thumb|O sentido de leitura de um manhwa coreano Manhwa (, transl. man-hwa, literalmente "história(s) em quadrinhos") é um termo geral coreano para designar histórias em quadrinhos. Fora da Coreia, o termo se refere especificamente a histórias em quadrinhos da Coreia do Sul. No entanto, esta forma de arte começa a mostrar sinais de crescimento na Coreia do Norte. Ao contrário dos mangás, a leitura dos manhwas é feita da maneira ocidental, da esquerda para direita, devido à forma de escrita do hangul.

Esses quadrinhos se ramificaram para fora da Coreia pelo acesso de webtoons e criaram um impacto que resultou em algumas adaptações para filmes e programas de televisão.

Terminologia Linguisticamente, 漫画 (mangá), 漫画 (manhua) e 만화 (漫 畵 manhwa) significam histórias em quadrinhos em japonês, chinês e coreano, respectivamente. O termo coreano 만화 (漫 畵 manhwa), juntamente com o termo japonês 漫画 (mangá), é um cognato da frase chinesa manhua (literalmente: "esboços improvisados"). O vocábulo tem origem no século XVIII, quando a palavra "manhua" começou a ser usada na pintura chinesa conhecida como sumi-ê.Petersen, Robert S. (2011). Comics, Manga, and Graphic Novels: A History of Graphic Narratives. ABC-CLIO. ISBN 978031336330 Manhwa pode ser escrita, em coreano, das seguintes formas: hangul (만화) e hanja (漫畵).

O uso atual dos termos "manhwa" e "manhua" é amplamente explicado pelo sucesso internacional do mangá japonês. Embora, no sentido tradicional, nessas línguas os termos mangá/manhua/manhwa tenham um significado semelhante de desenho cômico de maneira ampla, em inglês os termos manhwa e manhua geralmente designam as histórias em quadrinhos inspiradas no mangá.

A relativa obscuridade da cultura coreana no mundo ocidental fez com que a palavra "manhwa" permanecesse um tanto desconhecida. Traduções de manhwa alcançaram sucesso após serem comercializadas para o fandom de mangá e anime, na medida em que manhwas são muitas vezes comercializados como "mangás".

O termo manhwa entrou em uso popular na Coreia durante a década de 1920, quando foi aplicado a cartoons. A Coreia estava sob ocupação japonesa de 1910 a 1945 e, durante esse período, elementos da língua e cultura japonesas foram incorporados à sociedade coreana. Em meados da década de 1920, a maioria dos jornais políticos foram fechados e os desenhos políticos e sociais foram abandonados em favor de ilustrações infantis e engraçadas.

Os cartoons políticos ressurgiram lentamente após o estabelecimento da República da Coreia (comumente conhecida como Coreia do Sul) em 1948. Durante os primeiros anos de ocupação japonesa, as tiras de banda desenhada apresentavam muitas críticas sociais. O artista popular Kim Yong-hwan iniciou a primeira revista de quadrinhos da Coreia, Manhwa Haengjin, em 1948, mas foi rapidamente fechada porque as autoridades desaprovavam a capa.

A popularidade dos quadrinhos aumentou nas décadas de 1950 e 1960, e a diversidade de estilos e assuntos levou à criação de novos gêneros, como sunjeong (ou soonjung), histórias românticas voltadas para mulheres jovens (equivalente ao shoujo japonês). Manhwabang, cafés e lojas de quadrinhos que permitiam que os leitores pagassem uma taxa fixa para sentar e ler quadrinhos, também foram apresentados ao público. Em resposta à crescente publicação de quadrinhos e mudanças sociais e políticas na Coreia do Sul, o governo começou a fazer cumprir as leis de censura e, em meados da década de 1960, criou um monopólio de distribuição de quadrinhos que censurava ainda mais o manhwa.

O mangá influenciou o manhwa desde o início da mídia durante a ocupação japonesa na Coreia e continuou a exercer uma poderosa influência, pois a indústria do mangá se tornou uma força importante na cultura japonesa e começou a exportar quadrinhos para o exterior. O autor ou artista de um manhwa é chamado de manhwaga ().

Os manhwagas não eram culturalmente isolados, e o influxo de mangás no mercado coreano de quadrinhos teve um forte efeito sobre a arte e o conteúdo do manhwa de muitos artistas.

Animações baseadas em manhwas ainda são relativamente raras. Entretanto, é bastante comum adaptações para telenovelas e filmes. A versão animadas dos desenhos coreanos é chamada de han-guk manhwa aenimeisyeon () ou simplesmente aenimeisyeon () e as webcomics de webtoons ().

Origens

Assim como mangá japonês e o manhua chinês, os quadrinhos coreanos são fortemente influenciados pela arte clássica da Ásia, especialmente chinesa. As antigas gravuras (xilogravura) do século X eram usadas para divulgar os cânones budistas. Um dos primeiros exemplos de arte sequencial do país é Bomyeongshiudo (), uma fábula budista onde uma vaca explica os fundamentos do budismo.

Durante a Dinastia Joseon, a arte coreana afirmou-se em: Os retratos pintados são pacíficos e não desprovidos humor. Esta tradição pode ser encontrada em ilustrações das capas de romances populares, pôsteres e, mais tarde, nas primeiras histórias em quadrinhos. A literatura floresce. Os poemas narrativos cantados (kasa ), os romances populares (japga ), o pansori (), mas também os espetáculos de palhaços, todos dão um lugar importante para a narração e não hesitam em criticar a sociedade. Essas características (a importância da narração, a crítica da sociedade) são encontradas no manhwa.

O manhwa, portanto, foi desenvolvido sob duas influências: a tradição épica e a arte pictórica oriental.

Ocupação japonesa (1909-1945)

Em 30 de outubro de 1883, o primeiro jornal coreano foi publicado: Hanseongsunbo (hangul:한성순 보/hanja:漢城 旬報). Outros seguem, todos controlados pelo governo. Nestes primeiros jornais, não haviam histórias em quadrinhos, mas muitas ilustrações que ajudam a entender os eventos atuais.

Em 1909, o jornal Daehanminb publica o primeiro manhwa moderno, o satírico Saphwa () de Lee Do-yeong, a publicação é interrompida no ano seguinte, por conta da Ocupação japonesa da Coreia.

A imprensa e o país são controlados com mão de ferro. Mas como resultado da revolta de 1 de março de 1919, o Japão relaxou a imprensa e em 1920 novos títulos foram publicados, incluindo manhwas. As caricaturas são sempre locais favoritos e são muito produtivos graças às tiras de quadrinhos organizadas pelos jornais.

A partir de 1924, com a publicação de Meongteongguri heonmulkyeogi (hangul:멍텅구리/hanja:헛물켜기) de Noh Su-hyeong (),Zoom sur la BD Coréenne publicado no Chosun Ilbo (hangul:조선 일보/hanja:朝鮮 日報) convenções dos quadrinhos ocidentais (quadros e especialmente balões de diálogos). As primeiras compilações e revistas especializadas são publicadas. O manhwa afirma-se como o meio privilegiado para criticar o jugo da opressão japonesa. Ao mesmo tempo, o governo japonês publica muitos mangás de propaganda,Histoire de la BD coréenne para apoiar a produção de arroz, ou incitar jovens a se juntarem ao exército.

Acompanhando momentos difíceis (1945-1980) miniaturadaimagem|Diversas publicações de manhwas Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o país fico sob administração americana e soviética. Os órgãos da imprensa recuperam a liberdade em parte e o manhwa satírico faz um reaparecimento tímido. O primeiro personagem popular, o professor Kojubu de Kim Yong-hwan (, aparece no Seoul Times. Novas revistas são criadas, dentre elas, revistas para adultos. Em 15 de setembro de 1948, Kim Yong-hwan fundou a Manhwa Haengjin), que é a primeira revista dedicada inteiramente aos quadrinhos. No entanto, essa foi cancelada após a segunda edição, vítima de uma censura ainda forte. No entanto, no ano seguinte, em 13 de março de 1949, Manhwas news começou sua publicação semanal que duraria um ano com grande sucesso. Kim Seong-hwan (, Kim Yong-hwan (, Shing Dong-heon (, Kim Eu-hwan ( ou Lee Yong-chun (. Como no Japão na mesma época, os quadrinhos emanciparam-se dos jornais e tornou-se uma mídia popular autônoma.

Com a Guerra da Coreia, o manhwa recuperou um lugar central na propaganda de ambos os lados do conflito. Os desenhistas são mobilizados a produzirem muitos folhetos, particularmente no sul. O soldado Todori de Kim Yong-hwan, que exalta a coragem dos soldados, é um enorme sucesso. A censura endurece novamente e os cartunistas excessivamente críticos são severamente condenados. No entanto, para acompanhar uma sociedade duramente atingida pela guerra e a miséria, especialmente as crianças, as revistas de manhwa multiplicam a aventura e histórias fantásticas como o doutor Hendel de Choi Sang-gwon (. Essas histórias são publicadas em revistas de baixo custo, em papel de qualidade muito fraca, e hoje há poucas cópias. Essas revistas, chamadas takji manhwa ( e publicadas em Pusan, permitem que jovens autores se lancem. Com takji manhwa, o quadrinho começa a se diversificar para se adaptar aos gostos dos leitores cada vez mais numerosos e diversos. Mas é com isso que o manhwa toma sua forma contemporânea, com quadros e balões.

A década de 1950 também viu o influxo de quadrinhos japoneses e o aumento das cópias ilegais. Um exemplo notável foi a versão coreana não autorizada de . Produzida pela editora de Busan, esta se tornou um modelo para os quadrinhos piratas coreanos posteriores. Essas obras piratas frequentemente ocultavam ou substituíam os nomes dos criadores japoneses por nomes coreanos, levando muitos leitores a não saberem que estavam lendo cópias não autorizadas.

O fim da Guerra da Coreia marca o início de um período muito prolífico para o manhwa. Isso continuou até meados da década de 1960 e foi acompanhado pela abertura e pelo sucesso muito rápido das primeiras bibliotecas de empréstimos que alugam e permitem a leitura manhwas: as manhwabangs (hangul:만화방/hanja:漫 畵 房). O mercado começava a se estruturar, editoras especializadas foram criadas criadas como Manhwa Segyesa (, além de muitas editoras independentes e novas revistas sendo lançadas no mercado como a popular Arirang (. Surgem álbuns de 200 páginas com histórias completas, incentivando o surgimento de longas narrativas dramáticas, como as produzidas por Park Ki-jeong () ou Kim Jong-rae ((). Mas essa experiência de quadrinhos no formato de livros teve curta duração, o sucesso das manhwabangs favorecem o encontro entre os manhwas e o público rapidamente colocam um fim a favor de inúmeras revistas. Esse entusiasmo para a manhwa permite aos autores viver de forma mais confortável e editoras lançam e revelam novos desenhistas e novas formas de manhwa.