D. João de Meneses (c. 1460 - Azamor 15 de maio de 1514) foi um militar português, 1.º capitão de Azamor e capitão de Arzila.

D. João de Meneses, filho de D. João de Menezes, 4º senhor de Cantanhede e de Leonor da Silva, chegou a levar os seguintes títulos : Alcaide-mor do Cartaxo, Comendador de Mogadouro (Ordem de Cristo) & Comendador de Aljezur, Camareiro-mor do príncipe D. João , Governador da Casa do príncipe D. João , Guarda-mor de D. Afonso.

Aio de D. Afonso Nos Anais de Arzila, Bernardo Rodrigues conta-nos a fatalidade da morte de D. Afonso, filho do rei D. João II, em terça-feira 13 de Julho de 1491 e como esse dia ficou maldito para D. João de Meneses:

"À terça feira Dom João de Meneses não avia de cometer cousa alguma polo que lhe aconteceo na morte do principe Dom Afonso, como é notorio e sabido a todos os deste reino.

"Dizem que estando no Algarve, em um lugar seu que se chama Aljazur, em uma terça feira, lhe dérão cartas d'el-rei Dom João o segundo e do principe Dom Afonso seu filho, que fose à corte, e se fez prestes e partio a outra terça feira, e tardando oito dias no caminho chegou a Santarem, donde el-rei e o principe estavão, outra terça feira, e dahi a oito dias, outra terça feira, correndo a carreira em Alfange, levando o principe pela mão, caio do cavalo, da qual queda logo morreo. Deste tão desestrado caso lhe ficou tão grand odio e agouro que nunca a terça feira cometeo cousa alguma, posto que depois foi capitão d'Arzila e d'Azamor e se lhe oferecêrão casos suficientes ; e dizia Dom João que em tal dia se pudesse escusar abrir as portas o faria.Bernardo Rodrigues : Anais de Arzila, crónica inédita do século XVI, publicada por ordem da academia das sciências de Lisboa, e sob a direcção de David Lopes, sócio efectivo da mesma academia. Coimbra — Imprensa da Universidade — 1919. p. 9 - 19</ref>"

Marrocos Capitão de Arzila (1495) Pedro de Mariz, nos seus Diálogos de Vária HistóriaPedro de Mariz : Diálogos de Vária História. Em coimbra, Na Officina de António de Mariz. MDLXXXXVIII (1598) diz dele : "foy hum dos mais estimados fidalgos, que em todos os Reynos de Hespanha houve em muito tempo ; levando muita ventagem em armas, & prudência a muitos, que por estas qualidades, erão excellentes".

Em Dezembro ( ou próximo dele) de 1495 "foy cousa maravilhosa, que no mesmo dia em que [ D. Manuel I ] em a Villa de Montemór o Novo ordenava estas cousas em favor de Affrica [ mandando "prover em muita abundância todos os lugares, que naquella costa possuíamos" ], se alcançou nella huma grande vitória ; sendo Ministro della o capitão-mor, & Governador de Arzilla, Dom João de Menezes, da casa de Cantanhede ".

Estando ausente D. Vasco Coutinho, capitão oficial de Arzila, tinha-lhe substituido nesse cargo, seu sobrinho Dom Rodrigo Coutinho (filho de D. Álvaro Gonçalves Coutinho, 5º marechal de Portugal). Mas logo tinha sido desbaratado pelos "dous famosos Alcaides Barráxa (Mulei Ali ibne Raxide, alcaide de Xexuão) , & Amadarim (Cide Almandri, alcaide de Tetuão), izentos da obediencia delRey de Féz (Maomé Xeique )."

D. João entrou então no Governo de Arzila, em lugar de Dom Rodrigo, e determinou, em primeiro lugar reduzir os rebeldes pela força, à obediença.

Pediu socorro a Lopo Vaz de Azevedo, capitão de Tânger, que lhe enviou o adail Pedro Leitão, com cinquenta cavaleiros escolhidos. D. João tinha ele saído de Arzila com cento e cinquenta cavaleiros. Reuniram-se e marcharam durante a noite para não serem sentidos antes de chegarem à primeira aldeia de rebeldes.

Mas sucedeu que ao mesmo tempo, "Barraxa (Mulei Ali ibne Raxide) Almandarim (Cide Almandri II) com Muça e Acobe, alcaides do rei de FezHistória de Tânger durante la dominacion portuguesa, por D. Fernando de Menezes, conde de la Ericeira, etc. traduccion del R. P. Buanaventura Diaz, O.F.M., Misionero del Vicariato apostólico de Marruecos. Lisboa Occidental. Imprenta Ferreiriana. 1732. (aqui de novo traduzido em português)", que "andavão muy alterados por a vitoria, (...) e andavão hora Senhores do campo, & vinhão [ também ] sobre as Aldeas nossas tributarias com duas mil lanças, e oitocentos homens de pé. "

Dom João não podia voltar, compreendendo que perseguido, se perderia sem remédio, com sua reputação. Resolveu envesti-los por surpresa.

Dividiu a armada em três exércitos. O primeiro confiado a Pedro Leitão, com os cavaleiros de Tânger, querendo lhes fazer honra como a hóspedes, com o maior perigo ; o segundo confiou-o a D. João de Meneses , (também chamado D. João da Cunha) de alcunha o ladrão, seu sobrinho, filho do conde Dom Pedro de Meneses, com trinta cavalos ; e o resto reservou-o para ele mesmo. Animou os soldados com palavras de fé, e avançaram.

Os mouros, ao vê-los tão poucos, confiados no seu número, não se organisaram e atacaram. Os de Tânger receberam-nos, com muito ânimo, durante um bom tempo, antes de se retirarem pouco a pouco. Chegaram então os cavaleiros de D. João ladrão, que atacandos os mouros por outro lado, deram nova confiança aos primeiros, que voltaram a suster o combate.

Pareceu então a D. João de Menezes, tempo oportuno para avançar "com o restante das forças, e o fez com tanto valor e fortuna, que os mouros, depois de de alguma resistencia, começaram a ceder. Apertando-os o capitão (...) poz por fim em fuga, os mouros ", "& lhe foy no alcanse mais de duas léguas, matando quatrocentos, & dezoito de cavallo, & cativando vinte, & oito ; & hum rico despojo em que entravão oitenta, & cinco cavallos de preço, & todas as bandeiras dos alcaides, que mandou a este Reyno. "

Capitão de Arzila (09/01/1502 - 1506) A cadela de Tânger Em 9 de Janeiro de 1502, por ordem de D. Manuel I a capitania de Arzila foi entregue de novo a D. João, em substituição do seu cunhado o conde de Borba D. Vasco Coutinho, que se encontrava em Portugal. Esta substituição ficou a dever-se ao aumento da conflitualidade com os mouros, e o filho de D. Vasco, D. João Coutinho sendo aínda muito novo.

Sabendo D. João de Meneses que o rei de Fez, Maomé Xeique, " & seu irmão, andavão em campanha, com doze mil homens de cavallo, & muita pionagem ; & que muy furioso hia sobre Tânger : de que Dom Rodrigo [ de Castro, capitão de Tânger ] , não podia ser avisado senão por mar, & a pressa não dava lugar a dilaçoens, mandou atar huma carta em que lhe dava esta conta, metida em cera, ao pescosso de huma cadella de Tanger, que a caso estava àquella hora em Arzilla ; & à boca da noite a mandou pór fora, primeiro muy bem assoutada : & ella se deu também com o negocio, que chegou a tempo, que Dom Rodrigo foy avisado, & se aparelhou de maneira, que quando elRey chegou á Cidade, & a cometeo com tamanho exercito, sahio a elles Dom Rodrigo, & animosamente os cometeu". Mas os mouros muito numerosos, não só resistiram mas levaram o melhor e teve D. Rodrigo que se recolher, e " lhe matarão hum filho & oito cavalleiros, & a elle derão húa lançada, que lhe pregarão o rosto com o pescoço (...), & ainda com tudo isto não poderão fechar a porta, nem correr a tranca mais, que té o meyo, que fez Ruy Martinz o derradeiro, que entrou ".

"Partido de Tanger elRey de Féz, Maomé Xeique, foy com a mesma gente sobre Arzilla, onde Dom João de Menezes acudio logo, & sahio ao campo, com quinze de cavallo, a ver o que passava nelle, deixando os outros em a villa velha. E achando os corredores d'elRey de Féz, se começou a retirar às lançadas, com as quaes apertarão tanto com elle os Mouros, que lhe foy forçado voltar a elles ; mas nesta volta não se achando mais, que com quatro, com elles somente fez tanto em armas, que os Mouros se espantavão, & não podião crer, o que seus olhos vião, & suas carnes sentião : até que acudindo cincoenta dos que ficarão atrás, derão com tanto esforço nos Mouros, que os levarão de vencida hum grande espasso, matando, & ferindo nelles.(...) Começou a passar avante pelo meyo de todo o exercito dos inimigos. Mas lá vendose sem os seus, fez volta pera se recolher, & nella lhe matarão alguns cavalleiros de nome, & lhe ferirão quasi todos, & a elle cõ huma lança de arremesso, lhe passárão as armas: cõ tudo isto chegou aos que estavam na villa, com os quaes fez huma cõprida volta aos Mouros, & os lançou fóra, da tranqueira cõ morte de muitos, e grande numero de cativos: e entre elles morreu hum famoso Alcaide (...). E entre estes trabalhos hum mouro de cavallo deu muito que rir a muitos, que lamentar a si só: porque deixando elle hum tão grande exercito jà entrado nas tranqueiras de Arzilla, & Dom João Capitão della com tão poucos, metido no meyo de tantos, que todos lhe procurávão a morte : se apartou (...) & não vendo no campo mais, que sinaes de morte, deu o negocio por concluido, & se meteo pelas portas da villa muito cõfiado: onde logo foy desenganado, com a hõra que se costuma aos cativos. "

isto se passou segundo Pedro de Mariz em 1501 ; a 6 de Março segundo o Gabinete Historico,Gabinete Historico que a sua magestade fidelissima, o senhor rei D. João VI. Em o dia de seus felicissimos annos, 13 de Maio de 1818, offeerece Fr. Claudio da Conceição, etc. tomo II. Lisboa. Anno 1818 não se sabendo de que ano, e segundo Rodrigues de Matos Os portuguezes em Tanger, in A mulher. Os Portuguezes em Tanger. Por J. J. Rodrigues de Mattos. Coimbra. Imprensa Literaria 1860 terá ocurido em 6 de Março de 1503.

Larache "E porque em o porto da cidade de Larache, cinco léguas de Arzilla, estavão certas galés, & gâleotas de Mouros, que pouco havia tinhão tomado algumas naos nossas, que também tinhão naquelle porto, determinou Dom João de Menezes não sofrer aquella injuria : & pera isto armou três caravellas, & com outras tres, que andavão no estreito, as foy cometer dentro no porto da cidade ; & a força de armas, rendeo huma galé real do Alcaide Almandarim (Cide Almandri), & a queimou (...) & todos os que sahirão à defenção della forão desbaratados de maneira, que pode Dom João trazer cinco galeotas, dous bargantins, & huma das nossas caravellas somente, por não estarem as outras em parte conveniente a mais que a lhe porem o fogo com que arderão. E porque quando a gente da cidade, acabou de se armar pera acudir a isso, já Dom João de Menezes tinha concluido com a empresa, (...) elle se foy recolhendo vitorioso, sem perder mais, que hum homem. Ousadia, que deu muito em que cuidar muitos dias aos Mouros : porque até quelle tempo nunca tal acontecera naquelle porto, nem depois se sabe, que acontecesse. E elRey Dom Emanoel estimou tanto este feito,que falava nelle muitas vezes por maravilha : & acabou de entender, & confessar, que Dom João de Menezes, excedia a todos os que por valerosos na guerra erão estimados no mundo. E isto foy a 24. de Julho, de 1504. "

Capitão de uma armada a Azamor em 1508 Sucede-lhe em Arzila D. Vasco Coutinho de volta da sua ida a Portugal, provavelmente "no fim de 1505, ou princípios de 1506David Lopes : História de Arzila. Coimbra, imprensa da universidade, 1924-1925. P.112-113".

Em 1507 vai "com três caravelas sondar as barras dos rios de Azamor, da Mámora, de Salé e Larache, acompanhado do Duarte de Armaz «grande pintor que traçou e debuxou as entradas dêstes rios e a situação da terra» (Góis, Crónica de D. Manuel, P.II, cap.27).

Em 1508 é capitão de uma armada a Azamor :