Rodrigo Constantino Alexandre dos Santos (Rio de Janeiro, 4 de julho de 1976) é um economista, comentarista, colunista e escritor brasileiro ideólogo de extrema-direita. Desde 2015 reside nos Estados Unidos, na cidade de Weston, na Flórida.
Trajetória Carreira Formado em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, em 1998. Ex-presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Liberal e um dos fundadores do Instituto Millenium, foi considerado em 2012 pela revista "Época" um dos "novos trombones da direita" brasileira. Foi diretor da Graphus Capital entre 2005 e 2013.
Mídia Foi um articulista da revista "Voto" e escreveu regularmente para os jornais "Valor Econômico" e "O Globo" e da revista "IstoÉ". Apesar da ligação com os ideais liberais, adota posturas conservadoras como a oposição à regulamentação das drogas.
Em agosto de 2013, passou a escrever para a revista "Veja". Em 2015 foi demitido pela Editora Abril e posteriormente teve todos os artigos de seu blog, produzidos durante dois anos, removidos do site da revista.
Defensor do impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff, passou de posturas mais moderadas a adotar posturas mais radicais com a aproximação das eleições de 2018, eventualmente apoiando o então candidato Jair Bolsonaro.
Em novembro de 2020, o comentarista foi demitido da Jovem Pan após declarações polêmicas sobre as acusações de agressões sexuais, incluindo estupro, atribuídas ao empresário André de Camargo Aranha e que teriam sido praticadas contra a modelo e blogueira Mariana Ferrer, que ganhou repercussão nacional, virando alvo de protestos, entre eles, do movimento Sleeping Giants. As falas davam a entender um incentivo ao estupro, além de rebaixar a vítima. No dia seguinte, também foi demitido do Grupo Record, onde possuía uma coluna no portal R7, além de ser comentarista da Record News. A Rádio Guaíba e o jornal Correio do Povo também confirmaram a demissão. Em janeiro de 2021, Constantino foi novamente convidado pela rádio Jovem Pan, desta vez para compor o quadro de comentaristas do programa Os Pingos nos Is, durante as férias de Augusto Nunes e de José Maria Trindade, e logo depois foi recontratado.
Em janeiro de 2023, Constantino enfrentou, mais uma vez, demissão pela Jovem Pan, depois de ter sido afastado durante uma investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF). Essa investigação visava verificar o incentivo da emissora aos atos golpistas ocorridos em Brasília em 8 de janeiro.
Rodrigo Constantino e Olavo de Carvalho Em 2003, Rodrigo Constantino começou a publicar artigos (como Rodrigo C. dos Santos) no site conservador "Mídia sem Máscara", dirigido por Olavo de Carvalho. Ao longo do tempo, as divergências entre ambos foram se acentuando (particularmente em questões envolvendo fé e religião cristã, defendidas por Olavo de Carvalho). Romperam publicamente em 2007, após uma acalorada discussão levada a cabo no Orkut, com trocas de acusações, insultos e intervenções de partidários de ambos os lados.
Nos anos seguintes, Constantino tentou sem grande sucesso uma reaproximação com seu antigo mentor, chegando mesmo a incentivar a leitura de seus livros. Olavo de Carvalho, contudo, não parecia mais tê-lo em grande conta, como demonstra este trecho de um artigo publicado em fevereiro de 2013 no "Diário do Comércio":
Posições políticas e sociais defendidas O Estatuto do Idoso: em artigo de 2003 para o site "Mídia Sem Máscara", Rodrigo Constantino denunciou a "face vermelha de Lula", a qual seria evidenciada pela aprovação do Estatuto do Idoso. De acordo com o Estatuto, os planos de saúde não poderiam mais reajustar seus preços por mudança de faixa etária. Segundo Rodrigo Constantino, o discurso de "tudo pelo social" (na verdade, um slogan do governo de José Sarney) e a redução das desigualdades sociais seriam uma "utopia romântica e ignorante dos socialistas" e terminaria em "caos total", do qual se salvaria apenas a "cúpula de poder".
Patrimônio da Humanidade: neste artigo publicado em 2006, Rodrigo Constantino defende a privatização da Floresta Amazônica, que seria entregue à administração de empresas de reflorestamento (dentre as quais ele cita nominalmente Aracruz, Klabin, Suzano e Votorantim). Para embasar seu raciocínio, ele faz uma comparação entre tubarões e vacas: "os tubarões, no meio do oceano, não possuem donos, diferente das vacas, com proprietários bem definidos". Os tubarões, conforme lembra ele, "podem estar ameaçados de extinção, mas as vacas dificilmente correm tal risco". O que diferencia tubarões de vacas é o "direito de propriedade privada". O artigo, contudo, não aborda como seria feita essa hipotética privatização de tubarões.
Livre Mercado de Órgãos Humanos: em artigo publicado em 2006, Rodrigo Constantino levanta uma das bandeiras do Instituto Mises Brasil, o "livre mercado de órgãos humanos". Ele discorre sobre um estudo efetuado pelo economista e Prêmio Nobel Gary Becker, em favor de um livre mercado de compra e venda de órgãos humanos para transplante. Rodrigo Constantino afirma que a questão moral deve ser deixada de lado em nome da liberdade individual. "Podemos até considerar a ideia da venda de um rim repulsiva, mas não temos o direito de vetá-la, usando a força estatal, a quem pensa diferente", ele conclui.
Feriado Racista: adversário de cotas raciais e ações afirmativas, Rodrigo Constantino critica neste artigo de 2007 a existência no Brasil do Dia da Consciência Negra, embora este não fosse então um feriado nacional (mas que havia sido implementado em alguns estados, como o Rio de Janeiro), e ilustra sua tese recordando Martin Luther King Jr. e seu discurso I Have a Dream, que condena o racismo. Para Rodrigo Constantino, um feriado que questione a miscigenação racial existente no Brasil é discriminatório, e portanto, racista. Rodrigo Constantino, todavia, não cita em seu texto que o Dia de Martin Luther King é um feriado nacional nos Estados Unidos da América, criado justamente para recordar a luta dos negros pelos direitos civis.
Privatizem a Petrobras!: neste texto publicado no jornal "O Globo" em 2012, Rodrigo Constantino defende a privatização da Petrobras, vista por ele como um ineficiente "cabide de emprego", e afirma que estatais de petróleo não representam um "bem para seus respectivos povos, vítimas de regimes autoritários" (citando como exemplos Venezuela, México, Irã, Arábia Saudita, Nigéria e Rússia). No texto, ele não menciona a Statoil, gigante norueguesa na qual o governo possuía 67% das ações (contra participação de 64% do governo brasileiro na Petrobras). A Noruega também não se encaixa na descrição de "regime autoritário".
Pedofilia: uma orientação sexual?: ao comentar, em outubro de 2013, uma suposta categorização da pedofilia como "orientação sexual" ou "preferência" pela American Psychiatric Association (APA), algo que foi desmentido pela citada entidade, e um artigo intitulado "Paedophilia: bringing dark desires to light" publicado no "jornal britânico de esquerda The Guardian", Rodrigo Constantino comenta que a "propaganda esquerdista" e os "intelectuais de esquerda" haviam chegado "ao limite de tolerar ou mesmo até respeitar os pedófilos". E alerta aos seus leitores:
O "rolezinho" da inveja. Ou: A barbárie se protege sob o manto do preconceito: discorrendo sobre o fenômeno social das periferias urbanas conhecido como "rolezinho", em janeiro de 2014, Rodrigo Constantino classificou os que dele participam como "bárbaros incapazes de reconhecer a própria inferioridade" e que "morrem de inveja da civilização". Diante da repercussão negativa aos seus comentários, justificou-se em seguida afirmando:
O logo vermelho da Copa: neste texto, Constantino diz que o número 2014 que aparece no logotipo da Copa do Mundo (indicando o ano) é, na verdade, uma mensagem subliminar socialista do PT. Por essa afirmação, Constantino foi ridicularizado pelo jornalista estadunidense Vincent Bevins, correspondente no Brasil do jornal Los Angeles Times, que escreveu em sua conta do Twitter: "Oh Deus. Colunista brasileiro defendendo que o 2014 vermelho no logo da Copa do Mundo é uma óbvia propaganda socialista".
Boicotem os artistas que defendem o PT: neste texto, Constantino lançou "uma campanha" para que as pessoas boicotem artistas que defendem o PT tais como o músico Chico Buarque e o ator e comediante Gregório Duvivier, que deram seu apoio à reeleição de Dilma Rousseff.
Divisão do Brasil em dois países: após a reeleição de Dilma Rousseff, Constantino propôs, em sua página do Facebook, a divisão do Brasil em dois países, o Brasil do Norte e o Brasil do Sul: "Acho que o nordeste tem uma solução muito boa para se proteger de todo o 'preconceito dos coxinhas': pedido de secessão! Brasil do Norte e Brasil do Sul. A coisa mais pacífica do mundo. Se há uma clara divisão no país, fomentada pelo próprio governo Dilma e o PT, nada mais legítimo do que respeitar a vontade popular e cada parte ser administrada por um partido, não? E quem do sul quiser continuar bancando os coronéis nordestinos aliados do PT e o voto de cabresto, pode fazer isso voluntariamente, mandando dinheiro para o norte. Por que não?"
Pandemia de COVID-19 Durante a pandemia de COVID-19 no Brasil, Constantino posicionou-se de forma consistente contra as medidas sanitárias recomendadas por autoridades de saúde. Em artigos publicados na Gazeta do Povo, contestou a eficácia do uso de máscaras, criticou o isolamento social e classificou as medidas de distanciamento como responsáveis por "propagar a histeria coletiva". O comentarista também defendeu publicamente o uso da cloroquina como tratamento para a COVID-19, chamando de "abutres oportunistas com desejo patológico de derrubar Bolsonaro" aqueles que contestavam a eficácia do medicamento, posição contrária ao consenso científico estabelecido à época por organismos como a Organização Mundial da Saúde.
O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID-19, instalada pelo Senado Federal em 2021, citou Constantino entre os agentes que contribuíram para a disseminação de desinformação durante a pandemia, apontando que o comentarista "ajudou a divulgar desinformação sobre o uso de máscaras, contestou o isolamento social, distorceu e subestimou o número de mortes por coronavírus".
Possível associação ao bolsonarismo A figura de Rodrigo Constantino tem sido associada ao bolsonarismo. Antes de apoiar Jair Bolsonaro, o comentarista chegou a qualificá-lo publicamente como um "boçal de direita", em 2019. Com a ascensão eleitoral de Bolsonaro, passou a defendê-lo de forma sistemática em seus veículos de comunicação.
Essa proximidade pode ser vista na interação cômica ocorrida em 26 de agosto de 2022, durante o programa "Pânico" da Jovem Pan, quando o então presidente Jair Bolsonaro foi entrevistado e, em tom de brincadeira, questionou se os lanches servidos eram "pão com mortadela", uma referência comum a militantes de esquerda no Brasil. O comentarista Rodrigo Constantino se ofereceu para experimentar o lanche antes do presidente, dizendo: "Presidente, deixa que eu experimento para garantir que não está envenenado".
Após a condenação de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 27 anos de reclusão, em setembro de 2025, pelos crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado de 2022, Constantino continuou a caracterizar o processo judicial como "perseguição implacável" e o STF como uma instituição "tirânica", em colunas publicadas na Gazeta do Povo em dezembro de 2025 e março de 2026.
Em maio de 2026, no entanto, Constantino declarou publicamente estar "de saco cheio" do comportamento de Flávio Bolsonaro, após escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, sugerindo que a candidatura de Flávio havia sido inviabilizada.
Investigação do Supremo Tribunal Federal