thumb|Casa dos Maias, do século XVI. thumb|Igreja da Misericórdia do Porto, cuja construção se iniciou em 1559. thumb|Casa da Companhia, onde funcionou a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, criada pelo marquês de Pombal. A Rua das Flores é um arruamento nas freguesias da Sé e Vitória da cidade do Porto, em Portugal.

Origem do nome O nome da rua provém das viçosas hortas, recheadas de flores, que existiam nos terrenos por onde a rua foi aberta: as hortas do bispo. À época era bispo do Porto D. Pedro Álvares da Costa, cuja tamanha devoção por Santa Catarina do Monte Sinai explica o nome inicial do arruamento: "Rua de Santa Catarina das Flores".

História A rua foi aberta entre 1521-1525, no final do reinado de D. Manuel, em terrenos ocupados pelas hortas do bispo, quando foi denominada "Rua de Santa Catarina das Flores".AFONSO, José Ferrão. A Rua das Flores no século XVI. Elementos para a História Urbana do Porto Quinhentista, FAUP - Publicações, Porto, 2000, p. 19

A abertura da nova rua, ligando o Largo de São Domingos à Porta de Carros (atual Praça de Almeida Garrett), correspondeu às necessidades do crescimento populacional e do desenvolvimento económico. Com a abertura da Rua das Flores, o largo quinhentista de São Domingos conheceu também importantes transformações, albergando a primeira "fonte redonda" do Porto.AFONSO. Op. cit., p. 102

A construção da nova rua coincidiu, por um lado, com o fim do privilégio ancestral de proibição de estadia dos nobres na cidade e, por outro, com a crescente afirmação de uma burguesia mercantil, cultivadora do gosto pelos grandes palácios e por ambientes repletos de luxo. A Rua das Flores será um belíssimo exemplo de concretização destas duas tendências.REAL, Manuel Luís e TAVARES, Rui. "Bases para a compreensão do desenvolvimento urbanístico do Porto". Separata de Povos e Culturas, nº 2. Porto, 1987, p. 399

A construção nas Flores foi feita segundo moldes inéditos pois, pela primeira vez na história urbana da cidade, surgiu uma regulamentação precisa sobre o tipo de habitação a construir, obrigando a uma regularização das duas margens da rua, possibilitando a boa visibilidade das fachadas.

O núcleo mais representativo dos habitantes da rua foi constituído pela designada aristocracia urbana — cidadãos ligados à administração municipal da cidade e da Coroa, mercadores, frequentemente nobilitados, e alguns cristãos-novos —, conotando a rua com um forte caráter elitista, que o espaço edificado procurava confirmar.

No entanto, a zona alta da rua foi habitada por homens ligados, sobretudo, aos ofícios: mecânicos, sapateiros, caldeireiros, serralheiros, pedreiros, ferreiros, etc.AFONSO. Op. cit., p. 134 O extraordinário afluxo destes homens ao Porto está ligado ao fenómeno de "enobrecimento da cidade" e ao facto da rua se encontrar, na época, junto a um dos maiores estaleiros da cidade, o Mosteiro de São Bento de Avé-Maria. Também fixaram residência nesta rua comerciantes e industriais, barbeiros sangradores, cirurgiões, bem como alguns clérigos e juízes-de-fora.

Pontos de interesse Antigo Hospital de D. Lopo. Casa dos Maias (n.º 29), edifício de grande valor histórico cuja construção remonta ao século XVI. Casa da Companhia (n.º 69), onde funcionou a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, criada pelo marquês de Pombal. Casa dos Sousa e Silva (n.º 79-83), cujo brasão ostenta a data de 1703. Casa dos Constantinos (n.º 139), do século XVII. Igreja da Misericórdia do Porto, cuja construção se iniciou em 1559. Museu da Misericórdia do Porto Casa dos Cunhas Pimentéis (na esquina com o Largo de São Domingos), edifício de grande valor histórico cuja construção remonta ao século XVI. Livraria Chaminé da Mota, Alfarrabista no nº-28 casa fundada em 1981, compra e venda de livros e antiguidades. Museu de Marionetas do Porto Os seus establecimentos de Comércio Tradicional onde se destacam ourivesarias centenárias.

Acessos Estação Ferroviária de Porto-São Bento 18px18px Estação São Bento (Metro do Porto) 17px|Metro do Porto17px|Linha D Linhas ZH, 200, 202, 207, 301, 303, 305, 500, 900, 901, 904, 905 e 906 dos STCP.

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