thumb|253px|Caesalpinia pulcherrima. thumb|253px|Delonix regia (ponciana-real).
Caesalpinioideae é uma subfamília de plantas com flor pertencente à família Fabaceae (leguminosas) que, na sua presente circunscrição taxonómica, integra 152 géneros e aproximadamente 2 700 espécies com distribuição natural pelas regiões tropicais e subtropicais de todos os continentes. O grupo inclui diversas espécies com interesse económico, entre as quais Ceratonia siliqua (alfarroba), o pau-brasil e várias espécies de grandes dimensões produtoras de madeira.Burkart, A. Leguminosas. in: Dimitri, M. 1987. Enciclopedia Argentina de Agricultura y Jardinería. Tomo I. Descripción de plantas cultivadas. Editorial ACME S.A.C.I., Buenos Aires. pag.: 467-538. Descrição O nome da subfamília Caesalpinioideae deriva do nome genérico do seu género tipo, Caesalpinia, um género de plantas lenhosas nativas das zonas tropicais e subtropicais. Os membros da subfamília Caesalpinioideae são maioritariamente espécies arbóreas (mesofanerófitos e megafanerófitos) das regiões húmidas dos trópicos, mas o grupo inclui espécies das regiões temperadas, como a alfarrobeira, a Gleditsia triacanthos e a Gymnocladus dioicus.
Várias espécies de cesalpinoideas são cultivadas com fins decorativos, florestais, industriais ou medicinais. Integram esta subfamília plantas conhecidas pela beleza das suas flores, e por isso amplamente utilizadas como ornamentais, como as cássias (Cassia spp.), a Parkinsonia aculeata, a Bauhinia forficata, as Gleditsia spp., a Caesalpinia paraguariensis e a Delonix regia.
São plantas lenhosas, em geral arbustivas e arbóreas, raramente plantas herbáceas ou trepadeiras. Entre as espécies de hábito arbóreo incluem-se árvores de grande porte e com troncos de grandes dimensões, produtoras de madeiras amplamente comerciadas.
Nalgumas espécies estão presentes nódulos radiculares de Rhizobium, fixadores de azoto, embora sejam raros e com estrutura muito simples.
A maioria das espécies apresenta folhas com filotaxia alternada, compostas, podendo ser pinadas ou, mais frequentemente, bipinadas. Em alguns casos, como por exemplo, em Gleditsia, ambos os tipos foliares existem na mesma planta. Algumas espécies são áfilas. Há em geral presença de estípulas que podem ser de tamanho variado, muitas vezes transformadas em espinhos. Na base da folha e dos folíolos existem articulações designadas, respectivamente, por pulvinos e pulvínulos. Muitas espécies deste grupo taxonómico apresentam nectários extraflorais especializados, geralmente localizados no pecíolo ou nas ráquis primárias e secundárias das folhas, frequentemente entre pares de pinas ou folíolos.
A estrutura floral é muito mais variada que na subfamília das Mimosoideae. As flores são zigormorfas, raras vezes actinomorfas, diclamídeas, hermafroditas (são raros os casos de flores unissexuais). A corola é carenal, variada, maioritariamente grande, embora em alguns géneros seja mediana a pequena. As flores são pentâmeras, com as pétalas livres pelo menos na base (corola dialipétala) e o cálice também dialissépalo. As pétalas são frequentemente unguiculadas. O androceu é em geral formado por 10 estames, livres ou soldados em grupos, igualando a altura das pétalas ou, mais frequentemente recobertos por elas. As anteras muitas vezes apresentam uma glândula apical estipada ou séssil. O pólen é livre, geralmente em tétradas, bi-tétradas ou políadas. O tegumento seminal não presenta "linha fissural". O óvulo é anátropo.
A prefloração é imbricada ascendente (com o estandarte interno, coberto nos bordos pelas pétalas vizinhas), raras vezes valvar. As flores agrupam-se em inflorescências globosas a espiciformes geralmente racimos, em geral medianas a grandes, raras vez pequenas e em espiga densa.
O fruto é do tipo vagem, morfologicamente muito variável, monocarpelar, seco e geralmente deiscente (nalgumas poucas espécies é indeiscente). As sementes, normalmente com um pleurograma aberto ou fechado em ambas as faces, apresentam embrião recto, com hilo apical ou subapical, pequeno. A estivação é valvar.
Taxonomia e filogenia Em alguns sistemas de classificação clássicos de base morfológica, como por exemplo no Sistema de Cronquist, o agrupamento taxonómico Caesalpinioideae era reconhecido ao nível taxonómico de família, então designada por Caesalpiniaceae. Contudo, o carácter pantropical do grupo e a grande variabilidade morfológica dos seus membros cedo levantaram a suspeita de parafilia.
Em consequência, pese embora o grupo apresente características diferenciadoras significativas, a posição taxonómica do grupo esteve sujeita a debate durante muitos anos. Ao longos desse período a opinião dominante variou entre considerar o agrupamento no nível taxonómico de família (Caesalpiniaceae), com divisão em várias subfamílias, ou considerar o grupo como uma subfamília de Fabaceae. Não obstante persistirem algumas dissensões, a maioria dos taxonomistas presentemente considera o grupo ao nível de subfamília, em conjunto com Mimosoideae e Faboideae, com integração em Fabaceae.
Também a circunscrição taxonómica do grupo esteve, e nalguns casos está, longe de ser consensual. Na realidade, vários estudos de filogenia molecular realizados após o ano 2000 demonstraram que o grupo, como era tradicionalmente circunscrito, era parafilético, pois as duas outras subfamílias de Fabaceae (Faboideae e Mimosoideae) estavam ambas anichadas no âmbito da subfamília Caesalpinioideae. Em consequência, as subfamílias de Fabaceae foram reorganizadas, com segregação e troca de vários géneros, para as fazer monofiléticas.
Em consequência dessa reorganização, a subfamília Caesalpinioideae passou a ser definida com base nos princípios da cladística como sendo: — «o clado coroa mais inclusivo que contém Arcoa gonavensis Urb. e Mimosa pudica L., mas exclui Bobgunnia fistuloides (Harms) J. H. Kirkbr. & Wiersema, Duparquetia orchidacea Baill. e Poeppigia procera C.Presl»
A posição sistemática do grupo com a presente circunscrição, determinada pelas técnicas da filogenia molecular, sugere a seguinte árvore evolucionária:
Na classificação tradicional das leguminosas, os géneros das Caesalpinioideae eram agrupados em quatro tribos: Caesalpinieae, Cassieae, Cercideae e Detarieae. A necessidade de garantir a monofilia do grupo levou a que a tribo Cercideae tenha estado incluída em algumas classificações na subfamília Papilionoideae. Actualmente, a segregação dessa tribo é consensual, em conjunto com Detarieae, sendo esse agrupamento considerado um grupo externo à subfamília Caesalpinioideae na sua presente circunscrição. Em consequência, o grupo Caesalpinioideae passou a conter os seguintes subclados:
Clado Caesalpinieae
Clado Cassieae Batesia Spruce Cassia L. Chamaecrista Moench Melanoxylum Schott Recordoxylon Ducke Senna Mill. Vouacapoua Aubl. Grupo A Dimorphandra Burkea Benth. Campsiandra Benth. Dimorphandra Schott pro parte Dinizia Ducke Mora Benth. Stachyothyrsus Harms Grupo B Dimorphandra Dimorphandra Schott pro parte Diptychandra Tul. Erythrophleum Afzel. ex R.Br. Moldenhawera Schrad. Pachyelasma Harms Sympetalandra Stapf Clado Mimosoide Clado Peltophorum Bussea Harms Colvillea Bojer ex Hook. Conzattia Rose Delonix Raf. Heteroflorum M. Sousa Lemuropisum H.Perrier Parkinsonia L. Peltophorum (Vogel) Benth. Schizolobium Vogel Clado Tachigali Arapatiella Rizzini & A.Mattos Jacqueshuberia Ducke Sclerolobium Vogel Tachigali Aubl. Clado Umtiza Acrocarpus Wight & Arn.Revista Brasileira de Zoologia, 22 (1): 51–59, março 2005 Arcoa Urb. Ceratonia L. Gleditsia L. Gymnocladus Lam. Tetrapterocarpon Humbert Umtiza Sim Em incertae sedis Pterogyne Tul.
A estrutura taxonómica atrás descrita atrás pode melhor ser representada pelo seguinte cladograma:
Sistemática thumb|250px|Tribo Caesalpinieae: hábito e vagens de Balsamocarpon brevifolium. thumb|250px|Tribo Caesalpinieae: alfarrobeira (Ceratonia siliqua), flores femininas. thumb|250px|Tribo Caesalpinieae: folhagem pinada e inflorescência de Colvillea racemosa. thumb|250px|Tribo Caesalpinieae: árvore-do-fogo (Delonix regia.) thumb|250px|Tribo Caesalpinieae: flores de Hoffmannseggia microphylla. thumb|250px|Tribo Caesalpinieae: ramagem com folhagem e inflorescências de Moullava spicata. thumb|250px|Tribo Caesalpinieae: flores de Parkinsonia florida. thumb|250px|Tribo Caesalpinieae: folhagem e inflorescência de Peltophorum dubium. thumb|250px|Tribo Caesalpinieae: inflorescência de Stahlia monosperma. thumb|250px|Tribo Cassieae, subtribo Cassiinae: hábito e inflorescências da cássia (Cassia fistula). thumb|250px|Tribo Cassieae, subtribo Cassiinae: folhas compostas simples e flores de Senna multiglandulosa. thumb|250px|Tribo Cassieae, subtribo Dialiinae: ramagem com folhagem e inflorescências de Dialium guineense.
A primeira publicação do nome Caesalpinioideae deve-se a Augustin Pyramus de Candolle, na sua obra Prodromus systematis naturalis regni vegetabilis, 2, 1825, p. 473, na qual utiliza a forma «Caesalpineae» e propõe o agrupamento. O nome genérico do género tipo Caesalpinia é uma homenagem ao botânico italiano Andrea Cesalpino, cujo apelido toma por epónimo. São considerados sinónimos taxonómicos para Caesalpinioideae os seguintes grupos: Caesalpiniaceae , Cassiaceae , Ceratoniaceae e Detariaceae .
De acordo com os resultados obtidos com recurso à técnicas da biologia molecular, a subfamília Caesalpinioideae na sua definição tradicional é um táxon parafilético da família monofilética das Fabaceae (Leguminosas). No passado, a tribo Cercideae e o género Duparquetia também estavam incluídos no agrupamento, mas em novas classificações foram excluídos das duas tribos remanescentes, sendo em vez disso reconhecidos como grupo basal da árvore filogenética da família Fabaceae (como as subfamílias Cercidoideae e Duparquetioideae).
Na sua presente circunscrição, a subfamília Caesalpinioideae, com base nos últimos dados filogenéticos conhecidos, foi subdividida em 3 tribos, contendo entre 120 a 170 géneros com de 2 000 a 3 000 espécies: Tribo Caesalpinieae: As flores variam de radialmente simétricas a zigomorfas. As sépalas são geralmente livres. As folhas são na maioria das espécies bipinadas. Contém até 51 géneros: Acrocarpus : Contém apenas uma espécie: Acrocarpus fraxinifolius : nativa da Ásia, cultivada em muitas regiões tropicais e subtropicais. Arapatiella : com apenas 2 espécies, nativas do estado da Bahia. Arcoa : Contém apenas uma espécie: Arcoa gonavensis : endemismo de Hispaniola. Balsamocarpon : Contém apenas uma espécie: Balsamocarpon brevifolium : nativa de das regiões de Atacama e Coquimbo (Chile). Batesia : Contém apenas uma espécie: Batesia floribunda : nativa do estado do Acre e do estado de Amazonas (Brasil), da Guiana Francesa, do sueste da Colômbia e da província peruana de Loreto. Biancaea . Burkea : Contém apenas uma espécie: Burkea africana : com ampla distribuição em África. Bussea : das cerca de 7 espécies, 5 ocorrem na África tropical e 2 em Madagáscar. Caesalpinia (Caesalpinia ): as cerca de 100 espécies têm ampla distribuição nas regiões tropicais e subtropicais, mas muitas delas foram transferidas para outros géneros em 2016. Campsiandra : as cerca de 19 espécies são nativas das regiões tropicais da América do Sul, especialmente da bacia do Amazonas. Cenostigma : as 14 espécies ocorrem no Brasil, América Central e nas Caraíbas. Ceratonia : contém apenas duas espécies: Ceratonia oreothauma : ocorre apenas na Península Arábica e na Somália. Ceratonia siliqua : nativa da Europa, Ásia Menor, das ilhas Canárias e do Norte de África. Chidlowia : Contém apenas uma espécie: Chidlowia sanguinea : nativas das regiões tropicais da África Ocidental. Colvillea : com apenas uma espécie: Colvillea racemosa : nativa de Madagáscar. Conzattia : as 3 espécies ocorrem apenas no México. Cordeauxia (por vezes considerada parte do género Stuhlmannia ): Contém apenas uma espécie: