Dorje Shugden (; "vajra que possui força") ou, em sua denominação regional, Dolgyal Shugden (; dol rgyal shugs ldan; "Shugden, rei de Dhol") é uma divindade (tibetano: lha)von Brück, Michael (2001). "Canonicity and Divine Interference" in Dalmia, V., Malinar, A., & Christof, M. (2001). Charisma and Canon: Essays on the Religious History of the Indian Subcontinent. Nova Délhi: Oxford University Press. p. 337Kay, D. N. (2004). Tibetan and Zen Buddhism in Britain: Transplantation, development and adaptation. RoutledgeCurzon critical studies in Buddhism. Londres: RoutledgeCurzon. p. 46.The Shuk-den affair: Origins of a Controversy (Part I) , Geshe Georges Dreyfus, página acessada em 18-10-2009. do budismo tibetano, especialmente de sua escola Gelug, na qual é visto como um Protetor do Darma, ou "Anjo Guardião".Mullin, G. H., & Shepherd, V. M. (2001). The Fourteen Dalai Lamas: A Sacred Legacy of Reincarnation. Santa Fe, NM: Clear Light. p. 209Terhune, Lea. Karmapa: The Politics of Reincarnation. Boston: Wisdom Publications, 2004. p. 142 É visto como a encarnação do Gelugpa Lama Dragpa GyaltsenConcerning Dholgyal with reference to the views of past masters and other related matters , Dalai Lama, página acessada em 7-5-2009. do Mosteiro de Drepung, um contemporâneo de Lobsang Gyatso, o 5º Dalai Lama (1617–1682).
Dorje Shugden é um Protetor do Darma das tradições Sakya e Gelug, venerado por mais de trezentos anos.Dalai Lama (1996-06-16). His Holiness the Dalai Lama's Address to the Buddhist Society. The Middle Way. Novembro de 1996. Vol. 7, nº 3. p. 148. No entanto, a natureza precisa deste Protetor tanto como um ser iluminado quanto como um ser mundano vem sendo alvo de discussões entre os seguidores do budismo tibetano desde o seu surgimento no século XVII. A controvérsia de Dorje Shugden surgiu no fim da década de 1970The Shuk-den affair: Origins of a Controversy (Part II) , Geshe Georges Dreyfus, página acessada em 18-10-2009., quando o Décimo-Quarto Dalai Lama começou a se pronunciar contra a prática, e foi intensificada deste 1996von Brück, Michael (2001). "Canonicity and Divine Interference" in Dalmia, V., Malinar, A., & Christof, M. (2001). Charisma and Canon: Essays on the Religious History of the Indian Subcontinent. Nova Délhi: Oxford University Press. p. 331 quando ele publicou uma "proibição explícita",Dalai Lama, citação direta em Chhaya, Mayank (2007). Dalai Lama: Man, Monk, Mystic. Nova Iorque: Doubleday. p. 189.Waterhouse, Helen (2001). Representing western Buddhism: a United Kingdom focus. citado em Beckerlegge, G. (2001). From sacred text to internet. Religion today, v. 1. Aldershot, Hants, Inglaterra: Ashgate. p. 137.Partridge, C. H. (2004). New religions: A guide : New Religious Movements, Sects, and Alternative spiritualities. Nova Iorque: Oxford University Press. p. 206.Curren, Erik D. 2006. Buddha's Not Smiling: Uncovering Corruption at the Heart of Tibetan Buddhism Today. Staunton, VA: Alaya Press. p. 17 reprimindo a prática dentro da comunidade de exilados tibetanos.Wilson, Richard, & Mitchell, Jon (2003). Human Rights in Global Perspective: Anthropological Studies of Rights, Claims and Entitlements. Londres: Routledge. p. 10.
Visão geral da controvérsia
A prática de Dorje Shugden remonta ao tempo do 5.º Dalai Lama, Lobsang Gyatso (1617–1682 dc)Morchen Kunga Lhundrub, rdo rje shugs ldan rtsal gyi gsol kha 'phrin las 'dod 'jo/Petition to Dorje Shugden Tsel: Granting all Desired Activities e continuou sem rompimentos até a década de 1970. Dentre aqueles que seguem a prática de Dorje Shugden, encontram-se alguns dos mais proeminentes mestres Gelug dos séculos XX e XXl, incluindo Pabongka Rinpoche, Trijang Rinpoche ( Tutor Junior do Dalai Lama ), Ling Rinpoche ( Tutor Senior do Dalai Lama ), Song Rinpoche, Gangchen Rinpoche, Geshe kelsang Gyatso, Gonsar Rinpoche, Dagom Rinpoche, Lama Yeshe, Kundeling Rinpoche, Domo Geshe Rinpoche, e Trijang Chocktrul Rinpoche.Talk to monks at Trijang Labrang by the Dalai Lama
Trijang Rinpoche,His Holiness Kyabje Trijang Rinpoche by the FPMT. retrieved 2008-12-07 o "Guru Raiz" do 14º Dalai Lama, introduziu a prática de Dorje Shugden ao jovem Dalai em 1959, antes da tomada definitiva do Tibete pelos chineses, a qual, a praticava em particular, assim como a encorajava nos Monastérios Gelug.Waterhouse, Helen (1997). Buddhism in Bath: Adaptation and Authority. University of Leeds, Department of Theology and Religious Studies. p. 159. (em inglês) Depois de mais ou menos vinte anos, o 14.º Dalai Lama entrou numa amarga disputa com seu mestre,Dreyfus, Georges B. J. (2003). The Sound of Two Hands Clapping: The Education of a Tibetan Buddhist Monk. Berkeley, Calif: University of California Press, p. 301. (em inglês) alegando que a prática estava em conflito com o protetor do Estado conhecido como Pehar, com o povo tibetano e com a principal deusa protetora da tradição Gelug, Palden Lhamo.Kay, David (2004). Tibetan and Zen Buddhism in Britain: Transplantation, Development and Adaptation. RoutledgeCurzon critical studies in Buddhism. London: RoutledgeCurzon. p. 49.(em inglês) No ocidente, também declarou que a prática estava em conflito com o seu conceito eclético religioso, assim como, com suas responsabilidades políticas.
Depois da publicação do Livro Amarelo sobre Shugden em 1978, de autoria de Zemey Rinpoche, o Dalai Lama começou a falar contra o uso da deidade como um protetor institucional.Mills, Martin A, Human Rights in Global Perspective, Routledge ISBN 0-415-30410-5, page 56 Declarou que os praticantes deveriam decidir por eles mesmos se desejassem praticá-lo (Shugden) reservadamente. De março de 1996 em diante, Dalai Lama decidiu empenhar-se mais vigorosamente neste assunto. Deste modo, respondeu "a uma pressão crescente, particularmente de outras escolas do budismo tibetano como a Nyingmapa, que ameaçavam retirar o apoio ao projeto do Governo no Exílio".
O Dalai Lama declarou durante uma Iniciação Tântrica Budista, que Shugden era um espírito mau, cujas ações eram prejudiciais à causa do Tibete. Concluiu ele que, dali em diante, não daria mais iniciação tântrica à adoradores de Shugden, porque “divergências sem possíveis ligações entre as respectivas partes, iriam inevitavelmente arruinar a relação sagrada entre guru/estudante, assim, comprometendo seu papel como mestre (e por extensão sua saúde)”. É introduzida aí, uma contradição pela parte do Dalai Lama, como explica Von Bruck - "No presente, muitos dos Lamas da Tradição Gelugpa receberam seus ensinamentos de Trijang Rinpoche ou de Zong Rinpoche, os quais ao passar os ensinamentos, se tornam o “Guru Raiz” (ratsa ba’i bla ma). Quando, no caso do guru raiz, que passa todos os três aspectos da tradição (transmissão oral dos textos, comentários e as iniciações), a relação entre Discípulo/Guru Raíz se torna absolutamente estreita. Esta é uma parte essencial da prática Vajrayana. Caso contrário, de acordo com a Tradição Tântrica, ele pode ser considerado como uma pessoa que quebrou o voto tântrico (dam-nyams), e isto, diz respeito ao próprio Dalai Lama ao ter sido iniciado na prática de Shugden."von Brück, Michael (2001). Canonicity and Divine Interference: The Tulkus and the Shugden-Controversy. Quoted in Dalmia, Vasudha; Malinar, Angelika; & Christof, Martin (2001). Charisma and Canon: Essays on the Religious History of the Indian Subcontinent. New Delhi: Oxford University Press. p. 345. (em inglês)
De acordo com Von Bruck, depois de examinar Dorje Shugden em três dispositivos metodológicos, evidencia histórica, razões políticas, e insight espiritual, o Dalai Lama mudou seu ponto de vista e agora considera Dorje Shugden um espírito mundano. Conclui Von Bruck:
“No entanto, apesar desses argumentos, oposição contra a interpretação do Dalai Lama e o Governo Tibetano no Exílio, ainda é forte em duas bases: a confiabilidade e compromissos com o Guru Raíz, e liberdade religiosa.
De acordo com as reportagens da Al Jazira e France 24, as palavras e ações do Dalai Lama constituem uma proibição à prática.The Dalai Lama's Demons , France 24 (2008-08-08). retrieved 2009-10-24.(em inglês)The Dalai Lama: The devil within, Al Jazeera's People & Power, 2008-09-30, retrieved 2008-12-04 (em inglês) Outros alegam que tal “discriminação de deidade”, é ilegal de acordo com ambas a Constituição do Tibete e a Constituição da Índia,Will the Dalai Lama return to Tibet? by Meindert Gorter (2008-10-29). New Statesman. retrieved 2009-10-23.and the Universal Declaration of Human Rights,Open Letter to H.H. the Dalai Lama, Geshe Kelsang Gyatso, 1997-12-09, retrieved 2008-12-04 assim como na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
De acordo com Geshe Kelsang Gyatso, que tem ajudado na defesa dos direitos dos tibetanos na Índia, afetados pela proibição, esta controvérsia tem surgido somente por motivos políticos. Há um ponto de vista espiritual sobre Dorje Shugden sustentados por aqueles que a praticam, e outro ponto de vista político por aqueles que não a praticam. Numa conversa em 2006 disse: "Nós sabemos que é bastante comum em nossos dias, as pessoas dizerem “Problema de Dorje Shugdän”. Dorje Shugdän não tem problema algum! Ele é um Ser iluminado completamente livre dos problemas do samsara. O problema, é problema de humanos, criado por pessoas engajadas na política. Estas pessoas criam problemas para preencherem suas próprias metas."
Stephen Schettini, um ex-discípulo do praticante de Shugden, Geshe Rabten, tem se pronunciado a respeito da controvérsia:
"O Dalai Lama permanece o líder temporal dos tibetanos no exílio, mas, não é mais o líder espiritual indiscutível."
A comunidade no exílio tem se dividido sobre seu decreto considerando a propiciação de Dorje Shugden, também conhecido pelos seus detratores pela alcunha de Dolgyal. Práticas envolvendo esta deidade foram espalhadas largamente em prévias gerações, especialmente pelo tutor do Dalai Lama, Trijang Rinpoche, mas, depois do falecimento dele e da velha geração, Dalai Lama questionou a fidelidade do “Dolgyal” à causa tibetana e dirigiu esforços concatenados para que o desacreditassem. Em 21 de março de 1996, Dalai Lama se pronunciou publicamente: “Tem ficado bastante claro que o Dolgyal é um espírito das forças negras”.</center>
O resultado mais visível de sua proclamação foi dividir a antiga união pela causa tibetana, sendo que, suas ações tem confundido muitos de seus seguidores e admiradores.
De acordo com o monge alemão Helmut Gassner, há uma contradição da parte do Dalai Lama e do governo tibetano no exílio que vai de encontro a própria filosofia budista no que diz respeito ao karma. A situação em que passa o Dalai Lama e o povo tibetano no exílio segundo a lei do karma, é fruto de ações passadas que amadureceram e que agora inviabilizam qualquer reaproximação da terra natal. Hoje a colonização chinesa (depois de 50 anos) se faz muito presente no Tibete principalmente na capital Lhasa. A pergunta é: isto se deve a fidelidade do “Dolgyal” (Shugden) à causa tibetana ou ao karma? Jogar a culpa em Shugden é muito melhor.Speech given by Ven. Helmut Gassner at the Symposium organized by Friedrich Naumann Stiftung in Hamburg, March 26th 1999
Argumentos a favor e contra a prática
Pontos de vista do 14º Dalai Lama e respostas dos praticantes de Shugden
O 14º Dalai Lama tem pedido às pessoas que querem ter iniciações tântricas através dele, que abandonem a prática de Dorje Shugden,Talk Given by His Holiness the Dalai Lama in Zurich (2005-08-12), FPMT official website. p. 1. retrieved 2009-10-23. citando três razões principais:His Holiness the Dalai Lama's Advice Concerning Dolgyal (Shugden) , HH the Dalai Lama official website, retrieved 2008-12-04His Holiness the Dalai Lama's Advice Concerning Dolgyal (Shugden), 2008-05-31, retrieved 2008-12-04