Talking Heads foi uma banda de rock americana formada em 1975 na cidade de Nova Iorque. A formação clássica contava com David Byrne (vocais principais, guitarra), Chris Frantz (bateria), Tina Weymouth (baixo) e Jerry Harrison (teclado, guitarra). O grupo foi um dos precursores do gênero new wave e ganhou notoriedade pela sua sonoridade única, que incorporava ritmos complexos de funk e world music, em especial os de matriz africana. A banda é amplamente considerada uma das mais influentes da história da música, sendo incluída no Rock and Roll Hall of Fame em 2002.

Biografia

1973–1977: Primeiros Anos

Em 1973, David Byrne (guitarra e vocais) e Chris Frantz (bateria), fundaram a banda The Artistics na Escola de Design de Rhode Island, na qual ambos eram alunos. Um ano depois, Tina Weymouth juntou-se ao grupo como baixista, formando com Frantz uma parceria musical e pessoal que se tornaria a espinha dorsal rítmica da banda. A formação foi rebatizada para Talking Heads, inspirando-se num glossário de termos televisivos onde talking head designa o enquadramento clássico de um locutor.

A primeira grande apresentação da banda ocorreu no dia 5 de junho de 1975, quando fizeram a abertura do show dos Ramones no clube CBGB. Em novembro de 1976, o grupo assinou com a Sire Records (associada à Warner Bros) e lançou, no ano seguinte, seu primeiro single, Love → Building on Fire. Em março de 1977, Jerry Harrison (guitarra e teclados) se juntou ao Talking Heads após deixar os Modern Lovers.

Seu álbum de estreia, Talking Heads: 77, obteve ótima recepção crítica, sendo votado como o sétimo melhor do ano pelo jornal The Village Voice. Além disso, o single Psycho Killer alcançou a 92ª posição na Billboard Hot 100. O crítico Mark Deming, em sua resenha para o site AllMusic, observou que “O Talking Heads tinha, claramente, antecedentes musicais no pop e no rock dos anos 1960, no soul clássico e no folk rock; ainda assim, desde o início era evidente que estava misturando esses elementos de uma forma única”.

1978-1980: Colaborações com Brian Eno

Em 1978, o grupo lançou seu segundo álbum, More Songs About Buildings and Food. O trabalho marcou uma evolução sonora significativa, com mudanças na entrega vocal de Byrne e numa maior sofisticação rítimica, impulsionadas pela colaboração com o produtor Brian Eno — que anteriormente havia trabalhado com figuras como David Bowie e Robert Fripp. Esta parceria, que se tornaria intensa, levou a banda a explorar gêneros como funk e afrobeat, sob notável influência de Fela Kuti. O álbum foi recebido com aclamação da crítica ainda maior que o anterior. O single Take Me to the River, um cover de Al Green, alcançou a 26ª posição na Billboard Hot 100, consolidando ainda mais seu crescente impacto.

Eno e o grupo prosseguiram juntos com o lançamento de Fear of Music, em 1979. Descrito como “Um álbum irregular, de transição, embora suas melhores faixas estejam entre as melhores que o Talking Heads já fez” pelo crítico William Ruhlmann. Assim, destaca-se o single icônico Life During Wartime e novas experimentações que permitiriam a criação da frequentemente considerada obra-prima do conjunto no ano seguinte.

Lançado em 8 de outubro de 1980 pela Sire Records, Remain in Light recebeu ampla aclamação da crítica especializada. Robert Christgau, do The Village Voice, concedeu ao disco nota A, apontando: "Em Remain in Light, David Byrne supera seu medo da música em uma síntese visionária de Afrofunk — clara, desapegada e quase misticamente otimista". Retrospectivamente, o álbum tem sido incluído em diversas listas de melhores discos de todos os tempos, como a realizada pela Rolling Stone, presente na 39ª posição. Em 2018, recebeu nota 10/10 pela Pitchfork.

De acordo com Brian Eno, o álbum Afrodisiac, de Fela Kuti, se tornaria um modelo para Remain in Light, consolidando a sonoridade única do grupo. O single Once in a Lifetime marcou o projeto, chegando ao top 20 no UK Singles Chart e nomeado um dos melhores videoclipes de todos os tempos pela revista Time.

Reconhecido como a obra primorosa do Talking Heads, observa William Ruhlmann na plataforma Allmusic: ''Como se percebeu mais tarde, entretanto, ele marcou o fim de um aspecto do desenvolvimento do grupo e foi o último álbum com material novo por três anos''.

1981-1991: Auge comercial e separação

Assim, após quatro LPs produzidos, a banda entrou em um hiato de lançamentos por três anos.

Durante esse período, em 1981, Tina Weymouth e Chris Frantz formaram o Tom Tom Club, grupo inicialmente criado em paralelo ao Talking Heads. O projeto tinha uma sonoridade mais dançante, sendo descrita como leve e tropical. A abordagem musical única fez com que a própria dupla a descrevesse como fresh (inovadora) e freestyle (de estilo livre), termos que rapidamente foram adotados pelo vocabulário da música dance e do hip-hop nos anos seguintes.

No mesmo ano, Jerry Harrison lançava seu primeiro álbum solo, The Red and the Black, e David Byrne colaborava com Brian Eno no disco My Life in the Bush of Ghosts.

Em 1982, a banda retornou com o álbum ao vivo duplo The Name of This Band Is Talking Heads, que continha gravações de turnês desde a sua estreia. Esse período também marcou o fim da colaboração com Brian Eno, que passou a se dedicar à banda irlandesa U2.

No ano seguinte foi lançado Speaking in Tongues, o trabalho mais comercial da banda, alcançando a 15ª posição na Billboard 200 e sendo o primeiro disco do grupo a receber uma certificação de platina pela RIAA — que simboliza a venda de mais de um milhão de cópias nos EUA. Além disso, Burning Down the House foi o primeiro e único single do Talking Heads a entrar no top 10 da Billboard Hot 100, ficando em nono lugar. Musicalmente, de acordo com William Ruhlmann, ''A banda abriu as texturas densas que havia desenvolvido com Brian Eno nos dois álbuns anteriores e alcançou um som mais espaçoso, que incorporava elementos de gospel — especialmente no canto de chamada e resposta — e de blues no estilo de John Lee Hooker, em Swamp''.

A turnê seguinte da banda foi documentada e dirigida por Jonathan Demme, que originou o filme-concerto Stop Making Sense, de 1984. A obra ganhou o prêmio de melhor filme de não-ficção do ano pela Sociedade Nacional de Críticos de Cinema . Atualmente possui uma taxa de aprovação de 100% no Rotten Tomatoes, descrita no consenso de críticos do site como: ''Stop Making Sense [...] capta o show enérgico e imprevisível do Talking Heads em seu auge, com cor e engenho visual''. A crítica Pauline Kael, no The New Yorker, o classificou como ''próximo da perfeição''.

Após o lançamento de 1983 outros 3 trabalhos foram criados: em 1985 Little Creatures, em 1986 True Stories e em 1988 Naked. True Stories, trilha sonora para um filme dirigido por Byrne teve como hits Radiohead (que inclusive deu nome à banda inglesa Radiohead) e Wild Wild Life.

Após um espaço de 3 anos sem gravações e show, David Byrne anunciou o fim do grupo Talking Heads durante uma entrevista no Los Angeles Times. Byrne seguiu carreira solo mas o grupo até hoje é uma referência de rock experimental, pop e criativo influenciando bandas atuais como Radiohead, Arcade Fire, The Killers Clap Your Hands Say Yeah e, mais recentemente, artistas inspirados pelo worldbeat, como Vampire Weekend e Yeasayer.

Membros

David Byrne - Voz, Guitarra, Violão Chris Frantz - Bateria Tina Weymouth - Baixo, Teclado Jerry Harrison - Guitarra, Teclado

Discografia

1977 Talking Heads: 77 1978 More Songs About Buildings and Food 1979 Fear of Music 1980 Remain in Light 1983 Speaking in Tongues 1985 Little Creatures 1986 True Stories 1988 Naked

Ver também Brian Eno Tom Tom Club

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