António Maria Pereira Carrilho (Lisboa, 10 de Setembro de 1835 - Paris, 16 de Novembro de 1903) foi um empresário, jornalista, deputado e funcionário público português.
Biografia Nasceu na cidade de Lisboa, em 10 de Setembro de 1835, filho do militar Luiz Pereira Carrilho.
Como este não tinha possibilidades financeiras para garantir uma boa educação ao seu filho, integrou-o na carreira comercial, tendo começado a trabalhar como um caixeiro despachante na Alfândega de Lisboa. Ganhou em 1860 o concurso para o posto de amanuense de segunda classe no Ministério da Fazenda, tendo gradualmente ascendido dentro da organização do governo até atingir o posto de director-geral da Contabilidade Pública, em 1884. Naquele posto foi responsável por valorosos serviços ao país, tendo sido um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento das finanças públicas. Teve um papel destacado durante o processo do convénio, em 1902, durante o qual percorreu várias capitais da Europa em negociações com os credores estrangeiros, tendo conseguido obter um resultado favorável para a economia nacional. Devido ao seu importante contributo durante o convénio, foi convidado a assumir a pasta do Ministério da Fazenda, que no entanto recusou. Foi secretário-Geral do Ministério da Fazenda, e fez parte da comissão executiva e do conselho de administração da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses. tendo presidido a esta última. Foi o responsável pela reconstituição financeira da empresa em 1894, quando esta se encontrava no ponto mais acentuado da sua crise económica, tendo conseguido chegar a acordo com os credores, situação que posteriormente voltou a enfrentar aquando do processo do convénio.
Pertenceu ao conselho do Rei de Portugal, e foi nomeado como par do reino após a sua conduta durante o convénio. Foi deputado às cortes em várias legislativas, pelo Partido Regenerador, no qual exerceu como secretário da comissão da Fazenda, e o relator para o orçamento de estado. Segundo a revista Brasil–Portugal, «em conjuncturas difficeis e melindrosas ora para a situação financeira do Thesouro, ora para as negociações com os credores externos, ora para os interesses da Companhia Real, tem o Sr. Carrilho desempenhado nas grandes capitais europeias a missão de representar ora a Companhia ora o Governo; e a fórma porque d'esse alto cargo se desempenha sempre é tão correcta e tão util que n'outra conjunctura a seguir a seguir é elle de novo o escolhido para identica missão».
Teve também uma carreira destacada na imprensa portuguesa, tendo estado integrado na redacção de diversos periódicos, nomeadamente os Progressista, Opinião e Gazeta do Povo, para os quais escreveu vários artigos sobre temas financeiros. Em 1861 começou igualmente a colaborar no jornal portuense Diário Mercantil, onde fazia a correspondência diária e publicou artigos sobre política. Foi igualmente um dos fundadores da Gazeta do Povo, e em 1888 criou o jornal O Economista. Excerceu igualmente como escritor e tradutor, tendo publicado em Portugal os livros Histoire du chevalier des Grieux et de Manon Lescaut, de Antoine François Prévost, A Vida aos Vinte anos e Diana de Lys, de Alexandre Dumas (filho), e Memorias de Garibaldi, de Camillo de Leydanier. Escreveu igualmente a obra Indice alphabetico e extracto de todos os documentos officiaes de execução permanente, estatisticos, commerciaes e industriaes, publicados no Diario de Lisboa no ano de 1866, e em Janeiro de 1873 publicou o estudo Portugal em 1872: vida constitucional de um povo de raça latina, no Mémorial Diplomathique, de Paris. Editou igualmente vários relatórios sobre o Ministério da Fazenda, os orçamentos de estado, e a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses. Segundo o Diário Ilustrado, Pereira Carrilho era um «conhecedor da nossa intricada legislação sobre contabilidade», cuja «informação era valiosa para tudo quanto dependesse do seu grande cabedal contabilistico.»
Foi condecorado com a grã-cruz da Ordem de Cristo quando as obrigações da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses começaram a ser cotadas nos mercados estrangeiros, e devido à sua participação no convénio o governo francês concedeu-lhe o oficialato da Legião de Honra.
Faleceu em 16 de Novembro de 1903, na cidade de Paris, onde tinha sido submetido a um tumor na língua, no dia anterior. As exéquias foram realizadas na Igreja de Saint Lambert, em Vaugirard, com a presença de representantes dos ministérios franceses da Fazenda e dos Estrangeiros. O corpo foi depois transportado de comboio desde a gare ferroviária de Austerlitz até Lisboa, onde chegou no dia 28 de Novembro. As cerimónias fúnebres tiveram lugar na Igreja de São Domingos, com a presença de vários representantes da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses e do Ministério da Fazenda, e o corpo foi sepultado no Cemitério do Alto de São João. Aquando da sua morte, foi considerado pelo jornal Ocidente como «um dos homens mais em evidencia entre nós», tendo realçado a sua carreira ao serviço do governo português, enquanto que o Diário Ilustrado descreveu-o como um «trabalhador incansavel», que «se elevou devido ao seu zelo inquebrantavel pelo serviço publico». A Gazeta dos Caminhos de Ferro recordou-o como um «homem a quem o paiz e os seus caminhos de ferro tanto devem», realçando o seu contributo para as finanças do país e da Companhia Real.
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