O Batalhão de Operações Especiais - BOPE é uma divisão da Polícia Militar do estado do Paraná, no Brasil. Trata-se de uma corporação especializada em operações especiais, capacitada a operar em todo o país.

Antecedentes Na década de 1950, o Paraná era uma nova fronteira agrícola e vivia conflitos pela posse de terras. Na Guerra de Porecatu, em 1950, o Partido Comunista colocou em teste suas teorias de guerrilha rural, por meio das chamadas ligas camponesas.Manifesto Comunista de 1 de agosto de 1950, assinado pelo Secretário Geral do Partido, Luiz Carlos Prestes. Livro (obra de ficção histórica): Terra Roxa de Sangue - A Guerra de Porecatu; de Joaquim Carvalho da Silva; Editora da Universidade Estadual de Londrina; 2013. Jornal Gazeta do Povo - por Rogerio Waldrigues Galindo, em 20/01/17. Em 1957 ocorreu a Revolta dos Posseiros, na região Sudoeste do Estado, confirmando condições propícias ao surgimento de um movimento de insurreição armada. Isso despertou na Polícia Militar a necessidade em dispor de uma tropa treinada neste tipo de confronto, criando-se assim o "Batalhão de Guardas", atual 12º Batalhão de Polícia Militar.Lei 925, de 22 de setembro de 1952. Três de suas companhias foram classificadas como Polícia de Choque.

Companhia de Operações Especiais No início da década de 1960 foi estabelecido entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, um programa de cooperação denominado Aliança para o Progresso, que foi uma resposta à Revolução Cubana, objetivando a melhora da estrutura básica nos países latinos americanos, particularmente a de segurança pública (Projeto Ponto IV).

thumb|esquerda|Entrada do Fort Bragg

No Paraná, o representante norte-americano no Brasil, Lauren D. Mullins, repassou dez viaturas (camionetes e jipes Willys), rádios portáteis e outros equipamentos, e pessoalmente indicou o capitão Goro Yassumoto para realizar curso de especialização no Fort Bragg, na Carolina do Norte.

Em julho de 1964, o capitão Goro recebeu a missão do comando geral de criar uma unidade de operações especiais na Polícia Militar do Paraná. O capitão então escolheu como seus auxiliares e comandantes de pelotão, os tenentes Douglas Villatore, Sony Martins e Dirceu Rubens Hatschbach. A Companhia de Operações Especiais foi oficialmente instituída em outubro de 1964, como 5ª Cia. do Batalhão de Guardas.Decreto n° 16.316, de 27 de outubro de 1964.

Em 4 de julho de 1965, o COE adquiriu autonomia e passou a subordinar-se diretamente ao Comando Geral.

Corpo de Operações Especiais thumb|Brasão do COE. Em 5 de setembro de 1967, o COE foi transformada em Corpo de Operações Especiais, composto por três companhias.Boletim do Comando Geral n° 197, de 5 de setembro de 1967. Decreto n° 6.387 (Diário Oficial 152, de 2 de setembro de 1967).

Na origem, o COE foi essencialmente uma unidade de contraguerrilha, mas também foi onde surgiu alguns policiamentos especializados que permanecem até os dias de hoje. Operação PraiasDe 1970 a 1972 a Operação Praias foi feita com efetivo do COE. A partir dessa data passou a ser realizada por efetivo do Comando de Policiamento do Interior. Reforço de policiamento no litoral do Estado devido ao aumento de população na temporada de veraneio. Atualmente, em 2010, esse policiamento é denominado Operação Verão e se estende a todo o Estado.

RONE - Ronda Especial A RONE foi criada na década de 1970 para atuar no combate a grupos criminosos fortemente armados; bem como em apoio aos demais Batalhões de Polícia Militar. Após a transferência do COE para o Regimento de Polícia Montada, esse policiamento permaneceu atuando até a criação do Policiamento Modular; sendo então designado como Patrulhamento Tático Móvel (PATAMO). Em 1992 essa atividade voltou a receber sua antiga denominação, RONE, na Companhia de Polícia de Choque. Porém, com o significado de: Rondas Ostensivas de Natureza Especial.

Policiamento Cinotécnico O Núcleo de Cinofilia da PMPR foi implantado em 14 de dezembro de 1971, anexo à 3ª Companhia do COE.

Patrulha Disciplinar (PD) A Patrulha Disciplinar foi oficializada na década de 1970, pelo então comandante-geral da PMPR, César "Tasso" Saldanha Lemos.Nota 31 à Ajudância Geral, de 12 de abril de 1977. Arquivo Geral da PMPR. Esse policiamento era voltado para o efetivo interno, semelhante ao serviço executado pela Polícia do Exército. Permaneceu na Cia P Choque e posteriormente foi extinto ao final do Governo Militar.

Base Operacional de Canavieiras Em 1972 foi concedido à PMPR seiscentos alqueires na Serra do Mar, para a construção de uma Base Operacional do COE. Ela estava situada no Município de Guaratuba, na confluência dos rios Caçadas e Panela, a 89 km de Curitiba. Essa base tornou-se uma excelente base de treinamento, pois a região era de difícil acesso, com mata fechada e montanhosa, e alta taxa de pluviosidade.

Em 1980 o efetivo passou ao controle do Batalhão de Polícia Florestal, mas a base permaneceu usada para treinamento nos cursos de operações especiais. Em 2005 foi definitivamente desativada, passando ao controle do IBAMA.

Lema do COE Primus Inter Pares (primeiro entre iguais).

Em 1973 o COE sofreu uma remodelação, visando sua transformação em Batalhão de Polícia de Choque; composto pela soma de seu efetivo com um esquadrão de polícia montada.

A 1ª Cia COE foi transferida para o Regimento de Polícia Montada.Diretriz n° 12/73, de 17 de agosto de 1973. A 2ª Cia COE foi transferida para o Batalhão de Guardas, para compor a segurança do Quartel do Comando Geral (QCG). Um pelotão, incluindo-se o oficial, foi transferido para o Batalhão de Polícia Florestal. Seis policiais militares (Destacamento de São Pedro) foram transferidos para 6° Batalhão de Polícia Militar. O Canil, a Base Operacional de Canavieiras e restante do efetivo da 3ª Cia COE, também passaram ao controle do Regimento de Polícia Montada.

Essa fusão de unidades, COE e RPMon, ficou internamente conhecida como "o casamento que não deu certo", pois as Unidades possuíam fortes rivalidades e se hostilizavam mutuamente.

Companhia de Polícia de Choque thumb|Brasão da Cia P Chq. Em 1976 foi determinada a criação da Companhia de Polícia de Choque (Cia P Chq) com a 1ª Companhia do Corpo de Operações Especiais,Portaria do Comando Geral n° 384, de 23 de setembro de 1976. subordinada administrativamente ao Batalhão de Guardas e operacionalmente ao Comando de Policiamento da Capital. A OPM foi ativada em dezembro de 1976, tendo como primeiro comandante o primeiro-tenente Eugênio Semmer.Boletim Geral n° 277, de 6 de dezembro de 1976.

Em 1977, a Companhia foi reforçada com o Canil, até então subordinado ao Regimento de Polícia Montada.Portaria do Comando Geral n° 694, de 18 de março de 1977.

A unidade foi oficialmente constituída em 19 de abril de 1977, data a partir da qual se passou a comemorar o seu aniversário de criação.Decreto n° 3.239, de 19 de abril de 1977.

Missão da Cia P Choque A missão da Cia P Choque eram as ações de controle de distúrbios civis e repressão a rebeliões ou motins em presídios, mas também realizava operações preventivas em áreas críticas e dava apoio ao policiamento básico. Seu efetivo estava subdividido em pelotões, os quais permaneciam aquartelados em prontidão, vinte e quatro horas por dia.

Estrutura operacional Efetivo administrativo P/1 (Seção de Pessoal); P/2 (Seção de Informações); P/3 (Seção de Operações); e P/4 (Seção de Logística) Em acionamentos exergia a função de Guerra Química (uso de gases fumígenos e lacrimogêneos).Em linguagem policial militar, acionamento é a terminologia dada ao ato de convocar, acionar ou determinar uma ação a um efetivo da Polícia Militar. 1ª Pelotão de Polícia de Choque 2ª Pelotão de Polícia de Choque 3ª Pelotão de Polícia de Choque 4ª Pelotão de Polícia de Choque (1984) Cada pelotão era comandado por um tenente, e estava subdividido em três Grupos de Polícia de Choque (GPC) comandados por sargentos. Canil Subdividido em administração, veterinária e cinófilos (treinadores dos cães).

Organização da Cia P Chq A partir de 1988, por iniciativa do seu comandante, o Major Valter Wiltemburg Pontes, a Cia P Chq passou a ser remodelada para se transformar em Batalhão de Polícia de Choque; sendo seu efetivo reforçado com dois novos pelotões a serem redistribuídos em três companhias.

1ª Companhia de Polícia de Choque Patrulhamento Tático Móvel 2ª Companhia de Polícia de Choque Operações Especiais - COE 3ª Companhia de Polícia de Choque Policiamento com Cães - Canil

20px Tático Móvel<ref>Originalmente o brasão usado pela RONE havia sido proposto para o Batalhão de Polícia de Choque. Como isso não ocorreu e esse brasão havia sido estampado em suas viaturas, foi adotado "extraoficialmente". 20px COE Imagem:PMPR Choque canil.PNG CANIL

Entretanto, apesar da estrutura ter sido formada, devido às conjecturas do pós-abertura política, o poder executivo estadual não oficializou a criação da nova OPM, alegando que seria uma corporação de repressão política. A estrutura operacional não foi desativada e a "companhia" passou a ser comandada por um major; subdividida em "policiamentos", comandados por capitães.

Rondas Ostensivas de Natureza Especial thumb|direita|230px|Viatura da RONE/BOPE, PMPR. Em 1988 havia sido ativado o patrulhamento Tático Móvel. Em 1992 o Tático Móvel foi transformado em "Rondas Ostensivas de Natureza Especial" (RONE). A RONE se constitui basicamente em uma tropa especializada em combate à criminalidade violenta; tais como roubos executados por quadrilhas e gangues, latrocínio, extorsão mediante sequestro e tráfico de entorpecentes. Sua missão é atuar extensivamente nos bairros onde os índices de criminalidade são mais altos, através de operações de batida policial, bloqueio, presença e cercos policiais.

A RONE atua com viaturas de médio porte, guarnecidas com quatro ou cinco policiais militares, com armamentos e equipamentos específicos; possuindo forte capacidade de ação e reação, principalmente por meio de abordagens e buscas pessoais, na repressão e prevenção de crimes. A unidade atua ainda em controle de distúrbios civis, defesa e retomada de pontos sensíveis, escoltas de dignitários e numerários, e outras atividades de manutenção da ordem pública.

Comandos e Operações Especiais O "Comandos e Operações Especiais" atua especificamente em ocorrências que envolvam reféns ou grupos fortemente armados, ou ainda, em situações que exijam equipamentos e armas especiais.

Em 1987, um frustrado assalto a banco na cidade de Goioerê, interior do Paraná, tomou a atenção dos jornais de todo o país, pois as pessoas que se encontravam dentro da agência bancária tornaram-se reféns dos marginais. A situação perdurou por dias e muitos erros foram cometidos; causando constrangimentos à polícia paranaense.

Em Curitiba, o então comandante da Cia P Choque, Major Valter Wiltemburg Pontes, oficial veterano do antigo Corpo de Operações Especiais, se dirigiu ao comandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC), Coronel Wilson Odirley Valla, solicitando apoio para criar um pelotão de operações especiais semelhante à SWAT estadunidense.

Após um período de treinamento e seleção, o pelotão foi ativado em 4 de julho de 1988; e recebeu a denominação de COE (Comandos e Operações Especiais), em homenagem ao antigo Corpo de Operações Especiais (1964 a 1976). O Oficial escolhido para comandar o referido pelotão, foi à época, o 2º Tenente Nerino Mariano de Brito, dando início prático aos trabalhos.

Desde a formação o COE passou por diversas configurações, porém, sempre constituído pelas seguintes equipes básicas: equipe de negociação; equipe de assalto; equipe de atiradores; e equipe antibomba. thumb|direita|230px|Equipe Antibomba da COE/BOPE, PMPR.

Equipe de Negociação É a equipe principal. Constituída por psicólogos e pessoal com especialização na área, procura de todas as maneiras resolver a situação através do diálogo.

Equipe de Assalto