O Parque Nacional das Emas é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral à natureza localizada na região sudoeste do estado de Goiás. O parque abrange uma área de , distribuídos pelos municípios de Mineiros, Chapadão do Céu, e parte de Costa Rica (Mato Grosso do Sul).

Criado através do Decreto No 49.874, emitido em pelo então Presidente da República, Juscelino Kubitschek, teve seus limites revistos posteriormente pelo Decreto 70.375, de 6 de abril de 1972. O parque preserva as diversas nascentes dos rios Jacuba e Formoso, afluentes do rio Paranaíba, da bacia do rio Paraná.

O acesso ao parque pode ser feito por Serranópolis, por Chapadão do Céu, ou por Mineiros. É administrado atualmente pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Importância do parque Preservar amostras representativas dos ecossistemas do Cerrado, em especial do campo limpo hiperestacional, área única conhecida desta fitofisionomia para o Cerrado. Proteger as áreas da chapada do parque, como ponto mais setentrional das áreas de recarga do aqüífero Guarani. Assegurar a qualificação do parque como área-núcleo da Reserva da Biosfera do Pantanal e como Patrimônio Natural da Humanidade. Abrigar e assegurar o habitat de grandes mamíferos, em especial: onça-parda (Puma concolor) onça-pintada (Panthera onca) cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) tamanduá-bandeira (Myrmecophaga trydactyla) lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) cachorro-vinagre (Speothos venaticus) Assegurar a manutenção de populações viáveis das espécies ameaçadas de extinção, a saber: da fauna: codorna-mineira (Nothura minor) inhambu-carapé (Taoniscus nanu) papagaio-galego (Amazona xanthops) bacurau-rabo-branco (Caprimulgus candicans) tapaculo-de-colarinho (Melanopareia torquata) chorozinho-de-bico-comprido (Herpsilochmus longirostris) andarilho (Geobates poecilopterus) limpa-folha-do-brejo (Philydor dimidiatus) fura-barreira (Hylocryptus rectirostris) maria-corruíra (Euscarthmus rufomarginatus) soldadinho (Antilophia galeata) gralha-do-cerrado (Cyanocorax cristatellus) pula-pula-de-sobrancelha (Basileuterus leucophrys) bandoleta (Cypsnagra hirundinacea) cigarra-do-campo (Neothraupis fasciata) batuqueiro (Saltator atricollis) Porphyrospiza caerulescens mineirinho (Charitospiza eucosma) e capacetinho-do-oco-do-pau (Poospiza cinerea) da flora: coquinho-do-campo (Acrocomia hassleri) Assegurar a manutenção de populações viáveis das espécies raras, a saber: de aves: bacurau-de-rabo-branco (Caprimulgus candicans) de serpentes: mussurana (Rhachidelus brazili) bicuda (Lystrophis nattereri) cobra-cega (Leptotyphlops koppesi) cobra-cipó (Philodryas livida) cobra-d’água (Liophis maryellenae) de flora: araticum (Annona coriacea) murici-pequeno (Byrsonima coccolobifolia) Camarea affinis fel-de-gentil (Cayaponia espelina) algodão-do-campo (Cochlospermum regium) Combretum hilarianum araticunzinho (Duguetia furfuracea) Galactia decumbens paratudo (Gomphrena macrocephala) Hyptis eriophylla rosa-de-caboclo (Langsdorffia hypogea) folha-de-serra (Ouratea spectabilis) e bolsa-de-pastor (Zeyheria montana) Assegurar a manutenção de populações viáveis das espécies em perigo da flora, a saber: cajuzinho-do-cerrado (Anacardium humile) Barjonia erecta Deianira nervosa caqui-do-cerrado (Diospyros hispida) Eriope crassipes Froelichia procera jenipapo (Genipa americana) Heteropteris campestris anileiro (Indigofera gracilis) Ipomoea virgata Irlbachia speciosa Pradosia brevipes Pombalia insignis Assegurar a manutenção de populações viáveis das espécies vulneráveis da flora, a saber: catuaba (Anemopaegma arvense) araticum (Annona warmingiana = A. pygmaea) pequi (Caryocar brasiliense) Croton cinctus araticunzinho (Duguetia gabriuscula) Eremanthus sphaerocephalus azulzinha (Evolvulus cressoides) Evolvulus fuscus Hoehnephyton trixoides Hortia brasiliana Ipomoea argentea Ipomoea campestris Ipomoea procurrens Jacquemontia sphaereocephala carne-de-vaca (Roupala montana) Assegurar a manutenção de populações viáveis das novas espécies encontradas no PNE, a saber: de serpentes: cobra-cega (Liotyphlops aff. ternetzi) falsa coral (Apostolepis aff. lineata) de lagartos: Cnemidophorus aff. parecis Cnemidophorus aff. ocellifer cobra-de-vidro (Ophiodes sp.) calango (Tropidurus sp.) de peixes: lambari (Astyanax scabripinnis cf. paranae), Astyanax sp 1, Astyanax sp 2, Astyanax sp 3 lambari (Hasemania sp.) piaba (Hyphessobrycon spp.) canivete (Characidium aff. zebra), Characidium spp. piau (Leporinus cf. paranensis) timboré (Leporinus marcgravii) Cyphocharax sp. traíra (Hoplias aff. malabaricus) bagrezinho (Tatia intermedia) baginho (Cetopsorhamdia sp.) Rhamdia sp. Hisonotus sp. barrigudinho (Phalloceros sp.) talhoto (Rivulus pictus) pirambóia (Synbranchus spp.) Assegurar que o PNE contribua como centro de reprodução e dispersão de animais silvestres e como fonte de repovoamento da região; Contribuir, estimular e promover a utilização dos princípios e práticas de conservação da natureza no processo de desenvolvimento da zona de amortecimento do PNE; Proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica no interior do PNE, em especial as Chapadas e Furnas do rio Jacuba e as diversas fitofisionomias do Cerrado existentes no interior do PNE; Proteger as nascentes dos rios Jacuba e Formoso, afluentes do rio Corrente, da bacia do rio Paraná; Proporcionar meios e incentivos para atividades de pesquisa científica, estudos e monitoramento ambiental, em especial: da prevenção de incêndios florestais, de estudos de ecologia da biodiversidade encontrada no PNE, do monitoramento das espécies invasoras, e estudos de biologia do campo limpo hiperestacional de Cerrado; Assegurar a integridade e a riqueza do bioma Cerrado preservado pelo PNE; Propiciar meios para o monitoramento do fogo, das espécies exóticas e invasoras, do uso de agrotóxicos no entorno no PNE, da qualidade da água das nascentes e das zonas de recarga que fluem para o PNE de forma que o PNE possa se tornar uma referência para outras áreas de Cerrado. Favorecer e promover a educação e interpretação ambiental, a recreação em contato com a natureza; Assegurar que a única área protegida de Cerrado onde ocorre o fenômeno de bioluminescência seja preservada; Propiciar a integração do PNE com outras UCs contíguas e próximas ao Parque de modo a favorecer a gestão em mosaico, tornando o PNE sua área núcleo; Contribuir com a conectividade entre remanescentes florestais da região de forma a favorecer o trânsito e a troca genética dos corredores ecológicos das três bacias do Paraná, Araguaia e Pantanal. Métodos O desenvolvimento do Parque obedeceu à metodologia contida no roteiro metodológico do IBAMA “Parques Nacionais, Reservas Biológicas e Estações Ecológicas” (IBAMA, 2006), contendo informações coletadas e organizadas nos levantamentos realizados no parque e sua área de influência, com subsídios de informações colhidas junto à comunidade em várias etapas do planejamento. Foram, também, elaborados mapas temáticos, a partir da interpretação de cartas topográficas do IBGE e do DSG e informações coletadas “in crazy ” por GPS.

Meio Físico Clima A região da UC se caracteriza pelo Clima Tropical, onde está incluída a quase totalidade da Região Centro-Oeste, com um clima quente, variando de úmido a semi-árido, com até cinco meses de seca.

Segundo a classificação de Köppen, a região se enquadra no tipo AW, característico dos climas úmidos tropicais, com duas estações bem definidas: seca, no inverno, e úmida, no verão.

A precipitação anual oscila entre 1.200 e 3.000 mm, e a duração do período seco, entre 5 e 6 meses. A pluviosidade total anual varia de 2.000 a 3.000 mm ao norte de Mato Grosso, decrescendo para Oeste e Sul, onde esse valor atinge níveis em torno de 1.500 mm a Oeste de Goiás e 1.250 mm no Pantanal Matogrossense.

Apesar dessa desigualdade a região é bem provida de chuvas. Sua sazonalidade é tipicamente tropical, com máxima no verão e mínima no inverno. Mais de 70% do total de chuvas acumuladas durante o ano se precipitam de novembro a março. No inverno, as chuvas são muito raras, tendo pelo menos um mês excessivamente seco. Ao sul e a nordeste de Mato Grosso, julho é o mês mais seco. À medida que se caminha para o interior a estação seca aumenta, chegando até quatro meses. A noroeste e ao sul de Goiás a seca é de quatro meses, enquanto que a nordeste aumenta para cinco meses.

Hidrografia A rede hidrográfica da área de influência do PNE é composta pelas bacias do rio Paranaíba, um dos afluentes do rio Paraná, pela bacia do rio Araguaia/Tocantins e pela bacia do Paraguai.

O PNE esta localizado no Alto Paranaíba, na bacia do rio Corrente com cerca de 7.300 km², tem forma predominantemente alongada, com largura média da ordem de 20 km, exceto em suas cabeceiras, no PNE, onde os divisores se afastam consideravelmente, atingindo cerca de 60 km de largura.

Em função da forma peculiar de sua bacia, o rio Corrente não apresenta qualquer outro afluente relevante (além de seus formadores, os rios Formoso e Jacuba), ao longo dos 450 km de seu curso. Parte da área de contribuição das nascentes do rio Araguaia estão situadas no PNE, bem como na sua Zona de Amortecimento, onde estão inclusas as nascentes do rio Taquari, afluente do rio Paraguai.

Geologia A geologia da região do sul está representada por uma pilha de sedimentos relativamente homogêneos e rochas vulcânicas associadas, depositados na sinéclise ou bacia sedimentar do Paraná.

A área do PNE é sustentada por sedimentos arenosos do Grupo Bauru (Formação Adamantina), expostos em sua porção nordeste, devido ao entalhamento do vale do rio Jacuba.

O relevo e a geomorfologia do PNE insere-se no Planalto Setentrional da Bacia Sedimentar do Paraná, compreendendo formas tabulares residuais nas porções elevadas, parcialmente erodidas e dissecadas ao longo dos maiores vales.

As porções elevadas configuram extensos chapadões, recobertos por latossolos e areias quartzosas, originalmente ocupados por um mosaico de fisionomias vegetais características do bioma Cerrado. Pequenas formas de acumulação fluvial completam a paisagem, dominada por terrenos planos relativamente elevados.

Os solos resultam da ação intempérica sobre as rochas preexistentes e estão associados às formas de relevo nelas estabelecidas.

No PNE são encontrados os seguintes tipos de solos: Areias quartzosas álicas e distróficas Areias quartzosas hidromórficas álicas e distróficas Glei húmico distrófico e eutrófico Latossolo roxo distrófico Latossolo vermelho-amarelo distrófico Latossolo vermelho-escuro álico e distrófico Podzólico vermelho-amarelo álico e distrófico Podzólico vermelho-amarelo eutrófico Solos litólicos álicos e distróficos Terra roxa estruturada eutrófica Terra roxa estruturada eutrófica latossólica

Meio Biótico Formações vegetais O PNE situa-se na área nuclear do cerrado e juntamente com o Parque Nacional de Brasília e o da Chapada dos Veadeiros, representa uma das principais reservas de Cerrado no Brasil e é considerada uma das maiores e mais bem preservadas (IBDF 1981), sendo, pois, uma das áreas criticamente prioritárias para a conservação do Cerrado (Conservation International 1999).

Os tipos vegetacionais e as fisionomias de cerrado encontrados no PNE são brevemente descritos da seguinte forma:

Campo Limpo: predomínio de espécies herbáceo-subarbustivas, densidade muito baixa de arbustos e sem indivíduos arbóreos.

Ocorre nas áreas mais planas, em que o lençol freático é profundo. Nessa fisionomia, encontramos muitas gramíneas, especialmente o capim-flecha (Tristachya leiostachya), que capim-flecha domina a paisagem.