Bracara Augusta é o nome romano da atual cidade de Braga, no norte de Portugal. A cidade de Bracara Augusta foi fundada pelo imperador Augusto entre os anos 15 a.C. e 13 a.C.. Foi capital conventual, capital da província romana da Galécia e do Reino Suevo.
Toponímia thumb|120px|left|Busto do Imperador Augusto do Museu D. Diogo de Sousa O nome da cidade romana é uma conjunção entre o nome do povo indígena residente, os Bracari, e o nome do imperador Augusto (r. 27 a.C.–14 d.C.) em homenagem à aliança firmada entre os dois.Bracara Augusta-A grande plataforma viária do Noroeste da Hispânia, Francisco de Sande Lemos, 2002
História Fundação (138 a.C. a 14 d.C.) Em antes da fundação thumb|350px|Campanhas militares romanas: thumb|Estátua, encontrada no lado sul da Av. da Imaculada Conceição, dum brácaro sentado num "trono" cujos apoios dianteiros representam cascos de cavalo. Museu D. Diogo de Sousa Embora a primeira expedição militar ao noroeste da Península Ibérica tenha decorrido a seguir à morte de Viriato, nos anos 138 - 136 antes de Cristo, comandada pelo cônsul romano Décimo Júnio Bruto Galaico,Topografia e urbanismo fundacional de Bracara Augusta, Manuela Martins UMinho; UAUM; Lab2PT, Maria do Carmo Ribeiro UMinho; UAUM; Lab2PT, Jorge Ribeiro Bolseiro de pós doc FCT; UMinho; Lab2PT, Ricardo Mar Universidade Rovira i Virgili, Tarragona, editor servizo de Publicacións da Deputación de Lugo que ganha, segundo ele, uma grande batalha contra os Brácaros, é só no tempo de Augusto, com as guerras cantábricas, que a conquista é definitiva e que começa a real romanização do território. Uma das primeiras etapas é a fundação de grandes cidades e a construção de vias entre elas, para a completa integração das populações no mundo romano. É com essa finalidade que, durante a estadia de Augusto em território peninsular, entre os anos 15 e 13 antes de Cristo foi fundada a cidade de Bracara Augusta, para promover e difundir a cultura romana nos numerosos povoados das proximidades. Alguns autores defendem a existência dum castro,SILVA, Armando Coelho F. da (1986) - A Cultura Castreja no Noroeste de Portugal, Câmara Municipal de Paços de Ferreira ou dum ‘’oppidum’’ (lugar fortificado extenso, citado por Plínio, o Velho, como oppidum dos Bracari História Natural (livro IV, XXXIV, 112) "Bracarum oppidum Augusta..."), ainda antes da fundação da cidade de Braga. Na defesa dessa tese, está a descoberta em 2002 dum balneário por baixo da estação do caminho de ferro, datado da idade do ferroArtigo do Diário do Minho (DM) do 7/04/2004. Só que até hoje é a única descoberta dum edifício pré-romano na cidade de Braga. Por isso, se esse "oppidum" existir, ainda não foi descoberto, o que dá asas a outras teorias em que o espaço ocupado pela cidade era antes da fundação, um espaço importante para os indígenas mas não construido, o sítio poderá então ter sido ocupado por: Um acampamento militar romano,SCHULTEN , Adolf (1943) - Los cantabros y astures y su guerra con Roma, (Madrid) como no caso de Astorga e Lugo. Um local de encontro dos diversos castros da região, onde se reuniam os chefes, os anciãos para tomar decisões importantes ou sanar as divergências;TRANOY, Alain (1981 ), tese de doutoramento - La Galice Romaine, Difusion du Bocard, Paris. Um local sagrado (com um eventual templo, árvore, penedo) para prolongar a ideia anterior de local de encontro, mas desta de natureza religiosaRodriguez Colmenero, La "Fonte Do idolo" (Braga), Santuario Rupestre de una Ciudad Romana, 2006 . Sendo os principais argumentos a existência, dum lado da cidade, da Fonte do Ídolo, (lugar erigido por Celicus Franto, um colono “romanizado” de Ascobriga, a deuses pagãos no primeiro século d.C.) mas que já podia ter sido um local sagrado antes, e do outro, do balneário, outro presumível local de culto. Um mercado, local de encontro mas também de troca. Enfim, podia ser isso tudo ao mesmo tempo, ou seja, esse espaço central com muitos castros a volta, podia ser ao mesmo tempo um local de encontro, uma feira, um sítio em parte sagrado e mesmo talvez ocupado com construções precárias. Todavia, é muito provável que o balneário não seja o único monumento pré-romano na zona, e que haja ainda muito por descobrir.Antes de Bracara Augusta, Francisco Sande Lemos, Forum 42-43, Jul 2007/Jan 2008, Pág 203-239
Os primeiros anos A cidade foi construida de forma planeada, conforme um projeto clássico de forma ortogonal (ruas alinhadas, com cruzamentos a ângulo reto) orientada Noroeste/Sudeste. Era dividida por quarteirões quadrados, de área construída de 120 x 120 pés (35,52 m por 35,52 m), ocupando no seu todo, uma área retangular de 29,85 ha. A sua origem era civil e a governação partilhada com as elites dos bracari. As primeiras décadas da cidade foram marcadas por grande crescimento. Foram construídas as primeiras infraestruturas urbanas (saneamento (cloaca)), abriram-se estradasUrbanismo e Arquitectura em Bracara Augusta. Balanço dos contributos da Arqueologia Urbana, Maria Manuela Martins, Simulacra Romae Bracara Augusta, foi capital conventual, talvez desde o tempo de Augusto, ou Tibério, desenvolveram-se atividades económicas (metalurgia, olaria e comércio) e novos bairros. O território rural adjacente à futura cidade também foi dividido em lotes quadrados para serem distribuídos como parcelas agrícolas, segundo o princípio da centuriação, dando condições para que inúmeros indígenas, alguns militares e imigrantes se deslocassem para ali viver. No entanto nos anos 50 d.C. o comércio já desempenhava um papel fulcral na cidade e na região.
A cidade Flávio-Antonina (68 a 192 d.C.) 300px|thumb|Teatro de MéridaCom a publicação do Édito de latinidade promulgado pelo imperador Vespasiano em 74, todos os cidadãos hispânicos livres passaram a ter a condição de cidadãos latinos grau intermédio entre a condição de cidadão romano e de não cidadão ou seja peregrino. Bracara Augusta foi certamente na mesma altura promovida a município. Assim as elites da cidade podiam obter a cidadania romana exercendo cargos nas magistraturas municipais. Os novos cidadãos romanos foram adscritos à tribo Quirina, uma das 35 tribos de Roma. Assim fruto da sua nova condição de município, a cidade prossegue a sua fase de crescimento e embelezamento com várias reestruturações. São reparadas as antigas vias e Bracara beneficia duma nova ligação com Astorga pela Via Nova (Geira). Continuam as construções de edifícios públicos e a “monumentalização” da cidade com teatro, termas, templos, anfiteatro. Aumentam os bairros e assiste-se à instalação de pessoas abastadas na zona oriental da cidade.
Sabemos pela obra de Plínio, o Velho que o convento bracarense é dividido em 24 civitates e tem uma população de 285 000 pessoas livres, sendo o mais povoado do Noroeste peninsularHistória Natural de Plínio, o Velho, livro III, IV, 28. "Simili modo Bracarum XXIIII civitates capitum, ex quibus praeter ipsos Bracaros Bibali, Coelerni, Callaeci, Equasei, Limici, Querquerni citra fastidium nominentur. ". O forte comércio é caracterizado pelas importações de vidro, cerâmica e objetos de adorno, alguns produtos importados eram de grande qualidade e gosto refinado, o que sugere a existência de uma poderosa elite. As exportações eram marcadas pela cerâmica de qualidade e metais. A cidade no Alto Império era já de referência a nível peninsular.
Século III thumb|Muralha romana de Lugo, Galiza A Crise do terceiro século instalada no Império, atinge também Bracara Augusta que conhece pela primeira vez um abrandamento do seu crescimento. Pouco depois do assalto e saque da cidade de Tarragona pelos francos durante o reinado de Galiano"Francorum gentes direpta Gallia Hispaniam possiderent vastato ac paene direpto Tarraconensium oppido ...", "Tendo os francos saqueado a Gália, eles tomaram posse da Espanha, tendo devastado e quase saqueado a cidade de Tarragona..."Sexto Aurélio Vítor, em Liber de Caesaribus, XXXIII, Licinius Gallienus"Germani usque ad Hispanias penetraverunt et civitatem nobilem Tarraconem expugnaverunt ...", "Os germanos penetraram até a Espanha e tomaram a famosa cidade de Tarragona" Eutrópio em Breviário da História Romana, livro IX, 8, no fim do início do IV, uma imponente muralha de 5 a 6 m de largura, com torreões, é construida em volta do centro da cidade de Bracara (mais de 48 hectares), e transforma por completo a sua configuração: algumas casas e monumentos como o teatro e o anfiteatro são em parte destruídos para aproveitar a pedra para a nova construção, muitas ruas transformam-se em beco sem saída, e passam para o domínio privado, a cidade divide-se em cidade de entre-muros e bairros periféricos que mantém todavia as suas atividades. Nem tudo é negativo, porque no tempo do imperador Caracala é criada a nova província de “Hispania Nova Citerior Antonina” (futura Galécia).
Baixo-império (285 a 409 d.C.) thumb||Conventos da Galécia Entre 284 e 289 d.C., por ordem de Diocleciano, Bracara Augusta é promovida a capital da recém-criada província de Galécia que integra os três conventos do Noroeste peninsular (Convento bracarense, Convento lucense e Convento asturicense) e parte do convento de Clunia. Com essa decisão, a cidade conhece uma nova expansão urbana, reestruturam-se e criam-se edifícios públicos, requalificam-se as vias, introduzem-se melhoramentos na cidade. O enriquecimento da população é patente com a inclusão de zona de banhos e pavimento de mosaicos nas vivendas privadas. O comércio intensifica-se fortemente e aparecem as oficinas de cerâmica. A decretal do Papa S. Sirício em 385 ao bispo de Tarragona faz uma referência a uma província eclesiástica da GaléciaNunc fraternitatis tuae animum ad servandos canones et tenenda decretalia constituta magis ac magis incitamus, ut haec quae ad tua rescripsimus consulta, in omnium coepiscoporum nostrorum perferri facias notionem, et non solum eorum qui in tua sunt dioecesi constituti, sed etiam ad universos Carthaginenses ac Baeticos, Lusitanos atque Gallicios, vel eos qui vicinos tibi collimitant hinc inde provinciis, haec quae a Nobis sunt salubri ordinatione disposita, sub litterarum tuarum prosecutione mittantur. Enchiridion Symbolorum editado por Denzinger‐Schonmetzer, 1962, nº. 184. Tradução: "Agora sempre mais estimulamos a disposição de ânimo de Tua Fraternidade a observar os cânones e a manter os decretos estabelecidos, no sentido, de que, quanto temos dado por resposta à tua consulta, tu o faças chegar ao conhecimento de todos os nossos coepíscopos, e não só dos que estão constituídos em tua diocese; mas também a todos os bispos cartagineses e béticos, lusitanos e galícios, ou seja, aos bispos das províncias vizinhas da tua, seja mandado, acompanhando uma carta tua, tudo quanto por Nós em salutar disposição foi estabelecido" em Blog Ofício Católico, sugerindo que Bracara Augusta possuía já um bispado. Facto confirmado, no ano de 400 d.C., pela presença do seu arcebispo, Paternus, no Primeiro Concílio de Toledo. A cidade torna-se capital da província eclesiástica e assume a centralidade do Noroeste peninsular.
Alta Idade Média O reino Suevo
A formação do reino suevo thumb|Repartição da Hispânia em 411