Recep Tayyip Erdoğan (Istambul, 26 de fevereiro de 1954) é um político turco, atual presidente da Turquia desde 28 de agosto de 2014. Anteriormente, ocupou o cargo de primeiro-ministro do país entre 14 de março de 2003 e 2014, tendo sido também prefeito de Istambul de 1994 a 1998. Erdoğan é o fundador do Partido da Justiça e Desenvolvimento (em turco Adalet ve Kalkınma Partisi) e liderou-o em três vitórias eleitorais, a saber em 2002, 2007 e 2011, antes de sua vitória nas eleições presidenciais de 2014. Tendo iniciado sua carreira política como um islamista e democrata conservador, seu governo tem sofrido transições graduais ao conservadorismo social e também ao liberalismo econômico. Ao longo dos seus mandatos, o governo de Erdoğan é classificado pela opinião pública, organizações e por diversos analistas políticos como autoritário e antidemocrático, com evidências de concentração de poder nas mãos de Erdoğan, forte censura estatal, perseguição a opositores e a adversários.

Eleito Prefeito de Istambul pelo Partido do Bem-Estar (Refah Partisi) em 1994. É desta época a sua frase premonitória: "A democracia é como um comboio: quando se chega ao nosso destino, saímos". Quatro anos depois, foi sentenciado por incitar intolerância religiosa, abandonando o partido e as visões políticas islamistas. Em 2001, fundou seu atual partido e voltou à cena política turca. Pelo AKP, como também é conhecido o partido, foi vencedor nas eleições gerais de 2002, assumindo o cargo de Primeiro-ministro do novo governo encabeçado por Abdullah Gül. Durante as eleições regionais em Siirt, Erdoğan assumiu o gabinete ministerial da Turquia.

Como parte sua "Visão 2023", o governo Erdoğan implementou uma série de negociações culminando no processo de adesão do país à União Europeia, um plano de recuperação econômica nacional e um turbulento processo de negociações com Partido dos Trabalhadores do Curdistão. Além disso, o governo também promoveu dois referendos constitucionais, em 2007 e 2010. Na agenda interna, Erdoğan investiu na melhora das estruturas públicas e da infraestrutura nacional, ampliando as redes rodoviária, ferroviária e aeroportuária turca. No plano de política externa, o governo turco tem dado ênfase ao neo-otomanismo, envolvendo-se abertamente em questões diplomáticas anteriormente sob domínio do extinto Império Otomano, antecessor do moderno estado turco. Respaldado pelo Movimento Gülen, o presidente turco limitou os poderes políticos dos militares através de dois controversos processos políticos.

Biografia Recep Tayyip Erdoğan () supostamente graduou-se em 1981 na faculdade de economia da Universidade de Mármara, mas muitas fontes referem que é uma fabricação sua e que não possui mais do que estudos secundários. Na vida pública, ele foi eleito prefeito de Istambul em 1994. Em 1997, foi dispensado do cargo e sentenciado a 10 meses de cadeia. Ele ficou apenas quatro meses na prisão e depois estabeleceu o Partido da Justiça e Desenvolvimento (Partido AK) em 2001. A legenda cresceu rapidamente no cenário político turco. Nas eleições de 2002, seu partido ganhou 34% dos votos e quase dois terços dos assentos no parlamento, dando a eles a oportunidade de formar um governo.

Como primeiro-ministro, Erdoğan implementou várias reformas. No seu governo, a Turquia avançou nas negociações para entrar na União Europeia. Na economia, a inflação, que sempre fora algo preocupante no país, ficou sob controle e a lira turca foi reavaliada. As taxas de juros caíram e a renda per capita cresceu. O seu partido então foi facilmente reeleito e Erdoğan ganhou mais um mandato. Em 2011, o AK venceu novamente e ele foi eleito pela terceira vez para primeiro-ministro.

Erdoğan chegou a ser considerado um dos líderes políticos mais influentes da era republicana da Turquia. Durante o seu governo, a economia do país continuou a crescer consideravelmente e a nação se projetou internacionalmente como um líder regional. Seus críticos o acusam de liderança autocrática e de tentar impor leis de orientação islâmica ao país."Erdogan se opõe a manifestantes e pede apoio de seguidores islamitas". Página acessada em 28 de junho de 2013.

Entre maio e julho de 2013, uma onda de protestos antigoverno tomaram as ruas e as forças de segurança do país foram acusadas de violência excessiva na repressão e Erdoğan acabou sendo acusado de autoritarismo em sua reação as manifestações."Governo afirma que protestos na Turquia reuniram 2,5 milhões". Página visitada em 28 de junho de 2013.

Em agosto de 2014, foi eleito presidente da Turquia. Tomou posse em 28 de agosto de 2014.

Primeiro-ministro (2003 - 2014) Em 2001, Erdoğan fundou o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP). O AKP, como também é conhecido, venceu as eleições gerais de 2002, obtendo dois terços dos assentos na Grande Assembleia Nacional. No entanto, Erdoğan não poderia assumir a chefia de governo, pois ainda estava inelegível por conta de seu discurso polêmico em Siirt. Abdullah Gül assumiu, então, como Primeiro-ministro. Em dezembro de 2002, o Conselho Supremo Eleitoral suspendeu os resultados das eleições por encontrar irregularidades e convocou novas eleições para 9 de fevereiro de 2003. À época, o líder partidário Erdoğan já havia reavido seus direitos políticos através de uma manobra do Partido Republicano do Povo. O AKP o indicou como candidato às eleições, tendo vencido e assumido o governo após a renúncia de Gül.

Questão curda

Em 2009, o governo Erdoğan anunciou um plano para finalizar o longevo conflito causado pela rebelião curda, que à altura já havia ceifado mais de 40 mil vidas. O plano proposto pelo governo, apoiado pela União Europeia, permitiu que a língua curda fosse utilizada em todos os setores da mídia e, inclusive, em campanhas políticas. Além disso, o plano previa a restauração dos nomes originais curdos de várias cidades. Na ocasião, Erdoğan afirmou que a questão constituía "um obstáculo ao desenvolvimento, progresso e empoderamento da Turquia". O primeiro-ministro também aprovou uma anistia parcial visando reduzir as penas imputadas aos membros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão que se rendessem ao governo. Em 23 de novembro de 2011, dois anos após a iniciativa do projeto, durante uma reunião televisionada de seu partido em Ancara, o primeiro-ministro desculpou-se publicamente pelo Massacre de Dersim, onde centenas de alevitas e zazas foram mortos.

Genocídio armênio Como Primeiro-ministro, Erdoğan expressou diversas vezes que a Turquia somente consideraria a morte de milhões de armênios durante a Primeira Guerra Mundial como um genocídio após uma profunda investigação levada a cabo por uma comissão de especialistas (arqueólogos, historiadores e cientistas políticos). Em 2005, Erdoğan e o principal líder de oposição Deniz Baykal redigiriam uma nota ao presidente armênio Robert Kocharian, propondo a criação de uma comissão de estudos entre os dois países. O ministro de Relações Exteriores da Arménia, Vartan Oskanian, rejeitou a proposta, classificando-a como "incerta". Oskanian acrescentou em comunicado que a questão não poderia ser avaliada somente a nível histórico, uma vez que "a própria Turquia politizava o impasse".

Em dezembro de 2008, Erdoğan criticou a campanha movida por intelectuais turcos em reconhecimento do genocídio armênio. O primeiro-ministro afirmou: "Eu não aceito, nem me oponho a esta campanha. Não cometemos um crime, portanto, não nos desculparemos". Contudo, em novembro de 2009, declarou que "não é possível a um islâmico cometer genocídio".

Em 2011, no pico da crise entre os dois países, Erdoğan determinou o desmantelamento da "Estátua da Humanidade", um monumento dedicado às relações de amizade conquistadas após décadas de disputa política pelos eventos de 1915. O primeiro-ministro justificou a decisão afirmando que o monumento situava-se ofensivamente próximo a uma tumba islâmica e que, portanto, prejudicava sua visão. Autoridades da localidade de Carse, onde o monumento foi erguido, por sua vez, afirmaram que a região era uma área protegida pelo governo e que tal monumento jamais poderia ser ali construído. Inúmeros artistas e intelectuais se opuseram à demolição do monumento; dois deles, o pintor Bedri Baykam e o investidor de arte Tugba Kurtulmus, sofreram agressões físicas após um encontro com outros artistas no Centro Cultural Akatlar, em Istambul.

Direitos humanos Durante o governo Erdoğan, os poderes de longo alcance da Lei Antiterrorismo de 1991 foram reduzidos e o processo democrático iniciado, cujo objetivo seria de melhorar os padrões democráticos em geral e os direitos das minorias étnicas e religiosas, em particular. No entanto, após a suspensão do processo de adesão da Turquia à União Europeia, autoridades europeias notaram um retrocesso quanto à liberdade de expressão e de imprensa e aos direitos das minorias curdas. Além disso, o governo também passou a ter questões delicadas com a comunidade LGBT ao recusar publicamente propostas de reconhecimento de seus direitos.

A organização Repórteres sem Fronteiras registrou um declínio contínuo da liberdade de imprensa na Turquia ao longo dos últimos anos do Governo Erdoğan. O país ficou na 100ª posição entre 179 países, no Índice de Liberdade de Imprensa de 2013. Em 2012, a instituição Freedom House, que registrou um recente avanço na questão da imprensa turca, posicionou a Turquia em 55º lugar entre 100 países.

Em 2011, o governo de Erdoğan deu início a reformas para devolução de propriedades de minorias judaicas e cristãs que haviam sido desapropriadas pelo Estado turco na década de 1930. O valor total das propriedades devolvidas foi de de dólares.

Sob a liderança de Erdoğan, o governo turco enrijeceu as leis sobre venda e consumo de álcool, proibindo publicidade relacionada e aumentando o imposto sobre bebidas alcoólicas. O governo aprovou, ainda, uma lei estabelecendo a idade mínima de 24 anos para consumo de bebidas alcoólicas.

Economia thumb|Taxas de desemprego na Turquia no período 2000 - 2014 Ao assumir o governo, em 2002, Erdoğan herdou a economia turca em princípios de recuperação após uma longa recessão resultante das reformadas aplicadas por Kemal Derviş. Erdoğan apoiou o ministro de Finanças Ali Babacan em suas políticas macroeconômicas. Erdoğan tentou atrair mais investimentos estrangeiros ao país reduzindo diversas regulamentações governamentais. O fluxo de caixa na economia turca entre 2002 e 2012 causou um crescimento de 64% no produto interno bruto real do país e 43% de crescimento no produto interno bruto per capita; consideravelmente números mais altos foram constatados, porém, não contaram para a inflação do dólar estadunidense entre 2002 e 2012. O crescimento médio anual foi de 3,6%. O crescimento do PIB real entre 2002 e 2012 - dez anos de governo - foi mais alto do que o registro de alguns países desenvolvidos. Uma das principais consequências das políticas econômicas adotadas entre 2002 e 2012 foi a ampliação do déficit em conta corrente de 600 milhões de dólares para de dólares.

thumb|left|Erdoğan, Vladimir Putin e Silvio Berlusconi na inauguração do gasoduto Blue Stream, em 2005

A Turquia já fechou dezenove acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI), sendo o primeiro deles em 1961. O governo de Erdoğan supriu as necessidades orçamentais e de mercado e recebeu cada parcela do empréstimo, sendo a primeira vez na história em que um governante turco realizou tal feito. Erdoğan assumiu o governo com uma dívida de 23,5 bilhões de dólares ao FMI, que foi reduzida para 0,9 bilhões em 2012. O Primeiro-ministro decidiu não entrar em novos acordos com a organização. Em 2010, foi anunciado que a Turquia havia quitado por completo seu débito com o FMI.