O Forte da Carrapateira é um monumento militar situado na aldeia da Carrapateira, no Município de Aljezur, na região do Algarve, em Portugal. No seu interior situa-se a Igreja Matriz da Carrapateira.Vilas e Aldeias do Algarve Rural, 2003:22
Descrição O forte está situado numa colina na povoação da Carrapateira. Tem uma planta em forma de estrela de quatro pontas. Durante o seu funcionamento, dispunha de uma bateria virada para o oceano, aquartelamentos e um corpo de guarda.
No seu interior situa-se uma igreja, dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Destacam-se os seus dois portais, no estilo manuelino, uma delas com cinco lóbulos. Os portais e os moirões poderão ser os únicos elementos sobreviventes do edifício original. Conta com uma sineira, com um sino onde foi gravada a palavra WAIMATE, sendo talvez originário de alguma embarcação que tenha dado á costa. No interior da igreja estão três altares com decoração em talha dourada, tendo o principal imagens de Nossa Senhora da Conceição e Santo Estêvão, enquanto que os dois colaterais são dedicados a Senhor Jesus e a Nossa Senhora do Rosário. Destaca-se o retábulo setecentista, e duas tábuas do século XVI com pinturas de São Pedro e Santo António de Lisboa. A pia baptismal, em pedra lavrada, está situada no baptistério do lado da epístola, sendo de forma hexagonal, com o suporte e o nó de estilo manuelino. Junto da porta lateral localiza-se a pia de água benta, igualmente com elementos manuelinos.
História O primeiro edifício no local foi a igreja, tendo o forte sido construído posteriormente. Não se conhece a data de construção da igreja, embora devido aos seus elementos manuelinos, poderá ter sido instalada durante o século XVI, ou então já no século XVII.
No período após a Restauração da Independência, no século XVII, as povoações no litoral português começaram a ser assolados por corsários oriundos do Norte de África, que faziam os seus desembarques nos pontos da costa mais favoráveis e que não eram protegidos pelos militares. Uma vez que estava situada entre duas praias utilizadas pelos piratas, a Praia da Bordeira, a Norte e a Praia do Amado, a Sul, a Carrapateira foi frequentemente alvo de ataques, durante os quais eram roubadas e destruídas as casas, e os habitantes levados para serem vendidos com escravos na cidade de Argel. Assim, em 1673 pediram auxílio ao rei, que ordenou a construção de um forte em redor da igreja, uma vez que era o ponto mais elevado na povoação. Nesta altura, o Governador e Capitão-General do Reino do Algarve era D. Nuno da Cunha de Ataíde, Conde de Pontével.
Em 1742, o então Governador do Reino do Algarve, o Conde de Atouguia, ordenou que fossem feitas obras de reparação no forte, que nessa altura possuia seis bocas e fogo, e era guarnecido por onze soldados. Porém, em 1751 já só restavam duas peças de artilharia e três homens. Em 1754, o Governador Rodrigo António de Noronha e Meneses visitou o forte, que nesta altura encontrava-se em boas condições de conservação, mas só dispunha de três peças de ferro de calibre 6, que não estavam funcionais. No ano seguinte, a igreja foi ligeiramente danificada na parte Norte, devido a um sismo. Em 1765, o ajudante de engenheiro Francisco Lobo fez uma vistoria ao forte, tendo verificado que eram necessárias obras de reparação nalgumas partes em ruína, cujo custo computou em 100$000 Réis. Nesta altura, o forte contava com duas peças de ferro, uma de calibre 4 e outra de calibre 6, ambas funcionais. Em 1767, o então Governador e Capitão-General do Reino do Algarve, D. Tomáz da Silveira e Albuquerque Mexia, escreveu ao Conde de Oeiras, ordenando-lhe que fossem feitas obras de reparação no forte, que no entanto não foram totalmente concluídos. Em 1788 foi feito o levantamento do forte pelo engenheiro militar José de Sande Vasconcelos, tendo-se referido que os quartéis da guarnição estavam em ruína. Porém, apenas quatro anos depois, em 1 de Abril de 1792, o Conde de Oyenhausen relatou que a estrutura estava quase totalmente demolida, tinha três peças de ferro de calibre 6 e uma de 2, nenhuma em estado de funcionamento, e era guarnecido por dois soldados do Regimento de Lagos e por um artilheiro, sob o comando de um cabo.
Em 27 de Janeiro de 2011 foi publicada a Resolução do Conselho de Ministros n.º 11-B, que aprovou o Plano de Ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, tendo o Forte da Carrapateira sido incluído como um dos sítios de importância histórica e arqueológica na área do parque.PORTUGAL. Resolução do Conselho de Ministros n.º 11-B/2011, de 27 de Janeiro. Presidência do Conselho de Ministros. Publicado no Diário da República n.º 25/2011, 1.º Suplemento, Série I, de 4 de Fevereiro.
Em Janeiro de 2017, a autarquia de Aljezur iniciou um programa de apoio financeiro às freguesias, no sentido de permitir a realização de várias obras, incluindo a instalação de iluminação pública e panorâmica na Igreja de Carrapateira e nos espaços envolventes. O sistema de iluminação cénica foi inaugurado pela Junta de Freguesia da Bordeira em 17 de Setembro desse ano, em conjunto com o Núcleo Museológico da Bordeira, na Escola de Vilarinha, e um monumento à classificação do Fado como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
Ver também Lista de património edificado em Aljezur Castelo de Aljezur Fortaleza da Arrifana Igreja Matriz de Nossa Senhora da Alva Igreja Matriz de Nossa Senhora da Encarnação (Bordeira) Igreja Matriz de Odeceixe Igreja da Misericórdia de Aljezur Museu do Mar e da Terra da Carrapateira Povoado Islâmico da Ponta do Castelo Ribat de Arrifana Torre de Aspa
Bibliografia
Ligações externas
Categoria:Património edificado em Aljezur Carrapateira Categoria:Fortificações costeiras em Portugal Categoria:Igrejas de Aljezur Categoria:Bordeira