O Volkswagen Brasília é um automóvel produzido entre 1973 e 1982 pela Volkswagen do Brasil. Foi um automóvel derivado do fusca, com o mesmo motor do 1600, era uma perua/station wagon para a população de classe média. Definido internamente como modelo/tipo "102", foi projetado para aliar a robustez do Volkswagen Fusca, um carro consagrado no mercado, com o conforto de um automóvel com maior espaço interno e desenho mais contemporâneo. Era um carro pequeno, de linhas retas e grande área envidraçada. Esse nome é uma homenagem à então moderníssima cidade, fundada 13 anos antes com o mesmo nome. Foi o segundo carro mais vendido do Brasil de 1974 a 1979, ficando atrás apenas do Volkswagen Fusca.

História Projeto Em novembro de 1970 o presidente da General Motors do Brasil, James F. Waters, afirmou que a montadora havia aprovado um novo projeto de automóvel para o país e que elaborava projetos, negando o emprego da plataforma do Chevrolet Vega. A intenção do novo projeto da GM, batizado de projeto 909 era a de concorrer com o VW Fusca e ampliar sua participação no mercado. A Chrysler do Brasil iniciou os preparativos para a nacionalização do Hillman Avenger, com carroceria de duas portas. Ao mesmo tempo, o presidente da Volkswagen do Brasil Rudolf Leiding declarou que a política da empresa para o Brasil era “produzir carros de tamanho pequeno e médio”.

Considerando a Volkswagen muito atrasada em relação ao projeto da GM, Leiding desafiou os projetistas Márcio Piancastelli, José Vicente Martins e George Yamachita Oba a elaborar o projeto de um novo veículo capaz de competir com o novo projeto da GM. O novo veículo devia ocupar um espaço intermediário na linha VW, entre o Fusca e o Variant. No final de 1970 Piancastelli iniciou o projeto 102. O primeiro desenho foi concluído em fevereiro de 1971. Ao longo do projeto foram feitos quarenta desenhos, com o modelo evoluindo de uma minivam para um hatchback.

Para testar o trem de força, foram construídos protótipos encurtados da VW Variant. Quando os primeiros protótipos foram avistados pela imprensa, o projeto foi batizado inicialmente de “Mini-Variant”. Quando este modelo alcançou a fase de testes, um repórter conseguiu fotografar alguns modelos em ruas próximas à fábrica. Os seguranças tentaram afastá-lo, e quando falharam, decidiram atirar contra seu carro. O incidente causou alguma comoção na imprensa nacional, levando a Volkswagen a se desculpar publicamente. Entretanto a notícia alavancou a venda da revista Quatro Rodas que comprou as fotos do então repórter free-lancer Cláudio Laranjeira, que logo depois seria contratado pela revista.O irmão mais moderno do Fusca, parte 2. Best Cars Web Site.

O novo veículo foi oficialmente apresentado ao público em Junho de 1973, apenas um mês depois do lançamento de seu principal concorrente, o Chevrolet Chevette.

Embora seja muito semelhante a outros modelos, tais como a Volkswagen Variant e o TL, a plataforma era na verdade a mesma do Fusca, com o mesmo motor boxer montado na traseira e refrigeração a ar.

Diferente do Fusca (que na época era vendido com motorizações de 1300 ou 1500 cm3), o Brasília era oferecido somente com motor 1600 cm3, assim como o VW 1600 - apelidado "Zé do Caixão" - e a Variant. No ano de seu lançamento, 1973, o motor 1,6 litro do Brasília era alimentado por um único carburador modelo Solex 30, gerando 60 cv brutos de potência. Muitos motoristas, porém, exigiam melhor desempenho e economia do Brasília. A resposta da Volkswagen foi o lançamento do motor 1,6 litro alimentado por dois carburadores modelo Solex 32, no ano de 1976. O carro agora tinha 65 cv brutos de potência (48 líquidos), com mais torque e economia de combustível. Pelo sucesso alcançado, esta viria a ser a motorização predominante do Brasília nos anos seguintes de produção.

No ano de 1980 foi lançada uma versão com motor 1,3 litro, exclusiva porém dos veículos movidos a álcool combustível. No entanto, devido ao baixo desempenho e alto consumo de combustível deste motor no Brasília, a versão movida a álcool foi um fracasso de vendas, permanecendo o motor 1,6 litro a gasolina como o mais procurado.

As primeiras versões do Brasília possuíam acabamento interno com materiais simples, porém bem feito. Apenas em 1977 surgiria pela primeira vez a opção de um revestimento interno mais luxuoso e confortável, chamado de acabamento monocromático. Este acabamento era disponível nas cores preto e marrom, combinando teto, revestimentos laterais, piso e bancos em degradês de uma mesma cor. O piso das versões monocromáticas era de material acarpetado.

Em 1978 era feito o primeiro face-lift na trajetória do Brasília. As mudanças porém foram discretas. Os delgados para-choques de cantos arredondados passaram a ser mais robustos com cantoneiras plásticas de formato retangular, o capô dianteiro ganhava dois vincos longitudinais estampados, e as lanternas traseiras recebiam uma nova superfície plástica estriada, semelhante à dos veículos Mercedes-Benz. No entanto, alguns pontos falhos da estética, como a grade metálica que cobria o silencioso do escapamento na parte traseira do veículo, permaneciam inalterados.

220px|thumb|left|Versão 4 portas tipo exportaçãoEm 1979 surgiu a versão LS, a de maior luxo na história do Brasília, oferecendo apoios de cabeça nos bancos dianteiros, além de detalhes de acabamento externos exclusivos como frisos laterais, apliques emborrachados nas lâminas dos para-choques e novas cores metálicas. Também foram oferecidos equipamentos extras como desembaçador elétrico do vidro traseiro, relógio e vacuômetro.

Houve também uma versão de 4 portas (na Europa conta-se a porta traseira) que foi o primeiro hatchback genuíno nacional com essa configuração. Foi exportado para países como Filipinas, Nigéria (neste país o veículo era chamado Volkswagen Igala), Venezuela, Bolivia, Chile e Portugal. Mesmo sendo produzido no Brasil, esse modelo só passou a ser comercializado no mercado brasileiro no final de 1978, já como modelo 1979, onde foi utilizada principalmente como táxi, devido à rejeição dos brasileiros na época aos carros com 4 portas. O México foi o único país além do Brasil a fabricar o Brasília, mas somente na versão de duas portas, que inclusive chegou a aparecer em um episódio do seriado Chaves como o carro do Senhor Barriga.

Brasília a Álcool

Protótipo a Álcool na Feira da Indústria de Hannover em 1978|220px|thumb|right

A Volkswagen lançou seu programa de testes com álcool combustível em 1976. Um dos primeiros protótipos desenvolvidos foi o do Brasília com propulsão a álcool. Os dez primeiros exemplares foram lançados em 1979. Apesar do investimento da Volkswagen no programa, não foi possível inicialmente adotar o álcool combustível no motor de 1600 cilindradas do Brasília. Dessa forma, o protótipo testado era movido pelo motor de 1300 cilindradas do Fusca. Com isso, havia uma redução de 65 CV para 49 CV. O lançamento oficial ocorreu na Linha 1980, sendo comercializados cerca de 28 mil veículos. O desempenho ruim do Brasília Álcool fez com que a produção caísse para pouco mais de 3 mil veículos no ano seguinte. Ao todo foram fabricadas 31.619 exemplares da versão à álcool. Parte acabou convertida pelos seus proprietários para a versão 1600 cilindradas movida à gasolina.

Produção do Volkswagen Brasília Álcool (1979-1982)AnoProdução1979198019811982Total

Crise e fim de produção No final da Década de 1970 a Volkswagen concentrou esforços no lançamento do sucessor do Fusca. Lançado em 1980, o Gol acabou com vendas decepcionantes por conta do desempenho sofrível ao utilizar o motor de 1300 cilindradas com refrigeração a ar. O problema do desempenho só foi resolvido no ano seguinte, com a troca do motor de 1300 cilindradas pelo de 1600 cilindradas, similar ao do Brasília. Dessa forma, Gol e Brasília passaram a disputar o mesmo mercado. Em 1980 foram vendidos 62.567 Brasílias. Em dezoito meses o Brasília sofreu uma contínua queda de vendas, com perda de 60% do mercado para o novo Gol.

Em 1981 o mercado automotivo brasileiro entrou em crise, com uma queda de 40% nas vendas. Naquele ano foram construídas e comercializadas 18.499 Brasílias. A brusca queda nas vendas forçou a Volkswagen a cortar custos, realizar demissões em massa (entre 1980 e 1981 a empresa dispensou 27,6% de sua força de trabalho) enquanto a matriz na Alemanha definiu em janeiro de 1982 que o Fusca permaneceria em produção no Brasil até 1994.

Dentro das medidas de cortes, o Brasília acabou retirado de linha em março de 1982. Apesar do fim da produção, ainda havia grande procura pelo modelo e surgiram boatos no mercado sobre a Volkswagen ter ainda grandes estoques do Brasília sendo vendidos a preços baixos. Em outubro de 1982 a Volkswagen desmentiu os boatos, informando que não havia mais nenhum Brasília em seu estoque.

VW Brasília no ranking dos automóveis mais vendidos do Brasil19731974197519761977197819791980198119824º2º2º2º2º2º2º4º--Fonte: Pagotto, 2013

Cronologia/Resumo Principais acontecimentos em cada ano de produção:

1973 - O Brasília, carro de design 100% nacional teve seu lançamento oficial no mês de junho (um mês depois do Chevette da GM — o maior concorrente durante toda a carreira do Brasília). Vinha disponível apenas na opção de motor 1600 com 1 carburador. Opções de interiores preto (com piso cinza) ou todo em bege claro. Lanternas traseiras com piscas laranjas, emblema traseiro "VW Brasilia", grade do escapamento curta, volante tipo cálice igual ao do Fusca brasileiro, calotas centrais das rodas na cor alumínio.

1974 - Mudança do volante para o modelo plástico chamado "canoa". Ainda mantém lanternas traseiras com piscas laranjas, emblema traseiro "VW Brasilia" e grade do escapamento curta. Dupla carburação passa a ser um opcional, mas ainda muito pouco requisitado. O Brasília passa a ser produzido (fabricado e não apenas montado) na fábrica de Puebla no México, com significativo percentual de material local.

1975 - Lanternas traseiras passam a ter pisca vermelho e calotas centrais das rodas (copinhos) mudam para a cor preta. Emblema traseiro "Brasilia" perde o VW que o acompanha. Bomba manual do lavador de para-brisa passa a ser fixada na caixa de roda ao invés de perto do piso. Grade do escapamento traseiro aumenta de tamanho. Pisca alerta intermitente passa a ser item normal de série, atendendo regulamentação do CONTRAN.

1976 - Dupla carburação passa a ser opção normal de série para todos os modelos. Motor carburação simples convive junto da dupla por um curto período neste ano, até sair de linha. Surgem opções de interiores com assentos e laterais de porta em vermelho (muito raro) e marrom escuro (antecipando as versões monocromáticas). Surge um novo concorrente de peso no mercado, o Fiat 147, neste ano é iniciada a fabricação dos modelos 4 portas, inicialmente apenas destinados à exportação para a Nigéria (VW Igala) e Filipinas.

1977 - Ano de importantes mudanças em itens de conforto e mecânica. Na mecânica mudam o sistema de freios (ganham duplo independente nos eixos dianteiro e traseiro), cabeçote de chassis reforçado, tubo de segurança contra impactos frontais no para-choque dianteiro, coluna de direção retrátil. Comandos do limpador passam a vir em alavancas na coluna de direção, e os comandos da ventilação ganham iluminação. Na parte de estética e conforto surgem as primeiras versões monocromáticas (por terem interior todo numa cor só, piso em carpete e bancos com detalhe em veludo) com as opções castor (marrom) e preto. Painel com acabamento imitação de jacarandá na parte central. Instrumentos com visual mais limpo com aros na cor preta. Na parte dianteira desaparecem os "bigodes", que eram os frisos de alumínio que adornavam o logo VW. O porta luvas ganha uma tampa pela primeira vez.