Celso Luiz Nunes Amorim (Santos, 3 de junho de 1942) é um professor, acadêmico e diplomata brasileiro filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT). Foi ministro das Relações Exteriores durante os governos Itamar Franco e Lula, e da Defesa durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff.
Diplomata de carreira do Itamaraty, fez pós-graduação na Academia Diplomática de Viena. Influenciado pelo trabalho de Ulysses Guimarães, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), embora não teve militância partidária. Foi cotado pelo partido para disputar o cargo de Governador do Rio de Janeiro nas eleições de 2018, mas o PT acabou desistindo da candidatura dele. Dirigentes petistas também estudaram lançar Amorim como vice na chapa de Lula.
Em 7 de outubro de 2009, David Rothkopf, um comentarista da revista estadunidense Foreign Policy indicou Amorim como "o melhor chanceler do mundo".
No dia 5 de março de 2015, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual da Paraíba.
Em 12 de Julho de 2019, participou da fundação do Grupo de Puebla, órgão tido como o sucessor do Foro de São Paulo.
No dia 21 de junho de 2024, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual Paulista.
Formação acadêmica Celso Amorim formou-se pelo Instituto Rio Branco em 1965, obtendo título de pós-graduação em relações internacionais pela Academia Diplomática de Viena, na Áustria, em 1967. Como aluno de Ralph Miliband passou três anos na London School of Economics. Em seguida, foi enviado à Organização dos Estados Americanos (OEA), Washington DC, antes da apresentação de sua tese, cuja qualidade seu autor julgara suficiente para um doutorado. Seu tutor, Ralph Miliband, que morreu em uma idade avançada, não teve a oportunidade de ler sua tese de 500 páginas.
Professor universitário Amorim foi professor de Língua Portuguesa do Instituto Rio Branco, professor de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e foi nomeado membro permanente da Área de Assuntos Internacionais do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.
Carreira cinematográfica Antes de entrar na diplomacia, Amorim teve uma breve carreira cinematográfica. Trabalhou com Ruy Guerra, fazendo edição e continuidade do filme Os Cafajestes, e com Leon Hirszman em na edição de "Pedreira de São Diego", um dos episódios de Cinco Vezes Favela.
Em 1979 foi convidado por Eduardo Portela, Ministro da Educação e Cultura, com o apoio da classe cinematográfica para assumir a Embrafilme, por sugestão do colega diplomata, escritor e cineasta Edgard Telles Ribeiro. Ocupou o cargo até 1982, ano em que foi demitido da empresa depois de liberar financiamento para o filme Pra frente, Brasil, de Roberto Farias, que exibe cenas de tortura de presos políticos durante a ditadura militar.
De sua vida política precoce como diretor-geral da Embrafilme, entre 1979 e 1982, e sua carreira ainda mais precoce, como cineasta, deixou para os filhos a carreira que nunca abraçou completamente: com exceção da filha Anita, seus filhos Vicente Amorim, Pedro Amorim e João Amorim estão no cinema.
Cargos governamentais A história de Celso Amorim no serviço público iniciou em 1977, quando foi promovido conselheiro e chefe da Divisão de Difusão Cultural do Itamaraty. Em 1979, foi diretor-geral da Embrafilme, permanecendo no cargo até 1982. Foi então selecionado para o cargo de assessor de Cooperação de Programas Especiais do Ministério da Ciência e Tecnologia, sendo nomeado, dois anos depois secretário especial para Assuntos Internacionais do mesmo, desempenhando tal posição até o ano de 1989.
Assumiu nova posição em 1990, sendo nomeado diretor-geral para Assuntos Econômicos. Em 1991 assumiu pela primeira vez a chefia de uma missão no exterior, ao tornar-se representante do Brasil no Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). Nesse período foi o negociador chefe do Brasil na Rodada Uruguai, que culminou posteriormente no GATT-1994 e na criação da Organização Mundial do Comércio.
Ministro das Relações Exteriores (1993-1995) Em maio de 1993, durante o governo de Itamar Franco, Celso Amorim foi chamado pelo então chanceler José Aparecido, que substituiria Fernando Henrique Cardoso, para ser secretário-geral do Itamaraty. Porém, em decorrência de problemas de saúde, Aparecido não tomou posse, e Amorim assumiu interinamente o ministério até, em agosto daquele mesmo ano, ser efetivado chanceler.
Admitido à Ordem do Mérito Militar em 1991 no grau de Grande-Oficial especial pelo presidente Fernando Collor, Amorim foi promovido em agosto de 1993 por Itamar Franco ao último grau da ordem, a Grã-Cruz. A 7 de dezembro de 1993 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal.
Embaixador brasileiro no exterior (1995-2003) Entre 1995 e 2003 Celso Amorim atuou como representante do Brasil no exterior em diversos países e Organizações Internacionais, em áreas que variavam entre o sistema multilateral de comércio e a cooperação humanitária internacional.
Em 1995 Fernando Henrique Cardoso, eleito presidente da República, indicou Celso Amorim para chefiar a Missão Permanente do Brasil nas Nações Unidas, em Nova Iorque, função que exerceu até 1999, tendo, durante este período, assumido a presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Na Organização das Nações Unidas (ONU), Celso Amorim teve um papel fundamental nas discussões acerca no regime internacional de desarmamento e não-proliferação de armas nucleares. Participou ativamente da Comissão Canberra sobre a Eliminação de Armas Nucleares, uma iniciativa do governo da Austrália que datava de 1995, e que produziu um relatório em 1996 que continha propostas para a adoção de medidas na área do desarmamento e da não-proliferação. Além disso, foi no período em que Celso Amorim era o representante brasileiro perante a ONU que o Brasil declarou sua vontade em aderir ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (1997), algo que foi concretizado em 1998 após a aprovação do tratado no congresso brasileiro. Logo que aderiu ao TNP, o Brasil começou a participar ativamente das discussões do regime internacional nuclear. Em 1998, Celso Amorim foi um dos articuladores da Coalizão da Nova Agenda para o Desarmamento Nuclear (NAC), juntamente com África do Sul, Egito, Irlanda, México, Nova Zelândia, Suécia e Eslovênia. Tal coalizão buscava resgatar o tema do desarmamento nas Conferências de Exame do TNP, algo que ocorreu logo na próxima Conferência de Exame do TNP, em 2000, na qual o Brasil defendeu, em conjunto com a NAC, que o regime nuclear internacional deveria focar-se principalmente no desarmamento nuclear, e não somente na não-proliferação. No ano 2000, o Brasil também presidiu a Conferência de Desarmamento (CD) em Genebra, tendo Celso Amorim como seu representante. Este foi responsável por uma série de propostas à conferência relativas ao desarmamento, na tentativa de solucionar o problema da paralisia que a CD sofria desde 1997, com o congelamento de sua agenda política.
Na área humanitária, representou o Brasil no Comitê das Nações Unidas de Sanções Kosovo-Iugoslávia (SCR), em 1998-1999. Além disso, representou o Brasil na presidência dos painéis do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre desarmamento, auxílio humanitário e prisioneiros de guerra no Iraque, em 1999. Tais painéis tiveram um papel fundamental no restabelecimento das medidas de verificação de obrigações de desarmamento e não-proliferação no Iraque, que haviam sido abolidas após a crise gerada pela expulsão dos inspetores da Comissão Especial das Nações Unidas (UNSCOM).
Em 1999, assumiu pela segunda vez a chefia da missão brasileira em Genebra, Suíça, como representante permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas e demais organismos internacionais, o que incluía a Organização Mundial do Comércio (OMC), cargo que exerceu por um período de dois anos. Nesse período presidiu a Conferência de Desarmamento por uma segunda vez (algo que fizera em 1993) e atuou nas áreas de comércio, trabalho e controle de tabaco.
Em 2001, Amorim foi transferido para Londres, assumindo a embaixada brasileira no Reino Unido. Era a segunda vez que atuava na missão diplomática brasileira de Londres, já havendo tido um posto diplomático na embaixada entre 1968 e 1971, período em que estudou na London School of Economics and Political Science. No final de 2002 foi convidado pelo presidente Lula da Silva para ser seu ministro das relações exteriores. Em entrevista para Folha de S.Paulo, afirmou que o motivo para sua escolha tinha relação com o fato de ter muita caspa: "Ele costumava dizer que eu tinha caspa, então, devia ser um pouco mais popular".
Ministro das Relações Exteriores (2003-2010) esquerda|miniaturadaimagem|Amorim em reunião com o comissário de Comércio da União Europeia, Pascal Lamy, com o presidente Lula, em 31 de janeiro de 2003 De 2003 a 2010 Celso Amorim foi o ministro das Relações Exteriores do governo Lula. Ele, Luiz Dulci e Jorge Armando Felix foram os únicos ministros ou secretários do primeiro gabinete de Lula a permanecer nos cargos para que foram originalmente designados.
Em seu segundo ministério, Amorim tornou-se responsável pelo direcionamento humanista da política externa brasileira atual, que incluiu entre seus objetivos a luta contra a fome, a pobreza e o unilateralismo. Formulou coalizões com países do hemisfério sul, tais como G-20 (luta pela redução das distorções no comércio agrícola, na Organização Mundial de Comércio), o G-4 (luta para tornar o Conselho de Segurança das Nações Unidas menos anacrônico e mais legítimo e representativo), o G-3 (Fórum IBAS – Índia, Brasil e África do Sul – para coordenação de posições no cenário internacional) e participou ativamente na institucionalização do chamado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Entre outras iniciativas concebidas em sua gestão, notabilizou-se pela ASA (Cúpula América do Sul-África) e pela ASPA (Cúpula América do Sul-Países Árabes).
Em 29 de janeiro de 2010, recebeu, em nome de Lula, o prêmio de "Estadista global" no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
Em 29 de outubro de 2010, o Ministro Celso Amorim recebeu, em Miami, o prêmio “Bravo Business” da revista Latin Trade, na categoria “Innovative Leader of the Year”. No mesmo dia, foi o orador principal do painel “Brazil’s Role in the Global Economy”.
Bolívia miniatura|Celso Amorim recebe o vice-presidente boliviano Álvaro García Linera para discutir o suprimento de gás, agosto de 2006 Após as eleições presidenciais de Evo Morales em 2006, a Bolívia anunciou a nacionalização do gás e do petróleo em seu território, utilizando o exército para a ocupação de empresas estrangeiras, entre elas a estatal brasileira Petrobras. Esta explorava os dois principais campos de gás e representava cerca de 15% do Produto Interno Bruto boliviano. A tomada do controle forçou as companhias estrangeiras a rever seus contratos em um prazo de 180 dias; do contrário, seriam obrigadas a deixar o país. As renegociações aumentaram os impostos cobrados pelo estado boliviano para 82%.
Em 1 de maio do mesmo ano, Celso Amorim afirmou que a nacionalização era um "cenário esperado", mas que a forma como fora feita não estava nas previsões do Brasil, classificando como "desnecessária" a ocupação por tropas militares da Petrobras e explicando que não haveria "reação física".
Em novembro de 2007 Morales garantiu que não modificaria mais as leis de investimentos no setor de petróleo ou gás, e Celso Amorim confirmou que o país voltaria a investir nestas condições. Tanto o Brasil como a Bolívia possuem interesses um com o outro: o primeiro, em 2006, dependia de 50% do gás boliviano exportado; e o segundo não pode ficar sem o investimento e o mercado brasileiro.