Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é uma prova de admissão à educação superior realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), autarquia vinculada ao Ministério da Educação do Brasil. Foi criado em 1998, no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso inicialmente para avaliar a qualidade do ensino médio no país. Seu resultado só iria servir para o acesso ao ensino superior em universidades públicas brasileiras em 2004, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionar a lei do Programa Universidade para Todos (ProUni). Em janeiro de 2010, o Sistema de Seleção Unificada (SISU) foi desenvolvido pelo MEC para os candidatos se inscreverem em instituições de ensino superior públicas.
Em 2014, o Enem era o maior exame vestibular do Brasil, em número de inscritos, cerca de oito milhões, e o segundo maior do mundo, atrás somente do Gāo Kǎo, o exame de admissão do ensino superior da República Popular da China. O exame também é equivalente ao Baccalauréat da França, ao Abitur da Alemanha, ao A Levels do Reino Unido (exceto Escócia), ao Highers da Escócia, ao Selectividad da Espanha, ao Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) de Portugal, ao Daigaku Nyūshi Center Shiken do Japão, ao Suneung da Coreia do Sul e ao SAT e ACT dos Estados Unidos.
A prova também é feita por pessoas com interesse em ganhar bolsa integral ou parcial em universidade particular por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni), ou para obtenção de financiamento por meio do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). Em algumas universidades, substituiu o tradicional vestibular.
Apesar de seu sucesso para ampliar o acesso ao ensino superior, o Exame acumulou controvérsias durante sua história. A edição de 2009 foi cancelada após o vazamento da prova. No ano seguinte (2010), uma falha na impressão das provas prejudicou alguns candidatos. Em 2019, ocorreram inconsistências nas notas dos candidatos. Dois anos depois, às vésperas do Exame, funcionários do INEP demitiram-se massivamente, alegando “pressões ideológicas” por parte do Instituto e denunciaram a censura prévia de questões no ENEM. Ademais, em 2025, um vazamento de questões levou a anulação de três itens do teste e fortes reações populares.
História Criado em 1998 durante a gestão do ministro da Educação Paulo Renato Souza, no governo Fernando Henrique Cardoso, o Enem teve por princípio avaliar anualmente o aprendizado dos alunos do ensino médio em todo o país para auxiliar o ministério na elaboração de políticas pontuais e estruturais de melhoria do ensino brasileiro por meio dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ensino Médio e Fundamental, promovendo alterações nos mesmos conforme indicasse o cruzamento de dados e pesquisas nos resultados do Enem. Foi a primeira iniciativa de avaliação geral do sistema de ensino implantado no Brasil. Outra função conferida ao ENEM era o de influenciar mudanças nos currículos de ensino médio. Para isso, buscou-se aumentar a importância do exame, e, já na segunda edição, este foi utilizado como modalidade de acesso alternativa ao vestibular de 93 instituições de ensino superior. O primeiro modelo de prova do Enem, utilizado entre 1998 e 2008, tinha 63 questões aplicadas em um dia de prova. A prova passou, a partir de 2004, a servir para ingresso em cursos superiores no caso de candidatos que, com a nota do exame, se inscrevessem para conseguir bolsa de estudo em faculdades particulares pelo ProUni.
thumb|esquerda|Participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ainda com o modelo antigo, em Brasília, no ano de 2007.
Em 2009, durante a gestão do ministro da Educação Fernando Haddad, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, foi introduzido um novo modelo de prova para o Enem, com a proposta de unificar o concurso vestibular das universidades federais brasileiras. O novo Enem passou a ser realizado em dois dias de prova, contendo 180 questões objetivas e uma questão de redação. Além disso, foi adotada a Teoria da Resposta ao Item (TRI) na formulação da prova, que permite que as notas obtidas em edições diferentes do exame sejam comparadas e até mesmo utilizadas para ingresso nas instituições de ensino superior. A implementação ficou a cargo de um dos maiores especialistas em Avaliação Educacional e Teoria da Resposta ao Item, Prof. Dr. Heliton Tavares, Diretor do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. O planejamento do Enem incluiu a realização do exame pelo menos duas vezes ao ano a partir de 2012 e a subdivisão gradual do exame em sub-regiões, culminando na instalação de Centros de Aplicação espalhados pelo Brasil, principalmente nas instituições federais, onde os interessados poderiam agendar a realização do exame. Esta etapa necessitaria de um grande número de questões (banco de itens) previamente calibrados pela TRI na escala do Enem para garantir a comparabilidade dos resultados.
A segunda versão do Enem sofreu muitas críticas em relação à correção da redação.Enem 2013: Professores criticam mudanças na correção da redação Em função disso, foram alterados em 2012 os critérios para correção das redações. Foi diminuída a discrepância necessária entre as notas dos dois corretores para que a redação seja corrigida por um terceiro corretor.MEC anuncia Enem 2012 com novas regras para a correção da redação
Edições
2009
Devido a fortes suspeitas de vazamento da prova, que teve cadernos furtados em uma das gráficas que a produziu, o exame que estava planejado para ser realizado em outubro de 2009 foi adiado. Com as datas remarcadas para 5 e 6 de dezembro de 2009, do total de 4,1 milhões de inscritos 37,7% abstiveram-se de realizar as provas no primeiro dia Desde que se tornou exame de principal acesso as instituições de ensino superior, o Enem tem passado por alguns problemas que causam descrença e temor entre estudantes. O primeiro problema foi o furto de provas ocorrido em 2009, que fez com que fosse remarcado para mais adiante. Posteriormente, o gabarito da prova foi divulgado com erros.
2010
Em 2010, vazaram informações sigilosas e pessoais de inscritos do Enem na internet. Imediatamente após a realização do Enem 2010, uma série de erros em um dos cadernos de provas, culminou a Justiça do Ceará a suspender os exames em todo o território nacional. Com o Ministério querendo reaplicar a prova para todos os prejudicados, a Justiça alegou que novas provas apenas para os que usaram os cadernos incorretos poderia prejudicar todos os outros inscritos no exame. Por causa de todo este imbróglio, certas instituições de ensino desistiram de usar o Enem como parte de sua nota. O Ministro da Educação, Fernando Haddad declarou que uma segunda prova seria aplicada aos alunos prejudicados pelos erros de impressão verificados em 0,3% das 10 milhões de provas impressas – erros que foram admitidos pela gráfica responsável, a RR Donnelley – a maior empresa gráfica do mundo. Dos 33 mil cadernos com erro, 21 mil foram efetivamente distribuídos. A RR Donneley considera que esse índice de falha está dentro da margem de erro admitida para esse tipo de processo industrial.Vídeo: . Globo.com. Bom dia, Brasil. 09 de novembro de 2010. As novas provas do Enem serão aplicadas na primeira quinzena de dezembro, segundo o Ministério da Educação.. Diário do Comércio, 22 de novembro de 2010.
2011 A edição de 2011 foi marcada pela constatação de que alunos do colégio particular Christus de Fortaleza, tiveram acesso antecipado a cerca de 14 questões que foram cobradas no exame. Tal vazamento pode ter ocorrido durante um "pré-teste" do INEP realizado por alguns alunos daquela instituição no ano de 2010 ou no próprio Inep. Somente as provas do 639 alunos do colégio em questão foram canceladas, tendo sido refeitas posteriormente por eles. Houve ainda, notícias de que o tema da redação, referente ao "mundo digital" e às "redes sociais", tivesse sido vazado pelo repórter Lauro Neto do jornal O Globo às 13h59 de domingo, ao que o Inep afirmou na segunda (dia 24) que abriria uma investigação para apurar o ocorrido."". Notícias br. Acesso: 25 de outubro, 2011.Fernanda Nascimento. "". Veja. Acesso: 25 de outubro, 2011. Porém, esse vazamento ocorreu uma hora após o início da prova, ou seja, antes que os participantes pudessem deixar as salas de prova."" Veja. Acesso: 25 de outubro, 2011. As abstenções (um em cada quatro alunos faltou às provas, de acordo com o MEC) foram menores do que as do ano anterior, totalizando cerca de 1 milhão e 370 mil faltas,"". Acesso: 25 de outubro, 2011. e custaram ao governo federal cerca de R$ 61 milhões de reais — quando calculado um valor de 45 reais por aluno inscrito (aqueles que não frequentam escola pública). Em alguns estados, como Pernambuco, a prova garantiria também carteira de motorista (pré-requisito para o mercado de trabalho) aos candidatos que tivessem um bom desempenho."". Notícias br. Acesso: 25 de outubro, 2011.
A primeira prova do Enem 2011, trazendo 90 questões de ciências humanas e ciências naturais, apresentou questões sobre revoltas árabes (como a Guerra Civil Líbia), impeachment de Collor, internet e o papel social das redes, crise econômica e ecologia (biodiesel e outros combustíveis).Mariana Desidério; Mariana Gama e Rafael Sampaio. "" (23/10/2011). Folha São Paulo. Acesso: 25 de outubro, 2011. A prova de português e literatura trouxe autores recentes em cena e focou na interpretação de textos, enquanto a de matemática priorizou leitura de gráficos e interpretação de tabelas. A presidente Dilma Rousseff, no programa semanal Café com a Presidente, concluiu dizendo: "A aplicação da prova é um esforço de grandes dimensões que ocorreu este ano em 1.602 cidades de todo o país. E mobilizou 400 mil profissionais, entre professores, policiais, funcionários dos Correios e fiscais. Tudo isso nos ajuda a democratizar o acesso à universidade."Agência Brasil. "" (24/10/2011). Folha Online. Acesso: 25 de outubro, 2011. As notas da prova do Enem 2011 foram disponibilizados pelo INEP no dia 21 de dezembro do mesmo ano, antecipadamente a data prevista, que era só em janeiro.
O Ministério Público Federal no Ceará entrou em dezembro de 2011 com ação contra o exame por falta de transparência. Em São Paulo um estudante também conseguiu na Justiça a revisão da nota obtida na redação do Enem de 2011. A prova do aluno que estuda no colégio particular Lourenço Castanho tinha sido anulada, mas depois que a Justiça concedeu uma liminar para que ele pudesse ter acesso à correção, a nota passou de zero para 880 pontos (em uma escala que vai de zero até mil). Em janeiro de 2012, três estudantes do Rio de Janeiro conseguiram na Justiça o direito de saber como foi a correção de suas redações do Enem. As decisões ainda garantiram direito de revisão da nota, caso seja comprovado erro. Os três, todos vestibulandos de Medicina, discordaram da avaliação que tiveram.
2012 Na edição 2012 do exame, um número recorde: 5.790.989 estavam com inscrição confirmada para participar do exame. A maior de todas as edições até então. As provas foram realizadas em 3 e 4 de novembro, o gabarito divulgado em 7 de novembro e o resultado final em 28 de dezembro. O esquema de segurança para evitar possíveis fraudes e mudanças na correção custou R$ 266 milhões ao governo federal, ao custo por aluno de R$ 46, de acordo com o Inep. Lacres eletrônicos foram usados para o fechamento das maletas contando as provas.