Ashtar Sheran (ou simplesmente Ashtar) é uma personagem central nas religiões UFO e na Nova Era, descrita por adeptos como um ser que opera a partir de um plano superior de existência e que comanda uma frota intergaláctica. Desde os anos 1950, diversas pessoas alegaram ter recebido mensagens canalizadas de Ashtar, tornando-o uma figura proeminente na ufologia e no espiritualismo contemporâneos.

Ashtar Sheran é interpretado de diferentes formas por diversos grupos religiosos e esotéricos. Para alguns, seria um anjo de alto nível hierárquico; para outros, um extraterrestre benevolente. Entre os adeptos da Fraternidade Branca difundida por Helena Blavatsky, Ashtar é identificado com Serápis Bei, um Mestre Ascenso. Na Umbanda, há quem o familiarize com o caboclo Sete Encruzilhadas ou com o preto velho Pai Tomaz. Sua existência como ser do plano físico teria se dado na pessoa do personagem mitológico kemético Osíris, segundo algumas interpretações.

Academicamente, Ashtar Sheran é estudado como um fenômeno sociológico e religioso dentro das religiões UFO, grupos espirituais que incorporam narrativas de contato extraterrestre em suas crenças. O conceito de Ashtar evoluiu ao longo das décadas, passando de uma entidade extraterrestre física para interpretações mais espiritualizadas e multidimensionais.

História

Origens: George Van Tassel (1952)

As primeiras alegações de contato com Ashtar remontam a 18 de julho de 1952, quando o engenheiro aeronáutico norte-americano George Van Tassel afirmou ter recebido uma mensagem telepática da entidade. Van Tassel, que já organizava conferências de meditação em Giant Rock, Califórnia, desde 1947, descreveu Ashtar como um comandante de uma estação espacial que supervisiona a Terra.

Outros contatados notáveis

MFK-Berlim

Em 1956, Ashtar teria contatado um círculo de médiuns alemães liderado por Herbert Victor Speer e seus filhos Uwe Speer e Monika-Manuela Speer, conhecido como "MFK-Berlin" ou "Círculo de Médiuns da Paz de Berlim".

O círculo de médiuns alemães manteve contatos telepáticos com Ashtar até aproximadamente 1975, gerando diversas obras publicadas. No Brasil, em 1965, foi lançado o livro A Grande Missão Celeste de Ashtar Sheran à Humanidade da Terra, contendo três obras do MFK-Berlin: Antes da Aterrissagem (original: Vor der Landung) - 1958 Veritas Vincit - 1959 De Estrela em Estrela (original: Von Stern zu Stern) - 1960

Eugênio Siragusa

O italiano Eugenio Siragusa, cujos avistamentos de OVNIs remontam a 1952, alegou ter tido encontros físicos com seres extraterrestres em 1962 no monte Manfré, na Sicília. Segundo Siragusa, Ashtar Sheran e outro extraterrestre chamado Ithacar estavam presentes nesse encontro.

Paulo Antonio Landulfo Fernandes

No Brasil, o baiano Paulo Antonio Landulfo Fernandes destacou-se como contatado de Ashtar Sheran. Em 1969, aos 21 anos, Fernandes alegou ter tido um encontro físico com a entidade. A pedido de Ashtar, Fernandes fundou em 1973 o CEEAS – Centro de Estudos Exobiológicos Ashtar Sheran, instituição com bases filosóficas, científicas e espiritualistas.

Em 1972, Paulo Fernandes lançou o livro O Jovem que se Encontrava com Extraterrestres.

Comando Galáctico Ashtar

Segundo as narrativas dos contatados, Ashtar Sheran seria o líder de um "Comando Galáctico Ashtar" (também chamado de "Ashtar Galactic Command"), uma organização intergaláctica responsável por supervisionar e proteger a Terra. Esta organização operaria dentro das leis do livre arbítrio e responderia aos apelos humanos.

Nas descrições fornecidas por ufólogos, Ashtar Sheran seria um ser loiro, de 1,90 m de altura, com olhar penetrante, que transmitiria enorme paz. Presidiria uma espécie de ONU intergalática, da qual Jesus Cristo (chamado de Lord Sananda em algumas narrativas) seria o Governador espiritual representante da Terra.

Eventos notáveis

Interrupção da Southern Television (1977)

Em 26 de novembro de 1977, às 17h10 GMT, durante uma transmissão do noticiário da ITN pela Southern Television no sul da Inglaterra, o áudio teria sido substituído por uma voz profunda que se identificou como Vrillon, representante do Comando Galáctico Ashtar. A mensagem durou aproximadamente seis minutos e alertava sobre os perigos das armas nucleares e a necessidade de a humanidade viver em paz.

A Independent Broadcasting Authority (IBA) rapidamente declarou o evento como uma fraude técnica, embora os responsáveis nunca tenham sido identificados.

Gravação no Brasil (1996)

No Brasil, em 1996, uma fita K-7 foi interceptada contendo uma mensagem psicofônica assinada por Ashtar Sheran, identificando-se como comandante dos Homens do Espaço. Na gravação, uma voz de tom bélico apresentava-se como Ashtar e expunha a presença dos Homens do Espaço com o objetivo de auxiliar os seres humanos em seu caminho evolutivo, alertando sobre bombas atômicas, guerras e caos.

A mensagem também afirmava estar atuando a serviço do "Rei dos Reis", em uma missão descrita como ingrata. A interceptação teria ocorrido no mesmo período em que o governo brasileiro reconheceu oficialmente a existência de vida alienígena, tornando-se o segundo país do mundo a fazê-lo.

Interpretações religiosas

Ashtar Sheran é interpretado de formas distintas por diversos grupos religiosos e esotéricos, demonstrando um alto grau de sincretismo religioso.

Para adeptos da Fraternidade Branca difundida por Helena Blavatsky, Ashtar é identificado com Serápis Bei, um Mestre Ascenso, conceito que se sincretiza com os Bodhisattvas da tradição budista. Nesta interpretação, Ashtar seria um ser que alcançou um nível intelectual e moral equiparável à divindade.

Na tradição kemética, sua existência como ser do plano físico teria se dado na pessoa de Osíris. Para os hindus, Ashtar estaria relacionado a Babaji, um ser eterno que teria contatado yogis por séculos nas montanhas da Índia.

Na Umbanda brasileira, Ashtar é familiarizado com o caboclo Sete Encruzilhadas e/ou o preto velho Pai Tomaz.

O conceito de Ashtar reflete temas recorrentes nas religiões UFO: preocupação com armas nucleares, mensagens de paz, evolução espiritual da humanidade e a ideia de seres avançados que supervisionam o desenvolvimento terrestre. Brenda Denzler, em The Lure of the Edge (2001), examina como as narrativas de Ashtar se encaixam nos padrões mais amplos das crenças ufológicas americanas.

A capacidade de Ashtar de adaptar sua mensagem e até mesmo sua aparência física aos sistemas de crenças dos receptores é notada como um aspecto significativo do fenômeno. Diferentes observadores descrevem Ashtar de formas variadas, refletindo suas próprias expectativas culturais e religiosas.

Na cultura popular

A figura de Ashtar Sheran se consolidou na consciência coletiva como uma lenda urbana, com muitas pessoas afirmando ter contato com a entidade principalmente por meio de sonhos, visões e canalizações telepáticas. Isso torna Ashtar um personagem da crendice mundial que sintetiza a existência de civilizações e etnias diferentes das conhecidas, remetendo a conceitos de extraterrestres intraterrestres, intradimensionais e seres ocultos.

Referências

Ligações externas

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