thumb|upright=1.05|Relevo duma Nealênia sentada entre um cão e uma cesta de pães

Nealênia (Nehalennia) é uma deusa de origem incerta, talvez germânica ou celta, atestada e retratada em numerosos altares votivos descobertos em torno do que agora é chamada província de Zelândia, na Holanda (onde o Rio Reno flui para o Mar do Norte) cujo culto remonta a pelo menos ao , e que floresceu no e III.

Inscrições e retratos

Nealênia é atestada em 28 inscrições descobertas no povoado holandês de Domburgo, quando uma tempestade erodiu dunas em 1645, desencobrindo restos de um templo devotado a até então não atestada deusa Nealênia. Um número similar foi encontrado entre 1971-72 no povoado de Colijnsplaat, e em 2 outros da área de Colônia-Deutz no que agora é a Colônia, Alemanha.

Ela é quase sempre retratada com símbolos marinhos e com um grande cachorro de olhar benigno a seus pés. Ela deve ter sido uma deidade celta ou germânica, a quem foi atribuído poderes sobre o comércio, transporte e possivelmente horticultura e fertilidade. Ela é descrita como uma mulher jovem, principalmente sentada. Ela veste um típico manto curto sobre seus ombros e peito, que é único, talvez indicando que pertença aos costumes desta região. Frequentemente é acompanhado por um cachorro e tem como atributos uma cesta de maças ou pães e peças de navios. Hilda Ellis Davidson descreve os objetos votivos:

Nealênia, uma deusa germânica cultuada no ponto onde os viajantes cruzavam o Mar do Norte da Holanda, é mostrada em muitas pedras entalhadas sustentando folhas e maçãs como uma Deusa Mãe, às vezes com uma proa de um barco ao lado dela, mas também frequentemente com um cão servente que está sentado, admirando-a (Prato 5). Ele estava em treze dos vinte e um altares gravados por Ada Hondius-Crone (1955: 103), que o descreve como um tipo de galgo.

Davidson mais adiante liga o motivo do navio associado à Nealênia com o par germânico Vanir de Frei e Freia, tão bem quanto à deusa germânica Nerto, e nota que apresenta alguns dos atributos das Mães. Os pães com os quais Nealênia é descrita em seus altares foram identificados como duivekater, "pães sacrificiais oblongos na forma de uma tíbia". Davidson afirma que pães deste tipo podem assumir o lugar dum sacrifício animal ou vítima animal, como o pão cozido em forma de javali em Yule, na Suécia, e podem estar "dentro da memória viva" como no cereal da última paveia em Varmlândia, na Suécia, costumeiramente utilizado para cozer um pão na forma duma pequena garota que é subsequentemente compartilhado pela família toda. Davidson fornece mais exemplos de elaborados pães na forma de paveias dispostos nas igrejas para fertilidade dos campos na Inglaterra anglo-saxã, com paralelos na Escandinávia e Irlanda.

As inscrições de Domburgo para Nealênia inspiraram Marcus Zuerius van Boxhorn a produzir uma precipitada etimologia lincando o nome da deusa ao cita antigo, com o qual ele tentou, com as ferramentas linguísticas então disponíveis, construir a ponte das conexões já conhecidas entre as línguas europeias e o persa moderno.

Templos

thumb|esquerda|Templo reconstruído em Colijnsplaat

Práticas religiosas em torno de Nealênia tiveram seu pico nos séculos II e III, naquele tempo havia possivelmente de dois a três templos localizados na área que agora é a Zelândia. Neste tempo, esta região da costa marinha era uma ligação importante para o comércio entre a área do Reno e Britânia. É sabido que a tribo dos morinos, que viveu no que é agora a Holanda, fazendo fronteira com a costa do Mar do Norte, cultuava Nealênia. Visitantes vieram cultuá-la de tão longe quanto Vesôncio (atual Besançon, França) e Augusta dos Tréveros (atual Tréveris, Alemanha). Nealênia teve dois santuários ou templos, ornamentados com numerosos altares: um em Domburgo na ilha de Walcheren, e um outro em Colijnsplaat no litoral de Oosterschelde. Ambos agora estão submersos além do Mar do Norte devido às inundações e aos mares mutantes da Holanda do Sul.

Em agosto de 2005, uma réplica do templo de Nealênia próximo ao povoado perdido de Ganuenta foi aberta em Colijnsplaat.

Referências

Ligação externa

Lendering, Jona, Nehalennia, July 2006. Arquivo recuperado em 24 de setembro de 2007.

Ligações Externas Site oficial da réplica do templo de Nehalennia

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