Os monarcas do Brasil foram os soberanos que reinaram sobre o Brasil como monarquia entre sua elevação como Reino unido a Portugal e Algarves em 1815 e a abolição da monarquia em 1889, sob o Império do Brasil, estado soberano independente.Besouchet, 1979.
Histórico O descobrimento do Brasil se deu com a chegada da frota de Pedro Álvares Cabral em 1500 e à subsequente tomada de posse do território pelo Reino de Portugal, evento que marca o início da presença europeia na região que mais tarde daria origem ao Brasil.ABREU, Capistrano de. Capítulos de História Colonial. Belo Horizonte: Itatiaia, 1998. p. 21–25 Assim, o território brasileiro passa a pertencer a coroa portuguesa, que tem como monarca o rei de Portugal.
O predecessor imediato do Império do Brasil foi o Reino do Brasil, nação constituinte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, que existiu de 1815 até 1822.
O Reino foi criado em 1815 e o laço colonial foi formalmente abolido, com o Brasil unido a Portugal como território integral deste país através de uma união política e considerado uma nação constituinte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, no entanto ainda era um território dependente de Portugal e não um estado soberano, com natureza similar ao Reino de Algarves, que apesar do título de "reino" era administrado como uma província portuguesa igual as demais.
A nível internacional apenas o Reino Unido era reconhecido como estado soberano, Portugal, Brasil e Algarves eram subdivisões administrativas daquele país, de maneira similar a atual Inglaterra e Escócia no âmbito do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte. Este reino possuiu dois monarcas durante a época de Reino Unido: Maria I e João VI.
No contexto das Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, tentativas dos deputados brasileiros de estabelecer dois centros de poder, um na América e outro na Europa, cada um com Executivo e Legislativo próprios, se revelaram infrutíferas e prevaleceu a proposta de seus pares portugueses, que centralizaram toda a administração em Lisboa, abolindo órgãos criados por João VI no Brasil, retirando poderes políticos do príncipe real D. Pedro, que de regente fora rebaixado a governador de armas, um comandante do Exército Português sem poderes políticos, e sujeitando todas as províncias brasileiras diretamente ao governo central em Lisboa, sem intermediário como o governo-geral que existia no Estado do Brasil, minando a autonomia que o Brasil tinha alcançado anteriormente sob João VI.
Em 1822, o príncipe real D. Pedro, filho e herdeiro aparente de João VI como rei de Portugal, se uniu a causa independentista brasileira e se rebelou contra Portugal e proclamou a Independência do Brasil em relação ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, instalando o Império do Brasil e sendo aclamado imperador D. Pedro I. Como nação independente, o Império do Brasil teve dois monarcas, Pedro I e Pedro II.
Sob o Tratado do Rio de Janeiro de 1825, pelo qual Portugal reconheceu a independência do Brasil, João VI obteve o título honorífico de Imperador do Brasil, título vitalício, tornando-se extinto após a morte do titular, sendo de cunho puramente honorífico, e D. Pedro I permanecia como o único monarca governante do império. Com a morte do pai se esperava que D. Pedro assumisse o trono de Portugal, mas os dois países haviam se separado politicamente e muitos no Brasil eram contrários a ideia de D. Pedro se tornar monarca de Portugal, este então abdicou desta coroa em favor da filha, Maria da Glória, que se tornaria a rainha D. Maria II.
Em 1889, a monarquia foi abolida por um golpe de Estado militar e a república do Brasil foi proclamada. Para consultar a lista de chefes de Estado do Brasil após a proclamação republicana, ver também Lista de presidentes do Brasil.
Monarcas do Reino do Brasil – (1815 a 1822)
Reino do Brasil parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves
D. Maria I (1815–1816) — Primeira rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.HOLANDA, Sérgio Buarque de (org.). História Geral da Civilização Brasileira, Tomo I. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004. p. 33–47 D. João VI (1816–1822) — Último Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.FAUSTO, Boris. História do Brasil. 14ª ed. São Paulo: Edusp, 2013. p. 96–100
Monarcas do Império do Brasil – (1822 a 1889)
Nº Imperador Retrato Brasão Nascimento Casamento(s)Filhos legítimos Reinado Morte Direito sucessório RefImpério do Brasil (7 de setembro de 1822 a 15 de novembro de 1889 – )1 Pedro I O Libertador 95px 12 de outubro de 1798Palácio Real de Queluz, LisboaFilho de João VI de Portugale Carlota Joaquina da Espanha 1º: Maria Leopoldina da Áustria13 de maio de 18177 filhos2º: Amélia de Leuchtenberg2 de agosto de 18291 filha–7 de Abril de 1831 24 de setembro de 1834Palácio Real de Queluz, Lisboaaos 35 anos Fundador de novo estado soberano e criador do cargo (como Imperador do Brasil)2 Pedro IIO Magnânimo 2 de dezembro de 1825Paço de São Cristóvão, Rio de JaneiroFilho de Pedro I do Brasil e IV de Portugale Maria Leopoldina da Áustria Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias30 de maio de 18434 filhos7 de Abril de 1831–15 de novembro de 1889 5 de dezembro de 1891 Hotel Bedford, Parisaos 66 anos Filho de Pedro Icpdoc.fgv.br - pdf
Titulatura régia miniaturadaimagem|Documento da câmara Municipal do Rio de Janeiro que conferiu o título de Defensor Perpétuo do Brasil a Pedro I, em 13 de maio de 1822. Tiveram os seguintes títulos:
Reino de Portugal, Brasil e Algarves PeríodoTítuloUsado porMotivo Dezembro de 1815 – 14 de novembro de 1825Pela Graça de Deus, Rainha (Rei) do Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor(a) da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.<small>Maria I <small>e João VIO Brasil é elevado a Reino dentro do Império Português (1815).
Império do Brasil PeríodoTítuloUsado porMotivo 12 de outubro de 1822–15 de novembro de 1889Por Graça de Deus e Unânime Aclamação dos Povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil<small>Pedro I, Pedro II<small>O Reino do Brasil se declara independente de Portugal. –10 de março de 1826Pela Graça de Deus, Imperador do Brasil, e Rei do Reino Unido de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.<small>João VI<small>Ao reconhecer a independência do Império do Brasil pelo Tratado do Rio de Janeiro, João VI passa a usar por carta de lei de 15 de novembro de 1825, o título de imperador do Brasil, que lhe fora deferido por seu filho Pedro I. 10 de março de 1826–2 de maio de 1826Por Graça de Deus e Unânime Aclamação dos Povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.<small>Pedro I do Brasil e IV de Portugal<small>Durante o seu breve reinado de oito dias, embora mantendo a destrinça entre os dois Estados, o título refletiu a união das duas coroas sobre a cabeça do mesmo dinasta.
Ver também Lista de chefes de Estado do Brasil Lista de governadores-gerais do Brasil Lista de presidentes do Brasil Lista de imperatrizes do Brasil Lista de monarcas de Portugal Período regencial (Brasil) Império do Brasil História do Brasil História de Portugal
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