thumb|Mapa étnico de Angola em 1970 (Área dos chócues e lundas marcada a castanho)

O povo chócue ou côkwe é uma etnia banta que se concentra sobretudo no nordeste de Angola e numa larga faixa que de lá se estende até ao sul do país, mas também no extremo sudoeste da República Democrática do Congo e no extremo noroeste da Zâmbia. Fala a língua chócue.

Numa perspectiva etnológica, os chócues destacam-se pela sua tradição artística, particularmente pelas suas esculturas e máscaras.

Historicamente, estão envolvidos no colapso do Reino Lunda, e no nordeste de Angola continuam a viver numa estreita coabitação com a etnia lunda. A sua migração para o Sul, onde muitas vezes se radicaram por grupos em espaços não utilizados por outras etnias, continuou até meados do século XX. A coesão entre eles muito deve a uma rede de autoridades tradicionais que inclui o seu hábitat nos países vizinhos. Em termos económicos, a sua base continua a ser a pequena agricultura, exclusivamente para efeitos de subsistência, bem como a caça. Até à data mostram-se pouco abertos ao cristianismo, salvo quando passam a fixar-se em contextos urbanos.José Redinha, Etnias e culturas de Angola, Luanda: Instituto de Investigação Científica de Angola, 1975

Os côckwes envolveram-se pouco na guerra anti-colonial e na Guerra Civil Angolana. Depois da independência de Angola, foram a única etnia que, nas duas primeiras eleições parlamentares, conseguiu eleger deputados de um pequeno partido, o Partido de Renovação Social (PRS) que representa os seus interesses específicos.

Outras designações Nos tempos coloniais foram adoptadas variantes, algumas aportuguesadas, outras atribuídas aos povos chócues, pelo que os mesmos podem ser referidos em muita literatura como Quiocos, Chocué, Ciokwe, Djok, Shioko, Tchocué, Tshokwe, Tchokwe e Tschiokloe.}}

Bibliografia Manuel Laranjeira Rodrigues Areia, Les symboles divinatoires: Analyse socio-culturelle d'une technique de divination des Cokwe de l'Angola, Coimbra: Instituto de Antropologia/Universidade de Coimbra, 1985 Marie Louise Bastin, La sculpture tshokwe, Meudon: Chaffin, 1982 Jean David & Gerhard Merzeder, The Chokwe and their Neighbours, Zurique: Ed. Jean David, 2003, ISBN 395 224 9513 (com uma contribição de Manuel Laranjeira Areia) Manuel Jordán, Chokwe, Nova Iorque, 1998 Augusto Mesquitela Lima, Fonctions sociologiques des figurines de culte hamba dans la société et dans la culture tshokwé (Angola), Luanda: Instituto de Investigação Científica de Angola, 1971 João Vicente Martins, Os Tutchokwe do Nordeste de Angola, dissertação de doutoramento em antropologia, Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 1997 Jospeh C. Miller, Chokwe Expansion 1850-1900, Madison: Wisconsin University, 1969 Joseph C. Miller, Chokwe trade and conquest, in: R. Gray & D. Birmingham (orgs.), Precolonial African Trade, Londres: Oxford University Press, 1970, pp. 175–201 Boris Westiau, Chokwe, Milão: Cinque Continenti, 2006

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