Northanger Abbey é um romance da escritora inglesa Jane Austen, publicado postumamente em dezembro de 1817Apesar da data “oficial” de 1818, o romance foi publicado em dezembro de 1817., e escrito entre 1798 e 1799, inicialmente intitulado Susan. A obra descreve a vida social em Bath, que Jane Austen conhecera em 1797, e parodia os romances góticos, muito apreciados na época: sua heroína, a jovem Catherine Morland, que imagina suas aventuras sombrias em antigos castelos ou mosteiros de arquitetura gótica, acredita que pode viver um desses sonhos quando é convidada a permanecer na Abadia de Northanger. Um romance se desenvolve entre ela e Henry Tilney, o filho do proprietário do lugar.

O confronto das ideias românticas de Catherine e a realidade, durante suas discussões com Henry Tilney e Eleanor, a irmã dele, faz com que pouco ela ultrapasse a adolescência, o que pode ter transformado “Northanger Abbey” em um romance de aprendizagem.

Além das características estilísticas de Jane Austen (ironia, discurso indireto livre) e o aspecto de paródia da obra, há também a crítica aos romances góticos no tocante à sua influência na imaginação fértil de meninas jovens, assim como uma defesa incondicional dos romances em geral, que na época eram principalmente escritos por mulheres e considerados um gênero de segunda categoria.

Elaboração da obra Título inicial Northanger Abbey fora o primeiro romance de Jane Austen que ficara totalmente pronto para a publicação após a finalização de sua redação, entre 1798 e 1799, segundo sua irmã Cassandra Austen. No entanto, ela também trabalha, em 1796, em First Impressions, a primeira versão de Pride and Prejudice. Quanto a Sense and Sensibility, ela começa uma primeira versão em 1795, provavelmente um romance epistolar, conforme relatado pela tradição familiar e, portanto, bastante diferente da versão finalmente publicada.

Jane Austen, até por volta dos 23 ou 24 anos, morou na casa de sua família em Steventon, para onde fora após seu nascimento. Em 1797, faz uma viagem a Bath, uma importante cidade histórica. O romance fora intitulado inicialmente Susan, e alguns estudiosos viram aí uma referência ao conto para crianças, “Simple Susan”, escrita por Maria Edgeworth para sua coleção de contos de 1796, The Parent's Assistant.

Em 1802, a autora faz uma pequena correção, para evocar o romance de Maria Edgeworth, Belinda, lançado no ano anterior.

Anunciado como tendo sido redigido em 1816, fora, porém, totalmente concluído e pronto para ser publicado em 1803. Nesse ano, o editor londrino Benjamin Crosby comprara os direitos sobre o livro por dez libras esterlinas e anunciara a publicação, que não ocorreu. Seis anos depois, Jane – que então lhe escreve sob o pseudônimo de Mrs. Ashton Dennis – lhe pede pelo correio uma nova cópia do manuscrito, pois o primeiro se perdera, ameaçando entrar em contacto com um novo editor caso ele nada fizesse. Crosby apenas responde que, nesse caso, ele iria enfrentar este editor e se mostra disposto a retroceder dos direitos pelo preço inicial de 10 libras. Na época, este montante parece alto demais para Jane Austen, não tendo ainda nada sido publicado.

Após a publicação de Emma, porém, em dezembro de 1815, a romancista resolve esta questão, por 10 libras, através de seu irmão Henry Austen. Ela prevê a publicação, em 1816, mudando o título para “Catherine” e escrevendo uma pequena nota, onde expressa seu espanto pela não publicação anterior por Crosby e o receio de que, "treze anos depois de sua conclusão", o romance tenha se tornado obsoleto.

Título definitivo e publicação Após a morte de Jane Austen, que ocorre em 18 de julho de 1817, seu irmão Henry Austen faz publicar o romance, no final de dezembro de 1817 (a data de 1818, na página de título, resulta dos inúmeros desencontros e confusões acerca da publicação), e o título é mudado, provavelmente por Henry Austen, para Northanger Abbey. Talvez assim evocaria os romances góticos, em voga na época, apresentando castelos misteriososPierre Arnaud, o tradutor de Northanger Abbey para a coleção Pléiade, da Gallimard, levanta uma hipótese sobre esse gênero (p. 1015-1016): [...] “Nessa época, a moda dos romances góticos, certamente muito menos em voga do que anteriormente até o início do século, não estava completamente passada. Nesse ano, Thomas Love Peacock, aproveitando essa moda, publicou seu romance satírico: “Nightmare Abbey”. O último grande romance do gênero, “Melmoth the Wanderer de Maturin”, foi publicado em 1820. Enquanto os romances do século XVIII tinham como título nomes pessoais, tais como “Sir Charles Grandison” de Samuel Richardson e Tom Jones de Henry Fielding, os romances góticos do final do século tinham títulos com nomes de castelos ou abadias, começando com o primeiro datado, The Castle of Otranto Horace Walpole”..

No entanto, hoje se supõe que Jane Austen tenha abandonado o título original “Susan”, inspirado em The Parent's Assistant, já em 1809, após o surgimento de uma novela anônima com o mesmo nome. Sem dúvida com algum pesar, pois acabaria usando o nome da heroína de Maria Edgeworth, Susan, em Mansfield Park, onde é a irmã mais nova de Fanny Price, a heroína do romance.

A questão de quanto mudou o romance após o manuscrito vendido a Crosby fica sem resposta. No entanto, Brian Southam, um dos principais especialistas em crítica austeniana, acha que a autora pode ter feito mudanças significativas em seu trabalho em 1816, mas dificilmente está em concordância com outros especialistas, que defendem poucas modificações após 1803, por diversas passagens no texto que claramente se referem a eventos anteriores a esta data. E os muitos romances citados no texto, todos foram publicados antes de 1800, com exceção de duas referências a obras de Maria Edgeworth, publicada em 1800 e 1801.

Biografia da autora A publicação em 1818 de Northanger Abbey e de Persuasion é prefaciada por uma Biographical Notice of the Author. Escrita por Henry Austen e datada de 13 de dezembro de 1817, mais de 5 meses após a morte da irmã, essa observação teve grande importância mediante seu caráter hagiográfico: é a primeira homenagem calorosa para a mulher e escritora, trazendo a público informações sobre sua vida e seus últimos momentos, sua personalidade, seus gostos, sua leitura favorita, ou mesmo a forma como ela via suas obras.

É também a primeira apresentação de Jane Austen como autora e principalmente autora digna de inclusão em uma biblioteca, "ao lado de uma Fanny Burney (Madame DArblay)" e de uma “Maria Edgeworth”, ainda que sua reserva natural e suas dúvidas sobre o seu próprio talento a tenham levado a preservar o mais possível o seu anonimato. Este registro, este anonimato de elevação e a promoção do público, continuaram a ser os únicos dados biográficos disponíveis da autora por mais de cinquenta anos, até que foi publicada, em 1870, “A Memoir de Jane Austen”, primeira biografia escrita por seu sobrinho, James Edward Austen-Leigh .

Enredo

O livro apresenta a personagem Catherine Morland, a quarta dos dez filhos de um clérigo de condições financeiras razoáveis, que mora em um vilarejo em Wiltshire. Catherine é descrita como uma jovem normal, sem grandes talentos e nada em especial que chame a atenção sobre si. Entre os 15 e 17 anos, lera todos os livros sobre heroínas que lhe fora possível, e isso era tudo o que conhecera da vida. Mas, não havia ao seu redor nenhum jovem que lhe pudesse despertar a sensibilidade e a paixão, e nenhuma chance de transformar sua história de acordo com seus sonhos. O capítulo destaca, porém, que, quando se é fadada a ser uma heroína, o destino acaba intervindo, e Catherine é convidada a acompanhar o Sr. e a Sra. Allen, donos da mais valiosa propriedade local, em uma viagem para Bath, onde passarão um tempo para o tratamento da gota do Sr. Allen.

Em Bath, Catherine é introduzida na sociedade, e conhece o jovem Henry Tilney, por quem se interessa. Nesse entremeio, conhece Isabella Thorpe, que recebe a corte do irmão de Catherine, James, e que se torna sua amiga, e o jovem John Thorpe, irmão de Isabella, que se interessa por Catherine, sem ser correspondido.

Catherine aos poucos se apaixona por Henry Tilney, e aproxima-se da irmã dele, Eleanor, com quem faz amizade. Após conhecer o pai e o irmão de Henry, é convidada pela família Tiney para ficar um tempo em sua propriedade, a Abadia de Northanger. Antes de ir, toma conhecimento de que James deseja casar com Isabella, tendo ido pedir consentimento para os pais, mas percebe algum entrosamento entre Isabella e o irmão de Henry, Frederick.

Em Northanger, Catherine interessa-se pelos pretensos segredos da abadia, e é bem tratada pelo pai de Henry, o General Tilney. Catherine se impressiona tanto com a semelhança do lugar e o cenário de seus livros que acaba confundindo a realidade com a fantasia. Lá, recebe uma carta de James, relatando o fim do noivado com Isabella por conta do interesse dela por Frederick, e perde a consideração que tinha pela amiga.

Repentinamente, Catherine é induzida a sair da propriedade e voltar para casa, a pedido do General, que parece ter se aborrecido com ela, sem motivo aparente.

Em casa, após alguns dias, recebe a visita de Henry, que veio pedi-la em casamento, e esclarece que o pai a desconsiderara por sabê-la pobre. Anteriormente, o pai fora informado por John Thorpe que Catherine era abastada, daí o interesse que demonstrara, baseado em uma falsa expectativa. Ao saber a verdade, porém, o pai a desprezara. Henry não compartilha a mesma ideia do pai, e a pede em casamento, sendo aceito. Posteriormente, o general Tilney volta atrás, e tudo tem um final feliz.

Personagens

Catherine Morland: jovem e ingênua filha de um clérigo de Wiltshire, afeita a leituras góticas, que vai a Bath para ser introduzida na vida social. Ingênua e cheia de imaginação, vai aos poucos compreendendo o mundo que a rodeia. Richard Morland: pai de Catherine. Sra. Morland: mãe de Catherine. Sr. Allen: proprietário vizinho dos Morland, um homem sensato e discreto, que vai a Bath para tratar de sua gota. Sra. Allen: proprietária vizinha dos Morland, uma mulher comum, sem grandes atrativos, sem filhos, mas sendo afeiçoada a Catherine a leva para passar uns dias em Bath, e a ajuda a ser introduzida na sociedade. Henry Tilney: pastor, sarcástico e inteligente, mas também simpático e bondoso, desperta o interesse de Catherine desde quando se conhecem. Bem educado, mas um tanto sarcástico, conduz Catherine para a percepção do mundo e das pessoas que a cercam. Sra. Thorpe: antiga amiga de escola da Sra. Allen, reencontra-a quando visitam Bath. Mãe de Isabella e John. Isabella Thorpe: jovem filha da Sra. Thorpe, irmã de John Thorpe, torna-se grande amiga de Catherine, e é cortejada pelo irmão dessa, James. Um tanto inconsequente, aceita a corte de Frederick Tilney, após saber que o casamento com James não a tornará tão abastada. James Morland: irmão de Catherine, torna-se amigo de John Thorpe em Oxford, e é apaixonado pela irmã do amigo, Isabella. John Thorpe: jovem irmão de Isabella, corteja Catherine. Rude e inconveniente, acredita e espalha a história de que Catherine é rica, sendo o motivo pelo qual o General Tilney cria a ideia errônea de sua fortuna. Eleanor Tilney: sensível irmã de Henry, torna-se aos poucos amiga de Catherine. Discreta e reservada, contrasta com a expansividade de Isabella. General Tilney: pai de Henry, Eleanor e Frederick, viúvo, apresenta grande consideração por Catherine, acreditando, porém, que ela é rica. Mais tarde, Catherine percebe que sua consideração era por interesse num casamento abastado para Henry. Capitão Frederick Tilney: irmão de Henry e Eleanor, interessa-se por Isabella Thorpe, porém tem consciência de que seu pai jamais aceitará um casamento com uma mulher de condições inferiores.

Influências Austen recebeu a influência de vários autores, em especial de três romancistas.

Fanny Burney