thumb|upright|Urbanização Zizur (anos 1970)

Zizur Mayor (em ) ou Zizur Nagusia (em ) é um município da Espanha na província e Comunidade Foral (autónoma) de Navarra que faz parte da comarca da Cuenca de Pamplona e da área metropolitana de Pamplona.

O município foi criado em 1992, promovendo o até então concelho (concejo) de Cizur Mayor, pertencente à Cendea de Cizur, da qual se separou. É constituído por três bairros: Zizur Mayor (Casco antiguo), Urbanização Zizur Mayor e Urbanização Ardoy, esta última só finalizada em 2011.

Toponímia O nome Cizur ou Zizur é usado para designar uma das cinco cendeas da Cuenca de Pamplona. O significado etimológico de Cizur é geralmente relacionado com a palavra basca zintzur (ou txintxur), que significa garganta ou caminho estreito entre montanhas ou simplesmente passagem estreita. Alguns consideram que pode ser uma referência à localização geográfica entre a Serra del Perdón e o Monte Ezcaba (também chamado de São Cristóvão), embora Cizur só ocupa uma parte dessa área. O etnólogo e historiador Juan Ignacio de Iztueta considerava que zintzur significava também altura pequena.

Além da cendea, duas povoações da mesma têm o mesmo nome (Zizur Mayor e Cizur Menor), pelo que o topónimo pode ter tido origem nessas povoações e ter sido alargado para a cendea. Zizur Mayor era tradicionalmente a principal localidade da cendea, daí o seu nome, sendo Cizur Menor a localidade menor situado ao seu lado.

Há alguma polémica sobre a transcrição do nome. As formas Cizur e Zizur conviveram no passado e o nome oficial da cendea ainda é escrita oficialmente com C. A primeira menção escrita, de 1087" é como "Ciçur". De 1850 a 1920, a denominação oficial foi Zizur, mas a partir daí passou a figurar nos censos como Cizur. Seguindo a ortografia moderna do , surgida na década de 1960, o nome devia ser escrito como Zizur nesse idioma. Quando em 1992 o concejo de Cizur Mayor se separou do resto da cendea, o município então criado adotou oficialmente o nome de Zizur Mayor em castelhano e Zizur Nagusia em basco. Esta adoção deveu-se provavelmente à influência do nome basco e, ainda que fosse contrário ao costume das últimas décadas, não deixava de ser uma denominação histórica e tradicional em castelhano para o novo município. A cendea, pelo contrário, manteve a denominação oficial de Cizur.

Demografia e urbanismo Núcleos populacionais Zizur Mayor é composta de três partes ou bairros:

Zizur Mayor (Casco Antiguo) — É conhecido como a aldeia de Zizur, é a parte antiga da localidade.

Urbanização Zizur (centro) — É onde se encontram os primeiros prédios construídos nos anos 1970, chamados "Las Torres de Santa Cruz". São os edifícios mais altos de Zizur, tendo alguns 12 andares. Atualmente esta urbanização é o centro da localidade e a que tem mais residentes (aproximadamente ).

Urbanização Ardoy — É o bairro mais moderno.

Demografia Com residentes (49,6% do sexo masculino e 50,4% do sexo feminino), Zizur Mayor era o quinto município de Navarra em população em 2010. A densidade populacional era .

Em 2009, a distribuição etária da população era a seguinte: Faixa etária (idades);  Percentagem dapopulação totalMenor de 20 anos28,69%  Entre 20 e 40 anos27,58%  Entre 40 e 60 anos34,35%  Mais de 60 anos9,38%  

Geografia

Zizur Mayor encontra-se a sudoeste da Cuenca (bacia) de Pamplona, a 470 metros de altitude. O município tem uma área de e confina a norte com o de Barañain; a noroeste com a Cendea de Olza (concelho de Arazuri); a nordeste com Pamplona (bairro de Echavacóiz); a sul com a Cendea de Galar (concelho de Galar) e com a Cendea de Cizur (concelho de Cizur Menor); a sudeste com a Cendea de Cizur (concelho de Cizur Menor); e a oeste com a Cendea de Cizur (concelho de Gazólaz).

Relevo e hidrografia O município situa-se sobre um pequeno planalto que se ergue sobre um barranco escarpado, com encostas com inclinação entre 5% e 10%. A nordeste encontra-se a Serra del Perdón. O rio Elorz, percorre o município e desagua no Arga em Arazuri.

Clima thumb|Gráfico de dados climatéricos da estação meteorológica do Aeroporto de Pamplona

O município encontra-se numa zona de transição entre o clima atlântico, caracterizado por ser quente e húmido, e o clima mediterrânico, quente e seco. O clima da zona tem ainda algumas características de continental (temperaturas extremas não suavizadas pelo mar). No seu conjunto pode definir-se como submediterrânico. A temperatura anual média é cerca de 12°C.

Os invernos são bastante frios e os verões são quentes, embora sem que se atinjam temperaturas extremas. A pluviosidade total ao longo do ano ronda os . A época do ano com menores precipitações é o verão. No período 1975-2000 a estação meteorológica de Pamplona-Aeroporto registou médias anuais de 12,5°C para a temperatura e de 721 mm para a pluviosidade. No mesmo período, o número anual de dias sem nuvens foi de 58, o número de dias com geada foi de 42, e o número de horas de sol .

+ Valores extremos de precipitação e temperatura  Estação meteorológica de Pamplona entre 1885 e 1931  Aeroporto de Pamplona a partir da década de 1970Ocorrência Valor Data Valor Data Precipitação máxima num dia180 l/m²8 de setembro de 1928107,4 l/m²9 de outubro de 1979 Temperatura máxima absoluta39°C12 de julho de 193141,2°C8 de julho de 1982 Temperatura mínima absoluta -18°C20 de janeiro de 1885 -16,2°C12 de janeiro de 1985

História Desde que se conhecem registos da localidade, cerca do ano 1807, em que aparece como "Ciçur", até 1992, quando alcança o estatuto de município, Zizur Mayor passou por diversas situações em termos administrativos.

Antiguidade Há dúvidas quanto à existência de um povoado vascão na zona do município antes da chegada dos romanos a Navarra, embora isso seja muito provável tendo em conta as descobertas feitas até à data. Apesar de haver poucos testemunhos da época romana na Cuenca de Pamplona, parece lógico supor que a romanização aí decorreu de forma semelhante ao resto de Navarra. A presença de pequenos núcleos agrícolas em Barañáin, Muru-Astráin e Paternáin, que possivelmente abasteciam o macelo (mercado) da recém fundada Pompaelo (Pamplona), fundada em . Esses núcleos já existiam antes, mas foram ampliados e cresceram demograficamente devido à expansão romana na bacia do Arga e o sul de Navarra.

Idade Média Em 1341, durante o reinado de e Filipe III de Evreux (1328-1343), o lugar-tenente dos reis, possivelmente um francês, que executou o porteiro real Pedro García de Mondragón, concedeu metade da vila de Zizur Mayor e todas as suas propriedades a Juana de Almoravit, a quarta filha de Fortuño de Almoravit. Os Almoravit eram uma das famílias de ricos-homens (alta nobreza) do Reino de Navarra. Com esta concessão, Juana de Almoravit e os descendentes do senhor de Cameros, (Alvar Díaz, Diago Lopiz y Fortuynno e Alfonso Teylliz) converteram-se nos donos de Zizur Mayor.

Durante os séculos XIV e XV a localidade dependeu quase por completo do e de alguns palacianos que tinham adquirido e herdado propriedades procedentes das primeiras famílias que detiveram as primeiras quintas que não pertenciam à Igreja, controladas pelos mosteiros ou pela Ordem de São João de Jerusalém (Hospitalários ou Ordem de Malta).

Idade Moderna A conquista e subsequente incorporação do Reino de Navarra na Coroa de Castela (1515) tiveram como consequência uma perda progressiva de privilégios e a sucessiva adaptação às normas, valores e costumes particulares da nova monarquia.

Entre 1637 e 1640 foi emitida uma ordem requesitando a incorporação de alguns varões na frente, o que motivou que as sete cendeas de Navarra se unissem para apresentar uma queixa formal às Cortes de Navarra, na qual expunham as graves consequências que o serviço militar representava para as suas populações, já que faltava gente para lavrar as terras e outras razões consideráveis.

Zizur Mayor continuou dependente do Mosteiro de La Oliva e no pagava uma taxa anual de 24 "cahíces" de trigo e 6 de cevada, além de comida para o abade e onze acompanhantes nas suas visitas a Pamplona, assim como palha e cevada para as suas montadas.

Idade Contemporânea Guerra da Independência Durante a ocupação francesa, no dia 16 de agosto de 1812, o general francês Abbé saiu de Pamplona acompanhado de tropas de infantes e apoderou-se de Astráin com o objetivo de recolher víveres. No entanto, pouco tempo depois os franceses foram atacados pelos guerrilheiros de Francisco Espoz y Mina, obrigando os franceses a retirar para Zizur Mayor, onde receberam importantes reforços de Pamplona, constituídos por 800 infantes, 100 cavalos e 4 canhões. Os guerrilheiros defenderam-se com bravura, mas exaustos e sem munições, optaram por retirar-se. O general francês decidiu não os perseguir, deixando os víveres obtidos em Astráin nas mãos de Espoz y Mina.

Primeira Guerra Carlista Durante este conflito ocorreu um motim em Pamplona, provocado pelas tropas liberais dos chamados "corpos francos de Navarra", que tinham estado aquartelados em Zizur Mayor, Cizur Menor e Esquíroz.

Essas tropas estavam irritadas porque se encontravam desmobilizadas há vários meses, proibidos de entrar em Pamplona e não recebiam salário há mais de três meses. As tropas aquarteladas em Zizur Mayor decidiram planear uma sublevação quando a 26 de agosto de 1837 receberam ordem de se dirigir para Villava, ordem essa que ignoraram e em vez disso dirigiram-se para Pamplona, onde chegaram pela Cuesta de La Reina e entraram pelo Portal Nuevo, ante a surpresa da guarda que o velava. Depois tomaram de assalto o resto das portas e baluartes e chegaram até à Taconera.

thumb|Sede do Ayuntamiento de Zizur Mayor

Economia Grande parte dos residentes em Zizur Mayor trabalham no setor secundário, mas quase o fazem fora do município, principalmente por causa de não existir qualquer parque industrial no município e por causa da proximidade da capital, na qual existe a maior concentração industrial de Navarra. O setor de serviços tem vindo a crescer em importância, tanto pela variedade de empresas como pela percentagem de empregos que gera.

Segundo estudos do banco La Caixa, em 2006 Zizur Mayor era o município com maior rendimento per capita de toda a Espanha, estando classificado como "município 10" pela sua qualidade de vida, economia e serviços.

Monumentos Igreja de Santo André (San Andrés) — É uma construção gótica do com planta de nave única com quatro tramos e abside românica. O retábulo-mor é uma peça mista de escultura e pintura em estilo plateresco datada de 1538, que é composto por três corpos de cinco painéis rematados em cima por outros três painéis. Os painéis centrais são em talha, com cenas de Santo André, da Virgem e do Calvário. Os restantes 14 painéis estão pintados com cenas da vida de Cristo, de Santo André e da Virgem. Há ainda um 15º painel que está oculto pelo sacrário, datado de 1600. De destacar ainda um crucifixo do .

Igreja paroquail de Santa Maria da Esperança de Doniantzu — Encontra-se na Urbanização Zizur Mayor e foi construída em 1994.

Palácio de Cabo de Armería — É um edifício que se destaca pelo seu robusto torreão quadrado. O escudo heráldico original que possuía está desaparecido.

Túmulo de Julio Paternáin — Encontra-se no cemitério de Zizur Mayor. Julio Paternáin era um residente de Zizur que se alistou no exército e morreu durante a Guerra Civil Espanhola, em 1937, com 26 anos.

Festas populares Fiestas Patronales — Usualmente com a duração de cinco dias, terminando a 14 de setembro, dia da padroeira, Santa Cruz de Ardoi. Atraem gente não só da terra como dos arredores, que acorrem para assistir às atuações noturnas de grupos de música e aos desfiles matinais dos gigantones (comparsa de gigantes). Antigamente as maiores festas realizavam-se no final de novembro em honra de Santo André, também padroeiro da localidade. Nos anos 1960 foram mudadas para o dia da padroeira.