SkinheadDicionário escolar da língua portuguesa/Academia Brasileira de Letras. 2ª edição. São Paulo. Companhia Editora Nacional. 2008. p. 1 187. (traduzido do inglês, "cabeça-raspada", ) é uma subcultura originária dos jovens da classe operária no Reino Unido no final dos anos 1960, mais tarde, espalhou-se para o resto do mundo. Chamados desta forma devido ao corte de cabelo, os primeiros skinheads se originaram dos mods britânicos, e foram fortemente influenciados pelos rude boys jamaicanos que imigraram para a Inglaterra nessa época, em termos de moda, música e estilo de vida.Subcultures, pop music and politics: skinheads and "Nazi rock" in England and Germany, Journal of Social History, Find Articles at BNET.com

A subcultura skinhead era originalmente baseada nesses elementos, e não na política nem em questões raciais. No final dos anos 1970, entretanto, a raça e a política viraram fatores determinantes, gerando divergências e divisões entre os skinheads. O espectro político dentro da cena skinhead abrange da extrema-direita à extrema-esquerda, apesar de muitos skinheads serem apolíticos.

A moda skinhead apresenta um estilo particular de se vestir (que costuma incluir botas e/ou suspensórios), o culto à virilidade, ao futebol e ao hábito de beber cerveja. A cultura skinhead é também ligada à música, especialmente ska, skinhead reggae e streetpunk/oi!, mas também punk rock e hardcore punk.

Histórico Início Derivada da cultura mod, as primeiras manifestações desta cultura ocorreram por volta de 1967, alcançando o seu primeiro auge em 1969. Este período é chamado nostalgicamente pelos próprios skinheads como "espírito de 69" (ou "spirit of 69", termo cunhado na década de 1980 pela gangue Spy Kids). Eram majoritariamente formados por brancos e negros (estes últimos em sua maioria imigrantes jamaicanos) que frequentavam juntos clubes de soul e reggae, andavam em gangues e se vestiam de uma forma muito particular, em especial pelo corte de cabelo muito curto (daí o nome skinhead, que traduz-se grosseiramente como "cabeça pelada").

Os skinheads ganharam notoriedade nos jornais e na cultura popular da época por muitos deles promoverem confrontos nos estádios de futebol (o chamado hooliganismo) e alguns deles participarem de agressões contra imigrantes paquistaneses e asiáticos, influenciados por manchetes xenófobas de jornais sensacionalistas ingleses. No entanto, muitas das gangues xenófobas antiasiáticos detestavam os grupos neonazistas e repudiavam o racismo contra negros, como foi o caso da gangue da década de 1970, Tilbury Skins, fundadora da Liga Antipaquistaneses e, no entanto, um grupo antinazista. Numa entrevista do livro Skinhead Nation, Mick, membro de uma das gangues skinheads Trojan, diz:

Segunda geração No final da década de 1970, houve uma "segunda geração" skinhead, chamados de bootboys, ou simplesmente skinhead (chamados pela imprensa inglesa da época de "grupos de anfetamina" ou skinheads), decorrente da agitação provocada pela cultura punk e que acabou desencadeando um grande interesse por outros movimentos juvenis do passado, como os mods, teddy boys e skinheads. A geração anterior ("espírito de 69") tinha, como uma de suas características, a ligação com a música jamaicana, principalmente o reggae, o rocksteady e o ska.

Com o surgimento da "revolução musical" do punk rock e sua ética de faça-você-mesmo, muitos skinheads se agregaram ao emergente streetpunk/oi!, que abrange tanto os aspectos musicais quanto culturais. Isso, no entanto, não significou o abandono do reggae e do ska. Nessa mesma época, muitos skinheads tornam-se grandes adeptos do revival do ska chamado Two Tone ("dois tons", em referência às cores preta e branca — simbolizando a união de raças).

Fragmentação A partir da década de 1980, a constante pressão da mídia sensacionalista inglesa acerca da infiltração do preconceito racial dentro da cultura skinhead (infiltração promovida por uma política deliberada do partido de extrema-direita National Front), somada ao surgimento de um engajamento político dentro desta cultura (tanto à esquerda quanto à direita, além do anarquismo) resultou na fragmentação em vários submovimentos rivais. Desde então, constantemente estes grupos não reconhecem uns aos outros como verdadeiros representantes da cultura skinhead, e é comum que cheguem a se enfrentar fisicamente.

Entre os principais atritos, estão as divergências explícitas, como entre esquerdistas e direitistas, racistas e não racistas, politizados e apolíticos. Mas também há grande hostilidade entre grupos de divergência sutil, como os nazistas, conservadores xenófobos, defensores de uma supremacia racial branca, antissemitas.

Características A cultura skinhead da década de 1960 era formada maioritariamente por jovens da classe operária britânica. O vestuário skinhead, com botas e suspensórios, reflete em certa medida a indumentária operária da Inglaterra desta época. Existem diversas particularidades culturais e ideológicas que definem diferentes tipos de skinheads: é impossível distinguir, pela avaliação visual, um skinhead de direita, tradicional, SHARP ou RASH.

Grupos de skinheads políticos e apolíticos Skinhead trojan

Skinhead trojan (também conhecido como skinhead tradicional ou apenas trad skin) é um indivíduo que se identifica com a subcultura skinhead original britânica do final dos anos 1960, quando o ska, rocksteady, reggae e soul eram populares, e havia uma forte ênfase na influência do estilo de vestuário mod. Nomeado de acordo com o nome da gravadora Trojan Records, os skinheads se identificam com a subcultura rude boy jamaicana e com a classe trabalhadora britânica dos mod roots.Old Skool Jim. Trojan Skinhead Reggae Box Set liner notes. London: Trojan Records. TJETD169

thumb|esquerda|240px|Trad skins e rude boys em Londres, em 1981 Devido à sua apreciação da música tocada por negros, eles tendem a não serem racistas ou a serem mesmo antirracistas, estando associados a grupos como o SHARP (Skinheads Against Racial Prejudice) contrários dos skinheads white powers (uma facção que se desenvolveu no final dos anos 1970, com a ajuda do British National Front (Frente Nacional Britânica, NF).UK skinheads - the Glasgow skinhead crew, the Spy KidsMarshall, George (1991). Spirit of '69 - A Skinhead Bible. Dunoon, Scotland: S.T. Publishing. ISBN 1-898927-10-3) Os skinheads trojan geralmente se vestem num estilo skinhead típico dos anos 1960, que inclui itens como: camisas button-down Ben Sherman, camisas polo Fred Perry, cintas, ternos equipados, pulôveres, blusas sem mangas, jaquetas Harrington e casacos Crombie.RudeBoy/Skinhead Style - Ruder Than the Web! O cabelo é geralmente raspado entre 2 e 4 centímetros (curto, mas não careca), em contraste com os cabelos curtos dos punks influenciados pelos Oi! skins dos anos 1980.

The Spirit of '69 é a frase usada por skinheads tradicionais para comemorar o que eles identificam como auge da subcultura skinhead de 1969. A frase foi popularizada pelo grupo de skinheads escoceses Glasgow Spy Kids. Seu uso no título do livro que conta a história dos skinheads (Spirit of 69: A Skinhead Bible) levou os skinheads a adotá-la em todo o mundo. O livro foi publicado no início de 1990 pelo autor George Marshall, um skinhead de Glasgow. No documentário Spirit of '69: A Skinhead Bible, Marshall mostra as origens e o desenvolvimento da subcultura skinhead, descrevendo os elementos, tais como música, vestuário e política, na tentativa de refutar muitas percepções populares sobre os skinheads, como a mais comum, que diz que todos eles são racistas.

thumb|direita|200px|Típicas mulheres skinheads Durante a primeira metade da década de 1970, o movimento skinhead estava em declínio. É com o nascimento do punk 77 e o declínio da música jamaicana que o skinhead volta à vida, trazendo de volta em voga, no entanto, um culto diferente do original, agora com a nova música classificada como Oi!, uma espécie de punk rock arruaceiro da classe proletária. Enquanto o vestuário adotou os traços do skinhead "trabalhador": botas, suspensórios, camisas xadrez, jaqueta, cabeça raspada e calças jeans. Na década de 1980, alguns skinheads tentaram retornar às antigas raízes do movimento, influenciado pela cultura mod e os rude boys jamaicanos e a maioria sem influências da política, em oposição à nova geração de skinheads que tinham abandonado as raízes dos anos 1960 e apoiado a música punk que ia surgindo, muitas vezes proclamando ativistas políticos. Daí o termo skinheads trojan ser atribuído também para aqueles indivíduos que, posteriormente, preservaram a cultura original, e não apenas ao movimento original sessentista.

Foi precisamente por causa destes ocorridos que nasceu em Nova York, em torno de meados dos anos 1980, a organização SHARP (Skinheads Against Racial Prejudice), com a intenção de restaurar as antigas raízes, identificando-se como apolíticos e reagrupamento de skinheads com diferentes pontos de vista políticos, mas antirracistas, em oposição ao racismo e aos skins neonazistas. A organização foi, mais tarde, também exportada para a Europa, graças a Roddy Moreno, líder do Oppressed.

Esta organização optou por se identificar com o logotipo de capacete troiano, que pertencia à mesma gravadora Trojan Records (selo inglês de música negra que se caracterizou no primeiro movimento skinhead politizado), desejando assim simbolizar a ligação entre a organização e não de idade, as origens político e antirracista dos anos sessenta e parte dos anos setenta. Também por esta razão, decidiram mudar o nome "skinhead tradicional" para "skinhead trojan".

Suedehead

Suedehead ou sued foi uma tendência skinhead surgida entre 1970 e 1973.Spirit of '69: a Skinhead bible, George Marshall, S. T. Publishing, 1994, ISBN 1-898927-10-3 Assim como os suedeheads, havia outros grupos que também tiveram uma curta existência, como os smoothies, os crombie boys, entre outros.

Os suedeheads são outra dessas tendências. Formada por skinheads frequentadores das festas de ska, reggae, rocksteady e northern soul que lotavam as entradas dos clubes e bailes, e como 1969 ainda era recente, havia uma enorme influência do universo mod, tanto no seu lado musical, visual e no seu estilo de vida.

O estilo de vida dos suedeheads tinha um certo sentido revival, mas de maneira bem mais moderna, que ajudou a fundar costumes no meio skinhead. Assim como os mods, eles cultuavam scooters Lambretta e Vespa, gostavam de cultuar a imagem, estavam sempre arrumados, alinhados, com botas e sapatos bem polidos. Também estavam sempre em festas e envolvidos na vida noturna.

Os suedeheads foram responsáveis por popularizar muitas das marcas de roupas conhecidas hoje em dia como marcas tradicionais da cultura skinhead. Enquanto os bootboys saqueavam lojas e usavam roupas como Lonsdale, Warriors e Adidas, os suedeheads usavam camisas polos Fred Perry, Ben Sherman, roupas e acessórios da Merc, sueters sem manga, sobretudo alinhado. Com a popularização do reggae na Inglaterra em 1970, os suedeheads viram um sinal de que sua cultura podia continuar moderna e viva nas festas de ska/reggae.

A gravadora Trojan Records, que foi uma das responsáveis pela difusão e propaganda do reggae na Inglaterra, chegou a lançar, em 1971, um box com 50 músicas em homenagem aos suedeheads londrinos. O box mostra faces do ska/reggae mais moderno, como Lee Perry ("Jungle Lion" e "Black Ipa") e Toots & the Maytals ("Louie Louie").

Redskin

Redskin, no contexto da subcultura skinhead, é um skinhead de esquerda comunista ou socialista. Este movimento surgiu em oposição ao movimento bonehead que estava se desenvolvendo no mesmo período.

thumb|esquerda|190px|Skinheads em Cuba, em 1994