O Castelo de Beja, no Alentejo, ergue-se sobre a cidade, município e distrito de Beja, em Portugal.

O Castelo de Beja está classificado como Monumento Nacional desde 1910.por Decreto publicado em 16 de Junho de 1910, na Ficha na base de dados da DGPC

História Antecedentes Embora a primitiva ocupação humana do seu sítio remonte à pré-história e esteja mencionada nos escritos de Ptolomeu e de Políbio, em meados do século II a.C., a sua fortificação data da Invasão romana da Península Ibérica, plausivelmente, devido à importância adquirida no cenário regional. Foi este o local escolhido por Júlio César para formalizar a paz com os Lusitanos (49 d.C.), após o que passou a denominar-se Pax Julia, vindo a sediar uma das três jurisdições romanas da Lusitânia. Acredita-se que os muros de defesa romanos remontem algures entre o século III e o século IV.

Essa relevância económica e estratégica de Beja manteve-se à época dos Suevos, dos Visigodos, bem como sob a ocupação Muçulmana.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da Península Ibérica, Beja foi inicialmente conquistada pelas forças de D. Afonso Henriques (1112-1185) em 1159, para ser abandonada quatro meses mais tarde. Foi reconquistada de assalto-surpresa, por uma expedição de populares vindos de Santarém, em princípios de Dezembro de 1162.

Nos anos que se seguiram, posteriormente à derrota daquele soberano no cerco de Badajoz (1169), o cavaleiro Gonçalo Mendes da Maia - o Lidador, já nonagenário, perdeu a vida na defesa das muralhas de Beja. Dada a falta de informações sobre o período posterior a essa data, os estudiosos acreditam que a grande ofensiva almóada de Iacube Almançor (1191) até ao rio Tejo, após ter reconquistado Silves, terá compreendido, também, a reconquista de Beja, permanecendo em poder dos cristãos apenas Évora, em todo o Alentejo. Supõe-se ainda que a povoação teria retornado a mãos portuguesas apenas entre 1232 e 1234, época em que as vizinhas Moura, Serpa e Aljustrel, documentadamente, também retornaram.

thumb|esquerda|Castelo de Beja: aspecto da praça de armas A primeira restauração dos muros de Beja data do reinado de D. Afonso III (1248-79), que as fez iniciar a partir de 1253, custeados, ao longo de dez anos, por dois terços dos dízimos cobrados pelas igrejas de Beja. No ano seguinte (1254), a povoação recebeu o seu foral nos mesmos termos do de Santarém, confirmado em 1291 no reinado de seu filho, D. Dinis (1279-1325). Este, por sua vez, prosseguiu as obras de reconstrução, reforçando e ampliando as muralhas e torres (1307) e iniciou a construção da torre de menagem (1310).

A povoação e seu castelo apoiaram o Mestre de Avis no contexto da Crise de 1383–1385, tendo tido envolvimento em episódios ulteriores da História de Portugal, como a fase dos Descobrimentos.

No século XV, sob o reinado de D. Afonso V (1438-1481), a Vila foi elevada a ducado, tendo como 1° duque de Beja o seu irmão, o infante D. Fernando e, posteriormente, o rei D. Manuel I (1495-1521). No reinado deste último soberano, têm lugar grandes obras de beneficiação das defesas da vila, que seria, entretanto, elevada a cidade em 1517.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias Até ao século XVII, o Castelo de Beja foi alvo de diversas ampliações e modernizações, particularmente no contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa, quando foi reforçado por baluartes conforme projeto do engenheiro-militar e arquitecto francês Nicolau de Langres, aprovado pelo engenheiro e cosmógrafo-mor do reino, Luís Serrão Pimentel, e pelo general Agostinho de Andrade Freire (1644). No período de 1669 a 1679 as obras foram dirigidas pelos engenheiros João Coutinho, Diogo de Brito de Castanheira e Manuel Almeida Falcão, porém nunca chegaram a ser concluídas.

Cerca de um século mais tarde, parte das suas muralhas foi demolida e a sua pedra reutilizada na construção da nova igreja do, hoje extinto, Colégio dos Jesuítas, para sede do Paço Episcopal (1790).

No início do século XIX, com a eclosão da Guerra Peninsular, a cidade de Beja opôs séria resistência às tropas invasoras de Napoleão. Como resultado, as forças sob o comando do general Jean-Andoche Junot, mataram cerca de 1.200 pessoas na região (1808).

thumb|Castelo de Beja. Junto à muralha vê-se o arco romano de Beja. Poucos anos mais tarde, subsistindo a maior parte das obras seiscentistas, as Guerras Liberais fizeram novas vítimas entre a população. Ainda no século XIX, uma catástrofe arrasou parte do perímetro defensivo do castelo, havendo notícia da reconstrução, em 1867, da chamada Porta de Moura e da demolição, em 1893, da Porta Nova de Évora.

No século XX, a partir de 1938 inicia-se a intervenção por parte da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), com a desobstrução e consolidação das portas de Évora e a reconstrução da cobertura da alcáçova. Duas décadas mais tarde, iniciam-se as campanhas de consolidação dos troços das muralhas (1958, 1959-1962, 1969, 1970-1973, 1980, 1981 e 1982) e de recuperação da Torre de menagem (1965, 1969, 1981).

Em 13 de novembro de 2014, parte das ameias da varanda da torre de menagem do castelo caíram para o interior das muralhas, causando danos no varandim inferior e na porta de acesso à escadaria da torre. Em 2016, após obras de reparação, a torre de menagem foi reaberta ao público, possibilitando uma fantástica vista sobre a cidade e a planície alentejana em redor da cidade.

Em 1 de Setembro de 2019 foi reaberto o Museu Jorge Vieira – Casa das Artes, um espaço de arte contemporânea dedicado ao escultor Jorge Vieira, após a sua transferência provisória para a Casa do Governador, no interior do castelo. Posteriormente esteve temporariamente encerrado para a remodelação do conteúdo expositivo, tendo sido reaberto ao público em Maio de 2025, com um acervo reforçado com mais onze obras do artista.

Características Numa combinação de estilos românico, gótico, manuelino, medieval e maneirista, o monumento apresenta planta no formato pentagonal. Sem talude, a muralha, coroada por merlões prismáticos, possui adarve envolvente, estando flanqueada originalmente por quarenta torres (entre as quais a de menagem), rasgada por sete portas e dois postigos, e circundada por barbacãs.

A robusta Torre de menagem, em estilo gótico, é considerada como um dos mais belos exemplos da arquitectura militar da Idade Média em Portugal. Elevando-se a quarenta metros de altura (a mais alta do país), é constituída por três pavimentos. A torre apresenta balcões angulares sobre matacães, unidos por varandins defendidos por ameias piramidais. É rasgada por portas ogivais e janelas geminadas, em arco de ferradura. As salas em seu interior, ricamente decoradas, apresentam tetos em abóbada em cruzaria de ogivas.

A porta principal do castelo abre-se em arco ogival e acede à praça de armas, sendo que, das primitivas portas, restam ainda duas de origem românica: a Porta de Évora, contígua ao castelo; e o arco das Portas de Avis. A Porta de Moura é defendida por dois torreões.

No interior do castelo ergue-se o edifício conhecido como Casa do Governador, cujo primeiro andar é ocupado por um museu dedicado ao artista Jorge Vieira.

Ver também Lista de património edificado no distrito de Beja

Ligações externas

Inventário do Património Arquitectónico (DGEMN) Instituto Português de Arqueologia

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