miniaturadaimagem|332x332px|O ritual Noite dos Tambores Silenciosos sendo realizado em um Núcleo Integralista durante a década de 30.

A Noite dos Tambores Silenciosos é um ritual realizado pelos integralistas brasileiros em comemoração ao lançamento do Manifesto de 7 de Outubro. Também é uma cerimônia de sincretismo religioso realizada em pleno Carnaval do Recife, na noite de segunda-feira, no Pátio do TerçoNoite dos tambores silenciosos encanta milhares de pessoasCerimônia da Noite dos tambores silenciosos reverencia os ancestrais. A cerimônia reúne maracatus de Pernambuco, para louvar a Virgem do Rosário, padroeira dos negros.

História A Ação Integralista Brasileira (AIB), movimento nacionalista e corporativista da década de 1930, após ter sua milícia paramilitar banida devido a Lei de Segurança Nacional do governo Vargas em 1935, começou a realizar uma cerimônia de lembrança dos mártires do movimento e de comemoração ao lançamento de seu Manifesto lançado em 1932, igualmente de amargura ao banimento de sua Milícia.

A primeira aparição da cerimônia obteve-se durante o I Congresso Meridional Integralista de 1935, realizada em Blumenau, SC, — cidade considerada integralista pelo Chefe do movimento —, e prosseguiu como parte do calendário integralista, conforme estabelecido pelos Protocolos e Rituais da Ação Integralista Brasileira, manual de cerimônias e modos do integralista.

O evento começava às 21 horas e findava à meia noite, sendo presidido pelo "mais pobre" e "mais humilde" camisa-verde, este que seria um representante do próprio Chefe Nacional naquele momento. Após a execução do hino integralista, o nome dos mártires do movimento integralista eram recitados; encerrada a lista, um brado de presença, — "Presente!" —, era feito pela multidão que assistia; em seguida, capítulos do Manifesto Integralista eram lidos. Prosseguindo, um dos "companheiros" presentes realizava um discurso, que devia-se encerrar até às exatas meia noite, no clímax da cerimônia. Ao fim do discurso, a autoridade presente recitava um discurso:

Durante os minutos de silêncio liam em silêncio, os integralistas, a Oração dos Tambores, que lhes fora dada anteriormente, enquanto rufavam-se as caixas surdas:

Decorridos os 3 minutos segundos de plena concentração, pronunciava-se, novamente, a autoridade:

O orador senta-se, e, dando sequência, o "melhor declamador", sem que necessário seja darem-lhe a palavra, recita a poesia de Jayme de Castro: A Noite dos Tambores Silenciosos. Finalizando o eloquente poema, canta-se o Hino Nacional e a autoridade ergue-se e expõe suas preces:

Todos respondem "Anauê! Anauê! Anauê!" Finalmente, o presidente exclama: — “A Deus, — o Criador do Universo, — para que nos inspire, fortaleça e conduza! Quatro Anauês!”, e todos lhes respondem, novamente, com quatro anauês. É este o único dia do ano em podiam os integralistas empregar essa fórmula de encerramento privativa e exclusiva de Plínio Salgado.

A cerimônia, tal como outras indumentárias e realizações integralistas, foram expressamente reprimidas durante o Estado Novo. Entretanto, após o Jubileu de Prata do Integralismo, em 1957, volveram a realizar as cerimônias os partidários do Partido de Representação Popular, então representante eleitoral do Integralismo, e dos estudantes do Movimento Águia Branca.

No século XXI, embora em data errônea, adiantando-se ao dia 3 de outubro, foi novamente realizado por integralistas cearenses membros da Frente Integralista Brasileira o cerimonial, em homenagem aos 88 anos da primeira comemoração. A cerimônia, espelhando-se no Protocolos e Rituais, realizou-se como na década de 30, com certas adaptações de oratória, para a aclamação de recentes mártires e nomenclaturas gerais. No final da cerimônia, saudaram-se com anauês e entoaram o Hino Nacional Brasileiro. Carnaval em Recife No Brasil, na época da Escravatura, os negros não podiam expressar sua religiosidade, suas crenças e tradições. Realizavam, por isso, cortejos em silêncio.

Mesmo após a Abolição da escravatura, esses rituais continuaram a ser realizados. Com o tempo, todas as comunidades negras do Recife foram se agregando e celebrando, às segundas-feiras, a Noite dos tambores silenciosos.Noite dos tambores silenciosos renova compromissothumb|285x285px

Em 1961Um artigo no Diário de Pernambuco 2/12/1961 mostra que a institucionalização deste evento remontaria ao dia 13/02/1961., por iniciativa do jornalista e sociólogo Paulo Viana, houve uma campanha para resgatar e valorizar os ritos africanos. Foi criada a Noite dos tambores silenciosos, que passou a ser destaque no carnaval recifense.

Acontece toda segunda-feira de carnaval no Pátio do Terço, em frente à Igreja Nossa Senhora do Terço.

Após o desfile de maracatus, apagam-se todas as luzes e os tambores se silenciam para a oração em iorubá , realizada pelo Rei e Rainha do Maracatu.

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