Rachel Louise Carson (Springdale, – Silver Spring, ) foi uma bióloga marinha, escritora, cientista e ecologista norte-americana. Através da publicação de Silent Spring (1962), artigos e outros livros sobre meio ambiente, Rachel ajudou a lançar a consciência ambiental moderna. Começou a carreira como bióloga marinha no United States Fish and Wildlife Service dos Estados Unidos, tornando-se escritora em tempo integral a partir dos anos 1950. Seu livro de 1951, The Sea Around Us, tornou-se um bestseller e ganhou o National Book Award, o que lhe deu segurança financeira e reconhecimento nacional . Seu livro seguinte, The Edge of the Sea, e uma nova edição de Under the Sea Wind, também se tornaram sucessos de venda. A trilogia explora a vida marinha, desde a zona da praia até as profundezas .

No final dos anos 1950, Rachel começou a analisar a conservação ambiental, especialmente problemas que ela acreditava serem causados por pesticidas sintéticos. O resultado dessa pesquisa se tornou o livro Silent Spring (1962), que levou à população norte-americana uma preocupação ambiental sem precedentes. As companhias químicas logo se opuseram às colocações de Rachel em Silent Spring, e se engajaram em uma campanha de difamação da autora e do livro. Mas o legado de Rachel acabou por reverter a política nacional de uso de pesticidas, o que levou ao banimento do uso do DDT e de outros pesticidas nos Estados Unidos. O trabalho de Rachel também levou à criação da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). Postumamente, Rachel recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade pelo presidente Jimmy Carter, em 1980.

Biografia Vida pessoal e educação thumb|left|A casa onde Rachel Carson morou é hoje um memorial para seu trabalho. Foto de 7 de novembro de 2009. Rachel nasceu em Springdale, Pensilvânia, em 27 de maio de 1907, uma cidade às margens do Rio Allegheny. Era filha de Maria Frazier McLean, uma dona de casa, e Robert Warden Carson, vendedor de seguros. Junto da família, ela explorou cada pedaço da fazenda onde morava, de 26 hectares. Leitora ávida ainda criança, ela começou a escrever as próprias histórias, em geral envolvendo animais, e teve a primeira história publicada aos dez anos de idade na revista St. Nicholas Magazine, onde ela lia os trabalhos de Beatrix Potter. Na adolescência era também leitora de Herman Melville, Joseph Conrad e Robert Louis Stevenson. Um tema recorrente de seus livros favoritos era os oceanos. Rachel se formou no ensino médio como uma das melhores da turma em 1925.

Rachel ingressou na Faculdade da Pensilvânia para Mulheres, hoje a Universidade Chatham e lá, assim como no ensino médio, era uma estudante solitária. Ingressando originalmente no curso de Língua Inglesa, ela mudou de curso, seguindo para a Biologia, em janeiro de 1928, apesar de continuar a contribuir para o jornal universitário e no suplemento de literatura. Devido a dificuldades financeiras, Rachel não pode ir para a Johns Hopkins University em 1928, mas se graduou com honras em 1929. Depois de um curso de verão no Laboratório de Vida Marinha, ela continuou estudando zoologia e genética na Johns Hopkins no outono de 1929.

Início da carreira Após um ano de sua graduação, Rachel entrou como assistente no laboratório de Raymond Pearl, onde trabalhou com ratos e Drosophilas, para juntar dinheiro. Depois de estudar esquilos e víboras, ela terminou sua dissertação sobre o desenvolvimento embrionário do pronefro (rim primitivo presente em todos os embriões de vertebrados) em peixes. Obteve seu mestrado em zoologia em junho de 1932. Rachel tinha a intenção de seguir para o doutorado, mas em 1934 ela foi forçada a deixar a Johns Hopkins para dar aulas e assim ajudar a família financeiramente. Em 1935, com a morte súbita do pai, Rachel precisou cuidar da mãe e a situação financeira das duas ficou ainda mais crítica. A pedido de sua orientadora na graduação, Mary Scott Skinker, Rachel pegou um trabalho temporário no Departamento de Pesca, roteirizando um programa educativo semanal, uma série chamada Romance Under the Waters. Sete programas de 52 minutos cada um, a série focava na vida aquática e tinha a intenção de gerar um interesse no público a respeito da biologia dos peixes e no trabalho do departamento governamental. Rachel também começou a submeter artigos a respeito da vida marinha da região de Chesapeake Bay para revistas e jornais locais, baseado em seu trabalho escrevendo a série.

O chefe de Rachel ficou satisfeito com o sucesso do programa escrito por Rachel e pediu que ela escrevesse a introdução de uma publicação do departamento e trabalhou para conseguir-lhe um trabalho de tempo integral. Na prova do concurso, em 1936, ela superou todos os colegas, assim que uma vaga abriu e ela se tornou a segunda mulher contratada para uma posição de tempo integral, como bióloga marinha assistente.

Uma das responsabilidades de Rachel no departamento era o de analisar e reportar dados de campo sobre a população de peixes e de escrever livros e outras publicações para o público leigo. Usando de muita pesquisa e consulta com muitos biólogos marinhos, ela também escreveu uma série de artigos para o jornal The Baltimore Sun. Suas responsabilidades com a família aumentaram em janeiro de 1937 quando sua irmã mais velha faleceu e deixou Rachel como a única responsável por cuidar de sua mãe e duas sobrinhas. thumb|right|220px|Rachel Carson e Bob Hines colhendo material para pesquisa no litoral em 1952 Em julho de 1937, o Atlantic Monthly uma versão revisada de um ensaio de Rachel, intitulado The World of Waters, originalmente escrito para seu primeiro livro sobre pesca no departamento. Seu chefe lhe disse que o ensaio era bom demais para esse objetivo e ele foi publicado com o nome de Undersea, uma narrativa sobre uma jornada no assoalho oceânico. Este ensaio marcou uma virada na carreira de escritora de Rachel. A editora Simon & Schuster ficou impressionada com Undersea e sugeriu que ela o expandisse para transformá-lo em um livro. Anos escrevendo resultaram no livro Under the Sea Wind (1941), que ganhou excelentes resenhas, mas vendeu pouco. Nesse meio tempo, Rachel foi mencionada no Sun Magazine, na Nature e na Collier's Weekly.

Rachel tentou deixar o United States Fish and Wildlife Service em 1945, mas poucos empregos para naturalistas estavam disponíveis, pois a maioria da verba destinada à ciência e área técnica estava concentrada no Projeto Manhattan. No meio daquele ano, Rachel se deparou pela primeira vez com os DDTs, um revolucionário pesticida, apelidado de "bomba para insetos", depois do bombardeamento de Hiroshima e Nagasaki, cujos testes de segurança e efeitos ecológicos ainda estavam no início. Rachel só viria a publicar algo sobre o assunto em 1962, já que os editores não achavam o assunto interessante.

Rachel conseguiu crescer dentro do departamento. Se em 1945 ela supervisionava uma pequena equipe de escritores, em 1949 ela se tornou a editora-chefe. O cargo de chefia lhe deu grandes oportunidades para trabalho de campo e a liberdade de escolher seus próprios projetos, mas também aumentou o trabalho burocrático que ela detestava fazer. Em 1948, Rachel começou a trabalhar no material para seu segundo livro e tomou a decisão de se tornar escritora em tempo integral. Naquele ano, ela contratou uma agente literária, Marie Rodell, com a qual manteve um relacionamento profissional por toda a sua carreira.

A Oxford University Press, casa editorial e departamento da Universidade de Oxford, demonstrou interesse na proposta de Rachel de escrever um livro sobre a vida dos oceanos, pedindo que ela enviasse o manuscrito até 1950 do que viria a ser o livro The Sea Around Us. Capítulos do livro foram publicados no Science Digest e na Yale Review. Nove capítulos foram publicados em série na revista The New Yorker, começando em junho de 1951. O livro foi publicado em 2 de julho de 1951. Ele permaneceu na lista de mais vendidos do The New York Times por 86 semanas e ganhou o prêmio National Book Award de não-ficção e a Burroughs Medal, que resultou em dois doutorados honorários para Rachel. Um documentário baseado no livro também foi produzido. The Sea acompanhou a republicação bem sucedida de Under the Sea Wind, que se tornou um bestseller. Com a segurança financeira provida pelas vendas dos livros, Rachel pode enfim deixar o departamento do governo em 1952 para poder se concentrar na carreira de escritora em tempo integral.

The Sea Around Us a inundou com cartas de fãs, discursos e todo tipo de correspondências, junto do roteiro do documentário, que ela se assegurou o direito de revisar. O final do roteiro a desagradou, escrito pelo diretor e produtor Irwin Allen, achando que ele não era fiel ao livro e cientificamente vergonhoso. Para sua infelicidade, o fato de ter o direito de revisar o roteiro não lhe dava o direito de controlar seu conteúdo e Irwin prosseguiu com as gravações do documentário, que se tornou um grande sucesso. Ele ganhou um Oscar de melhor documentário de longa-metragem, mas Rachel nunca mais vendeu os direitos de seus livros para serem filmados, irritada com a experiência com Irwin Allen.

O trabalho com conservação Por volta de 1953, Rachel começou sua pesquisa bibliográfica e de campo em ecologia e nos organismos da costa do Atlântico. Em 1955, ela concluiu o terceiro volume de sua trilogia do mar, chamado The Edge of the Sea, que foca na vida dos ecossistemas costeiros, em especial na costa leste dos Estados Unidos. Sua reputação como escritora de prosa poética e direta já estava bem estabelecida e o novo livro recebeu resenhas positivas, até mesmo entusiásticas, bem como The Sea Around Us recebeu.

Entre 1955 e 1956, Rachel trabalhou em diversos projetos, incluindo o roteiro de um episódio da série Omnibus, apresentado por Alistair Cooke, chamado "Something About the Sky" e escreveu diversos artigos para revistas populares. Seu plano para o próximo livro era focar na evolução, mas a dificuldade de encontrar fontes claras que lhe permitissem tratar do tópico e a recente publicação de Julian Huxley, chamada Evolution in Action, a fizeram abandonar a ideia. Rachel então passou a se interessar por conservação, pensando em um livro sobre meio ambiente, momento em que começou a se envolver com o tema e com grupos conservacionistas. Também estava em seu planos a compra de uma área no Maine para preservação, que nomeou de "Lost Woods".

Uma tragédia familiar novamente se abateu sobre Rachel em 1957. Suas sobrinhas morreram aos 31 anos, deixando um órfão, Roger, de cinco anos de idade. Rachel assumiu a responsabilidade, adotando o menino, enquanto ainda cuidava da mãe idosa, o que cobrou muito esforço e dedicação de Rachel. Ela se mudou para Silver Spring, Maryland para cuidar de Roger e boa parte do ano de 1957 foi usado para colocar sua nova vida em ordem e para tratar dos assuntos ambientais que lhe interessavam.

No final de 1957, Rachel acompanhava as propostas federais que visavam aumentar o uso de pesticidas no país. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) planejava erradicar as formigas de fogo e os programas que usavam organoclorados e organofosfatos estavam em alta. Deste momento em diante, o trabalho de Rachel seria o de alertar a população e o governo sobre o uso exacerbado de pesticidas.

Silent Spring