Álvaro de Castro (c. 1420 - Arzila, 24 de Agosto de 1471), 1.º Conde de Monsanto, foi um nobre português do século XV.
Terá sido um dos primeiros vinte e sete Cavaleiros a receber a Ordem da Torre e Espada.Sousa, António Caetano, História Genealógica da Casa Real Portuguesa, Tomo III, pág. 7A Torre e Espada para o piloto Nascimento Costa, por António do Valle-Domingues, A Voz, 18 de Março de 1961
Família D. Álvaro de Castro era filho primogénito de D. Fernando de Castro, 1.º Senhor de juro e herdade de Ançã, de juro e herdade de São Lourenço do Bairro, do Morgado do Paul do Boquilobo e da Quinta da Penha Verde, em Sintra, e de sua primeira mulher Isabel de Ataíde.
O seu pai era Fidalgo de antiquíssima linhagem que remontava, por legítima varonia, ao Rei D. Ramiro III de Leão no século X, era filho secundogénito de D. Pedro de Castro, 1.º Senhor do Cadaval, provinha da linhagem de D. Álvaro Pires de Castro, 1.º Conde de Arraiolos, 1.º Conde de Viana da Foz do Lima e 1.º Condestável do Reino de Portugal, e foi Alcaide-Mor da Covilhã, Governador da Casa do Infante D. Henrique e Vedor da Fazenda de D. Afonso V.
A sua mãe era filha de Martim Gonçalves de Ataíde, Alcaide-Mor de Chaves, e irmã de D. Álvaro Gonçalves de Ataíde, 1.º Conde de Atouguia.
Entre os seus irmãos contam-se D. Garcia de Castro, 4.º Senhor de juro e herdade do Paul do Boquilobo, D. Henrique de Castro, prior do Crato, D. Isabel de Castro, mulher de D. Duarte de Meneses, 3.º Conde de Viana da Foz do Lima e 2.º Conde de Viana do Alentejo, e D. Catarina de Castro, mulher de D. Álvaro Vaz de Almada, 1.º Conde de Avranches, com geração, tendo voltado a casar, depois de viúva, com seu primo irmão, D. Martinho de Ataíde, 2.º Conde de Atouguia, sem geração.
Biografia Foi grande Senhor no Reino de Portugal, muito Nobre, de grande Casa e de muitas Companhas. Desde muito novo tomou parte em acções guerreiras. Foi muito bom Cavaleiro e passou a Tânger na altura da tentativa da sua Conquista em 1437. Estava com o Infante D. Henrique quando este ficou cercado e o então 3.º Conde de Arraiolos acudiu que se perdiam os Portugueses e, pela sua parte, D. Álvaro de Castro saiu, matou muitos e recolheu-se a salvo com grande honra.
Em Abril de 1441, partiu para Ceuta com alguns navios D. Fernando de Castro, levando com ele seu filho, D. Álvaro de Castro. D. Fernando de Castro morreu logo além do Cabo de São Vicente, num combate contra uma carraca de Corsários Genoveses, no qual seu filho pelejou muito valentemente e ficou muito ferido. D. Álvaro de Castro, que estava com ele quando o mataram, veio enterrar o pai em Faro e seguiu para Ceuta com o negócio que seu pai levava, para o acabar, e aí foi curado das feridas que trazia, e que sofrera na peleja da carraca. Ali revelou os poderes que seu pai levava e lhe transmitira para entregar a Praça ao Vizir Oatácida do Reino de Fez, , chamado Lazeraque (Estrábico), que governava em nome do Sultão do Império Merínida, , em troca do Infante D. Fernando de Portugal. Mas nunca as negociações chegaram a qualquer resultado por impossibilidade de crer na palavra do mouro. O Infante D. Pedro, vendo como os mouros não queriam tomar conclusão na liberdade do Infante D. Fernando, mandou vir D. Álvaro de Castro para o Reino, o que se fez sem fazer nada no negócio a que ia.
Sucedeu a seu pai nas terras que ele teve como 2.º Senhor de juro e herdade de Ançã, de juro e herdade de São Lourenço do Bairro, com todos os Padroados e privilégios destes Senhorios, do Morgado do Paul do Boquilobo e da Quinta da Penha Verde, em Sintra e Alcaide-Mor da Covilhã, tendo sido igualmente Fronteiro-Mor da Covilhã.
A 31 de Julho de 1441, D. Pedro, Regente do Reino durante a menoridade de D. Afonso V, doa a D. Álvaro de Castro, que casou com D. Isabel, sua sobrinha (por cortesia, aliás meia-prima em segundo grau), a quantia de 4.500 coroas por dote de casamento.
Entre 31 de Julho de 1441 e 20 de Abril de 1444, foi feito pelo mesmo Regente D. Pedro Fidalgo do Conselho.
Quando, em 1443, o Regente D. Pedro de Portugal, 1.º Duque de Coimbra, na menoridade de D. Afonso V de Portugal, quis auxiliar o Rei D. João II de Castela e o seu valido, o Condestável da Coroa de Castela D. Álvaro de Luna, 1.º Duque de Trujillo e 1.º Conde de Ledesma, contra os Infantes de Aragão, cunhados e primos-irmãos do Soberano de Castela, mandou-lhe um Exército de 2.000 homens de cavalo e 4.000 homens de pé, comandados por seu filho, D. Pedro de Portugal, com o título de 5.º Condestável do Reino de Portugal e recém-armado Cavaleiro, com catorze anos apenas. O Comando efectivo exercia-o, provavelmente, D. Álvaro de Castro, com D. Lopo de Almeida, futuro 1.º Conde de Abrantes, e seu cunhado (marido de sua irmã) D. Duarte de Meneses, 3.º Conde de Viana do Alentejo e 2.º Conde de Viana da Foz do Lima, e, assim, as Tropas Portuguesas entraram em Castela por Ciudad Rodrigo e, apenas pelo seu movimento estratégico, concorreram para a derrota dos rebeldes, a quem obrigaram a dar batalha nas piores condições.
A 20 de Abril de 1444, D. Pedro, Regente em nome de D. Afonso V, privilegia D. Álvaro de Castro, Conselheiro, Senhor de Cascais, concedendo-lhe licença para dar das 4.500 coroas que lhe foram doadas por seu casamento, 1.500 coroas a D. Maria de Castro, sua irmã, que casara com D. Álvaro de Sousa, Fidalgo da Casa Real, a serem pagas pelo Almoxarifado de Portalegre, ficando D. Álvaro de Castro com 3.000 coroas, das quais receberia de tença 30.000 reais brancos, a serem pagas pelo Almoxarifado de Sintra, a partir de 1 de Janeiro de 1444.
A 11 de Abril de 1445, D. Pedro por D. Afonso V concede Carta de Privilégio a D. Álvaro de Castro, Senhor de Cascais e do seu Conselho, para todos os seus lavradores, caseiros, amos, mordomos e apaniguados que estiverem nas suas quintas, casais e herdades, isentando-os de pagar os diversos impostos e encargos concelhios, de irem com presos e dinheiros, de serem Tutores e Curadores, de servirem por terra e mar, bem como do direito de pousada.
Entre 11 de Abril de 1445 e 10 de Agosto de 1446, foi feito pelo Infante D. Pedro Camareiro-Mor da Casa Real do Rei D. Afonso V.
A 10 de Agosto de 1446, D. Pedro, em nome de D. Afonso V, confirma a D. Álvaro de Castro, Senhor de Cascais, Camareiro Régio, do seu Conselho, a sua autoridade sobre todos os homens que com ele sirvam, quer sejam Cavaleiros, Fidalgos ou Escudeiros.
A 10 de Agosto de 1446, D. Afonso V, através de seu tio e Regente, envia a Castela uma armada comandada por D. Álvaro de Castro, Senhor de Cascais, Camareiro-Mor, do seu Conselho, com objectivo de requerer a prisão de Corsários naturais de Castela que, contrariando o contrato celebrado entre os dois Reinos, realizaram actos de pirataria.
A 31 de Setembro de 1449, D. Afonso V confirma a doação a D. Álvaro de Castro, do seu Conselho, Camareiro-Mor, da sesmaria do Paul de Boquilobo, perto de Torres Novas, mediante determinadas condições. Documento Inserto: Carta de D. Duarte I de Portugal de 26 de Maio de 1434-8.
A 10 de Outubro de 1449, D. Afonso V confirma doação a D. Álvaro de Castro, do seu Conselho, Camareiro-Mor, casado com D. Isabel, neta do Dr. João das Regras, da vila de Cascais e seu termo e o Reguengo de Oeiras com todas as jurisdições, senhorios e pertenças. Documentos insertos: Carta de D. Duarte I de 2 de Junho de 1436 e Carta de D. João I de Portugal de 8 de Maio de 1397.
A 20 de Abril de 1450, D. Afonso V confirma a doação a D. Álvaro de Castro, Senhor de Cascais, do seu Conselho, Camareiro-Mor, da tença anual de 30.000 reais, por seu casamento, até perfazer a quantia de 3.000 coroas. Documento inserto de 20 de Abril de 1444.
D. Álvaro de Castro outorga, pelo casamento entre D. Maria de Castro, sua irmã, e D. Álvaro de Sousa, a verba de 1.500 coroas.
A 20 de Abril de 1450 D. Afonso V confirma a D. Álvaro de Castro, Camareiro-Mor e do seu Conselho, Senhor de Cascais, a transferência de 180.000 reais brancos, pelo casamento de Vasco Pereira, Fidalgo do Infante D. Pedro, com D. Isabel Pereira, Donzela da Casa do dito Infante, a serem pagos no Almoxarifado do Porto, até perfazer a quantia de 1.500 coroas. Documento inserto de 23 de Maio de 1446.
Quando, por efeitos da conjura contra D. Pedro, até após a sua morte no trágico desfecho da Batalha de Alfarrobeira a 20 de Maio de 1449, as cabalas palacianas, urdidas em torno de D. Afonso V, não deixavam de atacar os descendentes do infortunado Regente, uma das mais vis intrigas que promoveram certos Fidalgos, nomeadamente o 1.º Duque de Bragança D. Afonso I e os seus dois filhos e os seus partidários, foi a que, para meterem mal entre ambos e, com isso, afastarem o Monarca da Rainha, que era filha do malogrado Infante, fabricaram contra esta, arguindo-a de adúltera e dando-lhe como cúmplice o Camareiro-Mor da Casa Real, o qual quiseram inimizar com o Rei. D. Álvaro de Castro chegou a estar preso, pois os Braganções, estando o Rei fora, prenderam-no no Castelo de Lisboa, mas o dito jovem Monarca, quando veio e lhe disseram que o prenderam porque falava de amores com a Rainha, não se persuadiu do que diziam, reagiu contra a tenebrosa maquinação e mandou logo soltar o seu Camareiro-Mor, pelo "verdadeiro conhecimento que El-Rei tinha das muitas e limpas bondades da Rainha e da grande lealdade do Conde", no dizer de Rui de Pina, e lhe fez muitas honras e distintas mercês, e foi muito valido de D. Afonso V.
A 29 de Março de 1454, D. Afonso V privilegia D. Álvaro de Castro, do seu Conselho, Camareiro-Mor, mandando que todos os lavradores que lavrem num seu paul nos termos das vilas de Santarém e Torres Novas, percam o pão a que têm direito, se levarem algum das eiras ou das restevas, sem lhe darem conhecimento, bem como estabelece multas para os donos de gado que for apanhado dentro do dito paul.
A 8 de Janeiro de 1455, D. Afonso V doa vitaliciamente, posteriormente hereditariamente, a D. Álvaro de Castro, do seu Conselho, Senhor de Cascais, Camareiro-Mor, a vila de Castelo Mendo, com jurisdição do cível e crime, mero e misto império com todas as rendas, direitos, portagens, foros, tributos e direitos régios, reservando para si a correição e alçada, e teve os Senhorios de Castelo Mendo, do Reguengo da Póvoa de El-Rei, junto a Trancoso, de Vila Franca das Naves e de Bouça Cova com todas as rendas, direitos, Padroados de Igrejas e privilégios destes Senhorios.
A 28 de Fevereiro de 1455, D. Afonso V nomeia D. Álvaro de Castro, do seu Conselho, Camareiro-Mor, para o cargo de Alcaide-Mor do castelo da vila de Castelo Mendo, em substituição de Galiote Pereira, Cavaleiro da sua Casa.
A 4 de Março de 1455, D. Afonso V confirma o privilégio a D. Álvaro de Castro, Senhor de Cascais, do seu Conselho, Camareiro-Mor, concedendo aos 12 lavradores que morarem e lavrarem no seu paul de Vila Nova, Torres Vedras, isenção dos encargos e ofícios do Concelho, não sejam Tutores ou Curadores, de ir com presos ou dinheiros, dos impostos gerais, de serem besteiros do conto, de ir à guerra, bem como do direito de pousada. Documento inserto: Carta de Privilégio do Infante D. Pedro de 3 do Abril de 1448.
Entre 4 de Março de 1455 e 24 de Janeiro de 1463, foi feito Fronteiro-Mor de Lisboa.
O título de 1.º Conde de Monsanto foi-lhe concedido por mercê de D. Afonso V, por Carta de 21 de Maio de 1460, com doação simultânea do Senhorio da respectiva vila e do Reguengo de Medelim. Foram suas Armas: o escudo pleno dos de Castro de seis arruelas, de prata, seis arruelas de azul postas em duas palas, três a três; timbre novo (distintivo deste ramo), pelo qual trocou o de sua família, e que era um leão de prata carregado de seis arruelas de azul postas em duas palas, três a três: um caranguejo de prata, carregado de seis arruelas de azul postas em duas palas, três a três (em clara alusão ao Senhorio e à Alcaidaria-Mor de Cascais, que lhe vinham por afinidade); com Coroa de Conde.