A lidocaína, lignocaína ou xilocaína é um anestésico local e um antiarrítmico da classe I (subgrupo 1B) usado no tratamento da arritmia cardíaca e da dor local (como em pequenas operações cirúrgicas). É pouco tóxica. Lidocaína e benzocaína apresentam atividade anestésica e podem ser sintetizadas a partir da folha coca (cocaína), substância extraída de uma planta nativa da América do Sul. Também pode ser sintetizada na indústria a partir da 2,6-dimetilanilina. A lidocaína, atualmente é o anestésico mais popular, foi sintetizada por Löfgren, 1943, e pode ser considerado como o protótipo de anestésico local.

Administração Pode ser usado por vias: Intravenosa: 1 mg a 1,5/kg inicialmente, 25–50 mg por minuto, mais 0,5 mg/kg a cada 5 minutos. As seringas podem ter 1 a 2% de lidocaína. Subcutânea: 200–300 mg aplicada no deltoide Intraóssea: 1 mg/kg de lidocaína a uma velocidade de 25–50 mg/minuto Endotraqueal: Spray com 2 a 3,75 mg/kg Tópica (pomada): 2 a 5%, cerca de 15ml de solução, a cada 4h Uretral (Gel): Instilar 15 ml (homens) ou 3-5 ml (mulheres) de 2% lidocaína em gel ou solução dentro da uretra Adesivo: Até 3 por um período de 12h a cada 24h. Oftálmica: 1,7 a 3 mg/kg a 4% para bloqueio retrobulbar (atrás do olho).

Adrenalina Em alguns casos pode ser combinada com adrenalina (epinefrina) para prolongar o efeito (como vasoconstritor dos capilares próximos aos nervos), quando não há contraindicações (como taquicardia, shock cardiogênico ou compromisso vascular de extremidades). Não deve ser administrada por via intravenosa.

Usos clínicos Taquicardia ventricular, especialmente pós Infarto agudo do miocárdio(IAM), é a primeira escolha. Fibrilação ventricular, primeira escolha. Antes de intubação endotraqueal, endoscopia ou desfibrilação. Anestésico local em pequenas cirurgias (e.g. operações dentárias, suturar a epiderme, inserir ou remover objetos na pele).

Mecanismo de ação Enquanto antiarrítmico e anestésico local, é um bloqueador rápido dos canais de sódio, activados ou inactivados, existentes nos miócitos especializados do sistema de condução (coração) ou nervos periféricos. Impede a condução de potencial de ação nos axônios sensitivos dos nervos periféricos, quando usada topicamente.

Usos clínicos Encurta o potencial de ação e prolonga a diástole.

Diminui a taxa de contração cardíaca, reduzindo a frequência de batimentos ectópicos.

Inibe a nocicepção (percepção de dor) no local aplicado por alguns minutos.

Toxicidade sistêmica São raros os efeitos tóxicos da lidocaína. Em geral só aparecem em decorrência de sobredose ou injeção intravascular inadvertida.

Dentre as manifestações, podemos citar:

Hipotensão arterial Sensação de cabeça leve Tinitus (zumbido no ouvido) Parestesias - Sensação de formigamento na língua e lábios

Como manifestações mais graves podemos observar:

Convulsões Colapso cardiovascular

Pharmacology

Mecanismo de ação A lidocaína altera a condução do sinal nos neurônios através do prolongamento da inativação dos canais de Na + dependentes de voltagem na membrana celular neuronal (responsáveis pela propagação do potencial de ação). Se bloqueados suficientemente, os canais de Na + não se abrem e um potencial de ação não é gerado. O aumento de dose gradual permite um alto grau de seletividade no bloqueio de neurônios sensoriais, enquanto concentrações mais elevadas também afetam outros tipos de neurônios.

O mesmo princípio se aplica às ações deste medicamento no coração. O bloqueio dos canais de sódio no sistema de condução, bem como nas células musculares do coração, eleva o limiar de despolarização, tornando o coração menos propenso a iniciar ou conduzir potenciais de ação precoces que podem causar uma arritmia.

Farmacocinética Quando usado na forma injetável, a lidocaína geralmente começa a fazer efeito em quatro minutos e dura de meia hora a três horas. A lidocaína é metabolizada (desalquilada) em cerca de 95% no fígado, principalmente pela CYP3A4, no metabólito farmacologicamente ativos monoetilglicinaxilidida (MEGX) e, subsequentemente, na glicinaxilidida inativa. A MEGX tem uma meia-vida mais longa que a lidocaína, mas também é um bloqueador de canal de sódio menos potente. O volume de distribuição é de 1,1 L/kg para 2,1 L/kg, mas a insuficiência cardíaca congestiva pode diminuí-la. Cerca de 60% a 80% circula ligado à proteína glicoproteína ácida alfa <sub id="mwAl8">1.</sub> A biodisponibilidade oral é de 35% e a biodisponibilidade tópica é de 3%. A eficácia da lidocaína pode ser reduzida em tecidos inflamados, devido à competição por )com mediadores inflamatórios.

A meia-vida de eliminação da lidocaína é bifásica e em torno de 90 mínimo para 120 min na maioria das pessoas. Ela pode ser prolongada em pessoas com insuficiência hepática (média de 343 min) ou insuficiência cardíaca congestiva (média de 136 min). A lidocaína é excretada na urina (90% como metabólitos e 10% como fármaco inalterado).

Categoria:Anestésicos locais Categoria:Medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde Categoria:Antiarrítmicos