Paracemomeno (; ) era uma posição cortesã bizantina, usualmente reservada para eunucos. Muitos de seus titulares, especialmente nos séculos IX-X, atuaram como os principais ministros do Império Bizantino.

História e funções

thumb|esquerda|upright|Aleixo Apocauco

O título era geralmente anacronisticamente referido, por vários escritores bizantinos, como tendo sido ostentado por proeminentes funcionários judiciais eunucos tais como Eufratas sob Constantino , o notório Crisáfio sob Teodósio II ou um anônimo sob Maurício . Contudo, foi mais provável que tenha sido criado apenas depois, no , e é primeiro atestado seguramente apenas sob , quando o cronista Teófanes, o Confessor registra a existência de três "cubiculários e paracemomenos".

No começo era um ofício modesto dado aos cubiculários (), os eunucos do "dormitório sagrado" imperial (), que eram encarregados de dormir fora do quarto do imperador durante a noite como uma medida de segurança. Como evidenciado por selos dos séculos VII-VIII, era usualmente combinado com outras funções palacianas, tais como o mestre da mesa (epi tes trapezes), e seus titulares possuíam dignidades inferiores tais como ostiário É possível que nos casos quando vários imperadores bizantinos reinavam ao mesmo tempo, um paracemomeno seria atribuído para cada.

A partir do , contudo, o ofício aumentou em importância, superando seu superior nominal, o prepósito, até chegar a ser considerado como o mais alto posto reservado para eunucos, com seus titulares elevados à dignidade de patrício. Nos próximos dois séculos, muitos dos titulares, alguns dos quais não eram eunucos, eram capazes de usar sua proximidade com a pessoa imperial para exercer considerável influência. Especialmente durante os reinos de imperadores fracos e desinteressados, homens como Samonas, José Bringas e Basílio Lecapeno atuaram como os principais, enquanto o imperador foi capaz de usar sua posição para eventualmente usurpar o trono de .

thumb|Samonas incitando o imperador Leão contra Andrônico Ducas. Miniatura do Escilitzes de Madri thumb|Constantino, o Paflagônio sendo tonsurado por ordens de Samonas. Miniatura do Escilitzes de Madri

Por volta do , o paracemomeno tinha assumido a maioria das antigas funções do prepósito. O posto continuou a ser importante no , mas parece que declinou no , quando também começou a ser atribuído - possivelmente como um título nobilitário ao invés de uma função ativa - para não-eunucos. O posto sobreviveu no Império de Niceia e no período Paleólogo, quando foi dividido em paracemomeno do dormitório imperial () e o paracemomeno do esfêndono (), sendo encarregado de manter o esfêndono, o selo pessoal do imperador, usado para selar a sua correspondência privada. Ambos os postos logo foram transformados em dignidades cortesãs da hierarquia imperial em meados do ; ao mesmo tempo, a maioria de seus titulares deixaram de ser eunucos palacianos, mas eram importantes nobres e administradores como Aleixo Apocauco.

Titulares conhecidos

Sob Teófilo , apenas um titular é conhecido, o ostiário Escolastício. O patrício Damiano serviu Miguel III até cerca de 856, e foi então substituído pelo favorito de Miguel, Basílio, o Macedônio. Após a ascensão de Basílio como coimperador em 866, o ofício era ocupado por certo Rentácio até o assassinato de Miguel III. A julgar pela sua própria experiência, que o ofício era muito poderoso e próximo do imperador, Basílio I não nomeou um paracemomeno. Seu filho e sucessor, reviveu o ofício em 907 nomeando seu favorito Samonas, que até então era um protovestiário. Ele manteve o posto até sua desgraça no verão de 908. Ele foi substituído por Constantino, o Paflagônio, que manteve o ofício até cerca de 919 com exceção no reinado de Alexandre , que instalou o patrício Barbato em seu lugar. nomeou seu assessor de confiança Teófanes como paracemomeno.

thumb|esquerda|A frota comandada por Teófanes foi vitoriosa na guerra contra os rus' em 941. Miniatura do Escilitzes de Madri

thumb|esquerda|O paracemomeno Teófanes (direita, beijando a imagem) recebe o Mandílio. Miniatura do Escilitzes de Madri

Teófanes foi retido por até 947, quando ele foi substituído por Basílio Lecapeno. Lecapeno, o filho bastardo do imperador Romano I, desempenharia um dominante papel na história bizantina durante os próximos quarenta anos, derrubando imperadores e servindo como regente virtual ou co-regente (paradinástevo) do império por mais de trinta anos, compreendendo os reinados de e , e o começo do reinado de até sua demissão em 985. Basílio foi substituído sob pelo capaz José Bringas, que também exerceu de fato controle sobre o Estado, mas foi derrubado por Lecapeno após a morte de Romano II.

No , o mais importante titular do ofício foi Nicolau, que era paracemomeno e proedro bem como doméstico das escolas sob Constantino VIII e serviu novamente nos mesmos ofícios por um tempo sob . João Comneno, um parente do imperador , foi nomeado como paracemomeno e confiado como o encargo dos assuntos do Estado juntamento com Gregório Taronita. No final do , o eunuco Nicéforo Enopolita sob e o eunuco João Enopolita sob são os únicos titulares conhecidos.

No Império de Niceia, titulares conhecidos são Aleixo Crátero (atestado cerca de 1227-1231) sob e Jorge Zagaromata sob . nomeou um agente de confiança dele, o refugiado turco chamado Basílio que serviu como paracemomeno do dormitório imperial durante seu primeiro reinado (1259-1261). Após tornar-se imperador único em 1261, Miguel nomeou João Macreno ao posto. Macreno participou na campanha para recuperar a Moreia dos latinos e lutou nas batalhas de Prinitza e Macriplagi, sendo capturado na última. Ele mais tarde retornou para Constantinopla onde foi acusado de traição e cegado. Três paracemomenos do esfêndono são conhecidos sob Miguel VIII: Isaac Ducas (tio de Miguel), Gabriel Esfrantzes (sobrinho de João I Ducas) e Constantino Ducas Nestongo (outro parente do imperador).

Quatro paracemomenos são conhecidos sob : Andrônico Cantacuzeno, Andrônico Comneno Ducas Paleólogo Tornício, João Facrases, autor de um tratado de ofícios imperiais, e um general, João Cumno, o filho mais velho do acadêmico e ministro Nicéforo Cumno. Talvez o mais famoso dos últimos paracemomenos bizantinos foi o capaz e ambicioso Aleixo Apocauco, um homem de nascimento humilde que cresceu em ofício como um protegido de João VI Cantacuzeno e o principal instigador da guerra civil bizantina de 1341-1347. Ele foi feito paracemomeno em 1321, e ostentou o posto até sua elevação ao posto de mega-duque em 1341. Finalmente, os últimos titulares conhecidos são, sob , Ângelo Calotetes, atestado em uma carta em 1362, e Teofilacto, que foi enviado como um emissário ao papa Urbano V em 1367.

Bibliografia

Categoria:Paracemomeno