O Metrô de Fortaleza ou Metropolitano de Fortaleza, popularmente conhecido como Metrofor, é um sistema de transporte público metropolitano que opera na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), no estado do Ceará, Brasil. O sistema é administrado pela Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor), uma empresa de economia mista controlada majoritariamente pelo Governo do Estado do Ceará, responsável pelo planejamento, construção, implantação, operação e manutenção do transporte sobre trilhos no estado. Fundada em 2 de maio de 1997, a Metrofor administra sete linhas de transporte público, das quais quatro pertencem ao sistema da capital cearense, nas três principais regiões metropolitanas do Ceará: Fortaleza, Cariri e Sobral. Com 63 estações distribuídas em 84,3 quilômetros de vias férreas, a rede cearense é a maior infraestrutura metroviária operada por uma companhia do Nordeste, atendendo diariamente mais de 56 mil passageiros em municípios como Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Pacatuba, Sobral, Juazeiro do Norte e Crato.
As operações do Metrô de Fortaleza começaram em 15 de junho de 2012, com a inauguração de parte da Linha Sul. Atualmente, o sistema é composto por uma linha de metrô, a Linha Sul (Central–Chico da Silva ↔ Carlito Benevides), e três linhas de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) a diesel: Linha Oeste (Moura Brasil ↔ Caucaia), Linha Nordeste (Parangaba ↔ Iate) e Ramal Aeroporto (Expedicionários ↔ Aeroporto). Entre janeiro e dezembro de 2025, as três linhas em operação até momento transportaram aproximadamente 15,2 milhões de passageiros, com uma média diária de 52,8 mil usuários em dias úteis.
Em novembro de 2023, o sistema era o quinto maior do Brasil em extensão, com 56,8 quilômetros de vias ferroviárias e 40 estações, representando cerca de 5,1% da malha total de transportes urbanos sobre trilhos do país, que somava 1.133,4 quilômetros, conforme dados da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos). Em 2026, o sistema chegou a 59,3 quilômetros e 42 estações com a inauguração do primeiro trecho da Linha Aeroporto–Castelão. A rede tem previsão de expansão até 2028, quando deverá atingir 71,7 quilômetros de extensão com a inauguração do primeiro trecho de 7,3 quilômetros da Linha Leste (Central–Chico da Silva ↔ Papicu) e dos 5,1 quilômetros do segundo trecho da Linha Aeroporto–Castelão do VLT, entre as estações Aeroporto e Castelão.
História Antecedentes
esquerda|miniaturadaimagem|Antiga estação central de Fortaleza, que em 1946 ganhou o nome de Professor João Felipe. O prédio atualmente abriga o Complexo Cultural Estação das Artes. A foto é do período em que funcionou como estação de trens urbanos, anterior a reforma. Os antecedentes do metrô de Fortaleza estão ligados à história ferroviária do Ceará. A primeira concessão para a construção de estradas de ferro no estado deu-se por um decreto de 1857, para uma via entre os municípios de Camocim e Ipu, passando por Sobral, mas o projeto foi arquivado. Em 1868, foi apresentado um novo projeto para uma linha ligando Fortaleza à vila de Pacatuba, com um ramal para Maranguape, que também não saiu do papel. Dois anos depois, surgiu o projeto da primeira estrada de ferro efetivamente construída no Ceará: a Estrada de Ferro de Baturité. As primeiras locomotivas chegaram a Fortaleza em 13 de março de 1873, desembarcadas no trapiche do Poço das Dragas, antigo porto de Fortaleza. O prédio da estação central ainda estava em obras quando recebeu as máquinas a vapor, que foram transportadas por tração animal sobre trilhos portáteis até a Praça da Estação. Cinco meses depois, a locomotiva "A Fortaleza" realizou o percurso da Estação Central até a parada "Chico Manoel", no Cruzamento das Trincheiras (atual Liberato Barroso).esquerda|miniaturadaimagem|Antiga estação ferroviária de Maracanaú, parte da Estrada de Ferro de Baturité. O primeiro trecho da ferrovia, ligando o centro da capital ao distrito de Arronches (atual bairro Parangaba), foi concluído em setembro de 1873. Posteriormente, foram inauguradas as estações de Mondubim, Maranguape, Maracanaú (1875), Monguba e Pacatuba (1876). O governo imperial encampou a ferrovia em 1878, estabelecendo algumas mudanças no projeto original e ordenando a elaboração de projetos para a construção de uma nova estação central, inaugurada em 1880. O trem chegou a Baturité em 1882 e no mesmo período tiveram início as obras da Estrada de Ferro de Sobral.
Em 1915, as ferrovias foram unificadas na Rede de Viação Cearense (RVC). Entre 1919 e 1920, as obras de expansão das ferrovias, agora subordinadas à Inspetoria Federal de Obras contra a Seca (IFOCS), serviram como frente de trabalho para deslocados da grande seca, chegando a cerca de 12.850 operários, incluindo idosos e crianças. A rede foi integrada à Rede Ferroviária Federal (RFFSA) em 1957, sendo totalmente absorvida por esta em 1975. Esta malha ferroviária regional, cujo eixo principal partia da estação central de Fortaleza, formaria a base física e o corredor de transporte sobre o qual, na segunda metade do século XX, seriam planejados os primeiros estudos para a implantação de um sistema de metrô na capital cearense.
Projeto Em outubro de 1977, o Governo Federal liberou uma verba de Cr$ 40 milhões para os primeiros estudos de implantação de um sistema de trens urbanos na região metropolitana de Fortaleza, aproveitando a malha ferroviária existente. Com a criação da Coordenadoria de Transportes Metropolitanos (CTM), os trens suburbanos, que circulavam apenas nos horários de pico, passaram a operar de hora em hora.
Em 1986, o governo brasileiro contratou a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) para elaborar um projeto de eletrificação e modernização das Linhas Tronco Norte e Sul do Trem Urbano de Fortaleza. No ano seguinte, em 25 de setembro de 1987, foi formalmente iniciada a construção do projeto com a assinatura do contrato do Consórcio do Trem Metropolitano de Fortaleza, envolvendo a Rede Ferroviária Federal (RFFSA), a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e o Governo do Estado do Ceará, com interveniência do Ministério dos Transportes.miniaturadaimagem|Projeto do Trem Metropolitano de Fortaleza.Em abril de 1988, o governo do estado lançou oficialmente o projeto Metrofor, cujo custo inicial foi estimado em 290 milhões de dólares para a reformulação das duas linhas. A construção dependia da liberação de um empréstimo de US$ 180 milhões de instituições como o Japan Export-Import Bank e o Banque de Paris et des Pays-Bas (Paribas) e do acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Também em 1988, com a extinção dos trens de longa distância, houve um aumento significativo no fluxo de passageiros nas linhas que ligavam Fortaleza a Maracanaú e Caucaia, , exigindo a intensificação dos serviços.
Apesar do interesse japonês em financiar o projeto, e da visita de autoridades brasileiras ao Japão para conhecer possíveis fornecedores para a modernização, as negociações para o financiamento do projeto, prolongaram-se por anos. O orçado em US$ 180 milhões em 1988, o projeto teve seu custo revisado para US$ 300 milhões em 1994. Somente no início de fevereiro de 1994, após muitas discussões, o Japan Export-Import Bank aprovou um empréstimo de US$ 223 milhões para a implantação do Metrô de Fortaleza.
Paralelamente, o Consórcio do Trem Metropolitano teve seu contrato sucessivamente prorrogado: em 1º de abril de 1993, em 29 de março de 1994 e, por fim, em 4 de abril de 1995, quando foi prorrogado por dois anos, com término previsto para 4 de abril de 1997. Com a extinção oficial do consórcio em 3 de abril de 1997, iniciou-se o processo de estadualização do serviço, marcado pela mudança do nome da então Superintendência de Trens Urbanos de Fortaleza (STU/FOR) para Companhia Cearense de Transportes.
Em 2 de maio de 1997, foi criada a Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor), com o objetivo de assumir e modernizar a operação dos trens metropolitanos de Fortaleza, até então realizada pela CBTU. O Consórcio do Trem Metropolitano de Fortaleza foi extinto em 30 de maio de 1997. Grande parte dos funcionários que pertenciam inicialmente à Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e, posteriormente, à CBTU, foram integrados ao quadro de profissionais da Metrofor. Em 1º de julho de 2002, o transporte urbano passou fazer parte integralmente da alçada do Estado quando a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) passou para a nova empresa a responsabilidade do transporte metroviário de Fortaleza.
Construção