Falcón (por vezes traduzido como Falcão) é um dos estados da Venezuela, situado no noroeste do país. A sua capital é Coro. O estado recebeu esta denominação em homenagem ao militar e político venezuelano Juan Crisóstomo Falcón.
Etimologia O estado recebeu o nome de Falcón pela Constituição de 1874, que substituiu a anterior designação de Estado de Coro em homenagem ao marechal Juan Crisóstomo Falcón (1820–1870), natural de Buena Vista, na então província de Coro. Falcón foi uma das principais figuras da Guerra Federal e exerceu a presidência da Venezuela após o conflito.
Em fontes institucionais e académicas de língua portuguesa, o topónimo é geralmente empregado na forma original espanhola, Falcón. No entanto, regista-se episodicamente a forma Falcão em bibliografia portuguesa, nomeadamente em Bibliotecas e arquivos de Portugal, publicação da Direcção-Geral dos Assuntos Culturais de 1969. História
Da província de Coro à formação do estado
Nos primeiros tempos da colonização espanhola, o território do actual estado era conhecido como Coro e integrava a província de Caracas. Por real cédula de 19 de dezembro de 1815, foi elevada à categoria de província, compreendendo as jurisdições de Coro, Carora, Barquisimeto, El Tocuyo e San Felipe. Em 1821, a província foi integrada no departamento de Zulia pela legislação aprovada pelo Congresso de Cúcuta.
Em 20 de fevereiro de 1859, no início da Guerra Federal, a província foi declarada Estado Independente de Coro. A Constituição venezuelana de 1864 consolidou a sua condição de estado federal. Dez anos depois, a Constituição de 1874 alterou o nome para Estado Falcón, em homenagem ao marechal Juan Crisóstomo Falcón.
A designação sofreu alterações posteriores. Em 1881, Falcón e Zulia foram agrupados numa única entidade denominada Falcón, cuja capital provisória foi Casigua e, entre 1883 e 1890, Capatárida. A Constituição de 1891 restituiu a autonomia de Falcón; em 1899, um decreto de Cipriano Castro voltou a usar a designação Estado de Coro. A denominação Falcón ficou definitivamente restabelecida pela Constituição de 29 de março de 1901.
Geografia
O estado situa-se entre os paralelos 10°18' e 12°11'46" norte e os meridianos 68°18' e 71°21' oeste. Limita a norte e a leste com o mar das Caraíbas, a oeste com o golfete de Coro, o golfo da Venezuela e o estado de Zulia, e a sul com os estados de Lara e Yaracuy. O Cabo de São Román constitui o seu extremo setentrional e também o ponto mais a norte da Venezuela continental.
A geografia falconiana compreende quatro grandes regiões naturais: as serras corianas, a planície costeira noroeste, os vales do nordeste — associados, entre outros, aos rios Ricoa, Hueque, Tocuyo e Aroa — e a Península de Paraguaná.
Península de Paraguaná
A Península de Paraguaná ocupa cerca de 2 273 km² e possui aproximadamente 270 quilómetros de litoral. Estudos geomorfológicos indicam que corresponde a uma antiga ilha ligada ao continente por acumulação de sedimentos transportados por ondas, correntes e marés, formando um tômbolo. A ligação, conhecida como istmo dos Médanos, mede cerca de 27 quilómetros de comprimento e 6 quilómetros de largura.
No istmo concentram-se areias transportadas por rios da costa e posteriormente retrabalhadas pelo mar e pelo vento, originando o campo de dunas dos Médanos de Coro. A península apresenta clima semiárido e vegetação predominantemente xerófita; a investigação citada identifica ainda falésias, promontórios, grutas marinhas, praias, baías, lagoas costeiras, flechas litorais e recifes de coral.
Clima e hidrografia
As regiões naturais de Falcón situam-se em terras baixas de clima quente, com temperatura média anual entre 22 e 26 °C. Há forte contraste de pluviosidade: as áreas mais áridas abrangem a maior parte de Paraguaná e toda a planície costeira noroeste, enquanto sectores do leste e sudoeste apresentam condições húmidas ou muito húmidas. As zonas semiáridas incluem o nordeste de Paraguaná e as partes baixas da fachada norte da região montanhosa.
A hidrografia estadual inclui correntes fluviais, quebradas, lagoas, pântanos e reservatórios, além das águas do mar das Caraíbas, do golfete de Coro, do golfo da Venezuela, do golfete de Cuare e do golfo Triste.
Áreas protegidas
O estado concentra diversas áreas sob regimes especiais de protecção. Entre elas encontram-se o Monumento Natural Cerro Santa Ana e os parques nacionais Cueva Quebrada del Toro, Médanos de Coro, Morrocoy e Sierra de San Luis. A relação de áreas protegidas inclui ainda a Reserva de Fauna Silvestre de Tucurere, a Laguna Boca de Caño e o Refúgio de Fauna Silvestre de Cuare.
O Refúgio de Fauna Silvestre de Cuare, situado em Falcón, está inscrito na Lista de Zonas Húmidas de Importância Internacional da Convenção de Ramsar desde 23 de novembro de 1988, abrangendo 12 000 hectares.
População e divisão administrativa
O censo de 2001 registou 763 188 habitantes no estado. Em 2011, a população era de 902 847 habitantes.
O estado divide-se em 25 municípios:
+ Municípios e respectivas sedes Município Sede Acosta San Juan de los Cayos Bolívar San Luis Buchivacoa Capatárida Cacique Manaure Yaracal Carirubana Punto Fijo Colina La Vela de Coro Dabajuro Dabajuro Democracia Pedregal Falcón Pueblo Nuevo Federación Churuguara Jacura Jacura Los Taques Santa Cruz de Los Taques Mauroa Mene de Mauroa Miranda Coro Monseñor Iturriza Chichiriviche Palmasola Palmasola Petit Cabure Píritu Píritu San Francisco Mirimire Silva Tucacas Sucre La Cruz de Taratara Tocópero Tocópero Unión Santa Cruz de Bucaral Urumaco Urumaco Zamora Puerto Cumarebo
Economia
No início do século XXI, a refinação de petróleo era descrita como a principal actividade económica do estado. O Complexo de Refinação de Paraguaná reunia as refinarias de Amuay e Cardón, situadas respectivamente nos municípios de Los Taques e Carirubana.
O turismo tem peso particular no litoral oriental e na península de Paraguaná. A produção agropecuária apresenta três núcleos principais: um ocidental, abrangendo Mauroa, Buchivacoa e Dabajuro; um montanhoso, em Federación e Unión; e um oriental, que inclui sectores dos municípios Cacique Manaure, Monseñor Iturriza e Silva, bem como a totalidade de Palmasola.
A pesca é uma actividade antiga do litoral falconiano. A fonte geográfica assinala que foi predominantemente artesanal durante séculos e que a pesca de arrasto se introduziu na década de 1950, com base portuária em Las Piedras.
Património e cultura miniaturadaimagem|Um homem fantasiado na Fiesta de Los Locos, no porto de La Vela de Coro (Locos de la Vela) Coro e o seu porto de La Vela de Coro foram inscritos em 1993 na lista de Património Mundial da UNESCO. A organização destaca a conservação do traçado urbano e das construções de terra, que combinam tradições locais com técnicas espanholas mudéjares e influências holandesas. Coro foi a primeira capital da Capitania-Geral da Venezuela e sede do primeiro bispado da América continental, estabelecido em 1531.
O sítio encontra-se na Lista do Património Mundial em Perigo desde 2005, após chuvas excepcionais ocorridas entre o final de 2004 e o início de 2005 terem causado danos em Coro e La Vela.
A gastronomia regional inclui preparações de peixe, queijos de vaca e cabra, doce de leite de cabra e conservas de coco, produtos associados tanto ao litoral como às zonas de criação pecuária do estado.
Categoria:Estados da Venezuela Categoria:Estados e territórios fundados em 1864 Categoria:1864 na Venezuela
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