thumb| direita| 220px| São Pedro, o primeiro Papa, com as chaves do céu.Por Francesco del Cossa, atualmente na Pinacoteca di Brera. O Papado no Cristianismo primitivo foi um período da história papal entre 30 d.C., em que segundo a doutrina católica, São Pedro assumiu efetivamente seu papel pastoral como Cabeça Visível da Igreja, até o pontificado de São Melquíades em 313, quando inicia-se a Paz na Igreja.

A vida e as ações de muitos papas primitivos permanece envolta em mistério, como São Lino, que teria sido o segundo papa, cuja vida é totalmente desconhecida e suas atitudes como Bispo de Roma, incertas. É notável a controvérsia entre os historiadores sobre o papel dos papas primitivos, enquanto alguns afirmam que eles não possuíam realmente direitos e privilégios primaciais, negando vários acontecimentos centrais da história papal, outros afirmam contrariamente, que o primado pontifício pode ser identificado nesses séculos. A visão mais aceita entre os historiadores,McBrien, The Church (New York: HarperOne, 2008) cf pp 6, 45. Citação: "The final years of the first century and the early years of the second constitute the "postapostolic" period, as reflected in the extrabiblical writings of Clement of Rome and Ignatius of Antioch. By now the church at Rome was exercising a pastoral care that extended beyond its own community, having replaced Jerusalem as the practical center of the growing universal Church. Appeals were made to Peter and Paul, with whom the Roman church was most closely identified" - "Os anos finais do primeiro século e os primeiros anos do segundo constituem o "período pós-apóstolico", tal como refletido nos escritos extrabíblicos de Clemente de Roma e Inácio de Antioquia. Assim, a igreja em Roma estava exercendo uma pastoral que se estendeu além de sua própria comunidade, tendo substituído Jerusalém como o centro prático da Igreja universal crescente. Apelos foram feitos para Pedro e Paulo, com quem a igreja romana foi mais identificada".(Emmanuel Clapsis, Papal Primacy, extract from Orthodoxy in Conversation (2000), p. 110, 113]) ]Durant, Will. Caesar and Christ. New York: Simon and Schuster. 1972Wetterau, Bruce. World history. New York: Henry Holt and company. 1994.Fr. Nicholas Afanassieff: "The Primacy of Peter" Ch. 4, pgs. 126-127 (c. 1992)Duffy, Eamon (1997). Saints and Sinners, a History of the Popes. p. 18, 69. Yale University Press. ISBN 0-3000-7332-1. independente de orientação religiosa, é de que a Igreja Romana possuía uma proeminência nos litígios da Igreja universal nesse período, mais de que esse papel se modificou e se acentuou nos séculos seguintes.Macbrien, Richard P. Os Papas. Os Pontífices de São Pedro a João Paulo II (Lives of the Pope. The Pontiffs to St. Peter to John Paul II). Pág.: 29, 54. 1997. ISBN 0-06-065303-5

Nesse período do cristianismo surgiram frequentemente novos cismas e heresias,Bauer, Walter. Rechtgläubigkeit und im Ketzerei altesten Christentum ("Ortodoxia e heresia no cristianismo antigo"). 1934. ao qual os Bispos de Roma tentavam solucionar, embora fatores como a distância geográfica por vezes, limitavam sua autoridade. Além da Igreja Romana, as Igrejas de Alexandria e Antioquia também eram centros importantes para o cristianismo e seus bispos possuíam jurisdição sobre certos territórios. Muitos historiadores tem sugerido que seus poderes especiais provieram do fato de que as três comunidades foram chefiadas por São Pedro (Roma e Antioquia foram, segundo a Sagrada Escritura e Tradição fundadas por Pedro e Alexandria por seu discípulo São Marcos).Milton V. Anastos, Aspects of the Mind of Byzantium (Political Theory, Theology, and Ecclesiastical Relations with the See of Rome), Ashgate Publications, Variorum Collected Studies Series, 2001. ISBN 0 86078 840 7)

Os livros da vida dos santos de Roma afirmam que devido a perseguição do Império Romano foram mártires todos os Papas dessa época, embora exista incerteza sobre a morte de muitos Bispos de Roma, cujos relatos de martírio surgiram apenas muito tempo depois de sua morte, como uma lenda popular, como por exemplo, São Clemente I, que viveu no final do século I, mais a história de seu martírio remonta apenas ao século IV."Clement of Rome, St." Cross, F. L. (ed.), The Oxford Dictionary of the Christian Church, (New York: Oxford University Press, 2005).

O fim do papado primitivo é colocado normalmente na Antiguidade tardia em 313, quando o imperador Constantino I publica o Édito de Milão em que concede liberdade para todas as religiões, iniciando-se a Paz na Igreja. Constantino passou a interferir em muitas questões eclesiásticas, originando o cesaropapismo, e uma relação de "difícil entrosamento entre Igreja e Estado".Alves J. Os Santos de Cada Dia (10 edição). Editora Paulinas. Pág.: 296, 696, 736. ISBN 978-85-356-0648-5 Isso provocou o começo do período de interação entre os papas e os imperadores romanos e bizantinos.História Global Brasil e Geral. Pág.: 101, 130. Volume único. Gilberto Cotrim. ISBN 978-85-02-05256-7

Controvérsias sobre acontecimentos históricos Martírio de Pedro e Paulo em Roma esquerda|130px|thumb|Crucificação de São Pedro (Santa Maria del Popolo, Roma, Caravaggio, 1600).

Alguns historiadores têm argumentado que Pedro nunca foi realmente a Roma, esta tese foi defendida mais proeminentemente por Ferdinand Christian Baur da Escola Tübingen. Outros, como Heinrich Dressel, em 1872, declararam que Pedro teria sido enterrado em Alexandria, no Egito ou em Antioquia. Argumentando que a noção de que Pedro fundou a igreja de Roma não pode ser rastreada antes do século III.O'Grady, John. The Roman Catholic church: its origins and nature. p. 146.

No entanto, Clemente de Roma escreveu em uma carta aos Coríntios, c. 96 sobre a perseguição dos cristãos em Roma, relatando aos coríntios que os apóstolos Pedro e Paulo foram martirizados na capital imperial.Conrad Gröber, Handbuch der Religiösen Gegenwartsfragen, Herder Freiburg, Germany 1937, 511 Santo Inácio de Antioquia escreveu logo após Clemente da cidade de Esmirna e em sua carta para os romanos, relata que eles deviam chefiá-la como Pedro e Paulo fizeram.Letter of Ignatius of Antioch to the Romans. Entre os anos 166 e 176, o bispo de Corinto, Dionísio, relatou claramente que Paulo e Pedro pregaram o Evangelho em Roma. Posteriormente os escritos de Irineu de Lyon, escritos em torno de 180 d.C. indicam uma forte crença de que Pedro "fundou e organizou" a Igreja em Roma.Stevenson, J.. A New Eusebius. p. 114. Tendo em conta esta e outras provas, muitos estudiosos concluem que Pedro foi de fato martirizado em Roma durante o reinado de Nero."[M]any scholars ... accept Rome as the location of the martyrdom and the reign of Nero as the time." Daniel William O’Connor, "Saint Peter the Apostle." Encyclopædia Britannica. 2009. Encyclopædia Britannica Online. 25 Nov. 2009 [http://www.britannica.com/EBchecked/topic/453832/Saint-Peter-the-ApostleOxford Dictionary of the Christian Church (Universidade de Oxford - 2005) ISBN 978-0-19-280290-3), artigo "Pope" O historiador luterano Adolf Harnack afirmou, que as teses anteriores majoritariamente protestantes eram tendenciosas e que prejudicaram o estudo sobre a vida de São Pedro em Roma.Josef Burg Kontrover-Lexikon Fredebeul&Coenen, Essen, 1903.

Organização episcopal de Roma Inicialmente os termos “presbíteros e bispos” eram utilizados para as mesmas pessoas, que agiam como líderes da igreja local,Cambridge History of Christianity, volume 1, 2006, "The general consensus among scholars has been that, at the turn of the first and second centuries, local congregations were led by bishops and presbyters whose offices were overlapping or indistinguishable."Oxford Dictionary of the Christian Church, 1997 edition revised 2005, page 211: "It seems that at first the terms 'episcopos' and 'presbyter' were used interchangeably ..." sendo submetidos a um apóstolo. Assim muitos historiadores argumentam que no final do século I, e até a metade do século II, a Igreja Romana não possuía uma organização monoepiscopal (um só Bispo como chefe da igreja local), mais possuía uma forma colegiada de liderança pastoral, assim os homens que constam como sucessores imediatos de Pedro, possivelmente, eram indivíduos proeminentes na comunidade romana, mas não bispos únicos, e que, portanto originalmente o ministério papal não existia.

No entanto, outros estudiosos e historiadores discordam, argumentando que os apóstolos designaram seus sucessores na liderança das igrejas locais, ao qual originalmente também eram considerados "apóstolos",Eberhardt, Newman C (1961). A Summary of Catholic History, Ancient and Medieval History. B. Herder Book Co. Pág.: 16 citando por exemplo, o encargo pastoral de Paulo de Tarso à Tito e Timóteo nos Atos dos Apóstolos; mas no final do século I esse título foi reservado para os doze discípulos de Jesus, e o termo “bispo” foi aplicado para aqueles que anteriormente eram chamados de apóstolos, de fato, alguns anos depois, Clemente de Roma em c. 96, enquanto o Apóstolo João ainda estava vivo, afirma que os demais apóstolos deixaram "instruções no sentido de que, após a morte deles, outros homens comprovados lhes sucedessem em seu ministério". O argumento mais forte nesse sentido são os registros históricos de Santo Inácio, bispo de Antioquia, que conviveu com os Apóstolos João e Pedro,RAY, Stephen. Upon this Rock. San Francisco, CA: Ignatius Press, 1999. p.119. e que atestou a sucessão linear de Bispos desde a época dos apóstolos, logo após a morte dos mesmos, em sua própria igreja e em Esmirna. Logo em seguida, Irineu no século II destacou a validade de uma linha de bispos desde o tempo de São Pedro até seu contemporâneo, o Papa Vítor I, enumerando-os,Stevenson, J.. A New Eusebius. p. 114-115. o mesmo argumento é repetido por todos os principais teólogos e historiadores antigos, como Sexto Júlio Africano, Tertuliano,De praescriptione haereticorum, 32 EusébioChurch History 3.4.10 e Jerônimo.Illustrious Men, 15

Exercício da primazia papal É notável a controvérsia entre os historiadores sobre a história papal desse período, sendo que seu estudo é prejudicado especialmente devido a historiadores tendenciosos; católicos, protestantes, ateus ou ortodoxos, que muitas vezes direcionam suas posições e opiniões históricas de acordo com suas próprias crenças religiosas ou filosóficas.

Alguns historiadores, especialmente protestantes, afirmam que no cristianismo primitivo as igrejas locais eram governadas de forma independente pelos seus próprios líderes, umas das outras, sendo que os papas não possuíam primazia sobre outras igrejas particulates e sobre a Igreja Universal, e "que o primado romano teve sua origem na ambição papal", e se desenvolveu somente no final do século IV e início do século V.