A Parábola dos Trabalhadores na Vinha (também chamada de Parábola do Empregador Generoso ou Trabalhadores da Última Hora) é uma parábola de Jesus que aparece em apenas em . Jesus afirma que qualquer "operário" que aceita o convite para o trabalho na vinha (dito por Jesus para representar o Reino dos Céus), não importa o quão tarde do dia, receberá uma recompensa igual com aqueles que foram fiéis por mais tempo.

É nesta parábola (e também no episódio de Jesus e o jovem rico, em Mateus 19) que Jesus afirma que os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos, outra frase sua que se tornaria muito conhecida.

Narrativa bíblica

Interpretação miniaturadaimagem|Pintura da parábola, de Jacob Willemszoon de Wet, meados do século XVII O denário, uma moeda de prata, que era o salário normal para um dia de trabalho e o sentido da história depende da audiência concordar que é de fato o salário justo para um dia trabalhadoR. T. France, The Gospel of Matthew, Eerdmans, 2007, ISBN 080282501X, pp. 746-752. As horas aqui são medidas a partir das 6:00 da manhã, de modo que a "undécima" seria entre cerca de 16:00 e 17:00Craig S. Keener, A Commentary on the Gospel of Matthew, Eerdmans, 1999, ISBN 0802838219, pp. 481-484. Os trabalhadores são homens pobres que trabalham como peões temporários durante a época de colheita e o empregador percebe que todos eles precisarão de um salário pelo dia inteiro para alimentar suas famílias O pagamento segue diretrizes do Antigo Testamento: .

Em contraste com parábolas rabínicas com um tema similar, esta sublinha a graça divina livre, sem qualquer sentido de "ganhar" algum favorecimento de Deus. Por isso, se assemelha à Parábola do Filho Pródigo.

A parábola tem sido muitas vezes interpretada como significando que mesmo aqueles que são convertidos mais velhos podem esperar recompensas idênticas à dos convertidos jovens. Uma interpretação alternativa identifica os trabalhadores que começaram mais cedo como sendo os judeus, alguns dos quais se ressentem dos gentios sendo recebido como iguais no Reino de DeusAmbas discutidas em Complete Commentary on the Whole Bible (1706), de Matthew Henry.. No entanto, Arland J. Hultgren escreve:

Alguns comentaristas têm usado a parábola para justificar o princípio de um "salário digno"William Sloane Coffin, The collected sermons of William Sloane Coffin: the Riverside years, Volume 1, Westminster John Knox Press, 2008, ISBN 0664232442, p. 109. embora geralmente admitindo que este não é o ponto principal da parábola. Um exemplo é John Ruskin, que cita a parábola no título de seu livro (Unto this last), mas sem discutir o significado religioso dela, se atendo às implicações sociais e econômicas de sua interpretação.

Exegese A Edição Pastoral da Bíblia comenta a passagem por meio de uma nota de rodapé relativa EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS 20, acesso em 08 de fevereiro de 2014., que diz que:

A Bíblia de Jerusalém comenta essa Parábola por meio de notas de rodapé e indicações de paralelismo/correlação, nas quais observa que: ao pagar o salário integral aos trabalhadores que ao final do dia, o senhor da vinha demonstrou uma bondade que vai além da justiça, mas sem ofendê-la; os primeiros (aqueles que mantém uma aliança com Deus desde o tempo de Abraão) não devem se escandalizar com o fato de Deus admitir em seu Reino também os que chegaram mais tarde (pecadores e pagãos); o pagamento do salário ao final do dia () era uma prescrição encontrada em passagens do Antigo Testamento, como por exemplo em e ; existem correlações entre e e entre e .

A Bíblia do Peregrino, que denomina essa Parábola como "os diaristas da vinha", tece comentários por meio de uma nota de rodapéAlém disso, a Bíblia do Peregrino faz comentários específicos a:

, no qual observa que: é o início de uma série de três parábolas sobre a vinha, que é uma das imagens de Israel em alguns textos do Antigo Testamento (ex.: e ), e que no contexto do cristianismo, é uma imagem da Igreja; , no qual explica que: a diária (diurnalis) era do nascer ao por do sol e era objeto de pagamento diário; , no qual explica que: é possível deduzir que os últimos fossem gente necessitada, sem trabalho e sem diária; , no qual sustenta que: a inversão da ordem natural seria significava (cf. , e ); , no qual:

observa que, em línguas semíticas, mesquinhez e inveja têm características semelhantes; recomenda a leitura de Eclesiástico 14:3-10;

, no qual observa que: a sentença final pode ser aplicada à relação entre judeus (primeiros) e pagãos (últimos) ou a outras perspectivas, como à dicotomia entre aqueles que fazem boas obras (primeiros) e aqueles que dependem da generosidade de Deus (últimos). a - , na qual observa que: o primeiro versículo da perícope anuncia a mensagem que vai ser exposta, enquanto que o último reforça a mensagem central; no começo anuncia-se um inversão de valores que no final desemboca numa igualdade; a relação correta do homem com Deus decide-se no trabalho, quem quiser praticar boas obras fará um contrato com Deus; não é cabível alegar injustiça de Deus com base em uma perspectiva de justiça distributiva que exige proporção matemática entre trabalho e salário, pois trata-se de uma perspectiva que gera inveja e mesquinhez; não cabe exigir a proporção, mas aceitar com gratidão a desproporção, pois Deus não é injusto ao ser generoso; Jesus seria o capataz que vem para repartir; não há patrão melhor do que Deus, e portanto não cabe ao homem querer submetê-lo ao regime da justiça comutativa.

A Tradução Ecumênica da Bíblia, que denomina essa Parábola como "os operários da undécima hora", tece comentários por meio de notas de rodapé e indicações de paralelismo/correlação a: , para observar que a mesma frase também é encontrada em e em ; , para indicar que em e em são iniciadas outras parábolas que se utilizam da imagem da vinha; , para indicar que em há outra referência ao valor do salário diário; , para indicar que no Antigo Testamento existia a prescrição de pagar os operários ao final do dia (cf. e ); , que é traduzido como "não me é lícito fazer o que eu quero do que é meu? Ou então o teu olho é mau porque eu sou bom?", para: a palavra "olho" é utilizada nesse sentido também em ; dizer que: 2.1: é provável que esse fosse o último versículo da versão original da parábola, que seria destinada aos fariseus, assim como as parábolas encontradas em ; 2.2: Jesus que mostrar que a bondade de Deus ultrapassa os critérios humanos na retribuição concebida como um salário devido, sem contudo descambar na arbitrariedade, que não leva em conta a justiça; 2.3: Jesus convida a não se mostrar invejoso perante a liberalidade do amor de Deus; , para dizer que: esse último versículo é, provavelmente, um acréscimo feito à versão original; essa sentença foi empregada em em outro contexto, e aqui sublinha um traço episódico sobre a ordem da distribuição dos salários, descrita em ; os pagãos (últimos) que foram chamados depois dos judeus (primeiros) estariam alcançando a salvação (salário) antes; em alguns manuscritos encontra-se o acréscimo "pois a multidão, decerto, é chamada, mas poucos são os eleitos", sentença também empregada em , que parece indicar que poucos judeus aceitaram a salvação, que estava sendo aceita pelos últimos a serem chamados; essa mesma sentença também é empregada em: e .

Ver também

Ministério de Jesus Harmonia evangélica

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