicos do avião. A British Aerospace era a maior cliente da MES. A DASA, depois do fim das negociações, se fundiu com a Aérospatiale para criar a European Aeronautic Defence and Space Company, a EADS, por meio de uma integração horizontal.

A BAE Systems assumiu dezessete compromissos com o Departamento de Comércio e Indústria, o que evitou o envio da fusão à Comissão de Monopólios e Fusões. A maior parte exigia que a empresa integrada oferecesse subcontratos a companhias externas nas mesmas condições dadas às subsidiárias. Outra condição foi a separação das antigas equipes da British Aerospace e da MES em projetos de defesa como o Joint Strike Fighter. Em 2007, o governo liberou a BAE Systems de dez compromissos por causa de uma "mudança nas circunstâncias".

A BAE Systems herdou a ação de ouro do governo britânico, criada quando a British Aerospace foi privatizada. Essa ação impede mudanças em partes do estatuto social da empresa sem a autorização do secretário de Estado. O estatuto não permite que uma pessoa estrangeira, nem um grupo de estrangeiros agindo em conjunto, possua mais de 15% das ações.

Década de 2000

O primeiro relatório anual da BAE Systems apontou a Airbus, os serviços de apoio a forças armadas e os sistemas integrados para uso aéreo, terrestre e naval como áreas de crescimento. Também registrou a intenção de ampliar os negócios nos Estados Unidos e participar de novas uniões empresariais na Europa. A companhia chamou 2001 de "ano decisivo" para suas empresas conjuntas europeias, que foram amplamente reorganizadas. A expansão norte-americana se apoiava no tamanho do mercado de defesa dos Estados Unidos, que gastava quase o dobro do total dos países da Europa Ocidental. O investimento norte-americano em pesquisa e desenvolvimento também era bem maior. Ao assumir a presidência em julho de 2004, Dick Olver mandou reexaminar os negócios. A análise descartou novas aquisições e empresas conjuntas na Europa e confirmou a preferência estratégica por expansão e investimentos nos Estados Unidos. Também confirmou o interesse pelo setor de sistemas terrestres. Duas compras, em 2004 e 2005, levaram a BAE da posição de pequena fornecedora nesse setor à segunda colocação mundial. O Financial Times chamou a mudança de estratégia de "extraordinária". Entre 2008 e o começo de 2011, a BAE comprou cinco empresas de cibersegurança para responder à queda nos gastos governamentais com "itens tradicionais de defesa, como navios de guerra e tanques".

Em 2000, a Matra Marconi Space, empresa conjunta da BAE Systems e da Matra, se uniu à divisão espacial da DASA para formar a Astrium. A BAE vendeu seus 25% da Astrium por £ 84 milhões em 16 de junho de 2003. Como a Astrium operava com prejuízo, a BAE Systems investiu o mesmo valor em sua "reestruturação". A empresa vendeu sua participação majoritária de 54% na BAE Systems Canada, uma companhia de eletrônica, por 310 milhões de dólares canadenses, cerca de £ 197 milhões em valores de dezembro de 2010. Em novembro de 2001, anunciou o fechamento da linha do Avro Regional Jet, o Avro RJ, em Woodford, e o cancelamento do Avro RJX, uma versão mais avançada da família, porque o negócio "já não era viável". O último Avro RJ foi o último avião civil britânico. Ainda em novembro, a BAE vendeu à Thales seus 49,9% da Thomson Marconi Sonar por £ 85 milhões. Em dezembro, a parcela da BAE na Matra BAe Dynamics se juntou à divisão de mísseis da Alenia Marconi Systems para formar a MBDA. A nova empresa tornou-se a segunda maior fabricante de mísseis do mundo. Anos depois, surgiram relatos de que a EADS, atual Airbus, queria assumir o controle integral da MBDA. A BAE respondeu que a MBDA fazia parte do núcleo de seus negócios, ao contrário da Airbus. miniaturadaimagem|esquerda|O projeto dos submarinos da classe Astute levou a BAE a emitir um alerta sobre os lucros em 2002 e a investir £ 250 milhões para superar as dificuldades.