A carbamazepina (CBZ), vendida sob o nome comercial Tegretol, entre outros, é um dos principais medicamentos utilizados no tratamento da epilepsia e dor neuropática. Tem acção semelhante no tratamento de convulsões à fenitoína e valproato. Demonstra ser ineficaz para o tratamento de crises de ausência ou crises mioclónicas. Pode ser usado para esquizofrenia, juntamente com outros medicamentos, sendo eficaz como agente de segunda linha na profilaxia de episódios maníacos e depressivos nos transtornos bipolares. É administrado duas a quatro vezes ao dia. Encontra-se disponível uma formulação de liberação controlada do medicamento para a qual existem evidências experimentais que mostram uma incidência menor de efeitos colaterais e mais.

Os efeitos secundários mais comuns incluem náuseas e sonolência. Já os efeitos colaterais mais graves podem incluir erupções cutâneas, diminuição da função da medula óssea, pensamentos suicidas ou confusão. É contraindicado a pacientes com histórico de problemas com a medula óssea. O uso do medicamento durante a gravidez pode prejudicar o bebê; no entanto recomenda-se que não se interrompa a medicação em mulheres grávidas com epilepsia. É desaconselhada a sua utilização durante a fase de amamentação. As pessoas com problemas hepáticos ou renais devem tomar as devidas precauções.

A carbamazepina foi descoberta em 1953, pelo químico suíço Walter de Schindler. Foi comercializado pela primeira vez em 1962. Encontra-se disponível como medicamento genérico e não é muito caro. O fármaco esteve inscrito na Lista de Medicamentos Essenciais da OMS até 2017, que lista os mais importantes medicamentos, essenciais no sistema de saúde básico. O custo no mercado grossista no mundo em desenvolvimento está entre 0,01 e 0.07 USD por dose desde 2014.

História

A carbamazepina foi descoberta pelo químico Walter Schindler da J.R. Geigy AG, que atualmente é parte da Novartis, em 1953.Universidade de Farmácia do Porto.Carbamazepina - Introdução. Acesso em 28 de julho de 2010 Schindler obteve êxito em sintetizar o fármaco em 1960, antes de seus efeitos antiepiléticos terem sido descobertos.

Foi comercializada inicialmente para tratar a neuralgia do trigêmeo em 1962 e depois em 1965 começou a ser utilizada como antiepilético no Reino Unido. No ano de 1972 foi aprovado seu uso nos Estados Unidos. É considerada medicamento de segunda geração de agentes anticonvulsivantes, depois do fenobarbital.Mula M. 2009 New antiepileptic drugs: molecular targets. Cent Nerv Syst Agents Med Chem. 9(2):79-86.

Indicações

Prevenção de episódios convulsivos na epilepsia do grande mal (convulsões tónico-clónicas generalizadas). Convulsões tónico-clónicas parciais: fármaco de primeira escolha. Antiepiléptico na epilepsia focal. Eficaz na epilepsia psicomotora do lobo frontal. Alivio de desvios comportamentais e emocionais no epiléptico. Doença bipolar (ou maníaco-depressiva). Síndrome de Abstinência Alcoólica Nevralgia do trigêmeo e glossofaríngeo. Dor da tabes

Mecanismo de ação

A carbamazepina é um bloqueador dos canais de sódio das membranas dos neurónios. Ela é específica para o estado conformacional dessa proteína que ela adapta logo após abrir o seu poro. Assim, a carbamazepina inibe a função dos canais mais usados. Como o influxo de sódio é que inicia a propagação do potencial de ação, os neurónios que apresentam a maior frequência de disparo (incluindo aqueles que disparam desreguladamente dando origem às convulsões, mas também outros) reduzem a sua atividade.

Potencializa a ação do GABA, um neurotransmissor fisiológico que inibe a geração de potenciais das ações.

Efeitos úteis

Deprime a atividade elétrica excessiva no cérebro, sem afetar demasiadamente a atividade normal.

Efeitos adversos

É menos disruptor das funções intelectuais que a fenitoína e o fenobarbital, embora seu preço seja mais alto.

Alterações da percepção da visão, por vezes graves Náuseas Zumbidos e outros sons no ouvido alucinatórios (raro) Sedação Reduz a eficácia da contracepção oral nas mulheres férteis Secura da boca Ataxia (andar rígido e anormal) Dores intestinais Anemia e agranulocitose nos primeiros meses de uso apenas Reações alérgicas raras Incontinência urinária Depressão medular em altas doses (depressão respiratória potencialmente fatal) Em uma revisão sistemática, foram analisados 73 relatórios contendo 191 pessoas que desenvolveram distúrbios do movimento associados à carbamazepina, oxcarbazepina e eslicarbazepina. Os movimentos anormais encontrados foram mioclonia, distonia, tiques, discinesia, parkinsonismo, e acatisia.

Interações

A carbamazepina possui uma série de interações farmacológicas. Entre eles, podem ser citados o valproato, fenitoína e fenobarbital, pois induzem CYP3A4, o que eleva o metabolismo da carbamazepina. O fármaco também reduz a concentração plasmática de haloperidol, interferindo em seu efeito terapêutico. Ainda, propoxifeno, eritromicina, cimetidina, fluoxetina e isoniazida podem interromper o metabolismo da carbamazepina. Com relação aos anticoncepcionais orais, o fármaco pode reduzir o efeito destes medicamentos. O paracetamol pode aumentar a toxicidade da carbamazepina. Pode reduzir a tolerância ao álcool. IMAO pode produzir convulsões, hipertensão e crises de febre. Existem outras interações.Vademecum. es. Carbamazepina. Acesso em 1 de agosto de 2010

Uso na gravidez e aleitamento

Seu uso durante a gravidez está associado a um risco de 3% de deformidades fetais. O risco é maior se está associado a outros anticonvulsivantes chegando a 22% quando se tomam 4 anticonvulsivantes simultaneamente. Todos os anticonvulsivantes tem risco de deformidades entre 2% (lamotrigina, o mais seguro) e 9% (valproato, o menos seguro), mas a epilepsia em si também aumenta dobra ou triplica o risco. Em um grupo de 500 mulheres com epilepsia que não tomavam nenhum medicamento anticonvulsivante a incidência foi de 8,5% de deformidades fetais. Quanto mais graves as crises maior o risco.Cristina Rebordosa e Cristina Aguilera. Seguridad de los fármacos antiepilépticos durante el embarazo. Medicina Clínica Vol. 122. Núm. 17. Maio de 2004. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22551726 Há casos relatados de danos ao feto provocados pelo uso do medicamento tais como: espinha bífida, deformação de crânio e face e lesões em outros sistema do organismo. A carbamazepina passa para o leite materno.

Ligações externas

Tegretol no Drugs.com

Categoria:Antiepiléticos e anticonvulsivantes Categoria:Medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde Categoria:Indutores de CYP3A4 Categoria:Pró-fármacos Categoria:Ureias Categoria:Moduladores alostéricos positivos ao receptor GABAA Categoria:Antidiuréticos Categoria:Dibenzazepinas