Trombina (fator II ativado) ou fibrinofermento é uma proteína do tipo das serinas protease¹ ()² e portanto age clivando proteínas em determinados sítios. A sua principal função é converter fibrinogênio em fibrina (proteína filamentar), desempenhando um papel fundamental no processo de coagulação. Serina protease: tipo de enzima chave nos processos de hemostase e trombose.
Geração A trombina é produzida da protrombina, que é essencialmente o estado inativo desta proteína. A protrombina é produzida no fígado.
Fatores ativados de coagulação Xa e Va formam um complexo que é responsável pela conversão da protrombina em trombina. Deficiência de vitamina K ou administração de warfarin¹ afetam negativamente o funcionamento da trombina.
(¹Warfarin: 3-(alfa-acetonilbenzilo) 4– hidróxi cumarina: um anticoagulante sintético usado terapeuticamente em medicina clínica e como agente para roedor, em doses letais.
Genética O gene da protrombina tem seu locus (localização) no décimo-primeiro cromossomo (11p11-q12). miniaturadaimagem|Ancoragem da protrombina bovina à membrana através do seu domínio Gla.;
Estrutura O peso molecular da protrombina é de aproximadamente 72 000 Da. O domínio catalítico é libertado do fragmento 1.2 da protrombina para criar a enzima ativa trombina, que tem um peso molecular de 36 000 Da. Estruturalmente, é um membro do grande das proteases.
A protrombina é composta por quatro domínios: um N-terminal, dois domínios kringle e um domínio serina protease C-terminal semelhante à tripsina. O fator Xa, com o fator V como cofator, leva à clivagem dos domínios Gla e dois Kringle (formando juntos um fragmento chamado fragmento 1.2) e deixa a trombina, composta exclusivamente pelo domínio serina protease.
Tal como acontece com todas as serinas proteases, a protrombina é convertida em trombina ativa pela proteólise de uma ligação peptídica interna, expondo um novo N-terminal Ile-NH3. O modelo histórico de ativação das proteases de serina envolve a inserção deste N-terminal recém-formado da cadeia pesada no barril β, promovendo a conformação correta dos resíduos catalíticos. Ao contrário das estruturas cristalinas da trombina ativa, estudos de espectrometria de massa de troca de hidrogénio-deutério indicam que este N-terminal Ile-NH3 não é inserido no barril β na forma apo da trombina. No entanto, a ligação do fragmento ativo da trombomodulina parece promover alostericamente a conformação ativa da trombina através da inserção desta região N-terminal. miniaturadaimagem|Papel da trombina na cascata da coagulação sanguínea
Ação
Coagulação Em uma pessoa normal, o processo de coagulação inicia-se segundos após uma ferida atingir o vaso sanguíneo endotélio; quando plaquetas formam uma parede hemostática no lado da ferida. Isto é chamado hemostasia primária (não confundir com hematose). A hemostasia secundária segue quando os componentes do plasma chamados fatores de coagulação¹ respondem (em uma cascata complexa), para formar fibras de fibrina que fortalecem a tampa de plaquetas. Ao contrário do que a crença popular diz, a coagulação de um corte na pele não é iniciado pelo ar ou por secagem, mas porque as plaquetas aderem ao lado de fora dos vasos sanguíneos e pele, e são ativadas pelo colágeno. As plaquetas ativadas, então, liberam grânulos que contém proteínas pro-coagulantes, que realizam coagulação posterior.
O uso de produtos químicos adsorventes, como o Zeolite, e de outros agentes hemostáticos, está também sendo explorado para tampar ferimentos graves rapidamente. ¹A Trombina é o fator de coagulação II ativado.
Cascata de Coagulação A Cascata de Coagulação é um processo complexo no qual vários fatores de coagulação e substâncias atuam para obter uma tampa que fecha uma ferida em um vaso sanguíneo. Ocorre na hemostasia secundária.
A forma ativa do fator II, trombina, tem um número de efeitos em outras proteínas coagulantes. Seu efeito principal é a conversão de fibrinogênio em fibrina, mas também age sobre:
os fatores XI (plasma trombomplastina antecente) e VIII (uma glicoproteína produzida no fígado), aumentando o fluxo dentre os caminhos intrinseco da coagulação; ativa o fator V (proacelerina) o que aumenta a produção de protrombina; e ativa o fator XIII que liga moléculas de fibrina, estabilizando o coágulo.
Plaquetas A trombina promove o agregamento das plaquetas.
Inibidores e fibrinólise Interessantemente, a trombina ativa a proteína C, que inibe a coagulação. Isso acontece na superfície do endotélio, em uma proteína chamada trombomodulina. A formação da proteína C ativada é importante para a digestão dos fatores de coagulação Va e VIIIa. Portanto, a trombina além de transformar o fibrinogênio em fibrina, ele também retarda o processo de coagulação (provavelmente, de modo que este não ocorra descontroladamente). Fatores genéticos como o Fator V de Leiden podem interferir diretamente nesse sistema de autocontrole. Nesses casos a ineficiência desse autocontrole da coagulação (via proteína C) pode ocasionar uma hipercoabilidade do sangue, favorecendo a formação de trombos (coágulos) nas veias, cuja condição clínica é a trombose.
A trombina, também inicia a fibrinólise (junto com o fator XII).
Ver também Trombospondina 1
Bibliografia Poort SR, Rosendaal FR, Reitsma PH, Bertina RM. A common genetic variation in the 3' untranslated region of the prothrombin gene is associated with elevated plasma prothrombin levels and an increase in venous thrombosis. Blood 1996;88:3698-703. PMID 8916933. ²EC: Enzyme Commission numbers - número para identificar enzimas. O site expasy.org possui informações sobre esta enzima.) Este artigo foi traduzido e adaptado do artigo em inglês, Thrombin. Retirado do Dicionário Rossetti)
Categoria:Genes no cromossoma 11 Categoria:Coagulação Categoria:Proteínas de fase aguda Categoria:EC 3.4.21 Categoria:Proteínas periféricas de membrana