thumb|direita|Exemplos de fanzines

Um fanzine (aglutinação de fã e magazine) é uma publicação não profissional e não oficial, produzido por entusiastas de uma cultura particular, para o prazer de outros que compartilham o mesmo interesse. Podendo ser dedicado a uma determinada franquia, trazendo informações ou fanfics.

O termo "fanzine" surgiu na década de 1930, no ambiente do fandom de ficção científica. Foi cunhado em outubro de 1940 por Russ Chauvenet, em um fanzine do gênero, e rapidamente ganhou popularidade entre os fãs de ficção científica. Dali, a expressão se espalhou para outras comunidades, sendo adotada em diferentes contextos culturais.

Normalmente, editores, escritores e outros contribuidores de artigos ou ilustrações para fanzines não são pagos. Fanzines são tradicionalmente divulgados gratuitamente ou por um pequeno valor para custear as despesas postais ou de produção. As cópias muitas vezes são oferecidas em troca de publicações similares, ou por contribuições de arte, artigos ou cartas, que são então publicadas.

Alguns fanzines são digitados e fotocopiados por amadores que utilizam equipamentos caseiros. Alguns fanzines têm se desenvolvido em publicações profissionais (às vezes, conhecidas como prozines), e muitos escritores profissionais foram publicados pela primeira vez em fanzines; alguns continuam a contribuir para eles depois de estabelecer uma reputação profissional. Se há uma equipe por trás de sua publicação profissionalizada e ela consegue obter benefícios, já estamos falando de uma revista como tal, embora nela não haja um grupo editorial, uma distribuição nacional ou internacional ou uma gestão correta para estabelecer seu ISSN. O termo "fanzine", por vezes, é confundido com a expressão "revista de fãs" (fan magazine),Slide, Anthony. Inside the Hollywood fan magazine: a history of star makers, fabricators, and gossip mongers University Press of Mississippi, 2010; p. 11 mas a última expressão, na maioria das vezes, refere-se a publicações comercialmente produzidos para (em vez de por) fãs.

O termo fanzine deu origem a outros neologismos: zine, corruptela difundida pelo movimento punk, semiprozine, fanzine de qualidade profissional, adzine, criado com a junção das palavras advertising (publicidade) e zine, um fanzine criado para anunciar outros fanzines,Ron Frantz. Fandom: Confidential . Mena, Arkansas: Midguard Publishing, 2000, p.53splitzine, um fanzine dividido em dois, slimzine, um fanzine pequeno, graphzine, um fanzine com dedicado a artes gráficas e ilustrações, fanálbum, um álbum de quadrinhos independente, sendo álbum, um termo para histórias em quadrinhos publicado no formato de livro, podendo ser uma edição encadernada ou um romance gráfico. Uma biblioteca de fanzines é chamada de fanzinoteca ou fanzineteca. Um editor de fanzines pode ser chamado de fanzinester,Los Fanzines como un recurso bibliográfico fanzineiro ou faneditor. Hoje, graças ao advento da editoração eletrônica e da autopublicação, muitas vezes há poucas diferenças entre a aparência de um fanzine e uma revista profissional. Características Fanzines são publicações não-profissionais produzidas por seguidores de um fenômeno cultural específico (como um gênero literário, musical ou histórias quadrinhos) para outros que tenham os mesmos interesses. O termo é uma aglutinação das palavras "fan" (fã) e "magazine" (revista), cunhado em outubro de 1940 por Russ Chauvenet, popularizado dentre fãs de ficção científica, posteriormente adotado por outras comunidades. Os "fanzines" se distinguiam dos "prozines" (um termo também inventado por Chauvenet), ou seja, todas as revistas profissionais. Antes disso, as publicações de fãs eram conhecidas como "fanmags".

Sua vantagem indiscutível é ter especialistas em um determinado assunto, publicando de forma livre e direta, sem vínculos ou interesses com terceiros. A esta "ausência de restrições editoriais" (o editor normalmente dá liberdade de expressão), devemos acrescentar outra vantagem para um autor de fanzines: "A possibilidade de se ser conhecido por um grupo de aficionados mais ou menos amplo e ser descoberto por um editor profissional que a qualquer momento possa dar-lhe a tão esperada oportunidade profissional". Com isso, o fanzine é" ao mesmo tempo um bom campo de tiro e uma plataforma de lançamento imbatível para o campo profissional". Com isso, o fanzine é "ao mesmo tempo um bom terreno e uma imbatível plataforma de lançamento para o campo profissional".Negrete, Rafa em entrevista realizada por Paco Nájera para a Barzelona comic nº7, 1995, p. 30 a 35. Na opinião do teórico Antonio Lara, os fanzines desempenharam "um papel fundamental na evolução geral da mídia e, mais especificamente, de formas culturais marginalizadas pelas instituições oficiais", como "quadrinhos, cartazes, cromos, animação, literatura popular, filmes para televisão e outros".

Fanzines nunca foram empreendimentos comerciais com o objetivo de lucro, a maioria dos fanzines de ficção científica estava (e muitos ainda estão) disponível para o público em geral, com o envio de uma edição de amostra mediante solicitação. Para receber edições subsequentes, o leitor enviava uma "carta de comentário" (CC) sobre o fanzine ao editor.  A carta de comentário poderia ser publicada na próxima edição; alguns fanzines consistiam quase exclusivamente em colunas de cartas, onde as discussões eram conduzidas de maneira muito semelhante à atual em grupos de notícias e listas de discussão da internet , embora em um ritmo relativamente lento. Frequentemente, os editores de fanzines ("faneds") simplesmente trocavam edições entre si, sem se preocuparem muito em combinar trocas, algo semelhante a estar na lista de amigos uns dos outros . Sem estarem intimamente ligados ao restante do fandom, um faned iniciante podia ler resenhas de fanzines em publicações profissionais, e os fanzines resenhavam outros fanzines. As tecnologias recentes mudaram a velocidade da comunicação entre os fãs e a tecnologia disponível, mas os conceitos básicos desenvolvidos pelos fanzines de ficção científica na década de 1930 podem ser encontrados online hoje. Os blogs — com seus comentários encadeados, ilustrações personalizadas, piadas internas abreviadas, grande variedade de qualidade e ainda maior variedade de conteúdo — seguem a estrutura desenvolvida nos fanzines de ficção científica, sem (geralmente) perceber o antecedente.

Entre os principais eventos na história dos fanzines e seu espírito, destacam-se a geração de autores de quadrinhos underground americanos das décadas de 1960 e 1970, o movimento punk e a disponibilidade de textos online em formato copyleft. Sem o conceito de fanzine, essas revoluções culturais não teriam sido possíveis.

Os problemas endêmicos dos fanzines são a sua dependência de colaboradores altruístas em trabalho não remunerado a ser obtido tempo livre e alcançar o público alvo. Ao contar com o tempo e os esforços abnegados de seus criadores eles não costumam durar muito tempo, porque esses não recebem qualquer compensação monetária. É possível que, se o trabalho realizado for sobre um campo muito específico, no qual não há publicações comerciais, ele possa continuar cobrindo uma lacuna e até se tornar profissional.

História

1775-1945: Ficção científica miniaturadaimagem|Capa da primeira edição de The Comet, 1930 thumb|Página do fanzine "Science Fiction: The Advance Guard of Future Civilization" #3 de Jerry Siegel e Joe Shuster, 1933 Muitos traçam a linhagem dos zines desde o excepcionalmente popular panfleto Common Sense de Thomas Paine (1775), a revista literária de Benjamin Franklin para pacientes psiquiátricos em um hospital da Pensilvânia e The Dial (1840-1844) de Margaret Fuller e Ralph Waldo Emerson.Piepmeier, Alison (2009). Girl Zines: Making Media, Doing Feminism. NYU Press. p. 215Triggs, Teal (2010). Fanzines The DIY Revolution. San Francisco, CA: Chronicle Books. ISBN 978-0-8118-7692-6. Uma outra origem remontam aos grupos literários do século XIX nos Estados Unidos que formaram Amateur Press Associations (APA)The First 100 Years: In the Beginning... para publicar coleções de histórias, poesia e comentários amadores, como a United Amateur, que teve o escritor H.P. Lovecraft como membro. esquerda|miniaturadaimagem|Ilustração da seção de cartas da revista pulp Strange Tales of Mystery and Terror Quando Hugo Gernsback publicou a primeira revista de ficção científica, Amazing Stories, em 1926, permitiu que a seção de cartas, lançada no ano seguinte, criasse uma interação entre os leitores, que passaram a trocar correspondências. O nome pulp veio do material usado nessas revistas, a polpa de celulose, um material barato assim como o papel jornal.

Em 1929, aos 14 anos, Jerry Siegel teria criado um dos candidatos a primeiro fanzine de ficção científica dos Estados Unidos, Cosmic Stories, um publicação produzida de forma amadora pelo próprio Siegel usando uma máquina de escrever e um hectógrafo, contudo, não há registros se a revista chegou a ser comercializada. Já na década de 1930, a Science Correspondence Club produziria The Comet em Chicago. O fanzine era editado por Raymond A. Palmer e Walter Dennis. Não havia muita profissionalização ou estudo do que estava acontecendo à época. O termo fanzine, cunhado para designar essas publicações amadoras, só surgiria em outubro de 1940, assim denominado por Russ Chauvene.thumb|Capa do fanzine Futuria Fantasia de Ray Bradbury, 1939 As histórias em quadrinhos eram citadas e discutidas já no final dos anos 1930 nos fanzines de ficção científica. A primeira versão do Superman (um vilão careca) apareceu em 1933 na terceira edição do fanzine Science Fiction: The Advance Guard of Future Civilization, de Jerry Siegel e Joe Shuster, num conto ilustrado chamado The Reign of the Superman. Mais tarde, o personagem seria reformulado como um herói para o formato de histórias em quadrinhos. O repórter Forrest Ackerman foi uma homenagem a um colaborador de mesmo nome, que mais tarde ser tornaria um editor de quadrinhos e ficção científica. As revistas eram distribuída através dos correios para outros fãs de ficção científica, numa época em que essas histórias ainda eram considerados um gênero inferior e marginalizado da literatura. Em 1936, surge aquele que é visto como o primeiro fanzine de histórias em quadrinhos, The Fantasy World, editado por David Kyle, que continha histórias em quadrinhos produzidas pelo próprio Kyle.Phamous Phantasy Phan

Em 1937, surge a Fantasy Amateur Press Association (Associação de Impressa Amadora de Fantasia), criada por Donald A. Wollheim. Uma Amateur Press Association (APA) é conhecida por produzir apazines, fanzines apenas para um pequeno grupo membros, um contraponto aos genzines, fanzines para o público em geral. Em um apazine, os membros são obrigados a enviar uma quantidade de material para continuar recebendo a publicação.

1945: Histórias em quadrinhos