O Grumman A-6 Intruder, originalmente designado A2F-1, voou pela primeira vez a 19 de Abril de 1960. Foi concebido como avião de ataque embarcado, especialmente equipado para bombardeamento nuclear ou convencional, nas mais severas condições atmosféricas e ou de escuridão. Avião sub-sónico propulsionado por dois motores a jacto, tripulado por dois ocupantes sentados lado a lado, operado a partir de porta-aviões da Marinha Americana e ou baseado em terra, pelo Corpo de Fuzileiros (US Marines), possui uma excepcional capacidade de resistência em ambiente adverso e de transporte e disparo da totalidades das armas de ataque do arsenal da Marinha Americana.
Os últimos Intruder foram aposentados do serviço activo a 28 de Fevereiro de 1997 após mais de três décadas de serviço na primeira linha.
Foi desenvolvida uma variante de interferência electrónica o EA-6 Prowler que ainda se mantém em actividade, mas em fase de substituição lenta e gradual, desde Agosto de 2009 pelo EA-18G Growler.
Origens Segundo as palavras de Lawrence M. Mead. Jr. engenheiro chefe Futuro vice-presidente. da Grumman Aircraft Engineering Corporation, responsável pelo projecto A-6 Intruder, a sua génese está intimamente ligada á experiência adquirida na Guerra da Coreia a qual foi travada com a total ausência de uma aeronave de suporte aéreo próximo e interdição do campo de batalha, com características para actuar em qualquer condição atmosférica de dia e ou de noite. Situação esta que se manteve na aviação naval Norte-Americana, provocando em meados de 1956 um pedido de propostas (RFP - Request for Proposals) aos construtores aeronáuticos, para um avião de ataque, capacitado para adquirir e eliminar alvos terrestres e ou navais, sob todas as condições meteorológicas e de luminosidade.
300px|esquerda|thumb|Um dos 8 protótipos A2F-1 Com um prazo limite para aceitação de propostas estabelecido em 17 de Agosto de 1957, foram oito as empresas que submeteram um total de 12 projectos para apreciação: Boeing, Douglas Aircraft Company, Bell Aircraft Corporation, Lockheed Corporation, North American, Vought, Glenn L. Martin Company, e Grumman.
O projecto 128Q (evolução do projecto inicial 128), apresentado pela Grumman foi declarado o vencedor da competição no dia 2 de Janeiro de 1958, com a assinatura de um contracto no valor de 3,410,148 dólares para refinamento do projecto e construção de uma maqueta à escala real.280px|direita|thumb|quatro A-6A dos "Marines" voando em formação em Novembro de 1975. No dia 26 de Março de 1959 foi assinado o contracto definitivo para a produção do originalmente designado A2F-1A2F-1, A = Atack, 2 = segundo modelo, F = designação da Grumman, 1 = primeira versão. o qual voou pela primeira vez em 19 de Abril de 1960 e foi apresentado de modo público nove dias mais tarde. Em 1962 foi redesignado A-6A, na sequência da reorganização efectuada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, nas designações utilizadas pelas aeronaves da Força Aérea, Marinha e Exército.
Não é aos olhos do público um avião atraente, mas foi sem dúvida alguma, uma aeronave muito sofisticada capaz de executar com uma ampla margem de sucesso as missões que lhe eram confiadas, sem necessidade de ajuda externa para encontrar os alvos designados. Por comparação o A-7 Corsair II, é também uma plataforma sofisticada, mas com uma maior ênfase na capacidade de ataque em relação à capacidade de navegação e de operação com qualquer condição atmosférica e de luminosidade. Utilizados em simultâneo nos porta-aviões Norte Americanos, na proporção de um esquadrão de A-6 Intruder para dois esquadrões equipados com A-7 Corsair II, proporcionando uma escolha mais alargada para enfrentar adequadamente, uma ampla diversidade de ameaças.
Cronologia Datas significativas na fase de desenvolvimento e actividade operacional do A-6 Intruder: 1956 - Início dos estudos efectuados pela Marinha, com o objectivo de parametrizar o avião de ataque da próxima geração; 5 de Março de 1957 - Anúncio do concurso para o projecto do novo avião de ataque para a Marinha Americna; 2 de Janeiro de 1958 - A Grumman Aircraft Engineering Corporation é declarada vencedora da competição, para a construção do novo avião de ataque da Marinha; 26 de Março de 1959 - A Grumman recebe 101 milhões de Dólares no âmbito do contrato de desenvolvimento e produção de oito protótipos YA2F-1, mais detalhes de engenharia; 19 de Abril de 1960 - Primeiro voo do primeiro protótipo YA2F-1; 1 de Fevereiro de 1963 - Entregues os primeiros dois A-6A para serviço operacional; 1 de julho de 1965 - Início de um longo envolvimento no Sudeste Asiático, integrando um ataque ao Vietname do Norte; 14 de Junho de 1967 - Primeiro voo do TC-4C Academe, versão militar da aeronave civil Grumman Gulfstream I, utilizada no treino dos navegadores do A-6 Intruder; Dezembro de 1967 - Início do envolvimento operacional no conflito Vietnamita, por parte dos A-6A do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos; 26 de Agosto de 1968 - Primeiro A-6B depois de convertido, realiza o voo inaugural; 25 de Fevereiro de 1970 - Entrega do primeiro A-6C após conversão: 27 de Fevereiro de 1970 - Primeiro voo do protótipo A-6E; 16 de Abril de 1970 - Primeiro voo da versão convertida para reabastecimento em voo, KA-6D; Dezembro de 1970 - Entrega do último A-6A, da encomenda inicial de 480 unidades, excluídos os oito protótipos; 17 de Setembro de 1971 - Entrega do primeiro A-6E de construção integralmente nova; 26 de Agosto de 1987 - Voo inaugural do primeiro A-6Fo programa A-6F foi cancelado em favor do projecto A-12 Avenger II, que por sua vez também foi cancelado, encontrando-se em processo litigante nos tribunais Americanos. de um total de cinco aeronaves reconstruídas; 19 de Dezembro de 1996 - Efectuado o último voo do Intruder, lançado de porta-aviões; 28 de Fevereiro de 1997 - Cerimónia de despedida, o A-6 Intruder foi definitivamente retirado do inventário da Marinha Norte-Americana.
Projecto e desenvolvimento A fuselagem do A-6A Intruder é quase integralmente construído em liga de alumínio, exceptuando a quilha na secção ventral entre os motores fabricada em aço e titânio, a rigidez estrutural é obtida por uma construção semi monobloco, que assume a forma de girino,Devido à sua forma era alcunhado, pelas tripulações e demais pessoal relacionado com as operações de voo e de manutenção, como Iron Tadpole (girino de ferro) fazendo alusão à sua forma e aspecto forte. com um nariz amplo que acomoda o radar e resulta da disposição lado a lado dos assentos do piloto e do navegador, terminando numa cauda delgada. As asas e os estabilizadores horizontais e vertical, são construídos usando um sistema de longarinas múltiplas, irradiando de um bloco sólido de alumínio, cobertas por uma capa também em alumínio perfilado, estruturado tipo "favo de mel" nas extremidades e bordos de fuga, conferido uma excepcional rigidez estrutural e capacidade de sustentar pesos elevados.
280px|esquerda|thumb|EA-6A (versão de guerra electrónica) no Vietname, Junho de 1970. O coração da aeronave é o especificamente desenvolvido e tecnologicamente avançado, sistema de aviónicos DIANE (Digital Integrated Attack & Navigation Equipment) - "equipamento digital integrado de ataque e navegação", o qual influenciou desde o início a forma e desenho da fuselagem e é composto pelo radar de navegação AN/APQ-112, radar de busca AN/APQ-92,A opção por dois radares APQ-88 e APQ-92, ficou a dever-se à limitada capacidade individual de cada um, se integrados num único sistema. plataforma inercial AN/ASN-31 e um novíssimo computador digital AN/APQ-61, radar de altitude AN/APN-141, computador integrado de controlo dos aviónicos AN/ASQ-57 e um sistema de navegação doppler AN/APN-153, complementados por um equipamento direccional automático, um sistema táctico de navegação (TACAN) e um interrogador IFF. A instrumentação no interior do cockpit do Intruder é vasta e completa incluindo um monitor (tela) de tecnologia CRT, para apresentação de dados recorrendo à sintetização dos mesmos obtidos pelo conjunto de sensores. No que é considerado uma das primeiras utilizações em aeronáutica e o primeiro passo em direcção aos actuais sistemas integrados e multi funcionais em utilização, quer em aeronaves militares quer em aviões comercias.Comparativamente a outros aviões contemporâneos, os custos da integração de electrónica no A-6 foi de 43% do seu preço final, 17% no A-7A Corsair II e 20% no F-4B Phantom.
Variantes A2F-1/A-6A Primeira versão de produção final, após a encomenda inicial em Março de 1959 de oito unidades Y2F-1 destinadas a desenvolvimento e testes. Adquiriu capacidade operacional em Fevereiro de 1963 junto do esquadrão VA-42 na estação aeronaval de Oceana. Foram construídas 482 aeronaves, a última das quais foi entregue em Dezembro de 1969, todas as versões subsequentes possuem células A-6A convertidas.
A-6B Designação originalmente atribuída a uma versão proposta pelo fabricante e não construída, para um bombardeiro diurno, desprovido de capacidade para actuar em qualquer condição atmosférica. Eventualmente pode ter sido usada, para designar uma versão monolugar, destinada a evoluir na competição destinada à escolha do avião de ataque ligeiro (VAL), vencida pelo A-7 Corsair II. Acabou a designar 19 fuselagens A-6A convertidas para supressão especializada da defesa antiaérea do inimigo, em três lotes distintos conforme a sua sofisticação. O primeiro lote constituído por 10 aeronaves recebeu a conversão designada Mod. 0, a qual consistia na substituição de todo o equipamento destinado ao uso convencional, por outro especializado na detecção de radares de pesquisa e orientação de mísseis antiaéreos, possibilitando a sua eliminação pelo AGM-78 Standard. O segundo lote constituído por seis aeronaves receberam a conversão Mod.1 em tudo idêntica à anterior, mais um sistema de identificação e aquisição de alvos (TIAS) desenvolvido pela IBM, as restantes três fuselagens receberam uma actualização designada PAT/ARM, para aumentar a proficiência do míssil AGM-78 Standard. 280px|direita|thumb|A-6C (BuNo. 155660) do esquadrão VA-35 Black Panthers. Das 54 conversões previstas apenas as 19 descritas foram efectivadas, a primeira foi entregue em Agosto de 1967 e a última em Agosto de 1970.
A-6C Conversão de 12 aeronaves A-6A, inicialmente designadas NA-6A equipadas com um sistema FLIR implantado na parte ventral da fuselagem e um sistema de aquisição de imagem de baixo nível de luz (LLLTV) sob uma das asas, entre outros sensores alojados numa carenagem e designados TRIM (Trails, Roads, Interdiction Multisensor), especificamente destinados a adquirir alvos ao longo da trilha de Ho Chi Minh durante o conflito Vietnamita.
KA-6D Versão dedicada ao reabastecimento aéreo, conversão de células A-6A, da qual difere essencialmente pela remoção do equipamento destinado a capacitar a aeronave para operar em qualquer condição atmosférica de dia ou de noite, substituído por equipamento dedicado ao reabastecimento, mantém a capacidade de bombardeamento diurno. Posteriormente numa segunda fase de conversão, foi reforçada a quantidade de aeronaves A-6A convertidas, removida toda a capacidade de actuar como bombardeiro diurno, implicando o aumento da capacidade de combustível para 16,440 litros dos quais 7,570 não são transferíveis, foram ainda introduzidas novas asas. Uma segunda conversão baseada no EA-6B Prowler com um incremento substancial da quantidade de combustível destinada ao reabastecimento, foi proposta pela Grumman mas não aceite.
A2F-1Q/EA-6A